Da arte de perder

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No ano passado, eu li “Diga aos lobos que eu estou em casa” , de Carol Rifka Brunt, para um clube do livro que eu participo no Goodreads. Nele, June, a narradora, uma menina de catorze anos, está lidando com a morte recente de Finn, seu tio e padrinho, e sua pessoa favorita no mundo. O livro se passa nos anos oitenta, sendo que June mora em um subúrbio de New York, mas com visitas frequentes à cidade, que era onde o tio morava.

Finn era um artista conhecido e, quando sente que começa a sucumbir a AIDS, decide pintar um retrato das sobrinhas, June e Greta. A mãe de June concorda e leva as filhas para visitá-lo no seu apartamento. As irmãs tem um relacionamento difícil. Greta, um pouco mais velha e com um talento para cantar é a estrela da peça da escola, enquanto June é esquisita e solitária; gosta de ouvir o Réquiem de Mozart e de se imaginar vivendo na Idade Média. Ela se sente incompreendida por todos, só encontrando um igual em Finn, e por isso ela fica devastada com a morte dele. No enterro do tio, June descobre que ele tinha um namorado, Toby, e ela fica em choque ao imaginar que existia toda uma parte da vida dele que ela simplesmente ignorava. Toby tenta então fazer amizade com June (o que eu achei mega esquisito, porque ele é um adulto e tudo bem que ele está sofrendo, mas a menina tem 14 anos… Mas vá lá, licença poética). Enfim, depois de um tempo os dois acabam formando uma amizade da qual a base é a memória de Finn.

O interessante do livro é que ele fala de perda e de relações familiares sem nenhum filtro. Como a narradora é jovem, ela ainda não é madura para entender todas as interações de que participa, nem mesmo as suas próprias emoções. Para ser bem honesta, June é meio irritante. Mas no contexto do livro, é importante ela ser assim, tapada, ingênua e egoísta. Quem com catorze anos não era um pouco (ou muito) dessas coisas? Outra coisa bacana do livro é abordagem do tema artístico. O quadro que Finn pinta das sobrinhas vira alvo de especulação no mercado de arte, pois havia tempos que ele não exibia nenhum trabalho novo. Mas as irmãs tinham transformado o quadro em uma forma de comunicação entre elas. Se o papel da arte é expressar, então se era que elas já não haviam dado ao quadro seu melhor uso? Se o quadro era delas e para elas, por que elas teriam que expô-lo?

Quando eu terminei de ler esse livro, me lembrei de um poema da Elizabeth Bishop, “One Art”. Esse poema é de uma lindeza devastadora (como pode algumas linhas de palavras parecem um buraco negro de bonitezas e profundezas?). Assim como o livro, o poema fala que a perda é um aprendizado, que muitas vezes é doloroso, mas que pode também ser bonito de uma maneira peculiar. A arte de perder, como Bishop diz no poema, não é difícil de dominar. E não é, apesar de as vezes parecer, um desastre.

Como estamos falando de coisas perdidas, a receita de hoje é, claro, o Pain Perdu. Ou para nós brasileiros, a famosa rabanada. Aquele pãozinho que você já estava dando como perdido, com essa receita, ganha uma segunda vida ainda mais gostosa do que a primeira! Não sei porque a gente só como no Natal, na França eles comem quando dá na telha (rsrs).

Pain Perdu ou a nosssa maravilhosa Rabanada (serve quatro porções)

Ingredientes:

  • 2 pães franceses ou 4 brioches
  • 75g de manteiga
  • 1 ovos
  • 1 xícara a 1 xícara e meia de leite
  • 1/2 xícara de açúcar
  • 1/2 xícara de canela
  • 1 colher de chá de extrato de baunilha
  • Sorvete de baunilha para servir

Preparo:

  1. Bata com um garfo 1 ovo e 1 xícara ou mais de leite integral e tempere com uma pitada de sal e uma colherinha de açúcar, comum ou baunilhado. Adicione o extrato de baunilha.
  2. Cubra as fatias grossas de pão duro  (fatias de 1,5cm de espessura) com a mistura e deixe que absorvam rapidamente o líquido. Enquanto isso, derreta uma colher generosa de manteiga numa frigideira grande, em fogo baixo, para que a manteiga não queime.
  3. Retire as fatias de pão da tigela com um garfo, escorra o excesso de líquido e douro as fatias dos dois lados. No prato, com os pães ainda quentes, polvilhe com o açúcar e canela.
  4. Se quiser finzalizar com chave de ouro, sirva com sorvete de baunilha (ou melhor ainda de macadâmia da Haagen-Daaz).

PS: A ilustração de hoje faz menção ao livro. Quem leu/ler vai entender 😉

O cheesecake da Srta Elliot

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Hoje eu quero de falar um clássico feminino, Persuasão da Jane Austen. Eu, e quase todo o restante da população feminina mundial, adoro a Jane Austen. Sempre que passa Orgulho e Preconceito na TV eu sou obrigada a assistir, mesmo que o cabelo do Mr Darcy me dê um pouco de nervoso e que a cena deles se encontrando de madrugada de pijama seja pra lá de piegas. Enfim, Jane Austen é a parada em romance feminino e eu adoro todos os livros dela, uns mais do que outros. Persuasão, claro, se encaixa na categoria dos mais.

Em Persuasão, Anne Elliot deixou escapar o amor da sua vida, o Capitão Frederick Wentworth, porque ouviu os conselhos de sua melhor amiga.. Anne é a filha de um barão viúvo que gastou mais do que devia e agora está na pior (na pior mesmo, não igual a Marilene). Sua irmã mais velha é considerada uma beleza local mas é chata de doer. E Lady Russell é a sua melhor amiga, que serve para ela de mãe substituta, e a quem ela considera extremamente inteligente e tem como modelo de comportamento. Seguindo os conselhos de Lady Russell, Anne resolve romper o seu noivado com Frederick apesar de estar apaixonada por ele. Ele, fica ressentido de ela abrir mão do amor dos dois e vai embora seguindo uma carreira de grande sucesso na marinha. O começo do livro se passa nove anos depois desses acontecimentos, quando os dois se encontram por circunstâncias do destino, coisa e tal. É claro que quando eles se reencontram Anne fica abalada, e Frederick não resiste se vingar dela um pouquinho (tipo mulher rejeitada que malha horrores e depois passa na frente do ex de vestido colado). Mas é claro que nenhum dos dois superou o passado.

Persuasão é o meu Austen predileto porque eu adoro a Anne. Obviamente, como uma nerd de carteirinha, eu me identifico com sua tendência introspectiva de ficar em casa lendo livros (e se tivesse Netflix, aposto que a Anne tava dentro!), mas o que eu adoro na personagem é que ela é boa mas não infalível. Anne consegue analisar as pessoas e coisas ao redor com ternura, mesmo quando a situação é dolorosa para ela. E o Capitão Wentworth também é um herói digno porém falho; se deixa levar orgulho ferido, antes de reconhecer seus erros. É um romance interessante e cheio de nuances, nada a ver com o furacão de hormônios dos livros de hoje em dia, em que o par romântico se conhece e se apaixona perdidamente em cinco minutos.

Para ser bem honesta, eu não sabia qual receita combinava com esse livro. Estava quebrando a cabeça, quando de repente me veio um estalo. Persuasão é sobre um romance lento, que demora para chegar no ponto, que tem etapas diferentes. Igual ao cheesecake que o meu marido vive pedindo para eu fazer e eu nunca faço (porque fico com preguiça de todas as etapas! rsrs) mas então lá vai: cheesecake com calda de morango.

O cheesecake da Srta Elliot (serve de 8 a 10 fatias)

Ingredientes:

Massa:

  • 160g de biscoito maisena
  • 80g (7 colheres de sopa) de manteiga sem sal em temperatura ambiente
  • 1/2 colher de chá de canela

Recheio:

  • 450g de cream cheese
  • 150g de creme de leite fresco
  • 150g (1 xícara) de açúcar
  • 1 colher (sopa) de extrato de baunilha
  • 1 colher (sopa) suco de limão
  • 3 ovos

Calda:

  • 300g de morango
  • 100g (3/4 xícara) de açúcar
  • Suco de um limão

Preparo:

  1. Triture o biscoito no liquidificador ou processador.
  2. Misture ele com a manteiga e a canela, usando as mãos.
  3. Espalhe sobre uma forma de fundo falso, cobrindo todo o fundo dela, a que eu tenho é de 25 cm.
  4. Reserve. Preaqueça o forno a 160ºC.
  5. Bata o cream cheese e o creme de leite na batedeira até amaciar bem, e adicione aos poucos o açúcar em velocidade baixa. Acrescente a baunilha, o suco de limão e os ovos. Bate até que a mistura esteja homogênea.
  6. Coloque sobre a massa na forma e leve para assar por 30 a 40 minutos.
  7. O segredo é quando você olha por cima e está fosco, não brilhante, talvez com algumas rachaduras por cima.
  8. Deixe esfriar e leve à geladeira por pelo menos 4 horas. Tem que rolar uma paciência a la Anne Elliot aqui, porque esse tempo na geladeira é o que faz o cheesecake ficar na consistência certa. Desenforme.
  9. Agora faça a calda:  lave e retire os cabinhos do morango e pique grosseiramente. Coloque numa panela com o açúcar e o suco de limão. Aqueça em fogo baixo, mexendo de vez em quando até que tome consistência de calda. Se quiser uma calda mais lisinha, bata no liquidificador, ou pode servir mais rústica mesmo, com os pedaços de morango.

 

Impossível comer um só

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Esse ano estou lendo mais contos. Normalmente, eu sou uma garota de romances longos, quanto mais volumes melhor, mas nos últimos tempos me rendi ao charme dessas histórias mais breves, porém ainda cheias de insight. E o livro de hoje é um desses, “Um tal Lucas” de Júlio Cortázar é simplesmente uma delícia atrás da outra. É impossível ler só um, depois que você começa. Igual comer os cookies de chocolate que são a receita dessa semana. Os dois são absolutamente irresistíveis e você é obrigado a devorá-los, um atrás do outro.

Eu admito que, blasfêmia das blasfêmias, eu nunca tinha lido Cortázar (não me matem, como eu disse, estou lendo!). E no curso que estou fazendo, minha professora leu um trecho dele e me apaixonei pelo texto dele: divertido, charmoso e peculiar, mas profundo apesar de falar de assuntos ordinários. As vezes as idéias são tão originais que eu me pego rindo (como no primeiro conto do livro, Lucas e a Hidra), as vezes a simplicidade do texto é o que faz a história. A linguagem pode confundir em alguns momentos, então leia saboreando, para pegar todas as nuances. Tem cada conto tão bom, mas tão bom, que eu fiquei até meio em choque (hahahaha)! Enfim, leiam.

E como eu já disse, os cookies de chocolate que são a receita de hoje são os irmãos siameses dos contos do Cortázar. Essa receita é antiga (da minha adolescência, peguei com a irmã de uma amiga) e moleza de fazer. Felicidade instantânea! Só tem um problema sério: você vai MESMO comer um atrás do outro e não é, digamos assim, light. Então, antes de começar a comer, separe os que você vai comer mesmo e guarde o resto. Senão já era. Estão todos avisados.

Cookies de chocolate para o Sr. Cortázar

Ingredientes:

  • 2 xícaras e meia de farinha de trigo
  • 1 xícara de açúcar mascavo
  • Meia xícara de açúcar branco
  • 1 xícara de manteiga (equivale a uma barra) com sal derretida (pode ser no microondas mesmo)
  • 2 ovos inteiros
  • 400g de chocolate (ao leite ou amargo, o que você preferir) em barra cortado grosseiramente
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 1 pitada de sal

Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180 graus.
  2. Despeje a farinha e os açúcares na tigela da batedeira. Adicione a manteiga derretida e bata um pouco até misturar.
  3. Adicione um ovo de cada vez, batendo a massa até cada um se incorporar. Adicione o sal, a essência de baunilha e o fermento em pó e bata até homogêneo.
  4. Coloque o chocolate e bata um pouco para que ele se espalhe por todas a massa.
  5. Unte duas assadeiras grandes e, com uma colher de sobremesa, faça bolinhas e distribua deixando um espaço generoso entre as bolinhas.
  6. Coloque para assar no forno pré-aquecido por 15 minutos, ou até os cookies ficarem com a bordinha dourada. Truque: se uma assadeira for ficar em cima da outra dentro do forno, na metade do tempo troque as duas de lugar para assarem por igual.
  7. Tenta não comer tudo de uma vez!

Igual, só que diferente

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O livro dessa semana é do tipo emocionante, sabe risadas e lágrimas. “A Resposta” ou em inglês, “The Help” (acho que já que não dava para ter o trocadilho do nome original, eles simplesmente preferiram trocar) conta a história de Skeeter, uma jornalista progressiva,  e Aibileen, uma doméstica na mesma cidade de Jackson, no Mississipi de 1960, no interior dos EUA.

Skeeter, diferentemente de suas amigas, foi para faculdade e se formou em jornalismo. Não está com pressa para casar (ela se acha pouco atraente e tem síndrome de Elba Ramalho -quem nunca?) e quando volta para casa quer saber onde está a empregada que trabalhou com seus pais a vida toda e ajudou a criá-la, Constantine.

Skeeter, que amava Constantine, fica horrorizada um dia quando Hilly, a líder do seu grupo de amigas (e o anti-cristo disfarçado), anuncia o projeto de banheiros separados para negros e brancos. Skeeter então tem a idéia de escrever um livro sobre o relacionamento entre as domésticas e seus empregadores, sobre como crianças que foram criadas por domésticas negras crescem para terem (ou não) os mesmos preconceitos dos pais. Ela convence Aibileen e Minny, a melhor amiga de Aibileen e empregada de Hilly, a ajudá-la no projeto. As tortas de Minny são famosas na cidade e seus dotes culinários são de dar água na boca.

O livro é cheio de amizades improváveis, de erros que se tornam acertos e de questionamentos sobre preconceito, amor e fé. As palavras que Aibileen ensina ao bebê branco de que cuida “You is kind, you is smart, you is important”, são o mantra que resume a moral do livro e demonstram que as vezes conhecimento não é inteligência, mas que o amor é capaz de transcender mesmo as barreiras mais arraigadas.

“A Resposta” virou filme e Octavia Spencer (Minny) ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante, porque ela está mesmo fantástica, o filme porém se chama “Histórias Cruzadas” (sabe-se lá por quê). O filme é ótimo, mas como quase sempre eu prefiro o livro.

E por mais que possa parecer contraditório para quem leu o livro, esse livro me deu muita vontade de torta. Aí lembrei dessa torta rústica de pêssego, que é uma delícia e não é difícil de fazer. Uma torta meio erradinha, com um quê de fora da lei, mas que no final fica uma delícia. Ou seja, tudo a ver com “A Resposta”.

Torta Rústica de Pêssego com Tequila (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • Para a massa:
  • 1 xícara e meia de farinha
  • 125g de manteiga
  • 1 colher de sopa de maizena
  • 1 colher de chá de sal marinho
  • 1 ovo
  • 1 colher de sopa de vinagre de maçã
  • 1 colher de sopa de água gelada
  • Para o recheio:
  • 2 colheres de sopa de tequila
  • 1 colher de sopa de suco de limão fresco
  • 1 colher de chá de raspas de limão
  • 1 colher de sopa de maizena
  • 2 pêssegos maduros
  • 2 colheres de sopa de açúcar mascavo
  • 1 colher de chá de creme de leite fresco

Preparo:

  1. Combine a farinha, o maizena e o sal no processador de alimentos.
  2. Corte a manteiga em cubos de meio centímetro, coloque sobre a farinha e pulse algumas vezes.
  3. Numa tigela pequena, mexa juntos o ovo, vinagre, a água e metade do açúcar. Despeje a mistura no processador e pulse algumas vezes. A massa deve ficar com aparência meio pedaçuda.
  4. Uma vez que a mistura líquida tenha sido incorporada, retire a massa do processador. Misture com as mãos e se a massa estiver uniforme (se a massa não estiver uniforme, coloque um pouco mais de água e mexa mais)., faça um disco e embrulhe com plástico. Deixe descansar por pelo menos 30 minutos.
  5. Junte a tequila, o suco de limão e o maizena em uma tigela pequena. Misture.
  6. Pré-aqueça o forno a 210 graus. (É importante o forno estar bem quente, pois isso que faz com a massa fique crocante).
  7. Retire a massa da geladeira e abra a massa com um rolo até com que ela fique com 0,5 cm de altura.
  8. Coloque a massa sobre um papel próprio para assar, sobre a assadeira que você irá utilizar.
  9. Arrume os pêssegos sobre a massa de um jeito bonito, mas lembre de deixar pelo menos 4cm para fechar por cima do recheio. Depois de arrumar os pêssegos feche a torta com os dedos, com cuidado para que as frutas fiquem seguras dentro da massa.
  10. Por cima espalhe o creme de leite e depois polvilhe com o restante do açúcar. Adicione as raspas de limão. Deixe esfriar na geladeira por 15 minutos.
  11. Asse por 45 minutos, até 1 hora se achar necessário (varia de forno pra forno). Retire do forno quando a massa estiver dourada. (Se você achar que a massa está assando rápido demais diminua a temperatura para 180 graus).
  12. Deixe esfriar por pelo menos 1 hora antes de servir, mas depois manda brasa!

Gostinho de infância

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“We’re all completely beside ourselves” da Karen Joy Fowler é um livro estranho. Se ele é estranho bom, ou estranho ruim deve depender do leitor, mas no meu caso achei estranho bom. No começo do livro, fiquei um pouco irritada com a narradora, Rosemary. Ela é meio enigmática e, como ela mesma confessa, pouco confiável. Mas depois de um tempo, entrei no clima e comecei a curtir justamente o não saber que antes achava irritante. Assim como Rosemary, você fica tentando descobrir as coisas, tentando entender (mesmo que o entendimento completo não seja possível).

O livro conta a história de Rosemary e sua família, principalmente focando no relacionamento entre Rosemary, seu irmão Lowell e sua irmã adotiva Fern. E o que acontece quando um dia Fern simplesmente “desaparece”. Não quero estragar surpresas para ninguém então, quem não quiser pule a próxima frase. Continuar lendo

Pitadas amorosas

IMG_4990Aviso logo, esse tem post tem um jabá enorme nele, porque o livro dessa semana se chama Quarentena Amorosa e é da minha prima querida, Angela Brandão. A Angela não é só minha prima, é também uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço. Para vocês terem uma idéia ela é jornalista, compositora, cantora e, agora, escritora. Também é mãe do Santi, que vou te contar, é lindo de morrer, mas não é molezinha (qual menino de 3 anos, é?). E ela faz tudo isso maravilhosamente bem, não sei como (um dia ela ainda vai me contar o segredo dela e dos seus dias de 50 horas).

Enfim, há pouco tempo o Quarentena Amorosa apareceu nas livrarias e eu, claro, fui das primeiras a grudar nele, porque o livro é uma delícia. É um carinho para você mesma, sabe? Um livro de auto-ajuda que não é ladainha. Vou confessar que é meu primeiro livro de auto-ajuda, mas acredito que não ser ladainha deve mesmo ser uma raridade. O livro é um guia de recuperação para quem teve seu coração partido, um passo-a-passo poético para ajudar você a sair da fossa. Mas mesmo eu, que no sentido romântico sou uma feliz bem-aventurada, adorei ler as dicas da Angela, até porque nem sempre é o coração que deixa a gente mal (apesar de ser a maioria dos casos, eu sei). Mas sabe aquelas vezes em que você tá meio pra baixo e não sabe o motivo? Pois então, pode ler lá que a Angela tem dicas preciosas para ajudar. Eu ri e me emocionei com as histórias do livro. Acho que isso é o objetivo de todo e qualquer tipo de literatura, não? Parabéns, prima. Você arrasa. E você que está lendo o post deveria ir correndo providenciar o seu (é jabá, mas só de leve. Não ganho nadinha, só a satisfação de todo mundo saber que a Angela é minha prima. Rsrs). Ah, e para você ver como o livro é sucesso, já saiu até no Saia Justa do GNT!

Por causa dos momentos de introspecção e reflexão que o livro recomenda, fiquei pensando muito em como, de vez em quando, passamos por momentos da vida em que nos sentimos frágeis, como se nossas pernas fossem de gelo (ainda ali, mas derretendo aos poucos) e nossa respiração uma sucessão de suspiros. Quando eu estou me sentindo assim, penso logo que a resposta é uma sobremesa gostosa (mentalidade de gordinho, fazer o quê?). Logo o par perfeito do Quarentena Amorosa para mim é um supiro doce, ou seja, um belo suflê de goiabada. Leve, mas irresistível. Doce, mas marcante. Aquele carinho que estava fazendo falta.

Suflê de Goiabada (rende 4 porções)

Ingredientes:

  • 4 claras
  • 1 pitada de sal
  • 250g de goiabada cremosa (ou goiabada cascão levada ao fogo com água)
  • 200g de requeijão
  • 1/2 xícara de chá de leite integral

Preparo:

  • Suflê:
    1. Se a goiabada estiver muito consistente leve ela ao fogo com ½ xícara de água e mexa até que ela esteja completamente derretida. Espere esfriar.
    2. Bata as claras em neve e acrescente o sal quando as claras começarem a subir.
    3. Incorpore a goiabada às claras em neve, aos poucos, mexendo delicadamente. Eu normalmente coloco a metade, mexo e depois coloco a outra metade.
    4. Unte forminhas de suflê (uns ramekins de louça ficam bonitinhos!) com manteiga e açúcar e distribua a massa do suflê até um pouco mais da metade da forminha.
    5. Leve ao forno pré-aquecido a 200°C por 8 minutos ou até dourar.
  • Calda:
    1. Junte o requeijão e o leite e leve ao banho-maria até ficar uma calda homogênea.
    2. Sirva em temperatura ambiente com o suflê saindo do forno.

Vai fazer você suspirar, mas de felicidade 😉

Killer Brownies

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Você gosta de thrillers policiais? Eu adoro. A-DO-RO. Tem coisa melhor pra uma tarde de chuva que uma pancadaria e um suspense eletrizante? Eu acho que não (culpa de todos os filmes do Van Damme que eu vi com meu pai quando era criança, tenho certeza). Se você também joga nesse time, vou te dar uma dica: Jack Reacher.

Jack Reacher é o herói de um dos papas dos thrillers de ação, Lee Child. Ele é um ex-policial militar (a polícia do exército) que virou um andarilho, sem lenço nem documento. Ele é louro, gigante, forte, inteligente e pegador farpado (o oposto do Tom Cruise, que interpretou o personagem no cinema). É o que as mulheres sonham, e os homens sonham ser. Só um pouquinho inapto socialmente, mas passa, vai. E a alimentação dele consiste basicamente de… café.

Café é a única constante na vida de Reacher. O nosso eficiente matador não liga pra muita coisa: quarto, roupa, carro, tudo é indiferente se tiver uma escova de dente e um café responsa. Em cada livro, ele toma litros e mais litros de café. Se você quiser começar por algum lugar, pode começar por “O último tiro”, que virou filme ou ir na ordem e ler primeiro “Killing Floor”. Eu, particularmente, tô lendo na ordem.

Inspirada por Reacher, pensei logo em unir seu vício com uma sobremesa que é de cair matando (com trocadilho, por favor): brownies. Uma combinação letal. Rsrs

 

Killer Brownies  (serve de 6 a 8 pessoas, mas se deixar aqui em casa eu como tudo sozinha)

Ingredientes:

  • 200g de manteiga
  • 300g de chocolate meio amargo (duas barras)
  • 1 xícara de açúcar (pode ser cristal ou mascavo)
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 3 ovos
  • 2 colheres de chá fermento
  • 3 colheres de chá de café (se você gostar de um gosto mais intenso de café pode aumentar essa quantidade um pouco)
  • 1 colher de chá de essência de baunilha

Como fazer:

– Pré-aqueça o forno à 210 graus.

– Em um assadeira refratária, coloque metade do chocolate picado mais ou menos (não precisa se esforçar muito, não) e coloque para derreter no microondas por um minuto. Adicione a manteiga ao chocolate e coloque de volta no microondas para derreter mais um minuto. Misture bem, até ficar uniforme.

– Adicione agora metade da farinha e misture até ficar uniforme. Coloque o resto da farinha e repita. Faz a mesma coisa com o açúcar, o fermento, a baunilha e o café.

– Adicione os ovos. Um de cada vez e misture bem para a massa ficar com aquela cara brilhante.

– Por último, pique o resto do chocolate até ficar com uns pedaços de 1 x 1cm e adicione à massa. (É essa metade que faz com que ele fique cremoso dentro 😉 )

– Asse durante 30 minutos.

Agora é só servir. Sugestão: servir com sorvete de Praliné da Häagen-Dazs. Hummmm, killer!