Do outro lado

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Eu estava super (SUPER) animada para ler “Destinos e Fúrias” da Lauren Groff, para vocês terem uma ideia, o Obama disse que foi o melhor livro que ele leu em 2015. Então assim que vi na livraria, comprei e comecei a ler.

O livro é dividido em duas partes: Destinos, a história do casamento de Lotto e Mathilde pelo ponto de vista de Lotto, e Fúrias, a mesma história mas pelo ponto de vista de Mathilde. Eu adorei essa ideia, afinal, casamento é muitas vezes a mesma história vista de formas completamente diferentes: quantos casais você já viu brigando por um motivo que seu respectivo não entende? Quantas vezes achamos que entendemos o outro, só para sermos surpreendidos depois? Achei que Groff demonstrou bastante habilidade na forma de costurar as duas histórias, quando entramos em “Fúrias” o livro cresce muito. Para ser honesta, eu gostei mesmo foi da segunda parte do livro: mais ágil e surpreendente. Mas acho que essa segunda parte só é possível por causa da primeira -mais lenta e bem mais cansativa de ler. Eu gostei do livro, achei interessante, mas honestamente não é mesmo um dos meus favoritos, nem mesmo dos que li recentemente, o sr. Obama que me perdoe. Mas é um livro interessante, bem escrito, com personagens complexos (mesmo que não muito gostáveis).

Bom, pensei em o que poderia ser um prato que refletisse a dicotomia de “Destinos e fúrias”, quebrei a cabeça mesmo. Até que no final, eu que ando meio obcecada por sopas (tá frio aqui no Rio de Janeiro, gente!), decidi fazer dois tipos diferentes de sopa. As duas são de legumes, quentinhas mas radicalmente diferentes em sabor. Então segue aí, um quentinho para celebrar os últimos dias de friozinho e para lembrar que nem sempre o que nós vemos no espelho é o que os outros vêem ao olharem para nós.

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Sopas para Lotto e Mathilde

Sopa de Cenoura e gengibre do Lotto

Ingredientes:

  • 5 cenouras picadas grosseiramente
  • 2cm de gengibre picado
  • ¼ de cebola picada
  • 1 colher (sopa) de óleo de gergelim cru (ou azeite ou óleo de girassol)
  • ½ colher (chá) de sal marinho
  • 4 xícaras de água

Modo de Preparo:

  1. Refogue a cebola com o óleo de gergelim ou no azeite.
  2. Adicione o gengibre, as cenouras e a água.
  3. Adicione o sal e deixe cozinhar por 20 minutos com a panela tampada.
  4. Bata no liquidificador com a água do cozimento até ficar bem cremosa.

Sopa de Couve-flor cremosa para Mathilde

Ingredientes:

  • 1/2 litro de leite (se o creme ficar muito grosso acrescentar mais 1/2 xícara de leite)
  • 4 colheres de sopa de manteiga ou margarina
  • 4 colheres de sopa rasas de farinha de trigo
  • 1 cebola média bem picada
  • 1 litro de caldo de frango (dissolver 1 tablete em outra panela, ferver e reservar)
  • 1 couve-flor média ou grande
  • 1 caixinha de creme de leite longa vida
  • Sal e pimenta-do-reino

Modo de preparo:

  1. Lave bem a couve-flor e separe as florzinhas dos talos mais duros. Cozinhe as flores em água salgada até que estejam macias e cozidas. Escorra e reserve.
  2. Coloque a manteiga em uma panela e acrescente a cebola picada. Leve ao fogo e refogue para que a cebola fique macia e transparente. Acrescente a farinha de trigo e misture bem. Coloque o leite aos poucos e misture bem para ficar um creme (se der alguma bolota não tem problema porque vai no liquidificador)
  3. Coloque a couve-flor cozida e misture até Ferver em fogo baixo, sempre mexendo. Acrescente o caldo de frango. Ferva novamente e retire do fogo.
  4. Deixe esfriar um pouco e bata no liquidificador para obter uma sopa cremosa. Leve novamente a panela acerte o sal e acrescente pimenta-do-reino, adicione o creme de leite e misture.

OBS: Ambas sopas podem (e devem) vir acompanhadas de um pãozinho quentinho 😉

OBS2: Quem agora tá superanimado com as Olímpiadas? Devo confessar que me contagiei e quero ir em vários eventos! Semana que vem vou tentar um post temático 🙂

Ah, me sugeriram que eu colocasse no final dos posts as informações dos livros, e eu achei uma ótima ideia (eu já devia fazer isso, não :P). Então aí vai!

Destinos e Fúrias”

Autor: Lauren Groff
Editora: Íntrinseca
Traduzido para o português por: Adalgisa Campos da Silva
368 páginas

Malandragem dá um tempo

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“É assim que você a perde” de Junot Diaz é um romance formado por contos. Estranho, não é? Uma estrutura nova que flui naturalmente, aonde os personagens permanecem na história, flutuando em idade, maturidade e compreensão. Acho que essa liberdade de Diaz ao escrever a história de Yunior é minha parte predileta do romance: o autor não se prende a fórmulas, mas vai contando a história de Yunior da maneira que mais faz sentido para o narrador, aonde o próprio personagem identifica o começo e o final de sua história e suas ações. Não entendeu? Lê, depois a gente conversa 🙂

O livro é narrado em primeira pessoa, em um tom de conversa, e por isso possuí muitas gírias e expressões típicas da comunidade latina que muitas vezes não são familiares ao leitor (pelo menos no meu caso), o que pode parecer confuso mas sem dúvida contribui muito para a linguagem do livro e na construção de Yunior como personagem. Os contos são os capítulos da vida amorosa de Yunior, que desde o começo deixa claro que “ele não é não é uma má pessoa (…), só uma pessoa cheia de falhas, mas no final uma boa pessoa.” E mesmo com a multidão de pecados que ele comete durante a narrativa, no final você tende a concordar com ele.

É verdade que as pessoas que nos cercam tendem a ter um poder formativo enorme em nossas vidas, e no livro Diaz traz isso a tona com a frequente menção de Yunior ao irmão, Rafa, mesmo após a morte deste, o irmão caçula tende a se espelhar no mais velho falecido e até justificar suas escolhas através dele. Mesmo quando reconhece os erros do irmão, muitas vezes não deixa de emular seu comportamento, o que várias vezes traz consequências péssimas para sua vida. Em “É assim que você a perde” você acompanha Yunior em uma longa lista de desastres amorosos, mas também percebe o quanto o personagem mulherengo é carente desse amor e atenção. E é por isso que o livro é tão bom.

Enfim, os personagens principais do livro são todos de origem dominicana e eu fiquei curiosa para saber qual é a comida típica de lá, já que ainda não conheço pessoalmente. E o que eu descobri, meu povo? Descobri que o negócio por lá é peixe com banana. E feijão. Mas a lâmpadinha que acendeu na minha cabeça só incluiu os dois primeiros, então aí vai: um atum em crosta de gergelim acompanhado por purê de banana -leve e delícia.

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Atum Malandro à moda Diaz

Para o peixe:

Ingredientes:

  • 600g de filé de atum
  • 2 claras
  • 100g de gergelim branco
  • 100g de gergelim preto
  • 80ml de azeite

Modo de Preparo:

  1. Ponha duas claras de ovos dentro de um recipiente e bata-as.
  2. Tempere as claras com sal e pimenta do reino e bata outra vez.
  3. Acrescente o atum e misture.
  4. Em outra vasilha, ponha um pouco de gergelim e envolva o atum com os grãos.
  5. Enrole o atum em um pedaço de papel filme para prender bem o gergelim.
  6. Enquanto isso, ponha um pouco de azeite na frigideira e deixe esquentar.
  7. Retire o papel e deixe fritar um pouco todos os lados do atum.

Para o purê:

Ingredientes:

  •  03 bananas maduras
  •  1/2 xícara de leite
  •  1/2 caixa de creme de leite
  •  01 colher de sopa de manteiga
  •  01 pitada de sal
  •  01 colher de sopa de queijo ralado

Modo de Preparo:

  1. Cozinhe as bananas com casca até que fiquem macias. Escorra, deixe esfriar e bata no liquidificador com o leite.
  2. Em uma panela, derreta a manteiga, misture o creme de banana e o sal.
  3. Apague o fogo, acrescente o creme de leite e o queijo ralado. Misture ligeiramente.

Entre quatro paredes

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Nessa temporada do Oscar, eu vi vários dos filmes concorrentes ao Melhor Filme, mas não vi “O Quarto de Jack” pois estava lendo “Quarto” da Emma Donoghue e não queria que um estragasse o outro.
Em “Quarto”, Donoghue traz a história de Ma e Jack, mãe e filho que vivem confinados em um quarto, vítimas de um homem a quem chamam de “Velho Nick”. No começo do livro, Jack está completando cinco anos e pensa que o mundo todo se limita ao quarto em que vive com Ma. No quarto, os objetos são amigos, os únicos que ele tem, e o Lá Fora é um local tão fictício quanto o desenho da Dora Exploradora. Jack ainda mantém a ingenuidade total das crianças: ele é doce e esperto, apesar de todas as limitações impostas pelas suas condições. As escolhas que Ma faz ao cria-lo são difíceis, mas compreensíveis dentro do contexto, apesar de várias vezes causarem no leitor uma estranheza.
O maior trunfo do livro é mesmo a habilidade de Donoghue ao construir a voz de Jack. É fácil se afeiçoar ao menino cheio de energia que não sabe o quanto o mundo é grande, e as lacunas no entendimento de Jack, que nós preenchemos facilmente, tornam o livro emocionante. Através de Jack, a autora apresenta uma forma nova de falar sobre amor, sobre o que nos conecta uns aos outros e também dos que nos torna únicos. Não vou dizer que é uma leitura fácil ou leve, mas vale a pena.
Na história, Jack, como toda criança, ama alimentos cheios de açúcar e detesta verduras. Tenta sempre despachar os verdinhos para longe, apesar dos esforços de Ma. Então quis pensar em uma receita que mudasse essa atitude, que deixasse o Jack aficcionado por tudo que é verdinho! Aqui em casa essa da Rita Lobo é sucesso: creme de espinafre.
Creme Verde para o Jack  (serve 2 pessoas)
Ingredientes:
  • 300g de espinafre fatiado congelado
  • 3 xícaras de chá de leite
  • 4 colheres de sopa de manteiga
  • 4 colheres  de sopa de farinha de trigo
  • Noz-moscada ralada na hora
  • Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Modo de Preparo:

  1. Leve uma panela média com a manteiga ao fogo baixo. Quando derreter, junte a farinha e mexa bem por 2 minutos, até ficar levemente dourada.
  2. Adicione o leite gelado de uma só vez e mexa vigorosamente com um batedor de arame para não empelotar. Quando a mistura de farinha dissolver, aumente o fogo para médio. Tempere com noz-moscada e cozinhe, sem parar de mexer, até engrossar, cerca de 10 minutos.
  3. Acrescente o espinafre congelado e mexa para que os cubos derretam e o creme fique uniforme. Tempere com sale pimenta.
  4. Cozinhe em fogo médio, sem parar de mexer, por mais ou menos 10 minutos.

PS: Vocês já viram o filme? Devo assistir?

Risoto para Lou Clark

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Eu já falei aqui há um tempo atrás de um livro da Jojo Moyes, “A garota que você deixou para trás”, mas hoje vou falar de dois livros dela, o conhecido “Como eu era antes de você” e sua sequência “Eu depois de você”. Eu adoro a Jojo Moyes, e acho que ao criar a personagem Louisa, a heroína desses dois livros, ela acertou em cheio.

Em “Como eu era antes de você”, Lou mora em uma pequena cidade da Inglaterra, onde a grande atração é um castelo que contém um labirinto. Essa propriedade é de uma família rica, os Traynor. Louisa, ou Lou como é chamada por sua família e amigos, fica desempregada no início do livro e acaba indo trabalhar para os Traynor em uma função inusitada para ela que era garçonete: cuidadora do filho tetraplégico do casal, Will. Mas Will não gosta muito de ter alguém “cuidando” dele e o relacionamento entre ele e Lou começa de forma bem difícil. Mas depois, conforme os dois se conhecem melhor, as coisas mudam bastante de figura.

Esse livro fala de assuntos complexos: morte, perda, suicídio, entre outras. Eu confesso que chorei horrores no final, mas eu sou manteigona, então isso não é tão anormal assim. Mas o grande trunfo da autora para mim é a própria Louisa. Lou não é uma beldade, não é genial, não é enfim tão diferente de um monte de mulheres que existem por aí. O que é importante em Lou é o seu coração enorme, e, mais tarde, a coragem de ser e amar plenamente. “Como eu era antes de você” é uma história de um primeiro amor devastador, mas também é a história de como alguém pode ajudar uma pessoa a ser mais do que ela sonhava. É por isso que é tão bonito e tão triste.

Já em “Depois de você” (que ainda não saiu aqui no Brasil, mas já tem o e-book em inglês na Amazon para quem é fominha igual a mim), Jojo retoma a trajetória de Louisa e seu caminho até encontrar o amor de novo, e reencontrar ela mesma. Agora que Lou tem que superar Will, ela está na fossa completa e sem saber para onde ir. Até topar sem querer com Sam, um paramédico de Londres, que também passou por momentos difíceis no passado. Além disso, uma pessoa inesperada aparece para bagunçar sua vida.

No final da choradeira desses dois livros, uma montanha russa de emoção, fica a lição da Jojo Moyes: não deixe a vida passar com você simplesmente acompanhando, não dá para viver sem assumir riscos. E como diz a ilustração desse post: seja a protagonista da sua história.

A receita de hoje é um prato para protagonizar noites de gala: risoto de pêra com gorgonzola. Meu marido é fera no risoto e esta receita foi testada e aprimorada com amor especial. Aproveitem!

Risoto de Pêra com Gorgonzola (para 4 pessoas famintas)

Ingredientes:

  • 2 xícaras de chá de arroz arbóreo
  • 250g de queijo gorgonzola picado
  • 3 pêras
  • 1 1/2 xícara de caldo de galinha (2 cubos)
  • 2 xícaras de vinho branco seco
  • 1 cebola picada em cubinhos (ou 1 1/2 se estiverem pequenas)
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • suco de 1/2 limão
  • pimenta do reino moída a gosto
  • queijo parmesão ralado a gosto

Preparo:

  1. Leve uma panela com o caldo de galinha ao fogo alto. Quando ferver, abaixe o fogo para o mínimo possível.
  2. Descasque as pêras e corte-as em cubinhos de um centímetro. Regue com o suco de limão para não escurecer.
  3. Em uma panela grande, coloque o azeite e leve ao fogo baixo. Quando estiver quente, adicione a cebola e mexa até ficar transparente. Aumente o fogo e adicione o arroz arbóreo.
  4. Na panela do arroz, adicione o vinho. Misture até evaporar.
  5. Após o vinho secar, coloque uma concha do caldo de galinha e mexa até secar. Repita a operação durante quinze minutos.
  6. Acrescente o gorgonzola e as pêras. Misture bem.
  7. Desligue o fogo, acrescente a manteiga sem misturar e tampe a panela durante alguns minutos.
  8. Tempere com a pimenta do reino e mexa bem.
  9. Sirva com o parmesão ralado por cima. E uma saladinha de rúcula para acompanhar!

Obs: Esta receita também fica uma delícia com queijo Brie!

 

 

Heranças

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Semana passada foi aniversário da minha mãe (parabéns! clap, clap, clap <3) e também da minha avó. Por causa disso eu estou num clima meio nostálgico e vou falar hoje aqui de um livro sobre família: “Os catadores de conchas” da Rosamunde Pilcher. Quem me deu esse livro há séculos atrás foi a minha mãe (na verdade ela não me deu, emprestou… Mas depois acabou me dando mesmo. Mãe é mãe), e ela disse que aquele tijolão enorme era emocionante. Eu adoro tijolões, especialmente os do tipo emocionante.

Em “Os catadores de conchas”, Pilcher conta a história da família Keeling, especialmente a de Penélope Keeling, de quem acompanhamos a vida em dois momentos diferentes; quando ela era ainda jovem, durante a Segunda Guerra Mundial e depois como uma senhora, matriarca da família. Eu adorei a Penélope, e (acho que não por coincidência) ela me lembrou muito a minha mãe e também a minha avó: uma mulher forte e determinada, que nunca se deixa abater pela vida. Penélope tem três filhos, Nancy, Olivia e Noel, e vemos logo que os três são muito diferentes entre si. Penélope também é a filha de um pintor que teve seu trabalho postumamente reconhecido e herdeira de um lindo quadro dele, “Os catadores de conchas”, que para ela tem valor sentimental.

No começo do livro, Penélope está hospitalizada por causa de problemas saúde. Ela logo decide que não vai ficar desperdiçando tempo no hospital, e se dá alta. A experiência de encarar a própria mortalidade porém, faz com que ela queira retornar à Cornualha, onde viveu momentos importantes. Ela pede aos filhos, um de cada vez que viajem com ela. Um a um, os três negam acompanha-la, mesmo a sua filha favorita, Olivia. Mas, de repente eis que surgem candidatos para servirem de Sancho Panza, Antonia, uma moça ligada a Olivia, e Danus, um jovem jardineiro. Esse trio improvável segue rumo a Cornualha e às lembranças de outros tempos.

O livro é mesmo emocionante como disse a minha mãe. Eu me peguei desejando conhecer Penélope pessoalmente, querendo sentar com ela num jantar improvisado maravilhoso (a especialidade dela), olhando a paisagem, aprendendo com quem tem muita história para contar. Por isso, a receita de hoje tem esse mesmo clima improvisado, descomplicado: picadinho. Picadinho é fácil de fazer e você meio que pode inventar o seu com o que estiver na geladeira, que não dá muito errado. Esse aí debaixo é o que eu faço aqui em casa: coisa de família.

Picadinho a la Penélope (serve até 5 pessoas)

Ingredientes:

  • 500 g de contra-filé em bifes
  • 1 abobrinha
  • 1 pimentão amarelo
  • 200 g de champignon
  • 1 cebola roxa
  • 3 dentes de alho
  • 1 pedaço de gengibre (cerca de 2 cm)
  • 2 punhados de cebolinha picada
  • 1/2 xícara de amendoim torrado, sem pele
  • 1/2 xícara de molho shoyu
  • 2 colheres de sopa de maizena
  • 1/2 xícara de água
  • Azeite, sal e pimenta do reino

Preparo:

1. Corte a carne em tiras finas e transfira para uma tigela. Não volte para a geladeira: ela precisa estar em temperatura ambiente para não esfriar o fundo da panela na hora de cozinhar.

2. Lave e seque a abobrinha, o pimentão, e a cebolinha. Corte a abobrinha ao meio, no sentido do comprimento, retire as pontas e fatie em meias-luas (não muito finas). Descarte as sementes e corte o pimentão em quadrados médios. Fatie fininho os talos de cebolinha.

3. Num pilão, soque o amendoim até formar uma farofa grossa. Reserve.

4. Descasque a cebola, o dente de alho e o gengibre. Corte a cebola em cubos médios e o alho, em tiras finas. Se não tiver um ralador para gengibre, pique bem fininho.

5. Leve ao fogo médio uma panela wok (ou uma frigideira grande). Enquanto isso, numa tigelinha, coloque a água e misture o amido de milho até dissolver.

6. Quando a frigideira estiver quente, regue com 1 colher sopa de azeite, junte as tirinhas de carne e deixe dourar por 2 minutos. Só mexa quando descolar da panela. Tempere a carne com sal e pimenta (mas não muito, porque depois colocamos o shoyu e ele já bastante salgado).

7. Afaste as tiras de carne para as laterais da panela e regue o centro com o azeite restante. Refogue os cubos de cebola e pimentão por mais 2 minutos, sem misturar a carne.

8. Junte o alho e o gengibre, e misture, inclusive com a carne. Refogue por mais 1 minuto.

9. Agora é a vez da abobrinha e do champignon: junte, misture bem e deixe cozinhar
por 2 minutos, até dar uma leve bronzeada – a ideia é que fiquem bem douradinhos.

10. Regue com o shoyu e misture bem. Em seguida, junte o vinagre e o amido dissolvido em água. Mexa bem até formar um molho grosso, por 2 minutos. Salpique o picadinho com o amendoim e as fatias de cebolinha. Eu gosto de servir com arroz cateto 😉

Poética

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Semana passada eu achei um livro que eu adoro ao abrir umas caixas da mudança, “Receita pra lavar palavra suja” é uma coletânea de poemas da Viviane Mosé. É um livro fino, em todos os sentidos da palavra.

Viviane Mosé é uma das poetisas brasileiras de maior expressão dos últimos tempos. O que eu adoro nesse livro é a contraposição de delicadeza e força que existe nele. Os poemas da Viviane se apropriam do português com esperteza, mas sem perder o lirismo. As palavras flutuam em diferentes significados como é natural na poesia, mas em Viviane elas exibem um peso também. Como nesse poema abaixo:

“Ando com um balde de água embaixo de cada olho.

Preciso ir bem devagar

Senão derrama.”

Eu não leio poesia com frequência, sou mais dos romances mesmo. Mas acho que os poemas nesse livro são uma delícia, um livro leve mas cheio de conteúdo e com alguns momentos de surpresa. Logo o equivalente desse livro para mim é uma massa simples mas especial. Sustância e sabor, sem perder a leveza. Prato para gente esperta, mas que gosta de poesia.

Taglietelle Poético (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 500g de tagliatelle de boa qualidade
  • Raspas de 2 a 3 limões sicilianos
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 150g de queijo de cabra
  • 1/4 de xícara de aroeira (pimenta rosa)
  • Azeite e sal a gosto

Preparo:

  1. Coloque a água do macarrão para ferver em uma espagueteira e adicione sal.
  2. Enquanto a água ferve, rale os limões e reserve.
  3. Coloque um fio de azeite na água e adicione o macarrão, com atenção ao tempo de cozimento indicado. Acompanhe, pois nem sempre o pacote coloca o tempo ideal.
  4. Escorra o tagliatelle e então coloque na travessa que irá servir. Coloque a manteiga em duas partes e misture bem. Teste se está bom de sal, e se necessário coloque mais.
  5. Adicione as raspas de limão aos poucos para ficar bem homogêneo.
  6. Adicione o queijo de cabra (se estiver inteiro corte em cubinhos de 1 cm) e a pimenta. Misture e sirva ainda quente.

 

Para levar

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De vez em quando eu quero ler um livro fácil. Um desses que você não precisa pensar muito, mas que são ótimos para passar o tempo, especialmente nesse friozinho do inverno. Logo, nessa vibe mais relax, o livro de hoje é Anexos, da Rainbow Rowell. Esse livro é light e divertido, perfeito para ler com uma cobertinha e um cházinho (que é exatamente o meu mood atual -é frrrrrio aqui no Sul, gente!).

Em Anexos, Rowell conta a história de Lincoln e Beth, que não se conhecem pessoalmente. Os dois trabalham no mesmo jornal em uma cidadezinha do Nebraska, EUA em 1999. Ela faz crítica de filmes para o jornal, ele faz segurança de sistemas e monitora o uso de e-mails com conteúdo inapropriado dentro da empresa. Os e-mails engraçados de Beth e sua amiga Jennifer vivem caindo no filtro que Lincoln monitora, e ao ler as conversas divertidas das duas, ele acaba se interessando por Beth. Mas Beth tem um namorado (um namorado meio estranho, mas gato) e não sabe que tem alguém lendo os e-mails dela. Além de tudo isso, Lincoln ainda tem uns assuntos mal resolvidos com a sua ex, Sam, que quebrou totalmente o coraçãozinho dele uns anos antes (tadinho!).

No livro conhecemos também a mãe de Lincoln, pra lá de superprotetora e uma cozinheira de mão cheia, ela capricha nas marmitas que faz para o filho levar para o trabalho. E é através dessas marmitas que Lincoln fica amigo de Dóris, uma senhora que trabalha no jornal e que, mais pra frente, tem um papel importante no livro.

Logo, a receita de hoje não podia deixar de ser… marmita! A receita abaixo é uma das minhas preferidas para levar pro trabalho, porque ela é boa de fazer pro dia seguinte e ainda é cheia de energia e vitaminas para a gente aturar o resto da jornada: tabule de quinoa. Fica uma delícia acompanhada de um quibe assado. Qual é a sua marmita preferida?

 Tabule de Quinoa para levar (serve até 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 1 xícara (chá) de quinoa vermelha
  • 1 xícara (chá) de salsinha picada
  • 1 ramo de hortelã
  • tomate cereja (entre 1/2 e 1 caixa, depende do gosto)
  • 1 cebola média
  • Suco de 2 limões
  • 1/3 xícara (chá) de azeite
  • Sal marinho à gosto
  • Pimenta do reino à gosto

Preparo:

  1. Cozinhe a quinoa na água e sal por 18 minutos em fogo baixo.
  2. Corte a hortelã e a cebola em pequenos pedaços.
  3. Refogue a cebola no azeite e sal rapidamente.
  4. Lave e corte os tomatinhos cereja em dois.
  5. Numa tigela misturar o restante dos ingredientes.
  6. Adicione a quinoa. Misture bem e sirva.