Caixinha surpresa

  
Já contei para vocês que esse ano estou participando do desafio literário do site Popsugar? É muito legal, tomara que eu consiga completar até dezembro 🙂 Bom, por causa do desafio eu comprei “Um presente da Tiffany” da Melissa Hill, o primeiro livro que eu vi ao entrar na livraria.

O livro conta as histórias de Ethan e Rachel, dois estranhos que vão passar o período do Natal em Nova York com seus respectivos namorados. O viúvo Ethan pretende pedir sua namorada, Vanessa, em casamento e para isso compra, com a ajuda da filha Daisy, um extravagante anel de noivado da Tiffany. Gary, o namorado de Rachel, na última hora compra para ela uma pulseira lá também, e ao sair da loja é atropelado por um táxi. Ethan e a filha o acodem e, na confusão, as sacolas são trocadas, o que gera uma grande dor de cabeça.

A ex-mulher de Ethan, Jane, vivia dizendo que amava Nova York e que a Tiffany era um lugar mágico, e por isso Daisy começa a achar que a troca das caixas foi o destino intervindo, levando o pai em direção a pessoa certa. Jane também disse ao marido antes de falecer que encontrasse uma mulher que fizesse para ele pão. E, surpresa, surpresa, não é que Rachel e sua sócia Teri tem um restaurante/buffet/padaria?

Eu normalmente não leio esse tipo de livro do estilo ChicLit, mas calhou de ser e achei gostoso de ler, bem fácil, apesar de achar a caracterização dos personagens um pouco superficial demais, especialmente de Gary. Mas curti as reviravoltas do final, achei fofo, bem romântico. Bem comédia romântica da sessão da tarde, no bom sentido.

A receita de hoje não poderia ser outra: pão. Eu já falei aqui no blog há um tempo atrás de uma receita de piadina que é ótima, mas essa aqui é de pão mesmo, daqueles de fatiar pro café da manhã e tudo. E estou querendo há tempos fazer pão em casa, porque esses do supermercado nem se comparam ao que saí quentinho do forno sem conservantes, né? E o cheirinho desse alecrim ainda perfuma a casa toda 🙂

  
Pão de Alecrim da Tiffany (receita adaptada do livro do Panelinha)

Ingredientes:

  • 2 ramos de alecrim
  • 1 xícara de chá de água morna
  • 2 xícaras de chá de farinha de trigo
  • 1 xícara de chá de farinha de trigo integral
  • 10 g de fermento seco para pão
  • 3 colheres sopa de azeite
  • manteiga para untar
  • sal a gosto

Modo de preparo:

  1. Desfolhe um dos ramos de alecrim e reserve.
  2. Numa panelinha, coloque a água e o ramo inteiro de alecrim. Leve ao fogo médio e, quando ferver, desligue. Retire o alecrim.
  3. Numa tigela grande, misture bem as farinhas e o fermento. Faça um buraco no centro, acrescente a água morna, o azeite e o sal. Trabalhe a massa do centro para fora, incorporando os ingredientes até formar uma bola.
  4. Sob uma superfície enfarinhada, sove a massa de pão por 10 minutos até ficar lisa e elástica. Faça uma bola com a massa.
  5. Unte o fundo de uma tigela grande com azeite. Coloque a massa e pincele-a com um pouco de azeite. Cubra com um pano de prato limpo e deixe crescer por 1 hora ou até dobrar de tamanho.
  6. Transfira a massa crescida para uma superfície enfarinhada e aplaine com os dedos. Salpique com as folhas de alecrim. Dobre a massa e sove-a até que as folhas estejam uniformemente distribuídas. Modele o pão em formato ovalado com cerca de 25 x 10 cm.
  7. Unte uma assadeira grande com óleo. Transfira a massa para a assadeira e faça cortes superficiais no sentido da largura do pão. Pincele com o azeite de oliva restante, cubra e deixe crescer por 30 minutos.
  8. Preaqueça o forno a 180°C (temperatura média).
  9. Pincele o pão com mais azeite e leve ao forno para assar por cerca de 35 minutos ou até que esteja dourado. Para verificar se está assado, bata na parte de baixo do pão (como se estivesse batendo numa porta) e observe se produz um som oco. Caso contrário, deixe assar mais um pouquinho. Quando pronto, coloque o pão sobre uma grade e deixe esfriar.

Salada Encantada

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Quem não cresceu ouvindo contos de fada? Cinderella, Chapéuzinho Vermelho, Branca de Neve, Rapunzel, toda menina já fingiu ser uma delas (ou todas) na infância e é por isso que eu fiquei empolgada para ler “Bitter Greens” da Kate Forsyth, que entrelaça a história verídica de Charlotte-Rose de la Force, uma aristocrata francesa, com a fábula de Rapunzel, no livro chamada de Marguerita, e da fictícia bruxa Selena.

No livro, as três narradoras se revezam: Charlotte-Rose é banida por Luís XIV para um convento e dentro de seu período lá, faz amizade com uma das freiras, Irmã Serafina. Charlotte-Rose é aspirante a escritora e desde pequena é considerada uma independente e selvagem demais para os padrões da época. Ao chegar no convento ela está inconsolável por causa de um amor perdido, mas com o passar do tempo e com a assistência de Irmã Serafina, sente-se melhor. Marguerita, no seu aniversário de sete anos, é arrancada de seu lar pela bruxa Selena,  chamada de La Bella Strega, em troca de um punhado de hortaliças, e levada para uma vida de isolamento em uma torre. Em seguida, voltamos no tempo para acompanhar a vida de Selena, como esta se tornou bruxa e as motivações das suas ações.

O que eu adorei nesse livro foi a mistura de ficção com realidade: personagens reais como Charlotte-Rose (tão interessante que quero ler mais sobre ela), Luís XIV e o pintor Tiziano, entre outros, trazem para a narrativa uma riqueza enorme, o que deve ser o resultado de uma pesquisa histórica bem extensa. Além disso, Forsyth consegue nos fazer empatizar com suas personagens, mesmo quando elas são vilãs e agem de maneira cruel ou egoísta. O livro é uma delícia de ler, passa rápido e tem cenas ótimas (especialmente no final, uma cena de Charlotte-Rose me fez gargalhar).

Como não poderia deixar de ser com um livro com esse nome, a receita de hoje é uma salada! Mas não é qualquer salada, não, é uma salada delícia especial que vai bem em qualquer dieta e ainda deixa você feliz: salada morna de rúcula, abobrinha e amêndoas. Uns verdinhos amargos de vez em quando caem bem 🙂

Salada de Abobrinha Encantada (serve 2 pessoas)

Ingredientes:

  • 3-4 abobrinhas médias ou grandes
  • 1/2 xícara de amêndoas torradas
  • 1 limão
  • um punhado generoso de rúcula lavada
  • sal, azeite e pimenta do reino

para o molho:

  • 1 pote de iogurte natural (eu uso o semi0desnatado)
  • 2 colheres de sopa mostarda dijon
  • mel a gosto

Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180 graus.
  2. Lave bem a abobrinha e então seque. Em seguida, em uma travessa antiaderente, corte as três abobrinhas, com casca mesmo, em tiras verticais com um mandolim. Pare de cortar quando chegar nas sementes. Arrume as tiras na assadeira e então regue com azeite e o suco de limão, tempere com sal e pimenta e coloque para assar entre 15 e 20 minutos.
  3. Em um pote, despeje o iogurte, a mostarda e o mel. Misture bem até fica homogêneo. Reserve na geladeira até a hora de servir.
  4. Corte as amêndoas rusticamente.
  5. Coloque a rúcula lavada e seca na saladeira. Retire do forno a abobrinha e jogue sobre o leito de rúcula, por cima jogue as amêndoas cortadas. Sirva com o molho.

 

Escondidinho para Lisbeth

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Vocês conhecem a série Millenium, do Stieg Larsson, certo? Os livros fizeram um grande sucesso quando foram lançados em 2004, pouco após a morte do autor sueco. Tanto sucesso que viraram filmes: o primeiro livro teve uma versão sueca e também uma holywoodiana com Daniel Craig e Rooney Mara nos papéis principais. Os outros livros viraram filmes suecos também, mas Holywood ainda não continuou a sequência. Enfim, tudo isso para dizer que a série Millenium que começa com “Os homens que não amavam as mulheres” é totalmente viciante. E agora tem um novo volume, chamado “A garota na teia de aranha” do David Lagercrantz.

O quê faz os livros Millenium serem tão tão bacanas? A resposta é óbvia: Lisbeth Salander. Lisbeth é uma hacker brilhante com dificuldades de relacionamento (na verdade, ela sofre de algum tipo de síndrome), aptidão para a violência e um grande senso de justiça. Ela não é nem um pouco parecida com as heroínas tradicionais, é magra e sem curvas, tem os cabelos pretos cortados curtos, uma grande tatuagem de dragão nas costas, um milhão de piercings e é bissexual. E você vai torcer por ela a cada momento. Claro que uma heroína merece um herói a altura, então temos Mikael Blomkvist, um jornalista que é um dos sócios-fundadores da revista Millenium, conhecido por sua capacidade investigativa.

Não vou falar muito dos três primeiros livros aqui, só vou dizer para vocês: se ainda não leram, leiam. E agora vamos falar do “A garota na teia de aranha”. Para mim foi irresistível a chance de ler mais Lisbeth. E também fiquei curiosa para ver como o novo autor se sairia. Stieg Larsson morreu quando ele estava escrevendo o quarto livro, mas David Lagercrantz não teve acesso ao manuscrito por questões do espólio, então fez tudo sozinho mesmo. E se saiu muito bem, na minha opinião. Eu gostei bem mais dos três primeiros, mas também fiquei lendo loucamente o novo. Lagercrantz manteve as características dos personagens, e utilizou bem todo o pano de fundo construído por Larsson. Também curti bastante os personagens novos que estão envolvidos na trama, como o Dr. Frans Balder e seu filho August, sendo que este último é autista (o que tem grande relevância na história). Enfim, se você gosta de thrillers, esse livro (e a série toda, claro) é um prato cheio!

O que eu acho muito bacana em Millenium é justamente a habilidade dos autores em surpreender, então fiquei pensando que a receita que acompanhasse o livro tinha que ter essa mesma característica. Nesse meio tempo, fui fazer compras e trouxe para casa uma bandeja de shitake e, enquanto pensava em como preparar meus cogumelos, tive um estalo: um escondidinho de shitake! Um prato que ainda não comi em lugar nenhum, será que ia ficar bom? E não é que ficou ótimo! Surpreendeu, a la Lisbeth.

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Escondidinho de Shitake para Lisbeth (serve de 4 a 5 pessoas)

  • 3 mandiocas descascadas
  • 300g de shitake
  • 250g de carne moída (opcional)
  • um punhado de cebolinha fatiada
  • 1/3 de xícara (chá) de queijo parmesão ralado
  • 1/4 de xícara de farinha de rosca
  • 1/2 xícara de leite
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • shoyu
  • azeite para untar
  1. Lave os cogumelos, escorra-os e refogue com um um fio de azeite e bastante cebolinha. Se for fazer com carne, refogue a carne também. Adicione o shoyu e, se quiser, tempere com sal e pimenta do reino.
  2. Acomode a mistura de shitake ainda quente no fundo de uma travessa média.
  3. Cozinhe 250g de mandioca em água até ficar bem macia. Retire do fogo e deixe amornar.
  4. Retire os fiapos e amasse as mandiocas com um garfo. Adicione 1/2 xícara de leite desnatado, 1 colher de sopa de manteiga, noz moscada e sal a gosto.
  5. Despeje o purê sobre a mistura de cogumelos. Alise a superfície com uma espátula.
  6. Salpique a farinha de rosca e o queijo parmesão por cima até ficar uniforme.
  7. Leve ao forno pré-aquecido a 220 graus por aproximadamente 30 minutos. Sirva ainda quente!

Segredos, confissões e panquecas

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Vou confessar uma coisa: eu não adorei Mentirosos, da E. Lockhart. De vez em quando eu gosto de ler um livro YA, eles são rápidos e divertidos no geral, leituras fáceis de digerir. E Mentirosos parecia interessante, mas logo no começo eu achei adivinhei o grande twist do final e aí pronto, o livro perdeu um pouco da graça. Enfim, não é o meu livro predileto mas tem algumas coisas legais: a autora consegue criar muito bem o retrato do lugar e da família de Cady, a personagem principal.

Logo de cara, Cadence Sinclair ou Cady, a narradora nos conta que ela teve um acidente que a deixou com terríveis dores de cabeça. Ela explica também que nenhum Sinclair é fraco, ou sofre de vícios ou fracassa. Em seguida, ela e a mãe vão para a ilha particular da família, onde seus avós e cada uma das suas tias, e também sua mãe, tem uma casa. É nessa ilha teoricamente paradisíaca que Cady encontra seus primos, e  se apaixona pela primeira vez. O grupo dos primos mais Gat (o filho do namorado da tia) eram chamado de “Mentirosos” pela família.  É também na ilha que ela sofre o acidente que a deixou doente.

No livro, existem várias descrições de refeições luxuosas a beira-mar, e essa parte sim me deixou com água na boca. Uma parte fala de café da manhã e isso me deixou sonhando com panquecas fofinhas cobertas de mel. E aposto que você vai acabar mentindo para você mesmo um pouquinho para poder comer essas panquecas deliciosas sem culpa de vez quando… Então segue aí.

Panquecas para Cady Sinclair (faz de 4  panquecas médias)

Ingredientes:

  • 125 g de farinha de trigo
  • 5g de fermento químico
  • 1 pitada de sal
  • 30g de açúcar mascavo
  • 1 ovo
  • 150ml de leite
  • manteiga para derreter
  • uma pitada de canela (opcional)

Preparo:

  1. Misture a farinha com o fermento, o sal, o açúcar e a canela numa tigela funda.
  2. Em outro recipiente, bata o ovo e misturar com o leite.
  3. Misture os ingredientes secos com os líquidos, batendo até que a massa fique homogénea.
  4. Aqueça uma frigideira anti-aderente em fogo médio. Coloque um pouco de manteiga e deixe derreter completamente.
  5. Com uma concha, derrame uniformemente a maça de modo a cobrir o fundo da frigideira.
  6. Deixar cozinhar até que a massa comece a borbulhar, então vire a panqueca do outro lado e deixe dourar durante cerca de 30 segundos.
  7. Sirva quentinhas polvilhadas com açúcar em pó e regadas mel e rodelas de banana ou morangos, e para finalizar umas nozes.

 

 

 

 

Jardim interno

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Esse ano eu fiz uma lista com os livros indispensáveis de 2016, entre eles está “O amante japonês” da Isabel Allende. Isso porque faziam anos que eu não lia nada dela, e fiquei curiosa quando vi que o livro se passava em uma casa de repouso. Quase nenhum livro conta o final da história, o que aconteceu com os heróis depois daquele beijo, ou do casamento, ou depois que nasce o filho. Eu tinha quase certeza que isso não aconteceria nesse livro, e estava (quase completamente) certa!

“O amante japonês” conta a história de Alma e Irina. Alma Belasco é uma idosa ativa que vive na casa de repouso Larkhouse, onde Irina, uma jovem imigrante da Moldávia vai trabalhar após passar por momentos difíceis. Alma se aproxima de Irina e as duas se tornam amigas e confidentes, e é para a jovem e para seu neto Seth (que arrasta a asa para Irina) que Alma conta sua improvável história de amor com um jardineiro japonês, Ichimei Fukuda. O livro toca em vários temas espinhosos: abuso sexual, imigração, preconceito racial, social e etário, o que poderia tornar-lo um livro difícil, mas Allende mantém o foco no romance e consegue navegar esses assuntos de forma habilidosa. A personagem de Alma é cheia de nuances, uma personagem que projeta uma imagem para os outros mas internamente é bem diferente. Por fora, Alma é fria e de poucos amigos, mas por dentro, com a ajuda de Ichimei, florescem jardins.

Essa foi a reflexão que ficou comigo quando terminei o livro, o quanto as vezes somos diferentes do que parecemos para os outros, não melhores ou piores, mas diferentes. Queria uma receita que representasse essa dualidade, então tive a idéia de fazer um folhado diferente, recheado de sabores surpreendentes: figos, presunto de parma, ricota, mel! Aproveitem 🙂

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Folhado a la Belasco (faz quatro folhados)

Ingredientes:

  • Massa Folhada (usei a da Massa Leve)
  • 4 figos
  • ricota fresca (eu adoro a Vitalate!)
  • 30g de presunto de parma
  • sal, azeite e pimenta do reino
  • manteiga
  • mel a gosto
  • Gema de ovo para pincelar

Preparo:

  1. Tire a massa de dentro da embalagem com cuidado, ela é delicada.
  2. Em uma vasilha, tempere a ricota com azeite, sal e pimenta.
  3. Corte os figos ao meio e depois em quatro. Esquente uma frigideira e derreta um pouco de manteiga, em seguida coloque os figos na frigideira e deixe-os amolecer um pouco. Antes de retirar adicione o mel.
  4. Corte o presunto em pedaços menores que caibam no folhado.
  5. Coloque o recheio bem no meio da massa, mas não exagere na quantidade para não transbordar quando assar.  Posicione-o pensando que vai ter que dobrar a massa por cima dele e colar as beiradas.
  6. Dobre o outro lado da massa sobre o lado que você colocou o recheio e ligue as pontas, pressionando com um garfo por toda a extensão da borda para que os dois lados fiquem bem coladinhos.
  7. Abra um ovo e separe a gema. Pincele um pouco da gema por cima de cada folhado, sem exagero.
  8. Coloque já na forma que vai usar para assar e leve para a geladeira por 30 minutos. Na metade desse tempo, acenda o forno para preaquecer a 200°C.
  9. Depois dos 15 minutos, pegue a forma e coloque no forno para assar até dourar, entre 5 e 10 minutos.

 

Amor é chocolate, cafuné e Carpinejar

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Sabe aqueles dias que você está precisando de um presente? Você acordou mais para lá do que para cá e quer um carinho? Faz um cházinho ou descola um cafuné ou arruma um chocolate e abre em qualquer página “Para onde vai o amor?” do Fabrício Carpinejar (ou tudo isso junto!) que eu te garanto que você vai se sentir melhor.

Esse livro de crônicas do Carpinejar é uma delícia, um livro sensível, daqueles que deixam um calorzinho no peito e um sorriso no rosto. O livro esmiúça o ato de amar, suas rotinas e peculiaridades. Todo mundo sabe o quê é o amor (menos o Voldemort) mas poucas pessoas conseguem colocar no papel a sensação de estar amando. E Carpinejar é fera nisso.

Logo, na hora de pensar no que combina com todo o romantismo do livro, a resposta já veio rápida: chocolate! Mas o quê de chocolate? Eu queria que fosse rápido e deixasse essa mesma sensação de calorzinho interno, de carinho, então me lembrei dessa receitinha que além de tudo isso ainda é a jato. Sempre sirvo em uma xícara ou uma canequinha que é para dar um charme e faz o maior sucesso.

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Bolo Carinhoso a jato (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 1 ovo
  • 3 colheres de sopa de manteiga
  • 4 colheres de sopa de açúcar
  • 4 colheres de sopa de leite
  • 3 colheres de sopa de cacau em pó
  • 3 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 1/2 colher de chá de fermento em pó

Modo de Preparo:

  1. Em uma tigela média, que vá ao micro-ondas, coloque a manteiga. Leve para derreter por 30 segundos, até que a manteiga fique líquida. Meça novamente as 3 colheres (com a manteiga já derretida).
  2. Volte a manteiga à tigela e junte o leite e o ovo. Misture bem, com um batedor de arame ou com um garfo.
  3. Junte o açúcar, o cacau, a farinha e o fermento. Misture vigorosamente, até que a massa fique homogênea.
  4. Divida a massa entre os 4 recipientes que for usar, com cuidado para não ultrapassar 2/3 da capacidade do recipiente. Leve todas ao micro-ondas, na potência máxima, por 3 minutos. Para facilitar na hora de tirar, coloque sobre um prato.
  5. Tome cuidado na hora de tirar os copinhos, eles ficam bem quentes. Espere esfriar um pouco 😉

OBS: Observe bem a potência do seu microondas e ajuste o tempo de acordo!

Chá inglês

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No ano passado eu li “The Royal We” da Heather Cocks junto com a Jessica Morgan. A razão de eu ter escolhido ler esse livro é que eu acompanho o hilário blog de moda das duas, o “Gofugyourself” (o nome é esse mesmo) e fiquei curiosa para ler um romance escrito pela dupla.

O livro conta a história de uma menina americana, Bex, que se apaixona por um príncipe inglês, Nick. As autoras, que adoram a monarquia inglesa e vivem falando da família real no blog, basearam a história, é claro, no romance entre o príncipe William com Kate Middleton. O livro é muito engraçado, cheio de referências pop e uma leitura fácil e rápida. Um livro para cinderelas modernas, que querem sonhar com o príncipe encantado (que as vezes nem é tão encantador assim, e por isso mesmo mais interessante) e que querem se divertir com uma leitura light e fofa.

Eu, quando era criança, adorava a princesa Diana e, óbvio, seus filhos príncipes! Logo, para mim também dá uma certa nostalgia lembrar dessa época. Enfim, vale a pena ler para vocês rirem, é um livro ótimo para carnaval porque não é um thriller daqueles que você não consegue parar nem um minuto então dá para você ler e cair na folia! E quando estiver descansando, aproveitar o romance.

É claro que a receita perfeita para esse livro é aquele bolinho fofinho mas consistente que acompanha chás com elegância britânica, a madeleine! Porque quando eu penso em príncipes ingleses, chá é a primeira coisa que aparece (fora o cavalo branco, claro), não é? Essa receita é lá do Moldando Afeto 😉

Madeleine Real (faz 20 bolinhos)

Ingredientes:

  • 1 colher de chá de fermento
  • raspas de 2 limões
  • 2 ovos
  • 125g de farinha de trigo
  • 125g de açúcar
  • 125g de manteiga derretida

Preparo:

  1. Bata os ovos e açúcar até obter uma mistura clara e fofa. Incorpore a farinha e o fermento, mexendo devagar. Adicione a manteiga derretida e por último as raspas de limão.
  2. Descanse em geladeira por 1 hora.
  3. Pré-aqueça o forno a 220 graus.
  4. Preencha 2/3 das forminhas e asse por 15 minutos.
  5. Desenforme enquanto ainda estiverem mornas.

 

 

Delicadeza oriental

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Nesse Natal ganhei de presente “Homens sem mulheres”, um livro de contos de um autor que é um xodó meu, Haruki Murakami  (já falei no blog de outros livros dele, “1Q84” e “O incolor Tsukuru Tazaki”). Todos os contos do livro são estudos de relacionamentos contados do ponto de vista masculino. Murakami é como sempre muito sutil e delicado, ele usa muita simbologia na sua narrativa e acaba criando pequenos mundos fantásticos em cada história. Essa habilidade do autor é sempre minha parte preferida dos seus livros, os personagens dele são quase um portal para um Japão fantástico onde gatos e jazz são parte integrante do dia-a-dia. No caso de “Homens sem mulheres”, eu adorei especialmente dois dos contos, “Habara” e  o que empresta nome ao livro “Homens sem mulheres”. Em “Habara”, a personagem Sherazade é tão interessante que eu fiquei meio triste quando o conto acabou. Em “Homens sem mulheres” me diverti com a honestidade e imagens lúdicas criadas pelo autor: fiquei pensando em unicórnios e marinheiros.

O estilo de Murakami é delicioso e sempre me inspira, por isso os os livros dele sempre acabam por aqui: a forma poética dele escrever sempre me faz pensar em comida! rsrs. Enquanto estava lendo “Homens sem Mulheres” eu pensei que desta vez eu queria um prato sofisticado e suave, mas complexo. Um prato que me desse a mesma sensação de ler Murakami e então me lembrei do risoto de abóbora assada. Não deu outra: casamento perfeito entre literatura e culinária. Para comer saboreando, sem pressa e de preferência com boa música e boa companhia.

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Um risoto delicado (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 2 xícaras de chá de arroz arbóreo
  • 750 g de abóbora japonesa em cubos
  • 15 folhas de sálvia
  • 1,5 l de caldo de legumes (se for usar cubos, dissolva apenas 2)
  • 1 cebola grande picada
  • 2 xícaras de chá de vinho branco seco
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 4 colheres de sopa de queijo parmesão ralado e mais um pouco para servir
  • sal e pimenta-do-reino a gosto

Preparo:

  1. Preaqueça o forno a 180ºC. Unte uma assadeira, de preferência antiaderente, com 1 colher de sopa de azeite.
  2. Lave a abóbora sob água corrente. Sobre uma tábua, descasque-a com cuidado e corte ao meio. Retire as sementes e as fibras e corte-a em cubos de 2,5 cm.
  3. Disponha os cubos de abóbora numa assadeira e regue com um pouco mais de azeite. Tempere com sal e pimenta-do-reino e polvilhe com as folhas de sálvia. Leve ao forno e deixe assar entre 40 e 50 minutos.
  4. Numa panela, coloque o caldo de legumes e leve ao fogo alto. Quando ferver, abaixe o fogo.
  5. Em outra panela, coloque 1 colher (sopa) de azeite e leve ao fogo médio. Quando aquecer, junte a cebola picada e refogue, mexendo bem, até ficar transparente. Acrescente o arroz e refogue por 2 minutos, mexendo sempre. Adicione o vinho e misture até evaporar. Acrescente 1 concha de caldo de legumes e mexa bem.
  6. Quando o caldo secar, adicione mais 1 concha e repita o procedimento até o risoto ficar no ponto ou até acabar o caldo.
  7. Verifique o ponto: o risoto deve ser cremoso, mas os grãos de arroz devem estar al dente, ou seja, um pouco durinhos. Porém, se ainda estiver muito cru, continue cozinhando por mais 1 minuto. Se for necessário, junte um pouco mais de caldo e mexa bem. Na última adição de caldo, não deixe secar completamente ou o resultado será um risoto ressecado.
  8. Junte a abóbora assada e os sucos que ficaram na assadeira e mexa bem. Por último, acrescente o queijo parmesão e misture bem. Sirva a seguir.

PS: Além disso, quando estava lendo me lembrei bastante de um documentário japonês muito interessante, “Jiro dreams of Sushi” que assisti outro dia no Netflix. Fica a dica!

Colecionando


No começo de Janeiro realizei um sonho: recebi de presente por causa do blog um livro! Fiquei emocionada quando a Erica Oliveira entrou em contato comigo por e-mail e falou que gostava do Cozinha Literária e queria de me enviar o seu livro. Enfim, algumas semanas atras recebi “Betina, a colecionadora”, da Erica Oliveira com ilustrações (lindas!) de Anttonio Pereira.

Esse fofo livro infantil fala da história de Betina, uma menina que vive cercada de colecionadores de todo tipo de coisas: árvores, filhos, chupetas, biscoitos e até sardas! Ela começa então a procurar pela coleção perfeita para chamar de sua. Quando ela finalmente encontra, não quero estragar a surpresa, então só vou dizer que é uma coleção bem diferente!

No final do livro tem uma festa de aniversário e uma disputa pelo primeiro pedaço, como sempre! Eu me lembro de como era a sensação de esperar essa honra! rsrs. Por isso mesmo acho que para honrar a Betina, a receita desse livro é uma receitinha especial de família: bolo de laranja da minha avó. Vale disputar cada pedaço (e colecionar memórias de cada um que você comeu).

Bolo de Laranja para Colecionadores Inveterados (rende 10 fatias generosas)

Ingredientes:

  • 200g de manteiga
  • 2 xícaras de açúcar
  • 4 ovos
  • 3 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 2 copos de suco de laranja

Modo de Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180 graus e unte uma forma de bolo com manteiga e farinha de trigo.
  2. Bata a manteiga derretida com o açúcar e as gemas. Adicione a farinha de trigo e bata até homogêneo.
  3. Acrescente o fermento e metade do suco de laranja e bata até uniforme.
  4. Asse durante 40 minutos (esse tempo pode variar um pouco de acordo com o forno de cada um).
  5. Ao retirar do forno, deixe esfriar alguns minutos e então despeje o restante do suco de laranja por cima uniformemente, NÃO desenforme até o suco ter sido absorvido.

PS: As ilustrações do livro são uma graça então quis compartilhar aqui! Parabéns para o artista Anttonio Pereira 🙂

 

Pão Nosso

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Estação Onze, da Emily St. John Mandel, acabou de entrar para a minha galeria de recomendações, daqueles livros que você quer falar para outros lerem, tanto que você fica até meio chato. É bom mesmo.

No livro, uma pandemia assola a Terra e devasta 99% da população mundial. Poucos são os que escapam com vida, e mesmo os que conseguem, tem que viver uma realidade nova, uma vida mais primitiva, onde reina a lei do mais forte. Mas a narrativa por também volta ao passado, mostrando alguns personagens-chave antes da catástrofe acontecer. Assim acompanhamos a história de vários deles, Jeevan, Arthur, Miranda, Clark e a protagonista Kirsten.

Kirsten, pós-pandemia, é uma atriz na Sinfonia Itinerante, uma trupe de músicos e atores que viaja pelos EUA se apresentando pelas cidades no caminho. Ela é atriz desde criança, desde antes da Gripe da Geórgia, e coleciona recortes sobre um ator que se apresentava com ela em Rei Lear e que morre em cena, Arthur Leander. É Arthur que dá para Kirsten sua posse mais preciosa, as revistas em quadrinhos “Estação Onze”, de autoria da ex-mulher dele Miranda.

Já Clark, antigo amigo de Arthur, fica preso no Aeroporto de Severn City e lá funda o Museu da Civilização, onde deposita objetos que já foram significativos mas agora são só memórias de um tempo passado. Lá estão iPhones, iPads, televisões, revistas, cartões de crédito, passaportes e até uma moto. Eletricidade, combustível e internet são sonhos distantes, com toques de surrealidade para os sobreviventes.

Eu adorei esse livro, me peguei pensando em o quanto das nossas vidas parece automatizado mas na verdade depende de outras pessoas. Televisão, internet, luz, ar-condicionado, banho quente, tudo isso é um tipo de mágica para quem vive isolado no meio do mato. Essas invenções maravilhosas da humanidade dependem de uma cadeia de trabalho incessante. De pessoas trabalhando todo dia. Sem isso a civilização cai como dominós. E a maneira como Mandel escreve é realista, mas também otimista. A própria Sinfonia Itinerante que ela criou é um testemunho de fé: enquanto houver arte, estamos salvos. Enquanto houver arte, somos humanos.

Então é claro que eu fiquei pensando no que eu mais sentiria falta de comer se o mundo como eu conheço acabasse (mentalidade de gordinho, eu sei). E a minha resposta foi um ressoante “PÃO”. Eu adoro todos os tipos de pão. Aqui em casa esse negócio de sem glúten não cola (eu respeito quem topa, só não consigo ir junto). Eu acho que eu ia sonhar com pãezinhos variados, bem quentinhos com uma manteiguinha. Por isso a receita de hoje é um pão fácil e rápido de fazer, o tipo mais provável de se fazer se uma calamidade acontecer, a Piadina. A piadina, eu aprendi no livro do Panelinha, é um cruzamento de massa de pizza com foccacia. É uma delicia quentinha com umas ervas em cima e um azeite do lado.

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Piadina da Estação Onze (faz 6 pães de mais ou menos 15cm de comprimento)

Ingredientes:

  • 1 1/2 xícara de chá de farinha de chia (ou farinha de trigo integral se você não tiver)
  • 1 1/2 xícara de chá de farinha de trigo e mais um pouco para enfarinhar a mesa
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 1/2 colher de chá de sal
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 1 1/4 xícara de chá de leite

Preparo:

  1. Numa tigela grande, junte a farinha, o sal e o fermento. Misture e abra um buraco no centro. Coloque o azeite bem no meio e vá esfregando a farinha com os dedos para misturar.
  2. Junte o leite em duas etapas e, com as mãos, misture bem, até formar uma bola. Transfira a massa para uma superfície de trabalho enfarinhada e sove por 3 minutos. No máximo!
  3. Enrole a massa para formar uma cobra e divida em 6 pedaços iguais. Cubra a massa com um pano de prato úmido (e não molhado, muito menos ensopado!).
  4. Coloque uma frigideira grande, de preferência de ferro, ou uma chapa, para aquecer em fogo alto. Abra um pedaço de massa com rolo de macarrão até ficar com cerca de 15 cm de diâmetro. Ou se quiser fazer ela mais compridinha, com 15cm de comprimento.
  5. Quando a frigideira estiver bem quente, coloque a massa e faça vários furos com um garfo; assim que o fundo começar a ficar com pintinhas escuras, uns 2 minutos, vire e deixe cozinhar por mais 2 minutos. Transfira para um prato e cubra com um pano de prato limpo, apenas para não esfriar, enquanto você faz as outras.