Malandragem dá um tempo

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“É assim que você a perde” de Junot Diaz é um romance formado por contos. Estranho, não é? Uma estrutura nova que flui naturalmente, aonde os personagens permanecem na história, flutuando em idade, maturidade e compreensão. Acho que essa liberdade de Diaz ao escrever a história de Yunior é minha parte predileta do romance: o autor não se prende a fórmulas, mas vai contando a história de Yunior da maneira que mais faz sentido para o narrador, aonde o próprio personagem identifica o começo e o final de sua história e suas ações. Não entendeu? Lê, depois a gente conversa 🙂

O livro é narrado em primeira pessoa, em um tom de conversa, e por isso possuí muitas gírias e expressões típicas da comunidade latina que muitas vezes não são familiares ao leitor (pelo menos no meu caso), o que pode parecer confuso mas sem dúvida contribui muito para a linguagem do livro e na construção de Yunior como personagem. Os contos são os capítulos da vida amorosa de Yunior, que desde o começo deixa claro que “ele não é não é uma má pessoa (…), só uma pessoa cheia de falhas, mas no final uma boa pessoa.” E mesmo com a multidão de pecados que ele comete durante a narrativa, no final você tende a concordar com ele.

É verdade que as pessoas que nos cercam tendem a ter um poder formativo enorme em nossas vidas, e no livro Diaz traz isso a tona com a frequente menção de Yunior ao irmão, Rafa, mesmo após a morte deste, o irmão caçula tende a se espelhar no mais velho falecido e até justificar suas escolhas através dele. Mesmo quando reconhece os erros do irmão, muitas vezes não deixa de emular seu comportamento, o que várias vezes traz consequências péssimas para sua vida. Em “É assim que você a perde” você acompanha Yunior em uma longa lista de desastres amorosos, mas também percebe o quanto o personagem mulherengo é carente desse amor e atenção. E é por isso que o livro é tão bom.

Enfim, os personagens principais do livro são todos de origem dominicana e eu fiquei curiosa para saber qual é a comida típica de lá, já que ainda não conheço pessoalmente. E o que eu descobri, meu povo? Descobri que o negócio por lá é peixe com banana. E feijão. Mas a lâmpadinha que acendeu na minha cabeça só incluiu os dois primeiros, então aí vai: um atum em crosta de gergelim acompanhado por purê de banana -leve e delícia.

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Atum Malandro à moda Diaz

Para o peixe:

Ingredientes:

  • 600g de filé de atum
  • 2 claras
  • 100g de gergelim branco
  • 100g de gergelim preto
  • 80ml de azeite

Modo de Preparo:

  1. Ponha duas claras de ovos dentro de um recipiente e bata-as.
  2. Tempere as claras com sal e pimenta do reino e bata outra vez.
  3. Acrescente o atum e misture.
  4. Em outra vasilha, ponha um pouco de gergelim e envolva o atum com os grãos.
  5. Enrole o atum em um pedaço de papel filme para prender bem o gergelim.
  6. Enquanto isso, ponha um pouco de azeite na frigideira e deixe esquentar.
  7. Retire o papel e deixe fritar um pouco todos os lados do atum.

Para o purê:

Ingredientes:

  •  03 bananas maduras
  •  1/2 xícara de leite
  •  1/2 caixa de creme de leite
  •  01 colher de sopa de manteiga
  •  01 pitada de sal
  •  01 colher de sopa de queijo ralado

Modo de Preparo:

  1. Cozinhe as bananas com casca até que fiquem macias. Escorra, deixe esfriar e bata no liquidificador com o leite.
  2. Em uma panela, derreta a manteiga, misture o creme de banana e o sal.
  3. Apague o fogo, acrescente o creme de leite e o queijo ralado. Misture ligeiramente.
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Entre quatro paredes

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Nessa temporada do Oscar, eu vi vários dos filmes concorrentes ao Melhor Filme, mas não vi “O Quarto de Jack” pois estava lendo “Quarto” da Emma Donoghue e não queria que um estragasse o outro.
Em “Quarto”, Donoghue traz a história de Ma e Jack, mãe e filho que vivem confinados em um quarto, vítimas de um homem a quem chamam de “Velho Nick”. No começo do livro, Jack está completando cinco anos e pensa que o mundo todo se limita ao quarto em que vive com Ma. No quarto, os objetos são amigos, os únicos que ele tem, e o Lá Fora é um local tão fictício quanto o desenho da Dora Exploradora. Jack ainda mantém a ingenuidade total das crianças: ele é doce e esperto, apesar de todas as limitações impostas pelas suas condições. As escolhas que Ma faz ao cria-lo são difíceis, mas compreensíveis dentro do contexto, apesar de várias vezes causarem no leitor uma estranheza.
O maior trunfo do livro é mesmo a habilidade de Donoghue ao construir a voz de Jack. É fácil se afeiçoar ao menino cheio de energia que não sabe o quanto o mundo é grande, e as lacunas no entendimento de Jack, que nós preenchemos facilmente, tornam o livro emocionante. Através de Jack, a autora apresenta uma forma nova de falar sobre amor, sobre o que nos conecta uns aos outros e também dos que nos torna únicos. Não vou dizer que é uma leitura fácil ou leve, mas vale a pena.
Na história, Jack, como toda criança, ama alimentos cheios de açúcar e detesta verduras. Tenta sempre despachar os verdinhos para longe, apesar dos esforços de Ma. Então quis pensar em uma receita que mudasse essa atitude, que deixasse o Jack aficcionado por tudo que é verdinho! Aqui em casa essa da Rita Lobo é sucesso: creme de espinafre.
Creme Verde para o Jack  (serve 2 pessoas)
Ingredientes:
  • 300g de espinafre fatiado congelado
  • 3 xícaras de chá de leite
  • 4 colheres de sopa de manteiga
  • 4 colheres  de sopa de farinha de trigo
  • Noz-moscada ralada na hora
  • Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Modo de Preparo:

  1. Leve uma panela média com a manteiga ao fogo baixo. Quando derreter, junte a farinha e mexa bem por 2 minutos, até ficar levemente dourada.
  2. Adicione o leite gelado de uma só vez e mexa vigorosamente com um batedor de arame para não empelotar. Quando a mistura de farinha dissolver, aumente o fogo para médio. Tempere com noz-moscada e cozinhe, sem parar de mexer, até engrossar, cerca de 10 minutos.
  3. Acrescente o espinafre congelado e mexa para que os cubos derretam e o creme fique uniforme. Tempere com sale pimenta.
  4. Cozinhe em fogo médio, sem parar de mexer, por mais ou menos 10 minutos.

PS: Vocês já viram o filme? Devo assistir?

Jardim interno

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Esse ano eu fiz uma lista com os livros indispensáveis de 2016, entre eles está “O amante japonês” da Isabel Allende. Isso porque faziam anos que eu não lia nada dela, e fiquei curiosa quando vi que o livro se passava em uma casa de repouso. Quase nenhum livro conta o final da história, o que aconteceu com os heróis depois daquele beijo, ou do casamento, ou depois que nasce o filho. Eu tinha quase certeza que isso não aconteceria nesse livro, e estava (quase completamente) certa!

“O amante japonês” conta a história de Alma e Irina. Alma Belasco é uma idosa ativa que vive na casa de repouso Larkhouse, onde Irina, uma jovem imigrante da Moldávia vai trabalhar após passar por momentos difíceis. Alma se aproxima de Irina e as duas se tornam amigas e confidentes, e é para a jovem e para seu neto Seth (que arrasta a asa para Irina) que Alma conta sua improvável história de amor com um jardineiro japonês, Ichimei Fukuda. O livro toca em vários temas espinhosos: abuso sexual, imigração, preconceito racial, social e etário, o que poderia tornar-lo um livro difícil, mas Allende mantém o foco no romance e consegue navegar esses assuntos de forma habilidosa. A personagem de Alma é cheia de nuances, uma personagem que projeta uma imagem para os outros mas internamente é bem diferente. Por fora, Alma é fria e de poucos amigos, mas por dentro, com a ajuda de Ichimei, florescem jardins.

Essa foi a reflexão que ficou comigo quando terminei o livro, o quanto as vezes somos diferentes do que parecemos para os outros, não melhores ou piores, mas diferentes. Queria uma receita que representasse essa dualidade, então tive a idéia de fazer um folhado diferente, recheado de sabores surpreendentes: figos, presunto de parma, ricota, mel! Aproveitem 🙂

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Folhado a la Belasco (faz quatro folhados)

Ingredientes:

  • Massa Folhada (usei a da Massa Leve)
  • 4 figos
  • ricota fresca (eu adoro a Vitalate!)
  • 30g de presunto de parma
  • sal, azeite e pimenta do reino
  • manteiga
  • mel a gosto
  • Gema de ovo para pincelar

Preparo:

  1. Tire a massa de dentro da embalagem com cuidado, ela é delicada.
  2. Em uma vasilha, tempere a ricota com azeite, sal e pimenta.
  3. Corte os figos ao meio e depois em quatro. Esquente uma frigideira e derreta um pouco de manteiga, em seguida coloque os figos na frigideira e deixe-os amolecer um pouco. Antes de retirar adicione o mel.
  4. Corte o presunto em pedaços menores que caibam no folhado.
  5. Coloque o recheio bem no meio da massa, mas não exagere na quantidade para não transbordar quando assar.  Posicione-o pensando que vai ter que dobrar a massa por cima dele e colar as beiradas.
  6. Dobre o outro lado da massa sobre o lado que você colocou o recheio e ligue as pontas, pressionando com um garfo por toda a extensão da borda para que os dois lados fiquem bem coladinhos.
  7. Abra um ovo e separe a gema. Pincele um pouco da gema por cima de cada folhado, sem exagero.
  8. Coloque já na forma que vai usar para assar e leve para a geladeira por 30 minutos. Na metade desse tempo, acenda o forno para preaquecer a 200°C.
  9. Depois dos 15 minutos, pegue a forma e coloque no forno para assar até dourar, entre 5 e 10 minutos.

 

Amor é chocolate, cafuné e Carpinejar

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Sabe aqueles dias que você está precisando de um presente? Você acordou mais para lá do que para cá e quer um carinho? Faz um cházinho ou descola um cafuné ou arruma um chocolate e abre em qualquer página “Para onde vai o amor?” do Fabrício Carpinejar (ou tudo isso junto!) que eu te garanto que você vai se sentir melhor.

Esse livro de crônicas do Carpinejar é uma delícia, um livro sensível, daqueles que deixam um calorzinho no peito e um sorriso no rosto. O livro esmiúça o ato de amar, suas rotinas e peculiaridades. Todo mundo sabe o quê é o amor (menos o Voldemort) mas poucas pessoas conseguem colocar no papel a sensação de estar amando. E Carpinejar é fera nisso.

Logo, na hora de pensar no que combina com todo o romantismo do livro, a resposta já veio rápida: chocolate! Mas o quê de chocolate? Eu queria que fosse rápido e deixasse essa mesma sensação de calorzinho interno, de carinho, então me lembrei dessa receitinha que além de tudo isso ainda é a jato. Sempre sirvo em uma xícara ou uma canequinha que é para dar um charme e faz o maior sucesso.

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Bolo Carinhoso a jato (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 1 ovo
  • 3 colheres de sopa de manteiga
  • 4 colheres de sopa de açúcar
  • 4 colheres de sopa de leite
  • 3 colheres de sopa de cacau em pó
  • 3 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 1/2 colher de chá de fermento em pó

Modo de Preparo:

  1. Em uma tigela média, que vá ao micro-ondas, coloque a manteiga. Leve para derreter por 30 segundos, até que a manteiga fique líquida. Meça novamente as 3 colheres (com a manteiga já derretida).
  2. Volte a manteiga à tigela e junte o leite e o ovo. Misture bem, com um batedor de arame ou com um garfo.
  3. Junte o açúcar, o cacau, a farinha e o fermento. Misture vigorosamente, até que a massa fique homogênea.
  4. Divida a massa entre os 4 recipientes que for usar, com cuidado para não ultrapassar 2/3 da capacidade do recipiente. Leve todas ao micro-ondas, na potência máxima, por 3 minutos. Para facilitar na hora de tirar, coloque sobre um prato.
  5. Tome cuidado na hora de tirar os copinhos, eles ficam bem quentes. Espere esfriar um pouco 😉

OBS: Observe bem a potência do seu microondas e ajuste o tempo de acordo!

Pão Nosso

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Estação Onze, da Emily St. John Mandel, acabou de entrar para a minha galeria de recomendações, daqueles livros que você quer falar para outros lerem, tanto que você fica até meio chato. É bom mesmo.

No livro, uma pandemia assola a Terra e devasta 99% da população mundial. Poucos são os que escapam com vida, e mesmo os que conseguem, tem que viver uma realidade nova, uma vida mais primitiva, onde reina a lei do mais forte. Mas a narrativa por também volta ao passado, mostrando alguns personagens-chave antes da catástrofe acontecer. Assim acompanhamos a história de vários deles, Jeevan, Arthur, Miranda, Clark e a protagonista Kirsten.

Kirsten, pós-pandemia, é uma atriz na Sinfonia Itinerante, uma trupe de músicos e atores que viaja pelos EUA se apresentando pelas cidades no caminho. Ela é atriz desde criança, desde antes da Gripe da Geórgia, e coleciona recortes sobre um ator que se apresentava com ela em Rei Lear e que morre em cena, Arthur Leander. É Arthur que dá para Kirsten sua posse mais preciosa, as revistas em quadrinhos “Estação Onze”, de autoria da ex-mulher dele Miranda.

Já Clark, antigo amigo de Arthur, fica preso no Aeroporto de Severn City e lá funda o Museu da Civilização, onde deposita objetos que já foram significativos mas agora são só memórias de um tempo passado. Lá estão iPhones, iPads, televisões, revistas, cartões de crédito, passaportes e até uma moto. Eletricidade, combustível e internet são sonhos distantes, com toques de surrealidade para os sobreviventes.

Eu adorei esse livro, me peguei pensando em o quanto das nossas vidas parece automatizado mas na verdade depende de outras pessoas. Televisão, internet, luz, ar-condicionado, banho quente, tudo isso é um tipo de mágica para quem vive isolado no meio do mato. Essas invenções maravilhosas da humanidade dependem de uma cadeia de trabalho incessante. De pessoas trabalhando todo dia. Sem isso a civilização cai como dominós. E a maneira como Mandel escreve é realista, mas também otimista. A própria Sinfonia Itinerante que ela criou é um testemunho de fé: enquanto houver arte, estamos salvos. Enquanto houver arte, somos humanos.

Então é claro que eu fiquei pensando no que eu mais sentiria falta de comer se o mundo como eu conheço acabasse (mentalidade de gordinho, eu sei). E a minha resposta foi um ressoante “PÃO”. Eu adoro todos os tipos de pão. Aqui em casa esse negócio de sem glúten não cola (eu respeito quem topa, só não consigo ir junto). Eu acho que eu ia sonhar com pãezinhos variados, bem quentinhos com uma manteiguinha. Por isso a receita de hoje é um pão fácil e rápido de fazer, o tipo mais provável de se fazer se uma calamidade acontecer, a Piadina. A piadina, eu aprendi no livro do Panelinha, é um cruzamento de massa de pizza com foccacia. É uma delicia quentinha com umas ervas em cima e um azeite do lado.

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Piadina da Estação Onze (faz 6 pães de mais ou menos 15cm de comprimento)

Ingredientes:

  • 1 1/2 xícara de chá de farinha de chia (ou farinha de trigo integral se você não tiver)
  • 1 1/2 xícara de chá de farinha de trigo e mais um pouco para enfarinhar a mesa
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 1/2 colher de chá de sal
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 1 1/4 xícara de chá de leite

Preparo:

  1. Numa tigela grande, junte a farinha, o sal e o fermento. Misture e abra um buraco no centro. Coloque o azeite bem no meio e vá esfregando a farinha com os dedos para misturar.
  2. Junte o leite em duas etapas e, com as mãos, misture bem, até formar uma bola. Transfira a massa para uma superfície de trabalho enfarinhada e sove por 3 minutos. No máximo!
  3. Enrole a massa para formar uma cobra e divida em 6 pedaços iguais. Cubra a massa com um pano de prato úmido (e não molhado, muito menos ensopado!).
  4. Coloque uma frigideira grande, de preferência de ferro, ou uma chapa, para aquecer em fogo alto. Abra um pedaço de massa com rolo de macarrão até ficar com cerca de 15 cm de diâmetro. Ou se quiser fazer ela mais compridinha, com 15cm de comprimento.
  5. Quando a frigideira estiver bem quente, coloque a massa e faça vários furos com um garfo; assim que o fundo começar a ficar com pintinhas escuras, uns 2 minutos, vire e deixe cozinhar por mais 2 minutos. Transfira para um prato e cubra com um pano de prato limpo, apenas para não esfriar, enquanto você faz as outras.

 

Que venha o sol

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Em “Eu te darei o sol” Jandy Nelson conta a história de um casal de irmãos gêmeos, Noah e Jude. Os irmãos são próximos mas pessoas muito diferentes: Noah é artistíco e tímido, além de ser homossexual. Jude é esportiva, falante e tem cabelos lindos.

Noah e Jude brincam entre si de dividir o universo, em troca de tal coisa, você me dá as flores, ou em troca daquilo outro, você me dá os peixes. Uma espécie de jogo infinito entre os dois, de onde vem o nome do livro. O livro alterna a narrativa entre os irmãos, um capítulo é Noah e o próximo de Jude, sendo que os capítulos de Noah narram acontecimentos de quando os gêmeos tinham treze anos e os de Jude acontecem quando eles têm dezesseis. Logo fica claro que algo aconteceu nesse espaço de três anos que afastou e transformou completamente os dois, e que somente reparando o relacionamento eles vão saber a história completa deles mesmos.

Esse livro é voltado para um público mais jovem, e a linguagem dele deixa isso claro. Mas eu recomendo mesmo para quem não é jovem, pois é fala de auto-conhecimento e de nos aceitarmos como somos (mesmo que quem somos seja um pouco esquisito).

No livro, Jude tem uma espécie de Bíblia feita pela sua avó com toda espécie de conselhos e simpatias: “para evitar doenças, ande com uma cebola no bolso” ou “para afastar atenção de um homem, chupe vários limões”. Inspirada nessas pérolas divertidas, resolvi que a receita perfeita para o “Eu te darei o sol” são deliciosos bolinhos de limão, uma delícia para comer no verão, misturando o sabor do limão com o doce do açúcar.

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Muffins de Limão para quem quer sol (rende 12 unidades)

Ingredientes:

  • 2 1/2 xícaras de farinha
  • 1 3/4 colheres de chá de fermento
  • 1/2 colher de chá de farinha de chia
  • 1 colher de chá de sal
  • 1 xícara de açúcar
  • 2 ovos grandes
  • Raspas de um limão
  • Suco de um limão
  • 1/4 de xícara de leite
  • 100g de manteiga derretida e resfriada
  • 1/4 de colher de chá de extrato de baunilha

Preparo: 

  1. Pré-aqueça o forno a 300º graus.
  2. Unte forminhas para 12 muffins com manteiga ou spray.
  3. Em uma tigela média, misture a farinha, o fermento, a farinha de chia e o sal.
  4. Em outra tigela, misture o açúcar, os ovos, as raspas e o suco de limão e o leite. Por último, adicione a manteiga e misture.
  5. Junte a mistura molhada com a seca e mexa até a massa ficar homogênea.
  6. Divida a massa igualmente entre as forminhas.
  7. Asse por 20 minutos ou até os muffins ficarem douradinhos em cima.
  8. Deixe esfriar durante 5 minutos antes de desenformar.
  9. Se quiser, polvilhe com açúcar na hora de servir, que fica bonito! 😉

 

Heranças

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Semana passada foi aniversário da minha mãe (parabéns! clap, clap, clap <3) e também da minha avó. Por causa disso eu estou num clima meio nostálgico e vou falar hoje aqui de um livro sobre família: “Os catadores de conchas” da Rosamunde Pilcher. Quem me deu esse livro há séculos atrás foi a minha mãe (na verdade ela não me deu, emprestou… Mas depois acabou me dando mesmo. Mãe é mãe), e ela disse que aquele tijolão enorme era emocionante. Eu adoro tijolões, especialmente os do tipo emocionante.

Em “Os catadores de conchas”, Pilcher conta a história da família Keeling, especialmente a de Penélope Keeling, de quem acompanhamos a vida em dois momentos diferentes; quando ela era ainda jovem, durante a Segunda Guerra Mundial e depois como uma senhora, matriarca da família. Eu adorei a Penélope, e (acho que não por coincidência) ela me lembrou muito a minha mãe e também a minha avó: uma mulher forte e determinada, que nunca se deixa abater pela vida. Penélope tem três filhos, Nancy, Olivia e Noel, e vemos logo que os três são muito diferentes entre si. Penélope também é a filha de um pintor que teve seu trabalho postumamente reconhecido e herdeira de um lindo quadro dele, “Os catadores de conchas”, que para ela tem valor sentimental.

No começo do livro, Penélope está hospitalizada por causa de problemas saúde. Ela logo decide que não vai ficar desperdiçando tempo no hospital, e se dá alta. A experiência de encarar a própria mortalidade porém, faz com que ela queira retornar à Cornualha, onde viveu momentos importantes. Ela pede aos filhos, um de cada vez que viajem com ela. Um a um, os três negam acompanha-la, mesmo a sua filha favorita, Olivia. Mas, de repente eis que surgem candidatos para servirem de Sancho Panza, Antonia, uma moça ligada a Olivia, e Danus, um jovem jardineiro. Esse trio improvável segue rumo a Cornualha e às lembranças de outros tempos.

O livro é mesmo emocionante como disse a minha mãe. Eu me peguei desejando conhecer Penélope pessoalmente, querendo sentar com ela num jantar improvisado maravilhoso (a especialidade dela), olhando a paisagem, aprendendo com quem tem muita história para contar. Por isso, a receita de hoje tem esse mesmo clima improvisado, descomplicado: picadinho. Picadinho é fácil de fazer e você meio que pode inventar o seu com o que estiver na geladeira, que não dá muito errado. Esse aí debaixo é o que eu faço aqui em casa: coisa de família.

Picadinho a la Penélope (serve até 5 pessoas)

Ingredientes:

  • 500 g de contra-filé em bifes
  • 1 abobrinha
  • 1 pimentão amarelo
  • 200 g de champignon
  • 1 cebola roxa
  • 3 dentes de alho
  • 1 pedaço de gengibre (cerca de 2 cm)
  • 2 punhados de cebolinha picada
  • 1/2 xícara de amendoim torrado, sem pele
  • 1/2 xícara de molho shoyu
  • 2 colheres de sopa de maizena
  • 1/2 xícara de água
  • Azeite, sal e pimenta do reino

Preparo:

1. Corte a carne em tiras finas e transfira para uma tigela. Não volte para a geladeira: ela precisa estar em temperatura ambiente para não esfriar o fundo da panela na hora de cozinhar.

2. Lave e seque a abobrinha, o pimentão, e a cebolinha. Corte a abobrinha ao meio, no sentido do comprimento, retire as pontas e fatie em meias-luas (não muito finas). Descarte as sementes e corte o pimentão em quadrados médios. Fatie fininho os talos de cebolinha.

3. Num pilão, soque o amendoim até formar uma farofa grossa. Reserve.

4. Descasque a cebola, o dente de alho e o gengibre. Corte a cebola em cubos médios e o alho, em tiras finas. Se não tiver um ralador para gengibre, pique bem fininho.

5. Leve ao fogo médio uma panela wok (ou uma frigideira grande). Enquanto isso, numa tigelinha, coloque a água e misture o amido de milho até dissolver.

6. Quando a frigideira estiver quente, regue com 1 colher sopa de azeite, junte as tirinhas de carne e deixe dourar por 2 minutos. Só mexa quando descolar da panela. Tempere a carne com sal e pimenta (mas não muito, porque depois colocamos o shoyu e ele já bastante salgado).

7. Afaste as tiras de carne para as laterais da panela e regue o centro com o azeite restante. Refogue os cubos de cebola e pimentão por mais 2 minutos, sem misturar a carne.

8. Junte o alho e o gengibre, e misture, inclusive com a carne. Refogue por mais 1 minuto.

9. Agora é a vez da abobrinha e do champignon: junte, misture bem e deixe cozinhar
por 2 minutos, até dar uma leve bronzeada – a ideia é que fiquem bem douradinhos.

10. Regue com o shoyu e misture bem. Em seguida, junte o vinagre e o amido dissolvido em água. Mexa bem até formar um molho grosso, por 2 minutos. Salpique o picadinho com o amendoim e as fatias de cebolinha. Eu gosto de servir com arroz cateto 😉