Caixinha surpresa

  
Já contei para vocês que esse ano estou participando do desafio literário do site Popsugar? É muito legal, tomara que eu consiga completar até dezembro 🙂 Bom, por causa do desafio eu comprei “Um presente da Tiffany” da Melissa Hill, o primeiro livro que eu vi ao entrar na livraria.

O livro conta as histórias de Ethan e Rachel, dois estranhos que vão passar o período do Natal em Nova York com seus respectivos namorados. O viúvo Ethan pretende pedir sua namorada, Vanessa, em casamento e para isso compra, com a ajuda da filha Daisy, um extravagante anel de noivado da Tiffany. Gary, o namorado de Rachel, na última hora compra para ela uma pulseira lá também, e ao sair da loja é atropelado por um táxi. Ethan e a filha o acodem e, na confusão, as sacolas são trocadas, o que gera uma grande dor de cabeça.

A ex-mulher de Ethan, Jane, vivia dizendo que amava Nova York e que a Tiffany era um lugar mágico, e por isso Daisy começa a achar que a troca das caixas foi o destino intervindo, levando o pai em direção a pessoa certa. Jane também disse ao marido antes de falecer que encontrasse uma mulher que fizesse para ele pão. E, surpresa, surpresa, não é que Rachel e sua sócia Teri tem um restaurante/buffet/padaria?

Eu normalmente não leio esse tipo de livro do estilo ChicLit, mas calhou de ser e achei gostoso de ler, bem fácil, apesar de achar a caracterização dos personagens um pouco superficial demais, especialmente de Gary. Mas curti as reviravoltas do final, achei fofo, bem romântico. Bem comédia romântica da sessão da tarde, no bom sentido.

A receita de hoje não poderia ser outra: pão. Eu já falei aqui no blog há um tempo atrás de uma receita de piadina que é ótima, mas essa aqui é de pão mesmo, daqueles de fatiar pro café da manhã e tudo. E estou querendo há tempos fazer pão em casa, porque esses do supermercado nem se comparam ao que saí quentinho do forno sem conservantes, né? E o cheirinho desse alecrim ainda perfuma a casa toda 🙂

  
Pão de Alecrim da Tiffany (receita adaptada do livro do Panelinha)

Ingredientes:

  • 2 ramos de alecrim
  • 1 xícara de chá de água morna
  • 2 xícaras de chá de farinha de trigo
  • 1 xícara de chá de farinha de trigo integral
  • 10 g de fermento seco para pão
  • 3 colheres sopa de azeite
  • manteiga para untar
  • sal a gosto

Modo de preparo:

  1. Desfolhe um dos ramos de alecrim e reserve.
  2. Numa panelinha, coloque a água e o ramo inteiro de alecrim. Leve ao fogo médio e, quando ferver, desligue. Retire o alecrim.
  3. Numa tigela grande, misture bem as farinhas e o fermento. Faça um buraco no centro, acrescente a água morna, o azeite e o sal. Trabalhe a massa do centro para fora, incorporando os ingredientes até formar uma bola.
  4. Sob uma superfície enfarinhada, sove a massa de pão por 10 minutos até ficar lisa e elástica. Faça uma bola com a massa.
  5. Unte o fundo de uma tigela grande com azeite. Coloque a massa e pincele-a com um pouco de azeite. Cubra com um pano de prato limpo e deixe crescer por 1 hora ou até dobrar de tamanho.
  6. Transfira a massa crescida para uma superfície enfarinhada e aplaine com os dedos. Salpique com as folhas de alecrim. Dobre a massa e sove-a até que as folhas estejam uniformemente distribuídas. Modele o pão em formato ovalado com cerca de 25 x 10 cm.
  7. Unte uma assadeira grande com óleo. Transfira a massa para a assadeira e faça cortes superficiais no sentido da largura do pão. Pincele com o azeite de oliva restante, cubra e deixe crescer por 30 minutos.
  8. Preaqueça o forno a 180°C (temperatura média).
  9. Pincele o pão com mais azeite e leve ao forno para assar por cerca de 35 minutos ou até que esteja dourado. Para verificar se está assado, bata na parte de baixo do pão (como se estivesse batendo numa porta) e observe se produz um som oco. Caso contrário, deixe assar mais um pouquinho. Quando pronto, coloque o pão sobre uma grade e deixe esfriar.

Pão Nosso

viva-web

Estação Onze, da Emily St. John Mandel, acabou de entrar para a minha galeria de recomendações, daqueles livros que você quer falar para outros lerem, tanto que você fica até meio chato. É bom mesmo.

No livro, uma pandemia assola a Terra e devasta 99% da população mundial. Poucos são os que escapam com vida, e mesmo os que conseguem, tem que viver uma realidade nova, uma vida mais primitiva, onde reina a lei do mais forte. Mas a narrativa por também volta ao passado, mostrando alguns personagens-chave antes da catástrofe acontecer. Assim acompanhamos a história de vários deles, Jeevan, Arthur, Miranda, Clark e a protagonista Kirsten.

Kirsten, pós-pandemia, é uma atriz na Sinfonia Itinerante, uma trupe de músicos e atores que viaja pelos EUA se apresentando pelas cidades no caminho. Ela é atriz desde criança, desde antes da Gripe da Geórgia, e coleciona recortes sobre um ator que se apresentava com ela em Rei Lear e que morre em cena, Arthur Leander. É Arthur que dá para Kirsten sua posse mais preciosa, as revistas em quadrinhos “Estação Onze”, de autoria da ex-mulher dele Miranda.

Já Clark, antigo amigo de Arthur, fica preso no Aeroporto de Severn City e lá funda o Museu da Civilização, onde deposita objetos que já foram significativos mas agora são só memórias de um tempo passado. Lá estão iPhones, iPads, televisões, revistas, cartões de crédito, passaportes e até uma moto. Eletricidade, combustível e internet são sonhos distantes, com toques de surrealidade para os sobreviventes.

Eu adorei esse livro, me peguei pensando em o quanto das nossas vidas parece automatizado mas na verdade depende de outras pessoas. Televisão, internet, luz, ar-condicionado, banho quente, tudo isso é um tipo de mágica para quem vive isolado no meio do mato. Essas invenções maravilhosas da humanidade dependem de uma cadeia de trabalho incessante. De pessoas trabalhando todo dia. Sem isso a civilização cai como dominós. E a maneira como Mandel escreve é realista, mas também otimista. A própria Sinfonia Itinerante que ela criou é um testemunho de fé: enquanto houver arte, estamos salvos. Enquanto houver arte, somos humanos.

Então é claro que eu fiquei pensando no que eu mais sentiria falta de comer se o mundo como eu conheço acabasse (mentalidade de gordinho, eu sei). E a minha resposta foi um ressoante “PÃO”. Eu adoro todos os tipos de pão. Aqui em casa esse negócio de sem glúten não cola (eu respeito quem topa, só não consigo ir junto). Eu acho que eu ia sonhar com pãezinhos variados, bem quentinhos com uma manteiguinha. Por isso a receita de hoje é um pão fácil e rápido de fazer, o tipo mais provável de se fazer se uma calamidade acontecer, a Piadina. A piadina, eu aprendi no livro do Panelinha, é um cruzamento de massa de pizza com foccacia. É uma delicia quentinha com umas ervas em cima e um azeite do lado.

P1070504_EDIT

Piadina da Estação Onze (faz 6 pães de mais ou menos 15cm de comprimento)

Ingredientes:

  • 1 1/2 xícara de chá de farinha de chia (ou farinha de trigo integral se você não tiver)
  • 1 1/2 xícara de chá de farinha de trigo e mais um pouco para enfarinhar a mesa
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 1/2 colher de chá de sal
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 1 1/4 xícara de chá de leite

Preparo:

  1. Numa tigela grande, junte a farinha, o sal e o fermento. Misture e abra um buraco no centro. Coloque o azeite bem no meio e vá esfregando a farinha com os dedos para misturar.
  2. Junte o leite em duas etapas e, com as mãos, misture bem, até formar uma bola. Transfira a massa para uma superfície de trabalho enfarinhada e sove por 3 minutos. No máximo!
  3. Enrole a massa para formar uma cobra e divida em 6 pedaços iguais. Cubra a massa com um pano de prato úmido (e não molhado, muito menos ensopado!).
  4. Coloque uma frigideira grande, de preferência de ferro, ou uma chapa, para aquecer em fogo alto. Abra um pedaço de massa com rolo de macarrão até ficar com cerca de 15 cm de diâmetro. Ou se quiser fazer ela mais compridinha, com 15cm de comprimento.
  5. Quando a frigideira estiver bem quente, coloque a massa e faça vários furos com um garfo; assim que o fundo começar a ficar com pintinhas escuras, uns 2 minutos, vire e deixe cozinhar por mais 2 minutos. Transfira para um prato e cubra com um pano de prato limpo, apenas para não esfriar, enquanto você faz as outras.