Opostos

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Resolvi ler “Golem e o gênio”, da Helene Wecker, por causa de uma recomendação no Goodreads (vocês participam? Me procurem por lá ;)) e fui surpreendida por uma história bem diferente do que eu estava esperando, a qual, admito, era bem mais clichê :p

O livro conta a história de Chava, uma golem -figura mítica hebraíca feita de barro para servir proteger um mestre, e Ahmad, um gênio do folclore árabe.Por coincidências do destino, Chava e Ahmad acabam indo parar em Nova York. O legal do livro é que ele contrasta esses dois seres fictícios de maneira esperta: uma é feita de barro, o outro de fogo, um é recém-criado pelo homem, o outro é milenar e um ser natural, a golem tem o instinto de servir, o gênio de usufruir. Esses opostos que, na teoria, os afastaria, são justamente o quê os aproxima. A solidão inevitável de ser diferente, de ser outro, é diminuída com a presença de alguém tão solitário quanto você.

Eu nunca tinha pensado muito em golens (golems?), e o pouco que tinha refletido sobre gênios vinha de “Jeanie, é um gênio”, mas me diverti bastante com o livro. A escrita de Wecker é bem fluída e, apesar de um ou outro momento em que achei o desenvolvimento meio arrastado, o livro prende o leitor. Eu me peguei imaginando como deve ser acordar para o mundo de um dia para o outro, como Chava, e também como o tempo pode parecer irrelevante quando se vive muitos anos, como Ahmad. Esses seres inumanos não compartilham das nossas necessidades de comida e sono, então eles vivem de forma ininterrupta. Imaginei uma vida sem cansaço, mas também sem muitos prazeres, onde tudo parece pequeno. Mas o que nunca muda é a necessidade de produzir algo, de trabalhar e sentir-se produtivo.

Na história, Chava trabalha em uma padaria. Sua energia inabalável a tornam uma máquina na cozinha! Meu sonho mais dourado 🙂 rsrs . Repetidas vezes ouvimos falar dos seus bolinhos de amêndoa, mas gente, procurei horrores uma receita e não achei. Maaas, achei no Moldando Afeto, essa receita aqui de amêndoas que parece MARA, mas ainda não tive tempo de testar. Então lá vai! Se alguém quiser testar antes e me falar, fico agradecida.

Bolo de Amêndoas para Chava (do site Moldando Afeto)

Ingredientes:

  • Para a massa:
  • 3 ovos
  • 150 g de açúcar cristal
  • 150 g de farinha de trigo
  • 125 g de farinha de amêndoas
  • 75 g de manteiga sem sal derretida
  • 1 colher de chá de extrato de baunilha
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 pitada de sal
  • raspas da casca de 1 limão + 2 colheres de sopa do suco
  • amêndoas em palitos

 

  • Para a calda:
  • 2 colheres (sopa) de manteiga
  • 2 colheres (sopa) de mel

Modo de Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180°C.
  2. Unte com manteiga uma forma redonda (uso uma de 20 cm), forre o fundo com um círculo de papel manteiga e unte-o também. Enfarinhe.
  3. Coloque os ovos, o açúcar e o extrato de baunilha na batedeira e bata cerca de 10 minutos ou até que a mistura fique bem volumosa, uma espuma clara e espessa.
  4. Incorpore com cuidado a farinha de trigo, o fermento, o sal, a farinha de amêndoas, a manteiga e as raspas e suco de limão, misturando de baixo para cima com uma espátula de silicone. Despeje a massa na forma preparada e alise a superfície. Espalhe as amêndoas em palitos sobre a massa.
  5. Asse o bolo por cerca de 35 minutos ou até que ele cresça e doure, fazendo o teste do palito.
  6. Faça a calda: Derreta a manteiga com o mel numa panelinha. Assim que estiver tudo misturado e derretido, está pronto. Retire o bolo do forno, deixe amornar uns 15 minutos. Desenforme, e ainda morno, pincele a calda sobre ele.

Eu vejo flores

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No post de hoje vou falar de um livro que ainda não chegou aqui no Brasil, “The Flower Arrangement” da Ella Griffin. Esse livro é simplesmente uma graça, apesar de ter uma premissa um pouco triste: Lara, após perder um bebê, decide mudar de carreira e abre uma floricultura, a “Blossom & Grow”, apelidos dados a ela e ao irmão pelos pais quando os dois eram crianças.

O marido de Lara não dá muita força para o novo empreendimento, mas logo a loja se torna o salva-vidas de Lara, com as flores ajudando-a no seu processo de cura. Os clientes logo percebem que a dona da floricultura tem um jeito especial e a loja, apesar das dificuldades, é bem sucedida. Na loja trabalham Lara e uma assistente, mas seu irmão Phil também ajuda ocasionalmente (Phil é uma graça, gente!). A estória de Lara não é a única do livro, vemos também as vidas de outros personagens que cruzam o seu caminho em alguns capítulos. Inclusive, uma coisa muito fofa desse livro é que cada capítulo começa com o nome de uma flor e seu significado, que claro, tem tudo a ver com o conteúdo que vem a seguir.

Eu nunca tinha lido um livro da Ella Griffin, mas gostei bastante. Achei a escrita bonita e tocante, mas confesso que quando o livro terminou eu fiquei com a sensação de livro incompleto, como se estivessem esquecido o final. Tava tão perto, mas para mim não terminou bem, ficou faltando.  Eu gostei do livro, mas tem esse porém (tão avisados! Mas se alguém ler me fala se achou isso também ou se é da minha cabeça, please).

Depois de “The Flower Arrangement” , eu fiquei pensando em como as vezes as coisas simples servem para ajudar a curar, a mudar de perspectiva, como no caso de Lara em que o contato com as flores faz com que ela consiga carregar melhor sua perda. Eu fiquei pensando em como, quando eu estava viajando, escutar o CD da Gilberto Gil me levava de volta ao Rio e como o cheiro de pão de queijo me fazia sentir imediatamente melhor. O quê faz você se sentir melhor, te ajuda a reconectar e a recarregar? Para mim não tem nem mistério, como já falei é pãozinho de queijo mesmo! Então segue aí, essa receita bacana que eu achei lá no Moldando Afeto, que eu já falei aqui é um site delicioso.

Pãozinho de Queijo para Reviver (rende 80 pãezinhos! Receita do Gui Poulain)

  • 250 ml de água
  • 350 ml de leite
  • 250 ml de óleo de canola
  • 600 g de queijo minas meia cura
  • 1 colher (sopa) de sal
  • 1 kg de polvilho azedo
  • 6 ovos
  1. Rale o queijo, em ralo grosso, antes de começar. Reserve.
  2. Espalhe o polvilho sobre uma superfície, ou uma grande bacia. Molhe com 250 ml de água em temperatura ambiente. É isso que vai ajudar a hidratar o polvilho e o pão de queijo não ficar seco. Depois de esparramar a água, com as duas mãos vá sovando pra desmanchar todas as pedrinhas que se formam. O objetivo é voltar o polvilho ao original, mas que ele esteja úmido.
  3. Leve o leite ao fogo junto ao óleo. Assim que ferver desligue. Com esse líquido, regue novamente o polvilho, tomando cuidado pra não fazer muita bagunça! Aos poucos, com a mão mesmo, e tomando cuidado pois está quente, comece a misturar e sovar. É nessa hora que começa a tomar consistência de massa.
  4. Assim que estiver uma massa branca bem quebradiça, é hora de adicionar os ovos. Vá fazendo isso um a um, e sovando pra incorporar. É muito melequento mesmo! Por último junte o queijo ralado, e sove um pouco mais. A massa fica bastante grudenta. Varia um pouco com o clima: Se estiver seco e quente, provavelmente ela vai ficar no ponto. Se estiver chuvoso e mais frio ela deve fica mais grudenta e levemente mole mesmo, mas não tem problema. Se achar que está ficando muito mole, coloque um ovo a menos, se estiver muito seca, adicione um pouco de leite.
  5. Lave bem as mãos e passe um pouco de óleo nela pra fazer as bolinhas, e repasse mais óleo assim que observar que estiver ficando grudento. Como rendem muitos pãezinhos, pode ser uma boa congelar. Basta fazer todas as bolinhas, colocar uma ao lado da outra numa assadeira (não precisa dar muito espaço já que não vai ser assado e nem crescer) e levo ao freezer. Umas 2 horas depois retiro todas as bolinhas já duras e congeladas e coloco em saquinhos.
  6. Para assar: Tem gente que prefere assar em fogo baixo. Já o Gui recomenda (e funciona!) colocar o forno a 280º C, bem quente mesmo, previamente aquecido! Deixar por 20 minutos nessa temperatura e depois abaixar para cerca de 220º C por mais 10 minutos. Assim ele cresce bem, não resseca, fica levemente massudo com pedaços de queijo derretidos por dentro, e uma casquinha crocante e toda cheia de pintinhas alaranjadas do queijo que derreteu ali. Uma delícia para aquele lanchinho da tarde (pensamento de gordinho!).

 

A visita cruel do tempo

egan-webDe vez em quando a gente lê um livro diferente de todos os outros, daqueles que deixa uma sensação meio estranha de fazer alguma coisa pela primeira vez apesar de você já ter lido centenas de outros livros antes. O livro de hoje é um desses. A Visita Cruel do Tempo da Jennifer Egan é um livro peculiar; tudo nele é meio diferente, da estrutura narrativa à passagem do tempo, esse livro surpreende. Tem por exemplo um personagem que conta a sua estória através de slides do Powerpoint. Muito doido!

O livro começa com Sasha, assistente do poderoso produtor musical Benny Salazar com um pequeno problema de cleptomania. A partir daí a história se desenrola pulando de um personagem para o outro, passando por anos e lugares diferentes e variando narradores. Pode ser um pouco difícil de acompanhar, mas o livro é envolvente e vale o esforço (Egan ganhou o Pulitzer com esse livro, logo não é só a minha opinião). A Visita Cruel do Tempo não é fácil, metafórica ou literalmente, e fala de uma emoção humana presente em todos nós: envelhecer e perdermos contato com as nossas ambições da juventude. Quem não sonhava em ser bailarina, cantora, astronauta ou bombeiro? Quais foram os caminhos que nos levaram aonde estamos? Valeu a pena?

Enfim, leiam. É no mínimo uma experiência nova que você pode conversar com os seus amigos sobre e reclamar aqui para mim se não gostar. Mas se você gostar, vai me agradecer. Eu acho que esse livro parece um pouco com os filmes do Tarantino. Não sei porque mas me lembra Kill Bill! rsrs

Bom, como esse livro fala da passagem do tempo, a receita de hoje tem um quê nostálgico. Fiquei pensando em como muitas vezes nós sabemos pouco da história de quem faz parte da nossa história: nossos pais, avós, primos. Minha família vive falando em tentar descobrir mais sobre meus bisavôs mas até hoje ainda não sabemos muita coisa. E essas reminiscências me deixaram pensando na minha avó, mãe da minha mãe, e de como era quando ela ainda era viva e a gente ia para a casa dela quase todo domingo para comer pizza, que ela que fazia a massa e o molho. E eu ficava sentada no banquinho da cozinha espalhando aquele líquido vermelho na massa fresquinha com a maior concentração. Logo a receita de hoje é essa mesmo: pizza! Não é a da minha avó, pois infelizmente ela não deixou escrito, mas pizza sempre bom, né? Especialmente quando tem sabor de nostalgia.

Pizza Delícia para Visitas Cruéis (ou não) (faz 4 pizzas)

Ingredientes:

  • 400 g (3 xícaras + ¼ de xícara) de farinha de trigo
  • 100 g (3/4 de xícara) de semolina (se não encontrar semolina use 100 g de farinha de trigo mesmo)
  • ½ colher (sopa) de sal
  • 1 sachê de 10 g de fermento biológico seco
  • ½ colher (sopa) de açúcar cristal
  • 320 ml (1 xícara + ¼ de xícara) de água morna

Preparo:

  1. Numa vasilha misture a água morna com o fermento e o açúcar. Dissolva bem e deixe descansar por uns 5 minutos.
  2. Enquanto isso, faça um monte com a farinha sobre uma bancada, colocando o sal ao redor. Abra uma cavidade no meio. Coloque a água com fermento e açúcar ali no meio e com as mãos comece a formar uma massa, puxando pouco a pouco a farinha em volta para o meio.
  3.  Quando estiver tudo unido, faça uma bola e comece a sovar. Sove por cerca de 15 minutos até obter uma massa bem lisa e elástica. Cubra com um pano e deixe crescer por pelo menos 30 minutos em temperatura ambiente.
  4.  Enquanto a massa cresce você pode ir preparando o recheio à sua escolha para depois só montar as pizzas antes de ir ao forno.
  5. Pré-aqueça o forno a 240ºC.
  6. Divida a massa em 3 ou 4 bolas (a receita dá umas 4 pizzas médias). Abra numa superfície enfarinhada para ficar com cerca de 0,5 cm de espessura, com a ajuda de um rolo.
  7. Coloque o molho de tomate e se divirta com os toppings: vale abobrinha, shitake, pepperoni, tomate seco, burrata! (Go crazy! rsrs)
  8. Coloque sobre uma assadeira para ir ao forno. O ideal é se você puder assar sobre uma pedra de granito (se fizer isso, pré-aqueça também a pedra de granito junto ao forno). Cubra com o recheio e leve ao forno por cerca de 10 minutos ou até que esteja pronta!

Essa receita é desse blog muito legal: Moldando Afeto. O site é uma graça e lá tem cada receita…