Em cores

rodadecor-web

Há um tempo atrás eu postei aqui sobre 1Q84, o primeiro livro que li do Haruki Murakami. Eu adorei o 1Q84 e então, quando em uma das minhas últimas incursões no paraíso nerd (Saraiva Mega Store), dei de cara com uma edição linda de “O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação” não resisti e comprei logo.

Spoiler Alert: Tsukuru NÃO fica anos peregrinando. Pelo menos não no sentido literal, o que foi, devo confessar uma surpresa para mim. Normalmente eu leio a sinopse do livro antes de comprar, mas esse eu comprei pelo autor e pela belezura do design, confesso.

No livro, Tsukuru Tazaki é um homem de meia idade que ao tentar um relacionamento sério com uma mulher, percebe (depois da companheira falar com todas as letras, claro! rsrs) que ele tem problemas em formar relacionamentos por causa de um evento que aconteceu na sua juventude, e que, para ele poder estar com a namorada de forma completa, precisa resolver essa pendenga. O que aconteceu com ele foi triste mesmo: um dia, seu grupo próximo de amigos corta relações com ele. Assim, sem mais nem menos, beijo, tchau, não me liga. Ele não sabe a razão e como qualquer pessoa, fica pra lá de deprimido durante um bom tempo, e mais importante, passa a ser uma pessoa que tem dificuldade em criar vínculos afetivos. O livro trata então da jornada interna (e externa também) de Tsukuru para tentar resolver suas questões e, porque Murakami é o autor, o faz de forma poética mas com uma mão as vezes carregada demais no contexto sexual.

O grupo de amigos que Tsukuru participava era formado por cinco pessoas: Ao, Aka, Shiro, Kuro e Tsukuru. Todos os participantes tinham cores nos seus nomes, respectivamente Azul, Vermelho, Branco e Preto, menos Tsukuru, que por isso se considerava incolor e desinteressante. O livro de certa maneira conta a busca eterna que nós fazemos em busca do auto-conhecimento, de uma identidade pessoal. Eu acho que vale a pena ler só por causa disso, porque todo mundo as vezes se acha chato ou sem graça, mas é bacana ver que os outros não enxergam você dessa maneira. Esse livro é um livro delicado, leia com cuidado para não perder os detalhes.

Em homenagem a Tsukuru e seus amigos, vou compartilhar com vocês hoje uma receita da senhora minha mãe que é um hit da família, porque ela é gostosa, leve e colorida: Salada Tropical. Essa salada minha mãe inventou quando eu era criança e desde então virou item obrigatório no menu lá de casa, especialmente em dias de festa, porque ela é linda para colocar na mesa e todo mundo pode comer sem sentir culpado. Ela é o que faltava na vida do Tsukuru! rsrs

Salada Tropical Colorida da Sra Minha Mãe

Ingredientes

  • 2 maçãs verdes
  • 2 maçãs vermelhas
  • 1 manga
  • 1/2 melão
  • 1 cacho grande de uva sem semente
  • 1 abacate
  • 1 pé de alface americana lavada

Molho:

  • 1 colher de sopa de mostarda
  • 1 colher de sobremesa de mel
  • 1 xícara de maionese (PS: até eu que não gosto de maionese adoro essa salada! É um milagre!)

Preparo:

  1. Misture a mostarde, o mel e por último a maionese em uma tigela.
  2. Corte as frutas em bolinhas com um boleador pequeno, menos a manda que você corta em quadradinhos de um tamanho similar às bolinhas. Importante seguir a ordem: maçãs, manga, melão, uva e porr último o abacate.
  3. Corte a alface em pedaços pequenos ou médios.
  4. Vá colocando cada fruta na tigela na ordem acima e a cada uma coloque uma porção de molho e misture. No final coloque a alface e o restante do molho e misture uma última vez. Pronto!
Anúncios

Plugged or unplugged?

cool-cucumber-web

Faz um bom tempo eu comprei Juliet, Nua e Crua. Na época eu estava com uma queda literária pelo Nick Hornby ( “Alta fidelidade“, “Um grande garoto” e “Febre de bola“) e fiquei toda empolgada com meu livro novo. Eu tinha acabado de ler “Uma longa queda” e tinha amado, apesar de até hoje não saber exatamente explicar porque. Provavelmente é porque Hornby é sarcástisco, e não se leva muito a sério, mas mesmo assim aborda temas difíceis com uma certa elegância. Eu comprei, levei pra casa e de repente comecei a ler “A song of Ice and Fire” (Game of Thrones) e Juliet ficou esquecido. Até mês passado, quando eu o tirei da prateleira com um retumbante “Putz!’.

Em Juliet, Hornby conta a história de Annie, que mora em uma pequena cidade litorânea da Inglaterra próxima à Londres e é “juntada” com Duncan, um professor com uma obssessão zero saudável por Tucker Crowe, um cantor dos anos 80 que gravou um álbum visto como um marco musical chamado “Juliet”, e que em seguida desapareceu do mapa, ninguém sabe pra onde e muito menos por quê. A partir de uma série de eventos estranha, Annie e Tucker Crowe começam uma troca de emails e iniciam uma amizade inesperada.

Vou ser honesta, Juliet não é o meu livro preferido do Hornby (“Alta fidelidade” e “Uma longa queda“), mas é um livro inspirador porque nos leva (ou pelo menos me levou) a pensar sobre expressão artística de uma maneira diferente. O ponto de “Juliet” é justamente essa discussão (por definição, infinita). Outro ponto importante do livro é também o valor que damos a mídia e as ditas “celebridades”. Enfim, Juliet para mim foi um pouco menos entretenimento, e um pouco mais reflexão, o que eu não estava esperando. Me pegou de surpresa, e eu acho que isso é sempre positivo.

No livro, os personagens comparam duas versões do álbum Juliet. A original, completa com arranjos musicais complexos, e a versão Nua e Crua, que eu imaginei como um unplugged -estilo só voz e violão. Inspirada nessa dualidade do livro, eu resolvi fazer o mesmo: uma receita em que o ingrediente está nú (ui!) e outra em que ele está em um ambiente mais complexo. Me contem qual versão vocês preferem!

Salada de pepino Unplugged (serve 2 pessoas)

Ingredientes:

  • 2 pepinos japoneses
  • 1 copo de iogurte natural (eu sempre uso o light)
  • um punhado generoso de hortelã picada
  • 50g de uva verde sem caroço
  • 1 colher de sopa de azeite
  • sal e pimenta do reino a gosto

Preparo:

  1. Lave e seque os pepinos, as folhas de hortelã e as uvas.
  2. Corte os pepinos em cubinhos de mais ou menos 0,5 centímetro.
  3. Corte as uvas no meio.
  4. Coloque o pepino, as uvas e a hortelã no potinho onde for servir, adicione o iogurte e misture bem.
  5. Tempere com o azeite, sal e pimenta.

Tá pronto! Rapidinho e super refrescante.

Sopa de pepino com melão Superstar -do livro La Tartine Gourmande (serve 6)

Ingredientes:

  •  300g de pepino, descascado, cortado e sem sementes!
  • 600g de melão, descascado e cortado também
  • 1 cebola pequena, cortada bem fininho
  • suco de 1 laranja
  • suco de 1 lima
  • 15 a 20 folhas de manjericão
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • sal e pimenta do reino a gosto

Preparo:

  1. Coloque o pepino, o melão, a cebola, os sucos e o manjericão no liquidificador ou no processador de alimentos.
  2. Bata bem até que fique um purê fininho.
  3. Adicione o azeite. Tempere com sal e pimenta.
  4. Coloque no recipiente em que for servir, cubra e deixe na geladeira por pelo menos uma hora antes de servir.
  5. Sirva com espetinhos de mozzarela de búfala, presunto de parma e melancia. Fica chique!