All the crazy ladies

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“Alucinadamente feliz” da Jenny Lawson é um livro díficil de classificar: não é exatamente uma autobiografia, definitivamente não é um romance e também não é auto-ajuda. Então será que é comédia? Talvez. Jenny Lawson é uma blogueira americana (“The Bloggess”) e esse é seu segundo livro, no qual ela trata principalmente de temas como depressão e como criar os filhos com muito humor.

O nome do livro é uma hashtag que ficou muito famosa depois que Lawson a lançou. Ela conta logo no comecinho do livro (não é spoiler! Tá talvez seja um pouquinho spoiler) que criou essa expressão após a morte de um amigo, quando decidiu que mesmo com todos os problemas que existem ela escolheria ser “alucinamente feliz” (na expressão em inglês, furiously happy o quê traduz precisamente para furiosamente feliz) mesmo assim, ou como ela diz, só para contrariar. E o livro como todo então fala desses temas do jeito desbocado e irreverente da autora, que é assumidamente doida varrida.

As minhas duas coisas preferidas do livro foram a capa (tá, eu comprei o livro pela capa, mas gente, é um guaxinim empalhado!) e o fato de me fazer ver que quaisquer que sejam os meus problemas sempre vai ter alguém nesse mundão que tem os mesmos que eu, que eles (eu) não são tão especiais assim. Afinal de contas, se existem pessoas por aí que combatem as mesmas questões da Jenny, que são bem mais complicadas do que as minhas, então deve ter pessoas por aí que lidam com as mesmas questões que eu (bem mais elementares e todo dia). Então o livro tem esse mérito, de fazer o leitor ver a vida com uma perspectiva mais abrangente e que todo mundo tem problemas e defeitos, mas que tudo bem. Vocês já ouviram a máxima “de perto ninguém é normal”? Acho que se encaixa como uma luva aqui, mas no caso de Lawson deve dar para perceber a distância que ela não é exatamente “normal”, afinal, quantas pessoas que você conhece iriam passear na Austrália vestidos de canguru?

Talvez não seja uma associação muito bacana, mas quando estava lendo um dos capítulos do livro em que o marido de Jenny a entrevista, me lembrei muito da Sharon Stone em “Instinto Selvagem”. Fiquei pensando no pobre Victor (marido de Lawson) que as vezes acorda de madrugada e encontra a mulher tentando fazer seu gato montar um guaxinim empalhado ou algo do gênero, e por algum motivo veio na minha cabeça a imagem de Stone sentada na cadeira e pensei que a receita que tem a ver com essas mulheres meio doidas, mas fascinantes é uma que eu não fazia há anos: blondies. Blondies são primos dos brownies, tem as mesmas características mas ao invés do chocolate, os blondies ficam com um gosto mais caramelado, já que não levam cacau na massa. Ficam uma delícia com sorvete e são tão deliciosos que é impossível comer só um.

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Crazy Blondies (adaptado do blog Smitten Kitchen)

Ingredientes:

  • 115g de manteiga
  • 240g ou 1 xícara de açúcar mascavo
  • 1 ovo grande ou dois ovos pequenos
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 1 pitada de sal
  • 125g ou 1/2 xícara de farinha de trigo
  • opcional: nozes e/ou chocolate picado

Modo de Preparo:

  1. Unte uma assadeira de 20 x 20cm e pré-aqueça o forno a 180 graus.
  2. Derreta a manteiga e então misture com o açúcar. Tem que ser açúcar mascavo, senão o sabor não fica com o toque caramelado que caracteriza os blondies. Misture até ficar homogêneo.
  3. Adicione o ovo e a baunilha e misture até integra-los à massa.
  4. Por último adicione o sal e a farinha e, se for colocar, as nozes ou chocolate. Misture até que homogêneo.
  5. Despeje na assadeira e asse de 20 à 25 minutos, dependendo da potência do forno. Sirva ainda quentinho!

 

 

 

 

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Opostos

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Resolvi ler “Golem e o gênio”, da Helene Wecker, por causa de uma recomendação no Goodreads (vocês participam? Me procurem por lá ;)) e fui surpreendida por uma história bem diferente do que eu estava esperando, a qual, admito, era bem mais clichê :p

O livro conta a história de Chava, uma golem -figura mítica hebraíca feita de barro para servir proteger um mestre, e Ahmad, um gênio do folclore árabe.Por coincidências do destino, Chava e Ahmad acabam indo parar em Nova York. O legal do livro é que ele contrasta esses dois seres fictícios de maneira esperta: uma é feita de barro, o outro de fogo, um é recém-criado pelo homem, o outro é milenar e um ser natural, a golem tem o instinto de servir, o gênio de usufruir. Esses opostos que, na teoria, os afastaria, são justamente o quê os aproxima. A solidão inevitável de ser diferente, de ser outro, é diminuída com a presença de alguém tão solitário quanto você.

Eu nunca tinha pensado muito em golens (golems?), e o pouco que tinha refletido sobre gênios vinha de “Jeanie, é um gênio”, mas me diverti bastante com o livro. A escrita de Wecker é bem fluída e, apesar de um ou outro momento em que achei o desenvolvimento meio arrastado, o livro prende o leitor. Eu me peguei imaginando como deve ser acordar para o mundo de um dia para o outro, como Chava, e também como o tempo pode parecer irrelevante quando se vive muitos anos, como Ahmad. Esses seres inumanos não compartilham das nossas necessidades de comida e sono, então eles vivem de forma ininterrupta. Imaginei uma vida sem cansaço, mas também sem muitos prazeres, onde tudo parece pequeno. Mas o que nunca muda é a necessidade de produzir algo, de trabalhar e sentir-se produtivo.

Na história, Chava trabalha em uma padaria. Sua energia inabalável a tornam uma máquina na cozinha! Meu sonho mais dourado 🙂 rsrs . Repetidas vezes ouvimos falar dos seus bolinhos de amêndoa, mas gente, procurei horrores uma receita e não achei. Maaas, achei no Moldando Afeto, essa receita aqui de amêndoas que parece MARA, mas ainda não tive tempo de testar. Então lá vai! Se alguém quiser testar antes e me falar, fico agradecida.

Bolo de Amêndoas para Chava (do site Moldando Afeto)

Ingredientes:

  • Para a massa:
  • 3 ovos
  • 150 g de açúcar cristal
  • 150 g de farinha de trigo
  • 125 g de farinha de amêndoas
  • 75 g de manteiga sem sal derretida
  • 1 colher de chá de extrato de baunilha
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 pitada de sal
  • raspas da casca de 1 limão + 2 colheres de sopa do suco
  • amêndoas em palitos

 

  • Para a calda:
  • 2 colheres (sopa) de manteiga
  • 2 colheres (sopa) de mel

Modo de Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180°C.
  2. Unte com manteiga uma forma redonda (uso uma de 20 cm), forre o fundo com um círculo de papel manteiga e unte-o também. Enfarinhe.
  3. Coloque os ovos, o açúcar e o extrato de baunilha na batedeira e bata cerca de 10 minutos ou até que a mistura fique bem volumosa, uma espuma clara e espessa.
  4. Incorpore com cuidado a farinha de trigo, o fermento, o sal, a farinha de amêndoas, a manteiga e as raspas e suco de limão, misturando de baixo para cima com uma espátula de silicone. Despeje a massa na forma preparada e alise a superfície. Espalhe as amêndoas em palitos sobre a massa.
  5. Asse o bolo por cerca de 35 minutos ou até que ele cresça e doure, fazendo o teste do palito.
  6. Faça a calda: Derreta a manteiga com o mel numa panelinha. Assim que estiver tudo misturado e derretido, está pronto. Retire o bolo do forno, deixe amornar uns 15 minutos. Desenforme, e ainda morno, pincele a calda sobre ele.

Na veia

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Há pouco tempo vi na televisão um pedaço de uma entrevista da Tati Bernardi, roteirista da Globo e colunista da Folha, na qual ela falava sobre o livro que estava lançando “Depois a louca sou eu”. Não consegui, infelizmente, ver a entrevista toda (a gente tem que trabalhar e tal) mas fiquei muito a fim de ler o livro, pois a autora parece ser engraçadíssima. Não deu outra: comprei, li, ri.

O livro é composto de crônicas sobre diversos assuntos: crises de pânico, ansiedade, amor, medicação, meditação, trabalho. Tudo isso recheado de humor. Algumas crônicas são mais redondinhas do que outras, eu gostei particularmente de “Eu não desmaio, Dr Guido”, “Os números da felicidade” e da que empresta nome ao livro “Depois a louca sou eu”. Na segunda, eu ri alto no avião com a frase inicial “A felicidade só existe naquele minuto trinta e sete em que o Dorflex faz efeito e a nuca deixa de ser o pufe para os pés de um demônio gordo.”, o quê fez o passageiro do meu lado achar que a louca, de fato, era eu. Mas tranquilo, valeu a pena. Obrigada, Tati.

Em vários momentos a autora aborda o uso de medicamentos, o mais frequente é o Rivotril. Então, em uma brincadeira, pensei no que seria o equivalente culinário desses remédios tarja preta punk hard core no último e me lembrei desses cookies de brownie que são açúcar na veia. Eu quase não faço, pois são uma gordice ensandecida, mas são uma de-lí-cia. Melhor que Rivotril.

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Rivotril Brownie Cookies

Ingredientes:

  • ½ xícara de manteiga sem sal (115g)
  • 115g de chocolate sem açúcar picado
  • 1 xícara (190g) de açúcar mascavo
  • 2 colheres de sopa (25g) de açúcar cristal
  • 2 ovos grandes
  • 1 colher de chá de extrato de baunilha
  • ½ colher de chá de maizena
  • ½ colher de chá de sal
  • 45g de de chocolate em pó
  • 1 xícara de farinha
  • 2/3 de xícara (115g) de chocolate amargo picado

Modo de Preparo:

  1. Derreta a manteiga e o chocolate juntos, no microondas mesmo, em intervalos de 30 segundos, mexendo a mistura entre cada intervalo até que o chocolate esteja quase todo derretido. Mexa com a colher então fora do fogo até que fique totalmente derretido.
  2. Adicione os açúcares na mistura de chocolate e mexa, então adicione os ovos (um de cada vez) e depois a baunilha. A seguir, misture a maizena, o sal e o chocolate em pó. Por último adicione a farinha e mexa só até estar homogêneo. Adicione os pedaços de chocolate e mexa delicadamente.
  3. Coloque a massa na geladeira por 30 minutos (pode deixar mais se quiser, mas fica mais dificil de distribuir a massa –se quiser esquente rapidamente no microondas 15 segundos para ajudar).
  4. Pré-aqueça o forno a 180 graus.
  5. Com um pegador de sorvete ou duas colheres, distribua em uma assadeira untada (ou coberta com papel próprio para assar) com espaço entre cada um para que eles possam crescer um pouco. Asse entre 10 e 12 minutos (podem parecer crus ainda, mas o objetivo é um centro cremoso como um brownie, então NÃO deixe mais tempo). Deixe esfriar um pouco antes de comer (se você conseguir!).

Amor é chocolate, cafuné e Carpinejar

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Sabe aqueles dias que você está precisando de um presente? Você acordou mais para lá do que para cá e quer um carinho? Faz um cházinho ou descola um cafuné ou arruma um chocolate e abre em qualquer página “Para onde vai o amor?” do Fabrício Carpinejar (ou tudo isso junto!) que eu te garanto que você vai se sentir melhor.

Esse livro de crônicas do Carpinejar é uma delícia, um livro sensível, daqueles que deixam um calorzinho no peito e um sorriso no rosto. O livro esmiúça o ato de amar, suas rotinas e peculiaridades. Todo mundo sabe o quê é o amor (menos o Voldemort) mas poucas pessoas conseguem colocar no papel a sensação de estar amando. E Carpinejar é fera nisso.

Logo, na hora de pensar no que combina com todo o romantismo do livro, a resposta já veio rápida: chocolate! Mas o quê de chocolate? Eu queria que fosse rápido e deixasse essa mesma sensação de calorzinho interno, de carinho, então me lembrei dessa receitinha que além de tudo isso ainda é a jato. Sempre sirvo em uma xícara ou uma canequinha que é para dar um charme e faz o maior sucesso.

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Bolo Carinhoso a jato (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 1 ovo
  • 3 colheres de sopa de manteiga
  • 4 colheres de sopa de açúcar
  • 4 colheres de sopa de leite
  • 3 colheres de sopa de cacau em pó
  • 3 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 1/2 colher de chá de fermento em pó

Modo de Preparo:

  1. Em uma tigela média, que vá ao micro-ondas, coloque a manteiga. Leve para derreter por 30 segundos, até que a manteiga fique líquida. Meça novamente as 3 colheres (com a manteiga já derretida).
  2. Volte a manteiga à tigela e junte o leite e o ovo. Misture bem, com um batedor de arame ou com um garfo.
  3. Junte o açúcar, o cacau, a farinha e o fermento. Misture vigorosamente, até que a massa fique homogênea.
  4. Divida a massa entre os 4 recipientes que for usar, com cuidado para não ultrapassar 2/3 da capacidade do recipiente. Leve todas ao micro-ondas, na potência máxima, por 3 minutos. Para facilitar na hora de tirar, coloque sobre um prato.
  5. Tome cuidado na hora de tirar os copinhos, eles ficam bem quentes. Espere esfriar um pouco 😉

OBS: Observe bem a potência do seu microondas e ajuste o tempo de acordo!

1 ano de Cozinha Literária!

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Hoje o Cozinha Literária faz um ano! Gente, eu estou superfeliz com todo o retorno que o blog vem tendo; é muito bacana ver que as pessoas lêem e ficam animadas com os livros e as receitas 🙂 Como blogueira iniciante eu não tenho muita prática nas coisas internetsistícas, então para mim é tudo novo (as vezes um pouco difícil, as vezes divertido) e tenho aprendido muito com o blog e com as pessoas que ele trouxe. Então fica aqui o meu muito muito obrigada para cada um de vocês que lê, que comenta e experimenta, enfim para quem faz parte dessa pequena história que comecei por aqui.

Como não podia deixar de ser, eu vou postar aqui uma receita e um livro, mas dessa vez o quê conecta eles sou eu! (ô humildade! rsrs) Quero postar hoje um dos meus livros preferidos e também meu bolo de aniversário favorito. Hoje pode, né?

O livro de hoje é nada menos do que um clássico brasileiro, Capitães da Areia do Jorge Amado. Esse livro, gente, esse livro é tão emocionante, é uma pedrada no coração. Quem conseguir ler e dizer que não ficou com o coração apertado ganha um doce (mas é impossível a não ser que você seja um robô). A história de Pedro Bala, Dora e o Professor é um clássico por um motivo simples: foi escrito em 1937 mas continua sendo atual até hoje.

Nesse livro, Jorge Amado faz um milagre: ele começa o livro com o protagonista cometendo um ato horrível, que normalmente o leitor não perdoaria de jeito nenhum. Mas conforme a narrativa vai evoluindo, você entende melhor quem são esses personagens e o que faz com que cada um deles lute pelo dia seguinte. Eu me apaixonei pelos meninos perdidos que se chamam de Capitães da Areia, e até hoje, muitos anos depois, ainda penso nesse livro como um marco, pois me fez questionar muita coisa que antes eu não havia parado para pensar.

Eeee, a receita de hoje é o bolo delícia de cenoura com calda de chocolate! Eu amo, amo, amo essa combinação. Então segue aí!

Bolo de cenoura com calda de chocolate

Ingredientes:

Para o bolo:

  • 3 cenouras
  • 4 ovos
  • 1 xícara de óleo de canola, milho ou girassol
  • 1 1/2 xícara de açúcar
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 pitada de sal
  • manteiga e farinha de trigo para untar e polvilhar

Preparo:

  1. Preaqueça o forno a 180ºC. Unte uma fôrma redonda de 23 cm de diâmetro com manteiga. Polvilhe com farinha de trigo.
  2. Coloque a farinha, o sal e o fermento em uma tigela, passando pela peneira. Misture delicadamente e reserve.
  3. Lave e descasque as cenouras. Descarte a extremidade superior e corte as cenouras em rodelas.
  4. Quebre os ovos um a um, em uma tigela e coloque no copo do liquidificador. Junte as cenouras, o óleo e o açúcar e bata até formar uma mistura homogênea.
  5. Junte a mistura do liquidificador à tigela com a farinha, o fermento e o sal. Com um batedor de arame, misture delicadamente até ficar liso e homogêneo.
  6. Transfira a massa para a assadeira e leve ao forno preaquecido por cerca de 50 minutos. Para saber se o bolo está bom, espete um palito na massa: se sair limpo é sinal de que o bolo está assado e pode ser retirado do forno. Caso contrário, deixe por mais alguns minutos até que asse completamente. Deixe esfriar por 15 minutos antes de desenformar.

Para a calda:

Ingredientes:

  • 1/2 xícara de chocolate em pó
  • 1/3 de xícara de açúcar
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1/3 de xícara de água

Preparo:

  1. Numa panela pequena junte o chocolate, o açúcar, a manteiga e a água. Leve ao fogo médio mexendo sempre com um batedor de arame.
  2. Quando começar a ferver, cozinhe por cerca de 4 minutos, sem parar de mexer. Assim que a calda começar a desgrudar do fundo da panela é sinal de que está pronta.
  3. Regue a calda quente sobre o bolo já frio e desenformado e deixe esfriar. Sirva a seguir.

Colecionando


No começo de Janeiro realizei um sonho: recebi de presente por causa do blog um livro! Fiquei emocionada quando a Erica Oliveira entrou em contato comigo por e-mail e falou que gostava do Cozinha Literária e queria de me enviar o seu livro. Enfim, algumas semanas atras recebi “Betina, a colecionadora”, da Erica Oliveira com ilustrações (lindas!) de Anttonio Pereira.

Esse fofo livro infantil fala da história de Betina, uma menina que vive cercada de colecionadores de todo tipo de coisas: árvores, filhos, chupetas, biscoitos e até sardas! Ela começa então a procurar pela coleção perfeita para chamar de sua. Quando ela finalmente encontra, não quero estragar a surpresa, então só vou dizer que é uma coleção bem diferente!

No final do livro tem uma festa de aniversário e uma disputa pelo primeiro pedaço, como sempre! Eu me lembro de como era a sensação de esperar essa honra! rsrs. Por isso mesmo acho que para honrar a Betina, a receita desse livro é uma receitinha especial de família: bolo de laranja da minha avó. Vale disputar cada pedaço (e colecionar memórias de cada um que você comeu).

Bolo de Laranja para Colecionadores Inveterados (rende 10 fatias generosas)

Ingredientes:

  • 200g de manteiga
  • 2 xícaras de açúcar
  • 4 ovos
  • 3 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 2 copos de suco de laranja

Modo de Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180 graus e unte uma forma de bolo com manteiga e farinha de trigo.
  2. Bata a manteiga derretida com o açúcar e as gemas. Adicione a farinha de trigo e bata até homogêneo.
  3. Acrescente o fermento e metade do suco de laranja e bata até uniforme.
  4. Asse durante 40 minutos (esse tempo pode variar um pouco de acordo com o forno de cada um).
  5. Ao retirar do forno, deixe esfriar alguns minutos e então despeje o restante do suco de laranja por cima uniformemente, NÃO desenforme até o suco ter sido absorvido.

PS: As ilustrações do livro são uma graça então quis compartilhar aqui! Parabéns para o artista Anttonio Pereira 🙂

 

No escuro

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Gillian Flynn é mais conhecida por seu livro “Garota Exemplar”, que foi transformado em um filme dirigido por David Fincher e estrelando o Ben Affleck, mas hoje quero falar de outro livro dela, o “Lugares Escuros” (que também irá virar filme, dessa vez com a Charlize Theron).

Em “Lugares Escuros”, acompanhamos a vida de Libby Day, uma mulher traumatizada pela perda de sua família em um massacre na sua casa quando ela tinha apenas sete anos. O testemunho da então pequena Libby foi essencial para mandar seu irmão mais velho, Ben, para a cadeia com uma sentença de vida atrás das grades. Logo no começo do livro, Libby é procurado por um grupo chamado “Kill Club”, que tem como hobby investigar casos famosos não resolvidos. O mais recente caso do grupo é o massacre da família Day e eles estão convencidos de que Ben é inocente.

Devido à forma como o romance é escrito, os vários pontos de vista em cada capítulo são usados ​​para avançar a investigação de Libby na busca da verdade e, finalmente, descobrir quem matou sua família e por quê. O enredo é revelado em camadas e o leitor não sabe ao certo como tudo vai se juntar no final. Esse livro não é rápido, se desenvolve lentamente, porém o desfecho é surpreedente (para mim, mais até do que o de “Garota Exemplar”). Na maior parte do livro, Libby tenta achar soluções mas é constantemente atrapalhada por outros, inclusive seu pai, o perdedor Runner,e até mesmo seu próprio irmão, Ben, que deveria ser o maior interessado na descoberta que ocasionaria sua liberdade.

Libby é uma personagem cheia de lugares escuros. Logo de cara fica evidente que o trauma pelo qual passou a deixou incapaz de levar uma vida normal. A protagonista, não é adorável, mas cresce no leitor ao sermos atraídos para o seu mundo. Acabamos sentindo sua solidão e seu medo do que existe no mundo real: dá vontade de cuidar de Libby, como se ela ainda fosse a menininha de sete anos que ficou sem família. Torcemos para ela, mas ao mesmo tempo nos perguntamos se realmente queremos saber as respostas. O que aconteceu nos momentos mais escuros da vida de Libby? Ben é culpado ou não?

Então pensando no livro, a receita de hoje é cheia de escuridão e segredos: Torta Fudge. Essa torta é densa e concentrada no chocolate. Essa torta é uma tentação de tão gostosa. Na última vez que eu fiz (que foi também a primeira), acabou rapidinho, ainda bem. Então se você quiser que dure, esconda em um lugar escuro que só você saiba.

Torta Fudge da Escuridão (serve de 8 a 10 pessoas)

Ingredientes:

  • 200 g de chocolate amargo
  • 200 g de manteiga
  • 1 xícara de açúcar de confeiteiro
  • 5 ovos
  • 1/3 xícaras de amido de milho

Modo de Preparo:

  1. Preaqueça o forno a 180 ºC.
  2. Unte com manteiga uma assadeira redonda de 24 cm de diâmetro com fundo removível. Corte um quadrado de papel manteiga grande o suficiente para cobrir o fundo e sobrar. Feche o aro e dobre a sobra de papel para baixo, para que a massa líquida não escorra pelo encaixe. Corte também uma tira de 80 cm x 12 cm e forre a parede da fôrma. Espalhe uma camada fina de manteiga sobre o papel.
  3. Numa tábua, pique o chocolate e corte a manteiga em cubos. Transfira para uma tigela refratária grande.
  4. Derreta a manteiga com o chocolate em banho-maria no microondas. O tempo varia de acordo com a potência, então fique de olho e só deixe até o chocolate derreter e antes dele começar a cozinhar.
  5. Acrescente o açúcar ao chocolate, e misture com carinho com uma espátula.
  6. Quebre um ovo de cada vez numa tigelinha e transfira para outro recipiente – se um deles estiver estragado você não perde toda a receita. Com um garfo misture as gemas com as claras, sem bater.
  7. Em seguida, junte os ovos à massa de chocolate. Misture delicadamente com a espátula, com cuidado para não formar bolhas: esse é o segredo para o bolo ficar denso e bem cremoso.
  8. Por último, peneire o amido sobre a massa e misture até ela ficar lisa.
  9. Transfira para a fôrma preparada e leve ao forno preaquecido. Deixe assar por 20 minutos – o interior deve ficar úmido e sai do forno com cara de que ainda não está todo assado.
  10. Deixe esfriar por 20 minutos, cubra com filme e leve à geladeira por 1 hora para firmar antes de servir.