Jardim interno

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Esse ano eu fiz uma lista com os livros indispensáveis de 2016, entre eles está “O amante japonês” da Isabel Allende. Isso porque faziam anos que eu não lia nada dela, e fiquei curiosa quando vi que o livro se passava em uma casa de repouso. Quase nenhum livro conta o final da história, o que aconteceu com os heróis depois daquele beijo, ou do casamento, ou depois que nasce o filho. Eu tinha quase certeza que isso não aconteceria nesse livro, e estava (quase completamente) certa!

“O amante japonês” conta a história de Alma e Irina. Alma Belasco é uma idosa ativa que vive na casa de repouso Larkhouse, onde Irina, uma jovem imigrante da Moldávia vai trabalhar após passar por momentos difíceis. Alma se aproxima de Irina e as duas se tornam amigas e confidentes, e é para a jovem e para seu neto Seth (que arrasta a asa para Irina) que Alma conta sua improvável história de amor com um jardineiro japonês, Ichimei Fukuda. O livro toca em vários temas espinhosos: abuso sexual, imigração, preconceito racial, social e etário, o que poderia tornar-lo um livro difícil, mas Allende mantém o foco no romance e consegue navegar esses assuntos de forma habilidosa. A personagem de Alma é cheia de nuances, uma personagem que projeta uma imagem para os outros mas internamente é bem diferente. Por fora, Alma é fria e de poucos amigos, mas por dentro, com a ajuda de Ichimei, florescem jardins.

Essa foi a reflexão que ficou comigo quando terminei o livro, o quanto as vezes somos diferentes do que parecemos para os outros, não melhores ou piores, mas diferentes. Queria uma receita que representasse essa dualidade, então tive a idéia de fazer um folhado diferente, recheado de sabores surpreendentes: figos, presunto de parma, ricota, mel! Aproveitem 🙂

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Folhado a la Belasco (faz quatro folhados)

Ingredientes:

  • Massa Folhada (usei a da Massa Leve)
  • 4 figos
  • ricota fresca (eu adoro a Vitalate!)
  • 30g de presunto de parma
  • sal, azeite e pimenta do reino
  • manteiga
  • mel a gosto
  • Gema de ovo para pincelar

Preparo:

  1. Tire a massa de dentro da embalagem com cuidado, ela é delicada.
  2. Em uma vasilha, tempere a ricota com azeite, sal e pimenta.
  3. Corte os figos ao meio e depois em quatro. Esquente uma frigideira e derreta um pouco de manteiga, em seguida coloque os figos na frigideira e deixe-os amolecer um pouco. Antes de retirar adicione o mel.
  4. Corte o presunto em pedaços menores que caibam no folhado.
  5. Coloque o recheio bem no meio da massa, mas não exagere na quantidade para não transbordar quando assar.  Posicione-o pensando que vai ter que dobrar a massa por cima dele e colar as beiradas.
  6. Dobre o outro lado da massa sobre o lado que você colocou o recheio e ligue as pontas, pressionando com um garfo por toda a extensão da borda para que os dois lados fiquem bem coladinhos.
  7. Abra um ovo e separe a gema. Pincele um pouco da gema por cima de cada folhado, sem exagero.
  8. Coloque já na forma que vai usar para assar e leve para a geladeira por 30 minutos. Na metade desse tempo, acenda o forno para preaquecer a 200°C.
  9. Depois dos 15 minutos, pegue a forma e coloque no forno para assar até dourar, entre 5 e 10 minutos.

 

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Que venha o sol

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Em “Eu te darei o sol” Jandy Nelson conta a história de um casal de irmãos gêmeos, Noah e Jude. Os irmãos são próximos mas pessoas muito diferentes: Noah é artistíco e tímido, além de ser homossexual. Jude é esportiva, falante e tem cabelos lindos.

Noah e Jude brincam entre si de dividir o universo, em troca de tal coisa, você me dá as flores, ou em troca daquilo outro, você me dá os peixes. Uma espécie de jogo infinito entre os dois, de onde vem o nome do livro. O livro alterna a narrativa entre os irmãos, um capítulo é Noah e o próximo de Jude, sendo que os capítulos de Noah narram acontecimentos de quando os gêmeos tinham treze anos e os de Jude acontecem quando eles têm dezesseis. Logo fica claro que algo aconteceu nesse espaço de três anos que afastou e transformou completamente os dois, e que somente reparando o relacionamento eles vão saber a história completa deles mesmos.

Esse livro é voltado para um público mais jovem, e a linguagem dele deixa isso claro. Mas eu recomendo mesmo para quem não é jovem, pois é fala de auto-conhecimento e de nos aceitarmos como somos (mesmo que quem somos seja um pouco esquisito).

No livro, Jude tem uma espécie de Bíblia feita pela sua avó com toda espécie de conselhos e simpatias: “para evitar doenças, ande com uma cebola no bolso” ou “para afastar atenção de um homem, chupe vários limões”. Inspirada nessas pérolas divertidas, resolvi que a receita perfeita para o “Eu te darei o sol” são deliciosos bolinhos de limão, uma delícia para comer no verão, misturando o sabor do limão com o doce do açúcar.

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Muffins de Limão para quem quer sol (rende 12 unidades)

Ingredientes:

  • 2 1/2 xícaras de farinha
  • 1 3/4 colheres de chá de fermento
  • 1/2 colher de chá de farinha de chia
  • 1 colher de chá de sal
  • 1 xícara de açúcar
  • 2 ovos grandes
  • Raspas de um limão
  • Suco de um limão
  • 1/4 de xícara de leite
  • 100g de manteiga derretida e resfriada
  • 1/4 de colher de chá de extrato de baunilha

Preparo: 

  1. Pré-aqueça o forno a 300º graus.
  2. Unte forminhas para 12 muffins com manteiga ou spray.
  3. Em uma tigela média, misture a farinha, o fermento, a farinha de chia e o sal.
  4. Em outra tigela, misture o açúcar, os ovos, as raspas e o suco de limão e o leite. Por último, adicione a manteiga e misture.
  5. Junte a mistura molhada com a seca e mexa até a massa ficar homogênea.
  6. Divida a massa igualmente entre as forminhas.
  7. Asse por 20 minutos ou até os muffins ficarem douradinhos em cima.
  8. Deixe esfriar durante 5 minutos antes de desenformar.
  9. Se quiser, polvilhe com açúcar na hora de servir, que fica bonito! 😉

 

Cozinha Literária agora no blog do Cantão

Gente, uma novidade maravilhosa: agora o Cozinha Literária participa do blog da Cantão! Muito legal, né? Duas vezes por mês vai ter um post meu lá e eu estou super animada. Dêem um pulinho para conferir e aproveitem para ver os outros posts pra lá de bacanas que têm lá. O primeiro post do Cozinha Literária para o Cantão é sobre “As crônicas de gelo e fogo” do George R. R. Martin e está recheado! Aqui embaixo tem uma versão mais resumida 😉

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Se você não está vivendo em uma caverna isolado do mundo, com certeza já ouviu falar dos livros dessa semana. “As crônicas do gelo e do fogo” de George R. R. Martin, que se transformaram em “Game of Thrones” (título do primeiro livro) da HBO, deve ser a série, tanto literária quanto filmográfica, de maior bafafá dos últimos tempos.

Eu li os primeiros quatro livros antes da HBO transformá-los em série, um pouco antes só. E como a maioria dos nerds de carteirinha, fiquei viciada. “As crônicas do gelo e do fogo” é uma saga de fantasia, mas o pano de fundo lembra bastante nossa época medieval. Quando li o primeiro livro, fiquei chocada com os personagens e com a construção do mundo que o autor conseguiu realizar: Westeros é tão bem descrito, suas tradições, passado e conflitos, são delineados de forma tão detalhada e complexa que é quase inacreditável. E essa sensação de perplexidade com o trabalho do autor só fez aumentar com cada livro. Aqui tem um video explicando bem explicadinho para quem ficou curioso.

Nos livros acompanhamos a trajetória de vários personagens, da família Stark (os mocinhos), Lannister (vilões), Tyrell (oportunistas), Baratheon (doidos), Greyjoy (mais doidos), Arryn (bizarramente doidos), Tully (pasmaceira), Martell (sensualizantes) e Targaryen (dragões!), disputa por quem governará os Sete Reinos e sentará no trono de ferro de Westeros. No ínicio, Robert Baratheon, o rei, casado com Cersei Lannister, a rainha má, má, má, vai até Winterfell, aonde vivem os Stark, para que Robert convença seu amigo de infância Ned Stark a ser a Mão do Rei, uma posição invejável na política dos sete reinos. Baratheon também tem a intenção de unir a sua linhagem com a dos Stark, casando seu filho e herdeiro Joffrey com Sansa, a filha mais velha dos Stark. Depois de Robert insistir, os Stark se mudam para a capital e aí começam todos os problemas, que em breve envolve toda Westeros em guerra.

A receita de hoje é inspirada na fome de matança de George e sua caneta sanguinária. Por causa do Casamento Vermelho, um episódio marcante da saga, pensei logo em um Gazpacho. Vermelho como sangue, mas servido frio como a vingança!

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Gazpacho para o Sr. George R. R. Martin (serve de 3 a 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 4 a 5 tomates grandes
  • 3/4 de pepino
  • 1 pimentão verde pequeno
  • 4 dentes de alho
  • 3 pães franceses amanhecidos
  • sal e azeite a gosto

Preparo:

  1. Tire os miolos dos pães e coloque em uma combuca com 100ml de água. Jogue fora a casca.
  2. Faça um pequeno corte com a ponta da faca na parte dos tomates.
  3. Ferva uma leiteira inteira de água. Coloque os tomates em uma vasilha funda e jogue a água fervente sobre eles. Deixe por um minutos os tomates submersos na água quente e depois escorra e separe.
  4. Tire as sementes do pimentão e pique grosseiramente. Reserve.
  5. Descasque o pepino o alho e corte grosseiramente. Reserve.
  6. Tire a casca dos tomates. Vai sair super fácil por causa da escaldada anterior. Corte-os de qualquer jeito.
  7. Coloque todos os ingredientes no liquidificador e bata até ficar homogêneo. Tempere com sal e azeite. (Não botei pimenta porque já leva pimentão e alho).
  8. Pode servir de entradinha com um pouco de manjericão, nozes ou até um queijinho de cabra.

Cozinha Literária no blog da Cantão

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Hoje o Cozinha Literária saiu no blog da Cantão! Viu só que chique?

Como quem leu a página de Sobre mim sabe, eu até outro dia mesmo fazia parte do time de designers da Cantão (com muito amor e muito orgulho). E, quando eu contei para as minhas amigas de lá há algum tempo atrás a idéia do blog, elas me deram o maior apoio para colocar em prática. Logo, um pouquinho desse blog também é Cantão na alma. rsrs

Obrigada, meninas! Fazer a entrevista foi díficil (tanta pergunta que eu tinha que ficar matutando a resposta!), mas divertido e eu AMEI o post. Espero que vocês também curtam. Tá aí de novo o link!

Além disso, vou aproveitar para contar que agora o Cozinha Literária também tem Instagram! Quem quiser acompanhar, vai ver as ilustrações que eu faço aqui para o blog e mais umas outras coisinhas também. É o @cozinhaliteraria .

Um beijão,

Carol