Ingrediente secreto

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“Secrets of a Charmed Life” da Susan Meissner foi um dos livros que eu adorei ler no ano passado. O foco da narrativa se passa durante a Blitz, as constantes batidas aéreas nazistas que aterrorizaram Londres durante a Segunda Guerra, e em como a vida de duas irmãs, sua mãe, uma “tia” e muito mais, foram afetadas por esse evento devastador.

Em “Secrets of a Charmed Life”, Meissner conta a história de duas irmãs: Emmy e Julia. Emmy tem quinze anos e sonha em se designer de vestidos de noiva, e Julia é sua irmã mais nova, que a idolatra. As duas vivem em Londres com a mãe e sabem que possuem pais diferentes, apesar de nenhum dos dois fazerem parte de suas vidas. Quando os ataques nazistas à capital inglesa se intensificam, as duas são evacuadas para o interior da Inglaterra, a contragosto de Emmy. As duas acabam indo morar em um charmoso chalé, chamado Thistle House, com duas irmãs, Charlotte e Rose, e seria uma vida idílica não fossem a guerra e os sonhos de Emmy.

É um livro rico, fala sobre famílias sendo despedaçadas e como pequenas decisões se tornam monumentais em tempos de guerra. É também sobre culpa, ser forçado a crescer antes do tempo, ambição e responsabilidade.  O livro tem também um mistério, um que você só descobre, é claro, no fim. Mas minha parte preferida foi a sensibilidade com que a autora retratou os relacionamentos dos personagens: mesmo a pequena Julia é uma personagem completa e cheia de opiniões. E fiquei muito abalada ao pensar de mães colocando seus filhos em trens e ônibus, sem saber com quem eles ficariam, se estariam melhores lá de fato -deve ter sido uma coragem louca, um desespero misturado com esperança.

Acho que, o que ficou comigo do livro foi que, o mais próximo que podemos chegar de uma vida “encantada” é permitir-se ser feliz. As vezes é difícil abrir mão desse ideal perfeito que existe na nossa imaginação, mas a vida quase sempre interfere, não é? Por isso mesmo me lembrei de uma máxima que ouvi quando estava de intercâmbio: feito é melhor do que perfeito. Você faz o seu melhor e aceita o que vier.

A parte mais mágica do livro pertence à Thistle House, um chalé de conto de fadas, que a autora descreve com tanto afeto que o leitor consegue se sentir lá dentro. Que delícia acordar e passear na horta de Charlotte, pegar ovos no galinheiro e sentir a paz ao redor. Quando li, pensei que a receita desse livro deveria ser uma que lembrasse aconchego, casa de avó, maionese e repetir o prato. Pensei, pensei e no final decidi nessa salada de batata que crianças e adultos amam. E repetem. Duvido você não repetir também.

Salada de Batata para Emmy e Julia (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  •  1 kg de batata-bolinha
  • 1 bulbo de erva-doce
  • 1 colher de sopa de salsinha picada
  • 1 gema de ovo caipira
  • 1/2 colher de sopa de caldo de limão
  • 1 colher de chá de mostarda de Dijon
  • 1/2 xícara de chá de óleo
  • 1 dente de alho amassado
  • sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Modo de Preparo:

  1. Lave as batatas bolinhas e transfira para uma panela. Cubra com água, coloque 1 colher (chá) de sal e leve ao fogo médio. Cozinhe as batatas por aproximadamente 20 minutos (faça o teste com um garfo, elas devem estar cozidas porém firmes).
  2. Retire a base do bulbo de erva-doce, separe as camadas e lave em água corrente. Corte a erva doce em fatias finas (reserve os raminhos).
  3. Passe as batatas por um escorredor e leve à geladeira para que esfriem. Enquanto isso prepare a maionese: numa tigela coloque a gema com a mostarda e o suco de limão e misture com um batedor de arame. Continue mexendo sem parar e acrescente o óleo em fio continuamente, até formar um creme espesso e homogêneo. Quando a maionese estiver firme, verifique o sal e misture o alho amassado.
  4. Corte as batatas ao meio e transfira para uma tigela. Junte a erva-doce fatiada, alguns raminhos da erva-doce, a maionese e a salsinha. Misture delicadamente e verifique os temperos: se necessário, acrescente mais sal e pimenta-do-reino. Reserve na geladeira até a hora de servir.

Costelinha romântica

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Têm uns livros que fazem a gente ficar com o coração apertado, chorar com o protagonista, torcer por ele, mesmo sabendo que nada aquilo aconteceu. Livro bom é assim, quando você percebe já está dentro desse universo paralelo literário, as duas da manhã de uma quarta-feira. Foi assim comigo quando eu li “A garota que você deixou para trás” da Jojo Moyes.

Primeiro, devo confessar que é um livro bem feminino. Diferentemente do Blink, da semana passada, não consigo imaginar nenhum dos meus amigos homens com esse livro na mão. Mas isso não significa que é um romance açúcarado, é um romance sim, mas bem leve na sacarose.

A história do livro se divide em duas partes. A primeira parte tem como protagonista Sophie, que tem um hotel com sua família no interior da França durante a ocupação alemã e vive aguardando notícias do seu marido, que antes de ir para o front era pintor. A segunda parte, que se passa nos dias atuais, é a história de Liv, uma jovem viúva londrina que ainda não superou a perda do marido. As duas personagens tem uma pintura como ponto de encontro. Não quero falar mais para não estragar. (Se alguém quiser fofocar sobre o livro pode deixar um comentário que eu vou adorar!)

No começo do livro, a família de Sophie está escondendo um porquinho dos alemães, o que era terminantemente proibido. Eles pretendem deixar ele crescer, e fazer um pequeno banquete para eles e seus vizinhos. Mas eles são denunciados! Os alemães aparecem lá e…. SUSPENSE. Rá. Agora você vai ter que ler. (risadinhas malignas aqui)

Mas o tal do porquinho me deixou pensando em costelinhas e eu estava no mood romântico do livro, sabe? Então, como meu respectivo AMA costelinhas (tanto que quando a gente vai na casa dos meus pais, a Cidoca pergunta se ele vai, porque se for, ela faz costelinhas pra ele). É uma preferência escancarada mesmo (ele com as costelinhas, a Cidoca com o maridão), ninguém disfarça mais. Resolvi aproveitar a vibe romântica, pedi as instruções para a chefia e ela me deu o bizú das costelinhas da felicidade. Viu, para não dizer que eu não agrado gregos e troianos, se o livro é para as mulheres, a comida é pros homens! Só um aviso, o preparo é moleza, mas fica um tempão no forno.

Costelinha romântica com batata rústica (serve duas pessoas -romance, gente!)

Ingredientes:

  • Costelinha de porco
  • 1 pote de geléia de damasco ou laranja
  • 2 cabeças de alho
  • 3 batatas inglesas grandes ou 6 pequenas
  • Alecrim seco
  • Sal grosso
  • Azeite e pimenta do reino a gosto
  • Papel alumínio

Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 220 graus.
  2. Encha uma panela grande de água e coloque as batatas. Deixe as batatas na água fervente por 20 minutos.
  3. Enquanto as batatas fervem, coloque a costelinha em uma travessa refratária e tempere com sal, azeite e pimenta da reino. Depois espalhe a geléia bem por cima de toda a costelinha.
  4. Coloque a costelinha no forno e deixe assar em temperatura alta mesmo por 20 minutos.
  5. Escorra as batatas. Corte cada uma ao meio, e depois corte ao meio longitunalmente de novo. Se for da grande, corte cada fatia ao meio mais uma vez.
  6. Quando acabarem os vinte minutos da costelinha, retire ela do forno e tampe-a com papel alumínio. Na mesma travessa, ou em outra, coloque as batatas e regue com azeite. Jogue um pouco de sal grosso (não muito, senão fica salgado demais), pimenta do reino e o alecrim seco por cima. Coloque junto as duas cabeças de alho, inteiras mesmo.
  7. Diminua a temperatura do forno para 160 graus e asse por mais 1 hora.

Faz um jantarzinho íntimo do bom!