Harry Potter e a criança amaldiçoada

potter-webPessoal, quando fui escrever esse post me toquei que eu nunca (NUNCA!) falei aqui no blog dos livros do Harry Potter e eu simplesmente não a-cre-di-to. Eu amo Harry Potter, mesmo sendo meio velha demais para proclamar que o bruxo órfão fez parte da minha infância.

Então vocês podem imaginar que, há uns meses atrás quando eu vi que tinha mais um Harry Potter, eu nem pensei duas vezes e já cliquei naquele botãozinho maligno da Amazon. Quando enfim “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” chegou lá em casa, meu marido disse a seguinte frase: “Ferrou, o Harry Potter levou minha mulher.” Ele estava certo, claro, mas para a nossa felicidade domiciliar (e de outros interessados), deixo logo claro que o livro parece grande mas, na verdade, lê ligeirinho pois tem o formato de peça de teatro e letras para míope nenhum botar defeito. E… vamos ao que interessa, a história: o foco da narrativa é passado para o filho mais jovem de Harry, Albus Severus (pobre, pobre criança) e seu melhor amigo, Scorpius Malfoy (filho da nemêsis de Harry, Draco). Os dois então se envolvem em uma trama que gira em torno de um “Vira-Tempo (eu li em inglês, então traduzi assim)” e da morte do Cedric Diggory que acontece em “Harry Potter e o cálice de fogo”, e a partir daí vemos realidades diferentes que poderiam ter acontecido caso os personagens tivessem feito escolhas diferentes.

Eu sou ZERO fã desse tipo de história vai e volta, pessoal. Não curto mesmo, então claro fiquei meio decepcionada quando vi que o livro ia girar em torno desse mote e por isso não achei o livro no mesmo nível do resto, mesmo porque não foi escrito pela J. K. Rowling, mas teve sim a colaboração dela. Dito isso, Harry Potter tem o meu amor eterno e sempre lerei o bruxinho. Enfim, gostei dos personagens novos, mas como o livro na verdade é o roteiro de uma peça, os personagens não são tão desenvolvidos quanto no resto da saga -nós não vemos tanto o raciocínio e as emoções dos personagens, pois isso ficará para a performance dos atores. Mas o que é uma delícia mesmo é voltar para o universo construído pela autora: o trem mágico, aprender com uma varinha de condão (Levio-sa) e jogar quadribol. Imagina! Até hoje abro a minha caixa de correio na expectativa distante da minha carta de aceitação para Hogwarts chegar (só um pouco) atrasada. rsrs.

Eu me lembro de, séculos atrás, quando li o primeiro “Harry Potter”, pensar que suco de abóbora era uma coisa muito esquisita para  acompanhar a comida, uma opinião que mantenho até hoje. Imagino que a J. K. Rowling tenha criado essa esquisitice por causa do imaginário popular em torno do Halloween, onde as abóboras são grandes participantes. Então queria fazer uma receita de abóbora mas que tivesse um docinho, e me lembrei das deliciosas tortas de abóbora que comi quando estava de intercâmbio e busquei essa receita do Jamie Oliver, que é uma delícia mas confesso que me fez suar a camisa!

Hogwarts Pie (do livro do Jamie Oliver)

Ingredientes:

  • 500 g de massa folhada pronta
  • 1 abóbora grandes (cortada em cubos e com sementes reservadas)
  • 1/4 de colher de chá de noz moscada
  • 1/4 de colher de chá de gengibre
  • 1/4 de colher de chá de canela
  • 4 colheres de sopa de açúcar refinado
  • 6 colheres de sopa de “maple” ou mel
  • 3 ovos grandes
  • 200 ml de chantilly

Modo de preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 200ºC. Espalhe a massa folhada na espessura próxima a de uma moeda. Disponha a massa numa forma de fundo falso com cerca de 20 centímetros de diâmetro e leve-a ao forno por 20 minutos. Retire e reserve.
  2. Coloque a abóbora numa assadeira. Polvilhe a noz moscada, gengibre e canela e regue com o “maple” ou mel. Cubra com uma dupla camada de papel alumínio e leve ao forno por 45 minutos. Retire quando estiver macia. Diminua a temperatura do forno para 180ºC.
  3. Permita que os pedaços de abóbora resfriem, depois retire-os do forno. Rale a abóbora e adicione o “maple”. Leve os pedacinhos ao processador até obter uma consistência homogênea. Transfira para uma vasilha. Adicione o açúcar e os ovos e misture bem.
  4. Coloque a mistura na forma com a massa folhada e leve ao forno por 45 minutos. Enquanto isso, limpe os fiozinhos das sementes da abóbora, seque-os e depois reserve. Salpique o açúcar sobre as sementes e leve-as ao forno por 10 minutos ou até deixá-las crocantes.
  5. Remova a torta do forno. Disponha as sementes sobre ela, depois de resfriá-las. Sirva com sorvete!

 

Harry Potter and the Cursed Child”

Autor: John Tiffany & Jack Thorne

Editora:  LITTLE BROWN-UK

352 páginas

 

Delicadeza oriental

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Nesse Natal ganhei de presente “Homens sem mulheres”, um livro de contos de um autor que é um xodó meu, Haruki Murakami  (já falei no blog de outros livros dele, “1Q84” e “O incolor Tsukuru Tazaki”). Todos os contos do livro são estudos de relacionamentos contados do ponto de vista masculino. Murakami é como sempre muito sutil e delicado, ele usa muita simbologia na sua narrativa e acaba criando pequenos mundos fantásticos em cada história. Essa habilidade do autor é sempre minha parte preferida dos seus livros, os personagens dele são quase um portal para um Japão fantástico onde gatos e jazz são parte integrante do dia-a-dia. No caso de “Homens sem mulheres”, eu adorei especialmente dois dos contos, “Habara” e  o que empresta nome ao livro “Homens sem mulheres”. Em “Habara”, a personagem Sherazade é tão interessante que eu fiquei meio triste quando o conto acabou. Em “Homens sem mulheres” me diverti com a honestidade e imagens lúdicas criadas pelo autor: fiquei pensando em unicórnios e marinheiros.

O estilo de Murakami é delicioso e sempre me inspira, por isso os os livros dele sempre acabam por aqui: a forma poética dele escrever sempre me faz pensar em comida! rsrs. Enquanto estava lendo “Homens sem Mulheres” eu pensei que desta vez eu queria um prato sofisticado e suave, mas complexo. Um prato que me desse a mesma sensação de ler Murakami e então me lembrei do risoto de abóbora assada. Não deu outra: casamento perfeito entre literatura e culinária. Para comer saboreando, sem pressa e de preferência com boa música e boa companhia.

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Um risoto delicado (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 2 xícaras de chá de arroz arbóreo
  • 750 g de abóbora japonesa em cubos
  • 15 folhas de sálvia
  • 1,5 l de caldo de legumes (se for usar cubos, dissolva apenas 2)
  • 1 cebola grande picada
  • 2 xícaras de chá de vinho branco seco
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 4 colheres de sopa de queijo parmesão ralado e mais um pouco para servir
  • sal e pimenta-do-reino a gosto

Preparo:

  1. Preaqueça o forno a 180ºC. Unte uma assadeira, de preferência antiaderente, com 1 colher de sopa de azeite.
  2. Lave a abóbora sob água corrente. Sobre uma tábua, descasque-a com cuidado e corte ao meio. Retire as sementes e as fibras e corte-a em cubos de 2,5 cm.
  3. Disponha os cubos de abóbora numa assadeira e regue com um pouco mais de azeite. Tempere com sal e pimenta-do-reino e polvilhe com as folhas de sálvia. Leve ao forno e deixe assar entre 40 e 50 minutos.
  4. Numa panela, coloque o caldo de legumes e leve ao fogo alto. Quando ferver, abaixe o fogo.
  5. Em outra panela, coloque 1 colher (sopa) de azeite e leve ao fogo médio. Quando aquecer, junte a cebola picada e refogue, mexendo bem, até ficar transparente. Acrescente o arroz e refogue por 2 minutos, mexendo sempre. Adicione o vinho e misture até evaporar. Acrescente 1 concha de caldo de legumes e mexa bem.
  6. Quando o caldo secar, adicione mais 1 concha e repita o procedimento até o risoto ficar no ponto ou até acabar o caldo.
  7. Verifique o ponto: o risoto deve ser cremoso, mas os grãos de arroz devem estar al dente, ou seja, um pouco durinhos. Porém, se ainda estiver muito cru, continue cozinhando por mais 1 minuto. Se for necessário, junte um pouco mais de caldo e mexa bem. Na última adição de caldo, não deixe secar completamente ou o resultado será um risoto ressecado.
  8. Junte a abóbora assada e os sucos que ficaram na assadeira e mexa bem. Por último, acrescente o queijo parmesão e misture bem. Sirva a seguir.

PS: Além disso, quando estava lendo me lembrei bastante de um documentário japonês muito interessante, “Jiro dreams of Sushi” que assisti outro dia no Netflix. Fica a dica!

Igual mágica

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Pessoal, estou de volta! Juntei umas mini-férias com um período pré-mudança e pronto, não consegui postar nada :0 Mas para compensar, durante o meu pequeno recesso resolvi dar uma mudada e colocar umas novidades no blog, então aguardem (suspense…). Tomara que vocês gostem!

Durante minhas férias no lugarzinho chaaaaato que é Porto de Galinhas, terminei de ler “A darker shade of magic” da V. E. Schawb. Esse livro ainda não foi traduzido para o português, infelizmente, mas está disponível em e-book em inglês (bom para treinar, gente!). “A darker shade of magic” é quase um Harry Potter para jovens: existe um mundo mágico escondido, o mocinho é um mago (no livro, a autora usa o termo Antari) e os vilões tem uma sede de poder tão grande que pode destruir tudo no caminho deles. Mas apesar dessas semelhanças, a trama é mais violenta e a mocinha, em uma inversão inteligente de papéis, também é uma anti-heroína.

No livro, existem quatro Londres distintas, cada uma em um plano de existência, como folhas, uma em cima da outra. Kell e Holland são os únicosAntari após um período turbulento em que a Mágica consumiu uma das realidades londrinas, a qual ele se refere como Londres Negra -as outras Londres são: Londres Cinza, Londres Vermelha e Londres Branca. Os Antari são capazes de fazer mágica, de controlar os elementos e de viajar entre os planos existentes, indo de uma Londres a outra, e por isso funcionam como mensageiros para que os monarcas de cada Londres possam se comunicar. Parece supercomplicado, mas a autora explica tudo de um jeito eficiente. Kell, o Antari mais jovem vive na Londres Vermelha, um lugar vibrante onde a mágica floresce mas não consome, com a família real e o herói da história. Holland, o Antari mais experiente vive na Londres Branca, onde a mágica é brutal e perigosa, como seus governantes. E, na Londrez Cinza, que é a mais próxima da realidade, vive Lila, uma ladra dura na queda que tem sede de aventura.

O maior mérito do livro é sem dúvida a habilidade da autora em construir os diferentes mundos que compõem a história. Cada vez que Kell colocava o pé na Londres Branca por exemplo, eu tinha um calafrio. Os personagens são ótimos também, especialmente Lila que é divertida e foge dos tradicionais clichês de mocinha. Eu, como fã saudosa do Harry Potter, adorei descobrir uma nova série de fantasia tão bacana.Vale a pena, e eu já estou esperando o próximo livro da série.

A receita de hoje é, claro, mágica! É a receita salvadora dos fins de noite de quando eu não estou no clima de cozinhar de verdade mas ainda quero comer uma coisa gostosa e quentinha, que fica pronta sem stress e sem trabalho -é ou não é mágica? Abracadabra, creme de abóbora.

Creme Mágico de Abóbora com Gengibre (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 600g de abóbora japonesa
  • 1 pedaço pequeno (mesmo!) de gengibre
  • 2 a 3 batatas baroas pequenas (depende do tamanho)
  • 1 cebola pérola
  • 4 dentes de alho
  • 1 pitada de noz moscada
  • 1 colher de sopa de mel
  • sal, azeite e pimenta do reino a gosto

Preparo:

  1. Descasque e corte a abóbora, as batatas, o gengibre, a cebola e o alho.
  2. Coloque os legumes cortados em uma panela grande, e encha com água filtrada em temperatura ambiente até cobrir os ingredientes.
  3. Coloque para ferver durante 20 minutos em fogo médio. No término dos vinte minutos veja se a abóbora está macia, se não estiver, deixe ferver mais uns cinco minutos.
  4. Desligue o fogo e deixe esfriar um pouco, então coloque todos os ingredientes no liquidificador, inclusive a água (o quanto de água você vai colocar pode variar de acordo com a textura que você quer na sua sopa -se quer mais líquida ou mais cremosa. Em geral eu coloco 3/4 da água).
  5. Bata tudo no liquidificador durante 2 minutos. Então adicione a noz moscada e o mel e bata mais um pouco.
  6. Tempere com sal, azeite e pimenta e bata mais um minuto. Tá pronto!