Harry Potter e a criança amaldiçoada

potter-webPessoal, quando fui escrever esse post me toquei que eu nunca (NUNCA!) falei aqui no blog dos livros do Harry Potter e eu simplesmente não a-cre-di-to. Eu amo Harry Potter, mesmo sendo meio velha demais para proclamar que o bruxo órfão fez parte da minha infância.

Então vocês podem imaginar que, há uns meses atrás quando eu vi que tinha mais um Harry Potter, eu nem pensei duas vezes e já cliquei naquele botãozinho maligno da Amazon. Quando enfim “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” chegou lá em casa, meu marido disse a seguinte frase: “Ferrou, o Harry Potter levou minha mulher.” Ele estava certo, claro, mas para a nossa felicidade domiciliar (e de outros interessados), deixo logo claro que o livro parece grande mas, na verdade, lê ligeirinho pois tem o formato de peça de teatro e letras para míope nenhum botar defeito. E… vamos ao que interessa, a história: o foco da narrativa é passado para o filho mais jovem de Harry, Albus Severus (pobre, pobre criança) e seu melhor amigo, Scorpius Malfoy (filho da nemêsis de Harry, Draco). Os dois então se envolvem em uma trama que gira em torno de um “Vira-Tempo (eu li em inglês, então traduzi assim)” e da morte do Cedric Diggory que acontece em “Harry Potter e o cálice de fogo”, e a partir daí vemos realidades diferentes que poderiam ter acontecido caso os personagens tivessem feito escolhas diferentes.

Eu sou ZERO fã desse tipo de história vai e volta, pessoal. Não curto mesmo, então claro fiquei meio decepcionada quando vi que o livro ia girar em torno desse mote e por isso não achei o livro no mesmo nível do resto, mesmo porque não foi escrito pela J. K. Rowling, mas teve sim a colaboração dela. Dito isso, Harry Potter tem o meu amor eterno e sempre lerei o bruxinho. Enfim, gostei dos personagens novos, mas como o livro na verdade é o roteiro de uma peça, os personagens não são tão desenvolvidos quanto no resto da saga -nós não vemos tanto o raciocínio e as emoções dos personagens, pois isso ficará para a performance dos atores. Mas o que é uma delícia mesmo é voltar para o universo construído pela autora: o trem mágico, aprender com uma varinha de condão (Levio-sa) e jogar quadribol. Imagina! Até hoje abro a minha caixa de correio na expectativa distante da minha carta de aceitação para Hogwarts chegar (só um pouco) atrasada. rsrs.

Eu me lembro de, séculos atrás, quando li o primeiro “Harry Potter”, pensar que suco de abóbora era uma coisa muito esquisita para  acompanhar a comida, uma opinião que mantenho até hoje. Imagino que a J. K. Rowling tenha criado essa esquisitice por causa do imaginário popular em torno do Halloween, onde as abóboras são grandes participantes. Então queria fazer uma receita de abóbora mas que tivesse um docinho, e me lembrei das deliciosas tortas de abóbora que comi quando estava de intercâmbio e busquei essa receita do Jamie Oliver, que é uma delícia mas confesso que me fez suar a camisa!

Hogwarts Pie (do livro do Jamie Oliver)

Ingredientes:

  • 500 g de massa folhada pronta
  • 1 abóbora grandes (cortada em cubos e com sementes reservadas)
  • 1/4 de colher de chá de noz moscada
  • 1/4 de colher de chá de gengibre
  • 1/4 de colher de chá de canela
  • 4 colheres de sopa de açúcar refinado
  • 6 colheres de sopa de “maple” ou mel
  • 3 ovos grandes
  • 200 ml de chantilly

Modo de preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 200ºC. Espalhe a massa folhada na espessura próxima a de uma moeda. Disponha a massa numa forma de fundo falso com cerca de 20 centímetros de diâmetro e leve-a ao forno por 20 minutos. Retire e reserve.
  2. Coloque a abóbora numa assadeira. Polvilhe a noz moscada, gengibre e canela e regue com o “maple” ou mel. Cubra com uma dupla camada de papel alumínio e leve ao forno por 45 minutos. Retire quando estiver macia. Diminua a temperatura do forno para 180ºC.
  3. Permita que os pedaços de abóbora resfriem, depois retire-os do forno. Rale a abóbora e adicione o “maple”. Leve os pedacinhos ao processador até obter uma consistência homogênea. Transfira para uma vasilha. Adicione o açúcar e os ovos e misture bem.
  4. Coloque a mistura na forma com a massa folhada e leve ao forno por 45 minutos. Enquanto isso, limpe os fiozinhos das sementes da abóbora, seque-os e depois reserve. Salpique o açúcar sobre as sementes e leve-as ao forno por 10 minutos ou até deixá-las crocantes.
  5. Remova a torta do forno. Disponha as sementes sobre ela, depois de resfriá-las. Sirva com sorvete!

 

Harry Potter and the Cursed Child”

Autor: John Tiffany & Jack Thorne

Editora:  LITTLE BROWN-UK

352 páginas

 

Do fundo do baú

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Queridos amigos internéticos, eu andei meio sumida porque estava num momento pessoal complicado (me sentindo dentro de um episódio de Grey’s Anatomy :p) e não estava dando conta de escrever. Para dizer a verdade, inspiração não aparecia nem na cozinha nem no teclado. Mas agora estou, graças a Deus, quase de volta à programação normal e bola para frente! (Rá, quantos clichês eu consegui colocar nessa frase, hein? É que eu tô correndo atrás da inspiração ainda, perdoem!).

Tem uns livros que caem como uma luva em certos momentos, né? Foi assim comigo e “Nu, de Botas” do Antonio Prata. Estava eu lá meio jururu, passando por uma situação familiar dessas que parecem um harumaki de stress enrolado em nervosismo com recheio de peloamordedeus, quando lindo e despretensioso esse livro chegou na minha casa e me ajudou a respirar mais leve.

Crônicas parecem fáceis de escrever, mas são daqueles textos capciosos, onde você tem que ter a mão na medida certa, e, vou te contar, que esse tal de Prata tem, e tem para dar e vender. Não teve um só capítulo desse livro que não fosse cheio de humor e inteligência. Eu, sentada no banco do hospital rindo parecia impossível mas foi exatamente o que aconteceu (inserir aqui a cara incrédula do meu tio), porque quem ler essas páginas e não se lembrar da sua infância é de outro planeta. É sempre bom ser criança de novo um pouquinho, especialmente em alguns momentos.

Cada texto de Prata aborda um episódio de sua infância: como eram as viagens de carro para a casa dos avós, as competições por popularidade de pré-escolar, aquela inabilidade total de lidar com o primeiro “crush” correspondido, a completa falta de tato que só existe quando você ainda não tem nenhuma maldade e muito mais. Dou um prêmio para quem ler “Mau menino” com cara séria até o final (ó, só pra deixar claro, o prêmio é figurativo, tá? E para falar a verdade nem sei seria um prêmio muito positivo…). Enfim, Nu, de Botas é um desses livros que eu vou levar comigo e que vou ser a chata falando: “você já leu esse? Você tem que ler!” para pessoas que não me conhecem na rua. Ou na internet. Rá.

Enfim, acho que já rasguei seda o suficiente. É claro que a receita do Nu, de Botas tinha que ter aquele quê de nostalgia, né? Eu, conversando com meu marido sobre o livro, contei para ele alguns episódios da minha infância, inclusive como quando eu era pequena eu chegava da escola, jogava minha mochila (linda, amarelo e laranja neon com um relógio enorme na frente -o auge da moda!) em cima do banco da cozinha e prontamente me sentava na bancada e tagarelava sem parar enquanto a Cidoca preparava o almoço. Eu AMAVA quando tinha pastel! Primeiro porque pastel é uma delícia, e segundo porque eu adorava que a Cida deixava eu fechar alguns deles com a pontinha do garfo, e eu achava aquilo o máximo dos máximos. Então vocês já sabem, a receita de hoje tem esse gostinho de memória. E quem nunca apertou massa de pastel com a pontinha do garfo vai descobrir os simples prazeres da vida (porque eu, até hoje, acho maravilhoso)! rsrs

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Pastel de Banana da Cidoca (faz de 4 a 5 pastéis)

Ingredientes:

  • 2 bananas nanicas
  • 150g de mussarela
  • 1/2 colher de sopa de açucar mascavo
  • 1/2 colher de chá de canela em pó
  • 8 folhas de massa para pastel (usamos a da Massa Leve)
  • óleo para fritar

Modo de Preparo:

  1. Corte as banana em rodelas e as fatias de queijo na metade e faça rolinhos de queijo com banana que caibam no meio da massa do pastel sem encostar nas bordas.
  2. Em uma tigela, misture o açúcar e a canela. Não precisa ser muito, é só para polvilhar por cima depois e dar aquele gostinho de sobremesa.
  3. Divida os recheio nas massas de pastel e feche com um garfo (é agora! rsrs).
  4. Frite em oleo quente e escorra em papel sobre papel toalha.
  5. Polvilhe com a mistura de açúcar e canela e sirva quentinho.

Nu, de Botas”

Autor: Antonio Prata

Editora: Companhia das Letras

140 páginas

Best-sellers


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Existem alguns livros que são aclamados por público e crítica, mas nem sempre eles merecem, não é? Mas o best-seller “O Rouxinol” da Kristin Hannah tem, de fato, merecimento.

O livro se passa na segunda guerra mundial, bem no momento que a França entra na guerra contra os nazistas, e conta a história de duas irmãs: Vianne, uma dona de casa casada que mora em uma pequena cidade no interior da França com seu marido e filha, e Isabelle, uma jovem impetuosa que foi expulsa de diversos colégios internos. As duas irmãs têm um relacionamento complicado entre si, pois tem personalidades opostas, e ainda pior com o pai, Julien, que não soube lidar com as filhas após a morte da esposa.

No começo da ocupação de Paris pelos alemães, Julien manda Isabelle para morar com a irmã que esta mais “segura”no interior. A moça passa por verdadeira saga até chegar lá, sendo que no meio do caminho, conhece Gaeton, um membro da Resistência Francesa. A presença pulsante de Isabelle na pacata vida de Vianne se torna ainda mais perigosa quando um capitão nazista decide se aquartelar na casa delas. Inesperadamente, o capitão se mostra um homem gentil e ele e Vianne estabelecem uma tênue trégua dentro da casa, especialmente depois que Isabelle parte para se juntar à resistência. O livro é narrado por uma das irmãs, mas até o final do história não se sabe qual das duas.

O que eu gostei no livro foi a tremenda ambientação que Hannah criou: para quem já foi à França, é fácil imaginar o vilarejo de Carriveau, suas ruas pitorescas, a propriedade bucólica de Vianne com sua horta, o que torna tudo terrível quando a cidade sofre com a chegada dos alemães, assim como é triste imaginar Paris destruída, os museus saqueados, as pessoas lutando para sobreviver, mas senti que entendia, pelo menos um pouquinho, das circunstâncias, por causa da vívida descrição da autora. Outra coisa que achei interessante é ver a guerra através da ótica feminina, como cada uma das irmãs usa suas armas e lida com suas deficiências em tempos tão duros, e fiquei admirada das corajosas mulheres que realmente lutaram na resistência contra os alemães. Confesso que no começo, achei o passo da narrativa um pouco lento, mas no final não conseguia mais parar de ler.

Por ser um livro que se passa na França, obviamente se fala bastante em comida. Vianne vive dando um jeito dela e Sophie, sua filha, não passarem fome, mesmo com as diminutas porções de comida que conseguiam arrumar. Mas quando eu pensei em uma receita que combinasse com o livro, queria uma que misturasse o doce e o salgado, as diferenças entre as duas irmãs, e queria que fosse bem francesa, mas que não fosse complicada de executar. Depois de um tempo pensando cheguei na resposta: crepe de brie com mel e amêndoas. Gente, comer crepe na rua em Paris é uma dessas coisas maravilhosas da vida, e é isso que eu gostaria que cada um sentisse quando comesse essa receitinha.

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Crepe a la Roussignol

Para a massa:

Ingredientes:

  • 1 ovo
  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 1 1/2 xícara de leite
  • 2 colheres de sopa de óleo
  • 1/2 colher de chá de sal

Modo de Preparo:

  1. No liquidificador, bata todos os ingredientes. Certifique-se de que não ficou farinha de trigo grudada na parede do copo do liquidificador.
  2. Unte com manteiga uma frigideira antiaderente. Leve ao fogo médio. Quando esquentar, coloque uma concha de massa e faça um movimento circular para que todo o fundo seja coberto.
  3. Com uma espátula, levante a pontinha da crepe para ver se está dourada. Quando estiver, vire de lado e deixe dourar o outro lado. Retire a panqueca da frigideira e coloque-a num prato. Repita esta operação até acabar a massa.

Para o recheio:

Ingredientes:

  • 180g de queijo brie
  • 1/2 xícara de amêndoas torradas e fatiadas rusticamente
  • mel a gosto

Modo de Preparo:

  1. Em um frigideira em fogo baixo, derreta o brie. Quando estiver mole mas não totalmente líquido, corte em três pedaços e coloque cada um no canto da quarta parte de uma massa já pronta.
  2. A seguir, regue com mel o queijo, mas não coloque demais pois você irá dobrar a massa. E por fim jogue um punhado de amêndoas torradas.
  3. Dobre a massa em quatro, formando um pequeno leque. jogue por cima mais algumas amêndoas e está pronto para servir 🙂

 

Superbonder

Eu que amava

(amo? amava? amaria?)

seus cacos

Cada pequeno

(mínimo? microscópico?)

estilhaço

Esfolava os dedos tentando juntar cada

pedaço

(sangrava, cantava, louvava)

Sonhava devaneios em cola quente

(superbonder, sapateiro, pritt)

Tentando chegar no seu

inteiro

(todo, miragem, mundo)

 

British o’clock

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“A Torre” é o livro de estréia do Daniel O’Malley, e é tão divertido e cheio de imaginação que é difícil de acreditar que é o primeiro dele. Eu ouso dizer que O’Malley escreveu um Harry Potter para adultos: um mundo sobrenatural secreto na Inglaterra, com foco em Londres, com uma heroína que, apesar de poderosa, começa sem saber nada de nada.

A narrativa acompanha a heroína Myfanwy Thomas, uma Torre do Checquy, alto membro do serviço secreto sobrenatural da Inglaterra. Só tem um detalhe: quando Myfanwy acorda, ela está cercada de corpos e não se lembra de nada, nem do seu próprio nome. Pelo menos seu antigo eu era pra lá de planejado e deixou para ela alguns bilhetes com instruções, porém o lado ruim é que alguém está tentando matá-la. Daí por diante, descobrimos junto com a personagem o assombroso mundo que O’Malley criou para o Checquy: vampiros, personagens que tem uma mente de colmeia, uma que consegue aparecer em sonhos e muito mais. Dá para ver que o autor se divertiu horrores inventando as esquisitices do livro, e mais ainda com sua personagem que tem bastante do senso de humor caustico britânico.

Além do humor delicioso, o livro fala bastante de como formamos nossa identidade. É muito interessante ver que a própria personagem não se considera a mesma pessoa que ela era antes de perder a memória. O tempo todo ela se refere a seu eu anterior na terceira pessoa, pois não se identifica como sendo ela. Já o personagem Gestalt, que aparenta ser quatro irmãos mas na verdade é uma personalidade só em quatro corpos, aborda a questão pelo outro lado: você pode parecer outra pessoa, mas se suas experiências permanecem as mesmas então você mantém o que te identifica como único. O que você faria se soubesse que ia perder a memória? Você mudaria alguma coisa? No caso de Myfanwy, o comportamento dela se altera bastante, pois as experiências da infância dela determinavam muito de sua personalidade anterior.Afinal, eu adorei e já quero o próximo.

Gente, quando decidi fazer o post desse livro eu pensei: e agora, qual receita? Queria que fosse um prato britânico, mas estava querendo uma sobremesa, então fui direto na guru de todas as gordices, a Nigella. E com ela achei o par da Torre: chocolate pudding! Gente não sei como traduz Pudding para português, alguém sabe? Não é pudim igual o Google jura que é, não. Anyway, segue aí!

Gordice delícia de chocolate para Myfanwy

Ingredientes:

  • 250 ml de leite integral
  • 125 ml de creme de leite
  • 60 gramas de açúcar refinado
  • 1 colher de sopa de maizena
  • 35 gramas de cacau em pó
  • 2 colheres de sopa de água recém fervida
  • 2 gemas grandes
  • extrato de baunilha 1 colher de chá
  • 60 gramas de chocolate amargo (finamente picado)

Modo de Preparo:

  1. Coloque a chaleira no fogo e aquecer o leite no microondas.
  2. Coloque o açúcar e a maizena em outra panela e peneira no pó de cacau. Adicione as 2 colheres de sopa de água fervente e bata até obter uma pasta.
  3. Bater as gemas, uma de cada vez, seguido por o leite aquecido e creme, em seguida, o extrato de baunilha.
  4. Raspe as laterais da panela e coloque cozinhando em uma temperatura média para baixa, mexendo por cerca de 3-4 minutos, até que a mistura engrosse e a consistência pareça de maionese.
  5. Tire do fogo e misture o chocolate picado finamente, antes de derramar em 4 pequenas taças ou copos, cada um com uma capacidade de cerca de 150ml.
  6. Cobrir as taças ou copos com filme plástico, deixando o filme encostar na superfície do chocolate para não formar pelinha, e refrigerar uma vez que estiverem mais frias.
  7. Certifique-se de que eles não estão completamente gelados quando for servir, para ficar com a consistência certa.
  8. Fica gostoso servido com morangos cortadinhos em cima 😉

A Torre”

Autor: Daniel O’Malley

Editora: LeYa

Traduzido para o português por: Santiago Nazarian

432 páginas

A la Hitchcock

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“A garota no trem” da Paula Hawkins foi um mega sucesso, daqueles que parecem estar em todos os lugares e em cinco minutos já está pronto para virar filme em Hollywood. Então, é claro, eu fiquei curiosa e peguei um final de semana preguiçoso para conferir.

O thriller conta a história de Rachel, uma mulher em crise: ela acabou de se separar do marido, que se casou com a amante (e agora tem um bebê), mora de favor na casa de uma amiga e pega o trem para Londres todos os dias de manhã para fingir que está indo para o emprego que perdeu. Isso sem contar seu verdadeiro hobby: garrafas e mais garrafas de vinho. Mas é pela janela do trem de todo dia que ela passa a acompanhar por alguns minutos um casal, que ela considera perfeito, e criar para eles o romance ideal que ela deseja para si mesma. Até que um dia ela vê algo perturbador e em seguida Megan, que antes Rachel apelidara de Jess em seus devaneios, desaparece.

O livro é um thriller clássico, cheio de reviravoltas e Hawkins se utiliza muito bem do narrador não-confiável, já que a própria personagem admite ter grandes períodos de amnésia por causa do álcool. A narrativa alterna os pontos de vista de Rachel, Anna e Megan, sendo Rachel a principal e mais proeminente e fica claro logo no começo que, apesar de ser um thriller, o livro vai abordar temas pesados como depressão e alcoolismo: Hawkins pinta um retrato tão deplorável de Rachel que o leitor fica até com pena. O interessante do livro é mesmo o suspense, a autora consegue criar uma atmosfera de tensão constante, digna de um filme do Hitchcock. O final me surpreendeu e devo dizer que achei o livro melhor do que eu esperava: diversão ligeira, apesar de não ser nem um pouco leve.

A receita desse livro não podia ser outra: ensopado de carne ao vinho tinto. Um prato suculento, cheio de sabor e caprichado no álcool. Só não vão exagerar, hein?

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Ensopado para a Garota no Trem

Ingredientes:

  • 1 kg de alcatra
  • 1 garrafa de vinho tinto
  • 1 colher de sopa de farinha de trigo
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 2 cebolas picadas
  • 2 cenouras cortadas em rodelas
  • 2 talos de salsão cortados em rodelas
  • folhas de louro
  • 200 g de cogumelos-de-paris
  • 1 colher de sopa de manteiga cortada em cubos
  • pimenta-do-reino moída na hora a gosto
  • 1 xícara de água
  • sal a gosto

Modo de Preparo:

  1. Numa tábua, corte a carne em cubos médios.
  2. Numa tigela, junte a carne e o vinho. Leve à geladeira e deixe marinar por 2 horas no mínimo ou até 12 horas.
  3. Transfira a carne para um prato, salpique com a farinha e reserve o vinho.
  4.  Leve uma panela grande com o azeite ao fogo alto. Quando esquentar, coloque a cebola picada e a carne. Mexa bem até que os cubos de carne ficarem dourados por igual. Adicione as rodelas de cenoura e as fatias de salsão e refogue por 3 minutos. Junte o vinho, 1 xícara de água e algumas poucas folhas de louro. Quando ferver, abaixe o fogo, tampe a panela e deixe cozinhar por 2 horas, mexendo de vez em quando.
  5. Quando a carne estiver cozida, lave os cogumelos sob água corrente, seque bem e corte-os em metades. Acrescente ao ensopado e deixe cozinhar até que a carne esteja macia e o molho tenha engrossado. Verifique os temperos e desligue o fogo. Coloque a manteiga gelada cortada em cubinhos, misture bem e sirva a seguir.

A garota no trem”

Autor: Paula Hawkins

Editora: Record

Traduzido para o português por: Simone Campos

378 páginas

 

Viagem interna

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No ano passado fiz um curso muito legal, uma Oficina de Contos, n’O Sítio, lá em Floripa, com a querida Milu Leite, e, em uma das aulas falamos sobre o livro desse post “Se um viajante numa noite de inverno” do Ítalo Calvino.

Gente, esse post é um desafio! Não sei como explicar o livro que esse louco italiano escreveu: um labirinto de estórias que desencontra em outro labirinto, levando o leitor por um caminho totalmente surpreendente. Te garanto uma coisa: você nunca leu um livro assim. Logo de cara, Calvino já brinca com o leitor e estabelece um relacionamento diferente entre o livro-objeto e você-leitor. O tom do livro é indulgente, cheio de humor, mas não se engane: esse livro é cheio de críticas e para lá de sagaz.

A história é a seguinte: o Leitor (você!) vai a uma livraria e compra o novo romance de Ítalo Calvino, “Se um viajante numa noite de inverno” (o seu livro!) e vai para casa começar a desfrutar de sua leitura, porém, logo quando você (ele!) está chegando na parte boa, livro é interrompido por… um livro diferente. É isso mesmo, no meio do livro aconteceu algum problema de edição e agora tem outra história ali (vai uma criticazinha mordaz ao mercado editorial aí, alguém?). Confuso, o leitor retorna a livraria e, em sua busca pela história perdida, conhece a Leitora. E a partir daí a narrativa se desenrola cada vez mais complexa e surpreendente, como Alice através da toca do coelho, vamos correndo atrás de histórias perdidas, autores esquecidos e línguas mortas. Calvino usa toda a sua habilidade e humor e o final vai te deixar sorrindo. Não é qualquer autor que conseguiria uma façanha como essa -minhas palmas para esse gênio italiano.

Para esse livro delicioso, queria uma receita italiana como seu autor. Algo me lembrasse a diversão e o afeto do autor pela literatura, paixões que transparecem na sua obra. Me lembrei do primeiro episódio do Chef’s Table com o brilhante chef Mássimo Bottura, onde ele conta como pensou no seu prato de tortellini: é tão lindo, tão cheio de calor humano. Quis pensar em um prato que me trouxesse essa mesma sensação, esse quentinho dentro do peito e o que veio foi: gnocchi. Então segue aí essa receitinha simples de gnocchi de ricota, que é divertida de fazer e melhor ainda de mangiare ❤



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Gnocchi de Ricota para leitores vorazes (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 450g ricota
  • 2 ovos
  • 1/2 xícara de queijo parmesão ralado fino (mais ou menos 50g)
  • 1/2 xícara de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de sal
  • 4 colheres de sopa de manteiga
  • queijo parmesão em lascas
  • folhas de manjericão a gosto para servir

Modo de Preparo:

  1. Coloque a ricota numa tigela grande e, com as mãos, quebre e esfarele em pequenos pedaços. Numa tigelinha separada, quebre os ovos, um de cada vez, e junte à ricota.. Adicione o queijo ralado e o sal e amasse bem com as mãos para misturar. Junte a farinha e amasse novamente, até formar uma massa lisa. Cubra com filme e deixe na geladeira por 15 minutos para firmar.
  2. Modele os gnocchis: com as mãos, separe uma porção da massa, enrole do tamanho de uma bola de gude e achate levemente. Transfira para uma assadeira e repita o mesmo processo com o restante da massa. Se preferir, faça rolinhos e, com uma faca, corte a cada 2 cm para formar os nhoques.
  3. Leve ao fogo alto uma caçarola média com água. Assim que ferver, adicione 1 colher de sopa de sal. Com uma escumadeira, mergulhe cerca de 15 nhoques por vez. Deixe cozinhar por mais 2 minutos depois que subirem à superfície. Pesque os nhoques cozidos com a escumadeira, escorrendo bem a água, e transfira para uma travessa. Cozinhe o restante e reserve 1 xícara da água do cozimento que mais tarde ela será utilizada para fazer o molho.
  4. Leve uma frigideira grande ao fogo médio. Quando aquecer, adicione 1 colher de sopa de manteiga e disponha metade dos nhoques na frigideira. Deixe por cerca de 2 minutos. Vire com uma espátula e deixe por mais 1 minuto para dourar por igual. Transfira para um prato e repita com a outra metade, adicionando 1 colher de sopa de manteiga a cada leva. Deixe eles bem douradinhos para ficarem crocantes!
  5. Mantenha a frigideira em fogo médio e adicione o restante da manteiga. Assim que derreter, regue com ½ xícara (chá) da água do cozimento. Desligue o fogo e mexa a frigideira, delicadamente, fazendo movimentos circulares até formar um molho liso – ao misturar com a espátula a gordura pode se separar do molho. Se desejar um molho mais ralo, adicione, aos poucos, o restante da água do cozimento e ligue o fogo novamente apenas para aquecer. Transfira para uma molheira.
  6. Sirva os gnocchis de ricota com o molho de manteiga, queijo parmesão em lascas e folhas de manjericão fresca a gosto. Se quiser também pode colocar umas lascas de amêndoas torradas que combinam muito bem.

Se um viajante numa noite de inverno”

Autor: Ítalo Calvino

Editora: Companhia das Letras

Traduzido por: Nilson Moulin

280 páginas