À primeira vista

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De vez em quando eu quero ler uma coisa fácil, para rir e ficar bem light. Da última vez que isso aconteceu, li “Desde o primeiro instante” da Mhairi MacFarlane. Esse livro, escrito para mulheres, é perfeito para aquele final de semana na praia, onde pensar pouco e rir muito são os objetivos.

O livro conta a história de Rachel, uma mulher na casa dos trinta que está prestes a se casar com o namorado que tem desde os tempos do colégio, mas se dá conta que não está apaixonada pelo noivo e então termina tudo. Em seguida, Rachel reencontra seu melhor amigo da faculdade, Ben, que é lindo, engraçado, legal e… casado. A história alterna entre passado e presente, entre os diferentes momentos do relacionamento dos dois.

O que eu gostei foi do jeito leve da escrita de MacFarlane: as situações, embora as vezes clichê, são engraçadas e o relacionamento de Rachel com os melhores amigos é um ponto alto. O livro me relembrou a época da faculdade, de festas, cervejas e risadas. Ficar acordado até tarde e não ter que trabalhar no dia seguinte, reclamar de provas e encontrar o primeiro amor. Quem não tem saudade desses momentos?

No livro, uma cena importante se passa em um restaurante mexicano e por isso pensei que o par perfeito dessa história teria que ser um delicioso guacamole. Um prato leve, mas cheio de sabor, que lembra noites de primeira rindo com os amigos e cerveja gelada.

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Guacamole Amigo (serve até 6 pessoas)

Ingredientes:

  • 1 abacate
  • 1 tomate picado sem sementes
  • 1/2 pimentão vermelho picado
  • 1 pimenta-dedo-de-moça picada
  • 1/2 xícara de chá de coentro picado
  • 1 cebola pequena
  • 2 a 3 dentes de alho
  • suco de 1 limão
  • sal a gosto

Modo de Preparo:

  1. Amasse os dentes de alho descascados no espremedor de alho, ou corte em cubinhos e depois frite na frigideira até dourar. Reserve.
  2. Pique a cebola em cubinhos pequenos e regue com limão para tirar a acidez.
  3. Com uma faca, corte o abacate ao meio e retire o caroço. Com a ajuda de uma colher, retire a polpa e coloque numa tigela.
  4. Adicione todos os ingredientes picados à tigela com o abacate e misture bem. Tempere com o suco de limão e sal. Sirva com nachos (eu ❤ Garytos).

Tudo junto, misturado

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Alguns livros são mesmo produto do nosso tempo, pegam um pout-pourri de referências atuais: crianças e jovens com poderes fora do normal (Harry Potter), um romance complicado para o protagonista adolescente (Jogos Vorazes), um mundo que corre perigo por causa de personagens malignos/mal-intencionados (Divergente). “O orfanato da Srta Peregrine para Crianças Peculiares”, de Ransom Riggs se encaixa nesses parâmetros com perfeição e, apesar de recorrer a clichês do gênero, é um livro divertido (e vai até ter filme dirigido pelo Tim Burton!).

O que eu achei interessante no livro foi o fato de abordar a loucura: o protagonista sofre ao achar que está enlouquecendo e que sua imaginação está criando coisas horríveis por causa de um trauma. Gostei de o autor trazer essa preocupação para a narrativa: a realidade é diferente para cada um, e algumas coisas podem ser interpretadas de forma completamente díspar entre pessoas próximas ou até da mesma família.

O protagonista, Jacob, é fascinado pelo avô Abraham, conhecido como Abe, que desde pequeno o encanta com suas histórias sobre o orfanato fantástico onde viveu depois da guerra, as quais conta como se tivessem realmente acontecido. Ao ficar mais velho, Jacob não acredita mais nas “fantasias” do avô, mas ainda assim sente com ele uma grande afinidade. Não é então que, de repente, por uma série de circunstâncias, Jacob acaba indo parar justamente no tal orfanato, que não é que existe mesmo?! Lá só habitam pessoas peculiares, a começar pela própria Srta Peregrine, a diretora do lugar. Os personagens que vivem no orfanato são bem loucos (eu não li ainda a série Percy Jackson, mas vi algumas cenas na TV e senti que havia nesses personagens alguma semelhança), um menino invisível, uma menina que domina o fogo, outra que flutua e por aí vai. Não curti muito os vilões do livro; achei meio sem pé nem cabeça o porquê deles perseguirem os peculiares, mas vá lá. Enfim, o livro é divertido e bem rapidinho de ler, bom para se divertir sem compromisso.

Ao pensar em um prato que pudesse acompanhar o livro, lembrei de uma tortinha ratatouille que é uma delícia: combina vários legumes diferentes em um lugar só, igual a Srta Peregrine faz com as crianças em seu orfanato. Aqui é uma festa de sabores em uma tortinha que vai bem como entrada ou acompanhamento para o prato principal.

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Torta Ratatouille para a Srta Peregrine (serve de 4 a 6 pessoas)

Ingredientes:

Para a massa:

  • 100 g de manteiga gelada
  • 1 1/4 de xícara de chá de farinha de trigo
  • 1 ovo
  • 1 colher de chá de sal

Para o recheio:

  • 1 berinjela pequena
  • 1 abobrinha média
  • 3/4 de xícara de chá de tomate cereja
  • 1 talo de alho-poró sem as folhas verdes
  • 1 pimentão amarelo
  • 1 cebola média
  • 4 dentes de alho
  • sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto
  • 8 colheres de sopa de azeite

Modo de preparo:

  1. Numa tigela grande junte a farinha com o sal e misture. Corte a manteiga em cubos e transfira para a tigela. Com a ponta dos dedos, misture até formar uma farofa, sem dissolver completamente a manteiga – isso vai garantir uma massa mais crocante.
  2. Junte o ovo e trabalhe a massa apenas até formar uma bola. Envolva com filme e leve à geladeira por no mínimo 1 hora (se preferir, faça a massa no dia anterior).
  3. Preaqueça o forno a 220 ºC (temperatura alta).
  4. Cerca de 15 minutos antes de terminar o tempo para pré-assar os legumes, retire a massa da geladeira (se você está fazendo a torta em etapas, cada passo num dia, preaqueça o forno a 180 ºC). Separe uma fôrma redonda, de fundo removível, com cerca de 24 cm de diâmetro.
  5. Numa bancada, polvilhe um pouco de farinha e, com um rolo de macarrão, abra a massa num formato arredondado até ficar com cerca de 0,5 cm de espessura.
  6. Separe o fundo da fôrma. Para transferir a massa, enrole no rolo de macarrão e desenrole sobre o fundo, deixando as bordas para fora.
  7. Numa tábua, corte a berinjela em rodelas de cerca de 1 cm e descarte as pontas. Se a berinjela for grande, corte as fatias em meias-luas. Transfira para uma tigela, cubra com água e misture 1 colher (chá) de sal. Reserve.
  8. Prepare os outros legumes: fatie as abobrinhas em rodelas de 1 cm e descarte as pontas; corte os tomatinhos ao meio; fatie fino o alho-poró; corte o pimentão ao meio, descarte as semente e corte as metades em quadrados; descasque a cebola e corte em quartos; descasque os dentes de alho.
  9. Retire a berinjela da água e disponha numa assadeira retangular grande. Regue com 3 colheres (sopa) de azeite e leve ao forno preaquecido por 15 minutos.
  10. Retire a assadeira do forno e junte os outros legumes. Tempere com sal e pimenta-do-reino, regue com o azeite restante e misture delicadamente. Volte a assadeira ao forno por 30 minutos. Retire a assadeira e baixe a temperatura do forno para 180 ºC.
  11. Retire a assadeira do forno. Debulhe os ramos de tomilho e alecrim e junte aos legumes, misturando delicadamente. Coloque os legumes sobre a massa e dobre as bordas sobre os legumes.
  12. Numa tigelinha, misture a gema com a água. Pincele a massa e leve a torta ao forno por 45 minutos ou até dourar. Sirva quente ou em temperatura ambiente.

PS: quem acompanha o Instagram aqui do Cozinha Literária já deve ter percebido, eu estou de férias na zoropa e ficando obcecada com o jamon ibérico espanhol, o queijo de cabra, os ovos moles portugueses, e, claro, os vinhos. Preparem-se para posts turbinados quando eu voltar! 😊

 

Entre quatro paredes

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Nessa temporada do Oscar, eu vi vários dos filmes concorrentes ao Melhor Filme, mas não vi “O Quarto de Jack” pois estava lendo “Quarto” da Emma Donoghue e não queria que um estragasse o outro.
Em “Quarto”, Donoghue traz a história de Ma e Jack, mãe e filho que vivem confinados em um quarto, vítimas de um homem a quem chamam de “Velho Nick”. No começo do livro, Jack está completando cinco anos e pensa que o mundo todo se limita ao quarto em que vive com Ma. No quarto, os objetos são amigos, os únicos que ele tem, e o Lá Fora é um local tão fictício quanto o desenho da Dora Exploradora. Jack ainda mantém a ingenuidade total das crianças: ele é doce e esperto, apesar de todas as limitações impostas pelas suas condições. As escolhas que Ma faz ao cria-lo são difíceis, mas compreensíveis dentro do contexto, apesar de várias vezes causarem no leitor uma estranheza.
O maior trunfo do livro é mesmo a habilidade de Donoghue ao construir a voz de Jack. É fácil se afeiçoar ao menino cheio de energia que não sabe o quanto o mundo é grande, e as lacunas no entendimento de Jack, que nós preenchemos facilmente, tornam o livro emocionante. Através de Jack, a autora apresenta uma forma nova de falar sobre amor, sobre o que nos conecta uns aos outros e também dos que nos torna únicos. Não vou dizer que é uma leitura fácil ou leve, mas vale a pena.
Na história, Jack, como toda criança, ama alimentos cheios de açúcar e detesta verduras. Tenta sempre despachar os verdinhos para longe, apesar dos esforços de Ma. Então quis pensar em uma receita que mudasse essa atitude, que deixasse o Jack aficcionado por tudo que é verdinho! Aqui em casa essa da Rita Lobo é sucesso: creme de espinafre.
Creme Verde para o Jack  (serve 2 pessoas)
Ingredientes:
  • 300g de espinafre fatiado congelado
  • 3 xícaras de chá de leite
  • 4 colheres de sopa de manteiga
  • 4 colheres  de sopa de farinha de trigo
  • Noz-moscada ralada na hora
  • Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Modo de Preparo:

  1. Leve uma panela média com a manteiga ao fogo baixo. Quando derreter, junte a farinha e mexa bem por 2 minutos, até ficar levemente dourada.
  2. Adicione o leite gelado de uma só vez e mexa vigorosamente com um batedor de arame para não empelotar. Quando a mistura de farinha dissolver, aumente o fogo para médio. Tempere com noz-moscada e cozinhe, sem parar de mexer, até engrossar, cerca de 10 minutos.
  3. Acrescente o espinafre congelado e mexa para que os cubos derretam e o creme fique uniforme. Tempere com sale pimenta.
  4. Cozinhe em fogo médio, sem parar de mexer, por mais ou menos 10 minutos.

PS: Vocês já viram o filme? Devo assistir?

Salada Encantada

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Quem não cresceu ouvindo contos de fada? Cinderella, Chapéuzinho Vermelho, Branca de Neve, Rapunzel, toda menina já fingiu ser uma delas (ou todas) na infância e é por isso que eu fiquei empolgada para ler “Bitter Greens” da Kate Forsyth, que entrelaça a história verídica de Charlotte-Rose de la Force, uma aristocrata francesa, com a fábula de Rapunzel, no livro chamada de Marguerita, e da fictícia bruxa Selena.

No livro, as três narradoras se revezam: Charlotte-Rose é banida por Luís XIV para um convento e dentro de seu período lá, faz amizade com uma das freiras, Irmã Serafina. Charlotte-Rose é aspirante a escritora e desde pequena é considerada uma independente e selvagem demais para os padrões da época. Ao chegar no convento ela está inconsolável por causa de um amor perdido, mas com o passar do tempo e com a assistência de Irmã Serafina, sente-se melhor. Marguerita, no seu aniversário de sete anos, é arrancada de seu lar pela bruxa Selena,  chamada de La Bella Strega, em troca de um punhado de hortaliças, e levada para uma vida de isolamento em uma torre. Em seguida, voltamos no tempo para acompanhar a vida de Selena, como esta se tornou bruxa e as motivações das suas ações.

O que eu adorei nesse livro foi a mistura de ficção com realidade: personagens reais como Charlotte-Rose (tão interessante que quero ler mais sobre ela), Luís XIV e o pintor Tiziano, entre outros, trazem para a narrativa uma riqueza enorme, o que deve ser o resultado de uma pesquisa histórica bem extensa. Além disso, Forsyth consegue nos fazer empatizar com suas personagens, mesmo quando elas são vilãs e agem de maneira cruel ou egoísta. O livro é uma delícia de ler, passa rápido e tem cenas ótimas (especialmente no final, uma cena de Charlotte-Rose me fez gargalhar).

Como não poderia deixar de ser com um livro com esse nome, a receita de hoje é uma salada! Mas não é qualquer salada, não, é uma salada delícia especial que vai bem em qualquer dieta e ainda deixa você feliz: salada morna de rúcula, abobrinha e amêndoas. Uns verdinhos amargos de vez em quando caem bem 🙂

Salada de Abobrinha Encantada (serve 2 pessoas)

Ingredientes:

  • 3-4 abobrinhas médias ou grandes
  • 1/2 xícara de amêndoas torradas
  • 1 limão
  • um punhado generoso de rúcula lavada
  • sal, azeite e pimenta do reino

para o molho:

  • 1 pote de iogurte natural (eu uso o semi0desnatado)
  • 2 colheres de sopa mostarda dijon
  • mel a gosto

Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180 graus.
  2. Lave bem a abobrinha e então seque. Em seguida, em uma travessa antiaderente, corte as três abobrinhas, com casca mesmo, em tiras verticais com um mandolim. Pare de cortar quando chegar nas sementes. Arrume as tiras na assadeira e então regue com azeite e o suco de limão, tempere com sal e pimenta e coloque para assar entre 15 e 20 minutos.
  3. Em um pote, despeje o iogurte, a mostarda e o mel. Misture bem até fica homogêneo. Reserve na geladeira até a hora de servir.
  4. Corte as amêndoas rusticamente.
  5. Coloque a rúcula lavada e seca na saladeira. Retire do forno a abobrinha e jogue sobre o leito de rúcula, por cima jogue as amêndoas cortadas. Sirva com o molho.

 

Delicadeza oriental

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Nesse Natal ganhei de presente “Homens sem mulheres”, um livro de contos de um autor que é um xodó meu, Haruki Murakami  (já falei no blog de outros livros dele, “1Q84” e “O incolor Tsukuru Tazaki”). Todos os contos do livro são estudos de relacionamentos contados do ponto de vista masculino. Murakami é como sempre muito sutil e delicado, ele usa muita simbologia na sua narrativa e acaba criando pequenos mundos fantásticos em cada história. Essa habilidade do autor é sempre minha parte preferida dos seus livros, os personagens dele são quase um portal para um Japão fantástico onde gatos e jazz são parte integrante do dia-a-dia. No caso de “Homens sem mulheres”, eu adorei especialmente dois dos contos, “Habara” e  o que empresta nome ao livro “Homens sem mulheres”. Em “Habara”, a personagem Sherazade é tão interessante que eu fiquei meio triste quando o conto acabou. Em “Homens sem mulheres” me diverti com a honestidade e imagens lúdicas criadas pelo autor: fiquei pensando em unicórnios e marinheiros.

O estilo de Murakami é delicioso e sempre me inspira, por isso os os livros dele sempre acabam por aqui: a forma poética dele escrever sempre me faz pensar em comida! rsrs. Enquanto estava lendo “Homens sem Mulheres” eu pensei que desta vez eu queria um prato sofisticado e suave, mas complexo. Um prato que me desse a mesma sensação de ler Murakami e então me lembrei do risoto de abóbora assada. Não deu outra: casamento perfeito entre literatura e culinária. Para comer saboreando, sem pressa e de preferência com boa música e boa companhia.

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Um risoto delicado (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 2 xícaras de chá de arroz arbóreo
  • 750 g de abóbora japonesa em cubos
  • 15 folhas de sálvia
  • 1,5 l de caldo de legumes (se for usar cubos, dissolva apenas 2)
  • 1 cebola grande picada
  • 2 xícaras de chá de vinho branco seco
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 4 colheres de sopa de queijo parmesão ralado e mais um pouco para servir
  • sal e pimenta-do-reino a gosto

Preparo:

  1. Preaqueça o forno a 180ºC. Unte uma assadeira, de preferência antiaderente, com 1 colher de sopa de azeite.
  2. Lave a abóbora sob água corrente. Sobre uma tábua, descasque-a com cuidado e corte ao meio. Retire as sementes e as fibras e corte-a em cubos de 2,5 cm.
  3. Disponha os cubos de abóbora numa assadeira e regue com um pouco mais de azeite. Tempere com sal e pimenta-do-reino e polvilhe com as folhas de sálvia. Leve ao forno e deixe assar entre 40 e 50 minutos.
  4. Numa panela, coloque o caldo de legumes e leve ao fogo alto. Quando ferver, abaixe o fogo.
  5. Em outra panela, coloque 1 colher (sopa) de azeite e leve ao fogo médio. Quando aquecer, junte a cebola picada e refogue, mexendo bem, até ficar transparente. Acrescente o arroz e refogue por 2 minutos, mexendo sempre. Adicione o vinho e misture até evaporar. Acrescente 1 concha de caldo de legumes e mexa bem.
  6. Quando o caldo secar, adicione mais 1 concha e repita o procedimento até o risoto ficar no ponto ou até acabar o caldo.
  7. Verifique o ponto: o risoto deve ser cremoso, mas os grãos de arroz devem estar al dente, ou seja, um pouco durinhos. Porém, se ainda estiver muito cru, continue cozinhando por mais 1 minuto. Se for necessário, junte um pouco mais de caldo e mexa bem. Na última adição de caldo, não deixe secar completamente ou o resultado será um risoto ressecado.
  8. Junte a abóbora assada e os sucos que ficaram na assadeira e mexa bem. Por último, acrescente o queijo parmesão e misture bem. Sirva a seguir.

PS: Além disso, quando estava lendo me lembrei bastante de um documentário japonês muito interessante, “Jiro dreams of Sushi” que assisti outro dia no Netflix. Fica a dica!

Pão Nosso

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Estação Onze, da Emily St. John Mandel, acabou de entrar para a minha galeria de recomendações, daqueles livros que você quer falar para outros lerem, tanto que você fica até meio chato. É bom mesmo.

No livro, uma pandemia assola a Terra e devasta 99% da população mundial. Poucos são os que escapam com vida, e mesmo os que conseguem, tem que viver uma realidade nova, uma vida mais primitiva, onde reina a lei do mais forte. Mas a narrativa por também volta ao passado, mostrando alguns personagens-chave antes da catástrofe acontecer. Assim acompanhamos a história de vários deles, Jeevan, Arthur, Miranda, Clark e a protagonista Kirsten.

Kirsten, pós-pandemia, é uma atriz na Sinfonia Itinerante, uma trupe de músicos e atores que viaja pelos EUA se apresentando pelas cidades no caminho. Ela é atriz desde criança, desde antes da Gripe da Geórgia, e coleciona recortes sobre um ator que se apresentava com ela em Rei Lear e que morre em cena, Arthur Leander. É Arthur que dá para Kirsten sua posse mais preciosa, as revistas em quadrinhos “Estação Onze”, de autoria da ex-mulher dele Miranda.

Já Clark, antigo amigo de Arthur, fica preso no Aeroporto de Severn City e lá funda o Museu da Civilização, onde deposita objetos que já foram significativos mas agora são só memórias de um tempo passado. Lá estão iPhones, iPads, televisões, revistas, cartões de crédito, passaportes e até uma moto. Eletricidade, combustível e internet são sonhos distantes, com toques de surrealidade para os sobreviventes.

Eu adorei esse livro, me peguei pensando em o quanto das nossas vidas parece automatizado mas na verdade depende de outras pessoas. Televisão, internet, luz, ar-condicionado, banho quente, tudo isso é um tipo de mágica para quem vive isolado no meio do mato. Essas invenções maravilhosas da humanidade dependem de uma cadeia de trabalho incessante. De pessoas trabalhando todo dia. Sem isso a civilização cai como dominós. E a maneira como Mandel escreve é realista, mas também otimista. A própria Sinfonia Itinerante que ela criou é um testemunho de fé: enquanto houver arte, estamos salvos. Enquanto houver arte, somos humanos.

Então é claro que eu fiquei pensando no que eu mais sentiria falta de comer se o mundo como eu conheço acabasse (mentalidade de gordinho, eu sei). E a minha resposta foi um ressoante “PÃO”. Eu adoro todos os tipos de pão. Aqui em casa esse negócio de sem glúten não cola (eu respeito quem topa, só não consigo ir junto). Eu acho que eu ia sonhar com pãezinhos variados, bem quentinhos com uma manteiguinha. Por isso a receita de hoje é um pão fácil e rápido de fazer, o tipo mais provável de se fazer se uma calamidade acontecer, a Piadina. A piadina, eu aprendi no livro do Panelinha, é um cruzamento de massa de pizza com foccacia. É uma delicia quentinha com umas ervas em cima e um azeite do lado.

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Piadina da Estação Onze (faz 6 pães de mais ou menos 15cm de comprimento)

Ingredientes:

  • 1 1/2 xícara de chá de farinha de chia (ou farinha de trigo integral se você não tiver)
  • 1 1/2 xícara de chá de farinha de trigo e mais um pouco para enfarinhar a mesa
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 1/2 colher de chá de sal
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 1 1/4 xícara de chá de leite

Preparo:

  1. Numa tigela grande, junte a farinha, o sal e o fermento. Misture e abra um buraco no centro. Coloque o azeite bem no meio e vá esfregando a farinha com os dedos para misturar.
  2. Junte o leite em duas etapas e, com as mãos, misture bem, até formar uma bola. Transfira a massa para uma superfície de trabalho enfarinhada e sove por 3 minutos. No máximo!
  3. Enrole a massa para formar uma cobra e divida em 6 pedaços iguais. Cubra a massa com um pano de prato úmido (e não molhado, muito menos ensopado!).
  4. Coloque uma frigideira grande, de preferência de ferro, ou uma chapa, para aquecer em fogo alto. Abra um pedaço de massa com rolo de macarrão até ficar com cerca de 15 cm de diâmetro. Ou se quiser fazer ela mais compridinha, com 15cm de comprimento.
  5. Quando a frigideira estiver bem quente, coloque a massa e faça vários furos com um garfo; assim que o fundo começar a ficar com pintinhas escuras, uns 2 minutos, vire e deixe cozinhar por mais 2 minutos. Transfira para um prato e cubra com um pano de prato limpo, apenas para não esfriar, enquanto você faz as outras.

 

Projetos

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Com o ano novo, todos pensamos em nossos desejos e sonhos para o ano que vem a seguir, quais os projetos que gostaríamos de realizar. Pensei que era apropriado então falar na primeira semana do ano em um livro que fala de desse assunto. Então, O Projeto Rosie é o livro dessa semana.

Nele, Graeme Simsion fala de projetos e vontades. E também da imprevisibilidade da vida. O que me encantou no livro foi justamente como o autor mostrou que, mesmo para a pessoa mais prática, a beleza da vida está no inesperado. Planos e projetos são necessários e prazerosos, mas com frequência os momentos expontâneos são os mais memoráveis. E também que certas coisas simplesmente não dá para planejar.

Na trama, Don, um professor de genética portador da síndrome de Asperger, decide que está na hora de casar. Para isso ele começa o que ele chama de “Projeto Esposa”, uma busca sistemática e totalmente racional pela parceira ideal. Enquanto nessa busca, ele conhece Rosie, uma mulher que ele considera completamente inadequada para a posição de esposa, mas apesar disso ele decide ajudá-la no que ele denomina “Projeto Pai”. E daí por diante vocês podem imaginar o quê acontece, ou melhor ler.

Uma das coisas que eu achei muito bacanas do livro foi entender um pouco mais sobre pessoas que sofrem da Síndrome de Asperger, uma condição que faz com que essas pessoas tenham dificuldade de entender expressões faciais e figuras de linguagem, entre outras coisas, mas que podem ser savants em outras areas. No livro, Don se torna um expert em genética, artes marciais e coquetéis, e também aprende a cozinhar bem pratos que fazem parte do seu dia-a-dia para ter um cardápio perfeitamente balanceado. Tudo de acordo com uma lógica impecável. Além disso, o livro é um dos poucos romances contados do ponto vista masculino, o que eu achei uma mudança bacana.

Eu, quando li o livro fiquei sonhando com uma bela lagosta, mas infelizmente não consegui arranjar nenhuma para fazer minha primeira experiência. Então, como não tem cão caça com gato, comprei uma bela peça de salmão e o resultado foi tão bom que entrou para o nosso rol de pratos favoritos. A lagosta fica de projeto para esse ano!

O Salmão do Dr Don Tilman (serve entre 4 e 6 pessoas)

Ingredientes

  • 1 kg de salmão
  • 2 cebolas roxas
  • ervas de provence
  • pimenta rosa
  • azeite e sal
  • papel alumínio

Modo de preparo:

  1. Pré-aqueça o forno à 180 graus.
  2. Forre uma travessa grande, aonde o peixe caiba inteiro com o papel alumínio, deixando o bastante para “embalar” o peixe depois.
  3. Tempere o peixe com sal, azeite e as ervas de provence. Coloque na travessa.
  4. Corte as cebolas em rodelas finas e jogue por cima do peixe. Jogue a pimenta rosa por cima.
  5. Abaixe o peixe com o papel alumínio e coloque no forno. Deixe assar por volta de 30 minutos (pode ser um pouco mais ou até um pouco menos, depende da potência do forno, por isso preste atenção).

À espanhola

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Há tempos que “A sombra do vento”, do Carlos Ruiz Zafón, estava na minha pilha de livros. Mas eu sempre passava outro na frente, por um motivo ou outro. Até que um dia, trocamos olhares e lá fui eu para dentro da toca do coelho.

“A sombra do vento” conta a história de Daniel Sempere, que começa quando ele ainda é menino, e de Julian Carax, dois homens ligados por um livro que se chama também “A sombra do vento”. A narrativa começa quando Daniel tem onze anos. Um dia, ele que perdeu a mãe, acorda de noite sem conseguir lembrar-se do rosto dela. Então, seu pai, um livreiro respeitado de Barcelona, o leva até um local secreto chamado “O Cemitério dos Livros Esquecidos”, um labirinto de livros que esperam o leitor certo. Isaac Monfort, o responsável pelo cemitério, e seu pai dizem para ele escolher um livro e Daniel escolhe justamente “A sombra do vento” de Julian Carax.

O menino devora o livro e fica obcecado com seu autor, quer achar outros livros dele, saber mais sobre a vida de Julian. Porém, os livros de Carax estão desaparecidos e há pouco rastro sobre o mesmo. Mas um dia, um homem estranho e assustador o aborda querendo comprar dele o livro, ele diz se chamar Laín Coubert, o nome do diabo no livro de Carax. Daniel se recusa a vender seu bem mais precioso, mas sente um grande medo do homem.

Passam-se vários anos, Daniel, já com dezoito anos, trabalha na livraria do pai. Um dia ele recruta para ajudar na livraria um mendigo que ele sempre vê nas suas andanças pela vizinhança, Fermín Romero de Torres. Fermín, na minha opinião o melhor personagem do livro, torna-se muito amigo de Daniel e os dois juntos tentam resolver o mistério de Carax. Assim, Daniel segue uma trilha tortuosa até encontrar a história do seu ídolo, Carax. Uma história que acaba repercutindo no presente e inclusive nos amores de Daniel.

O melhor de “A sombra do vento” é a escrita divertida de Záfon, que é especialmente ótima no personagem de Fermín. Sem contar o maravilhoso tour de Barcelona que fazemos ao acompanharmos as andanças de Daniel. Vou confessar que o começo do livro é lento, demora a prender o leitor. Mas a insistência é recompensada depois com sobra. Quando estava lendo, ficava pensando nas tapas espanholas, aqueles milhões de pratinhos deliciosos. Mas depois achei que “A sombra do vento” é muito substancial para somente uma tapa, e pensei em uma paella. Mas isso também não me pareceu acertado, muito cheio de coisas demais. Então me lembrei das fritadas, essa delícia de omelete de batata, que é substancial mas não é pesada. Então, segue aí, uma fritada para o senhor Sempere!

Fritada para Sempere e Carax (serve duas pessoas)

Ingredientes:

  • 4 ovos
  • 1/4 de xícara de leite ou creme de leite
  • 2 a 3 batatas pequenas
  • 2 a 3 cebolas pequenas
  • 2 punhados grandes de tomates cereja cortados ao meio
  • 75g de queijo minas padrão ou queijo de cabra
  • endro ou erva-doce a gosto
  • azeite, sal e pimenta do reino

Preparo:

  1. Descasque e corte as batatas em círculos de mais ou menos 0,5cm de espessura, de preferência um pouco menos.
  2. Descasque e corte as cebolas em rodelas finas.
  3. Coloque no fogo uma frigideira de fundo grosso, e espere esquentar um pouco. Regue o fundo generosamente com azeite e então disponha as batatas pelo fundo, uma ao lado da outra, até cobrirem o fundo da frigideira inteiro. Deixe o fogo aceso em temperatura média.
  4. Bata os ovos com o leite e tempere com sal e pimenta até a mistura ficar homogênea.
  5. Despeje a mistura de ovos sobre as batatas. Espere um minuto e então adicione as cebolas e os tomates. Por último adicione o endro.
  6. Deixe cozinhar meio tampada em fogo baixo por quinze minutos.
  7. Agora é só servir!

Risoto para Lou Clark

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Eu já falei aqui há um tempo atrás de um livro da Jojo Moyes, “A garota que você deixou para trás”, mas hoje vou falar de dois livros dela, o conhecido “Como eu era antes de você” e sua sequência “Eu depois de você”. Eu adoro a Jojo Moyes, e acho que ao criar a personagem Louisa, a heroína desses dois livros, ela acertou em cheio.

Em “Como eu era antes de você”, Lou mora em uma pequena cidade da Inglaterra, onde a grande atração é um castelo que contém um labirinto. Essa propriedade é de uma família rica, os Traynor. Louisa, ou Lou como é chamada por sua família e amigos, fica desempregada no início do livro e acaba indo trabalhar para os Traynor em uma função inusitada para ela que era garçonete: cuidadora do filho tetraplégico do casal, Will. Mas Will não gosta muito de ter alguém “cuidando” dele e o relacionamento entre ele e Lou começa de forma bem difícil. Mas depois, conforme os dois se conhecem melhor, as coisas mudam bastante de figura.

Esse livro fala de assuntos complexos: morte, perda, suicídio, entre outras. Eu confesso que chorei horrores no final, mas eu sou manteigona, então isso não é tão anormal assim. Mas o grande trunfo da autora para mim é a própria Louisa. Lou não é uma beldade, não é genial, não é enfim tão diferente de um monte de mulheres que existem por aí. O que é importante em Lou é o seu coração enorme, e, mais tarde, a coragem de ser e amar plenamente. “Como eu era antes de você” é uma história de um primeiro amor devastador, mas também é a história de como alguém pode ajudar uma pessoa a ser mais do que ela sonhava. É por isso que é tão bonito e tão triste.

Já em “Depois de você” (que ainda não saiu aqui no Brasil, mas já tem o e-book em inglês na Amazon para quem é fominha igual a mim), Jojo retoma a trajetória de Louisa e seu caminho até encontrar o amor de novo, e reencontrar ela mesma. Agora que Lou tem que superar Will, ela está na fossa completa e sem saber para onde ir. Até topar sem querer com Sam, um paramédico de Londres, que também passou por momentos difíceis no passado. Além disso, uma pessoa inesperada aparece para bagunçar sua vida.

No final da choradeira desses dois livros, uma montanha russa de emoção, fica a lição da Jojo Moyes: não deixe a vida passar com você simplesmente acompanhando, não dá para viver sem assumir riscos. E como diz a ilustração desse post: seja a protagonista da sua história.

A receita de hoje é um prato para protagonizar noites de gala: risoto de pêra com gorgonzola. Meu marido é fera no risoto e esta receita foi testada e aprimorada com amor especial. Aproveitem!

Risoto de Pêra com Gorgonzola (para 4 pessoas famintas)

Ingredientes:

  • 2 xícaras de chá de arroz arbóreo
  • 250g de queijo gorgonzola picado
  • 3 pêras
  • 1 1/2 xícara de caldo de galinha (2 cubos)
  • 2 xícaras de vinho branco seco
  • 1 cebola picada em cubinhos (ou 1 1/2 se estiverem pequenas)
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • suco de 1/2 limão
  • pimenta do reino moída a gosto
  • queijo parmesão ralado a gosto

Preparo:

  1. Leve uma panela com o caldo de galinha ao fogo alto. Quando ferver, abaixe o fogo para o mínimo possível.
  2. Descasque as pêras e corte-as em cubinhos de um centímetro. Regue com o suco de limão para não escurecer.
  3. Em uma panela grande, coloque o azeite e leve ao fogo baixo. Quando estiver quente, adicione a cebola e mexa até ficar transparente. Aumente o fogo e adicione o arroz arbóreo.
  4. Na panela do arroz, adicione o vinho. Misture até evaporar.
  5. Após o vinho secar, coloque uma concha do caldo de galinha e mexa até secar. Repita a operação durante quinze minutos.
  6. Acrescente o gorgonzola e as pêras. Misture bem.
  7. Desligue o fogo, acrescente a manteiga sem misturar e tampe a panela durante alguns minutos.
  8. Tempere com a pimenta do reino e mexa bem.
  9. Sirva com o parmesão ralado por cima. E uma saladinha de rúcula para acompanhar!

Obs: Esta receita também fica uma delícia com queijo Brie!

 

 

Eu vejo flores

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No post de hoje vou falar de um livro que ainda não chegou aqui no Brasil, “The Flower Arrangement” da Ella Griffin. Esse livro é simplesmente uma graça, apesar de ter uma premissa um pouco triste: Lara, após perder um bebê, decide mudar de carreira e abre uma floricultura, a “Blossom & Grow”, apelidos dados a ela e ao irmão pelos pais quando os dois eram crianças.

O marido de Lara não dá muita força para o novo empreendimento, mas logo a loja se torna o salva-vidas de Lara, com as flores ajudando-a no seu processo de cura. Os clientes logo percebem que a dona da floricultura tem um jeito especial e a loja, apesar das dificuldades, é bem sucedida. Na loja trabalham Lara e uma assistente, mas seu irmão Phil também ajuda ocasionalmente (Phil é uma graça, gente!). A estória de Lara não é a única do livro, vemos também as vidas de outros personagens que cruzam o seu caminho em alguns capítulos. Inclusive, uma coisa muito fofa desse livro é que cada capítulo começa com o nome de uma flor e seu significado, que claro, tem tudo a ver com o conteúdo que vem a seguir.

Eu nunca tinha lido um livro da Ella Griffin, mas gostei bastante. Achei a escrita bonita e tocante, mas confesso que quando o livro terminou eu fiquei com a sensação de livro incompleto, como se estivessem esquecido o final. Tava tão perto, mas para mim não terminou bem, ficou faltando.  Eu gostei do livro, mas tem esse porém (tão avisados! Mas se alguém ler me fala se achou isso também ou se é da minha cabeça, please).

Depois de “The Flower Arrangement” , eu fiquei pensando em como as vezes as coisas simples servem para ajudar a curar, a mudar de perspectiva, como no caso de Lara em que o contato com as flores faz com que ela consiga carregar melhor sua perda. Eu fiquei pensando em como, quando eu estava viajando, escutar o CD da Gilberto Gil me levava de volta ao Rio e como o cheiro de pão de queijo me fazia sentir imediatamente melhor. O quê faz você se sentir melhor, te ajuda a reconectar e a recarregar? Para mim não tem nem mistério, como já falei é pãozinho de queijo mesmo! Então segue aí, essa receita bacana que eu achei lá no Moldando Afeto, que eu já falei aqui é um site delicioso.

Pãozinho de Queijo para Reviver (rende 80 pãezinhos! Receita do Gui Poulain)

  • 250 ml de água
  • 350 ml de leite
  • 250 ml de óleo de canola
  • 600 g de queijo minas meia cura
  • 1 colher (sopa) de sal
  • 1 kg de polvilho azedo
  • 6 ovos
  1. Rale o queijo, em ralo grosso, antes de começar. Reserve.
  2. Espalhe o polvilho sobre uma superfície, ou uma grande bacia. Molhe com 250 ml de água em temperatura ambiente. É isso que vai ajudar a hidratar o polvilho e o pão de queijo não ficar seco. Depois de esparramar a água, com as duas mãos vá sovando pra desmanchar todas as pedrinhas que se formam. O objetivo é voltar o polvilho ao original, mas que ele esteja úmido.
  3. Leve o leite ao fogo junto ao óleo. Assim que ferver desligue. Com esse líquido, regue novamente o polvilho, tomando cuidado pra não fazer muita bagunça! Aos poucos, com a mão mesmo, e tomando cuidado pois está quente, comece a misturar e sovar. É nessa hora que começa a tomar consistência de massa.
  4. Assim que estiver uma massa branca bem quebradiça, é hora de adicionar os ovos. Vá fazendo isso um a um, e sovando pra incorporar. É muito melequento mesmo! Por último junte o queijo ralado, e sove um pouco mais. A massa fica bastante grudenta. Varia um pouco com o clima: Se estiver seco e quente, provavelmente ela vai ficar no ponto. Se estiver chuvoso e mais frio ela deve fica mais grudenta e levemente mole mesmo, mas não tem problema. Se achar que está ficando muito mole, coloque um ovo a menos, se estiver muito seca, adicione um pouco de leite.
  5. Lave bem as mãos e passe um pouco de óleo nela pra fazer as bolinhas, e repasse mais óleo assim que observar que estiver ficando grudento. Como rendem muitos pãezinhos, pode ser uma boa congelar. Basta fazer todas as bolinhas, colocar uma ao lado da outra numa assadeira (não precisa dar muito espaço já que não vai ser assado e nem crescer) e levo ao freezer. Umas 2 horas depois retiro todas as bolinhas já duras e congeladas e coloco em saquinhos.
  6. Para assar: Tem gente que prefere assar em fogo baixo. Já o Gui recomenda (e funciona!) colocar o forno a 280º C, bem quente mesmo, previamente aquecido! Deixar por 20 minutos nessa temperatura e depois abaixar para cerca de 220º C por mais 10 minutos. Assim ele cresce bem, não resseca, fica levemente massudo com pedaços de queijo derretidos por dentro, e uma casquinha crocante e toda cheia de pintinhas alaranjadas do queijo que derreteu ali. Uma delícia para aquele lanchinho da tarde (pensamento de gordinho!).