All the crazy ladies

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“Alucinadamente feliz” da Jenny Lawson é um livro díficil de classificar: não é exatamente uma autobiografia, definitivamente não é um romance e também não é auto-ajuda. Então será que é comédia? Talvez. Jenny Lawson é uma blogueira americana (“The Bloggess”) e esse é seu segundo livro, no qual ela trata principalmente de temas como depressão e como criar os filhos com muito humor.

O nome do livro é uma hashtag que ficou muito famosa depois que Lawson a lançou. Ela conta logo no comecinho do livro (não é spoiler! Tá talvez seja um pouquinho spoiler) que criou essa expressão após a morte de um amigo, quando decidiu que mesmo com todos os problemas que existem ela escolheria ser “alucinamente feliz” (na expressão em inglês, furiously happy o quê traduz precisamente para furiosamente feliz) mesmo assim, ou como ela diz, só para contrariar. E o livro como todo então fala desses temas do jeito desbocado e irreverente da autora, que é assumidamente doida varrida.

As minhas duas coisas preferidas do livro foram a capa (tá, eu comprei o livro pela capa, mas gente, é um guaxinim empalhado!) e o fato de me fazer ver que quaisquer que sejam os meus problemas sempre vai ter alguém nesse mundão que tem os mesmos que eu, que eles (eu) não são tão especiais assim. Afinal de contas, se existem pessoas por aí que combatem as mesmas questões da Jenny, que são bem mais complicadas do que as minhas, então deve ter pessoas por aí que lidam com as mesmas questões que eu (bem mais elementares e todo dia). Então o livro tem esse mérito, de fazer o leitor ver a vida com uma perspectiva mais abrangente e que todo mundo tem problemas e defeitos, mas que tudo bem. Vocês já ouviram a máxima “de perto ninguém é normal”? Acho que se encaixa como uma luva aqui, mas no caso de Lawson deve dar para perceber a distância que ela não é exatamente “normal”, afinal, quantas pessoas que você conhece iriam passear na Austrália vestidos de canguru?

Talvez não seja uma associação muito bacana, mas quando estava lendo um dos capítulos do livro em que o marido de Jenny a entrevista, me lembrei muito da Sharon Stone em “Instinto Selvagem”. Fiquei pensando no pobre Victor (marido de Lawson) que as vezes acorda de madrugada e encontra a mulher tentando fazer seu gato montar um guaxinim empalhado ou algo do gênero, e por algum motivo veio na minha cabeça a imagem de Stone sentada na cadeira e pensei que a receita que tem a ver com essas mulheres meio doidas, mas fascinantes é uma que eu não fazia há anos: blondies. Blondies são primos dos brownies, tem as mesmas características mas ao invés do chocolate, os blondies ficam com um gosto mais caramelado, já que não levam cacau na massa. Ficam uma delícia com sorvete e são tão deliciosos que é impossível comer só um.

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Crazy Blondies (adaptado do blog Smitten Kitchen)

Ingredientes:

  • 115g de manteiga
  • 240g ou 1 xícara de açúcar mascavo
  • 1 ovo grande ou dois ovos pequenos
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 1 pitada de sal
  • 125g ou 1/2 xícara de farinha de trigo
  • opcional: nozes e/ou chocolate picado

Modo de Preparo:

  1. Unte uma assadeira de 20 x 20cm e pré-aqueça o forno a 180 graus.
  2. Derreta a manteiga e então misture com o açúcar. Tem que ser açúcar mascavo, senão o sabor não fica com o toque caramelado que caracteriza os blondies. Misture até ficar homogêneo.
  3. Adicione o ovo e a baunilha e misture até integra-los à massa.
  4. Por último adicione o sal e a farinha e, se for colocar, as nozes ou chocolate. Misture até que homogêneo.
  5. Despeje na assadeira e asse de 20 à 25 minutos, dependendo da potência do forno. Sirva ainda quentinho!

 

 

 

 

Harry Potter e a criança amaldiçoada

potter-webPessoal, quando fui escrever esse post me toquei que eu nunca (NUNCA!) falei aqui no blog dos livros do Harry Potter e eu simplesmente não a-cre-di-to. Eu amo Harry Potter, mesmo sendo meio velha demais para proclamar que o bruxo órfão fez parte da minha infância.

Então vocês podem imaginar que, há uns meses atrás quando eu vi que tinha mais um Harry Potter, eu nem pensei duas vezes e já cliquei naquele botãozinho maligno da Amazon. Quando enfim “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” chegou lá em casa, meu marido disse a seguinte frase: “Ferrou, o Harry Potter levou minha mulher.” Ele estava certo, claro, mas para a nossa felicidade domiciliar (e de outros interessados), deixo logo claro que o livro parece grande mas, na verdade, lê ligeirinho pois tem o formato de peça de teatro e letras para míope nenhum botar defeito. E… vamos ao que interessa, a história: o foco da narrativa é passado para o filho mais jovem de Harry, Albus Severus (pobre, pobre criança) e seu melhor amigo, Scorpius Malfoy (filho da nemêsis de Harry, Draco). Os dois então se envolvem em uma trama que gira em torno de um “Vira-Tempo (eu li em inglês, então traduzi assim)” e da morte do Cedric Diggory que acontece em “Harry Potter e o cálice de fogo”, e a partir daí vemos realidades diferentes que poderiam ter acontecido caso os personagens tivessem feito escolhas diferentes.

Eu sou ZERO fã desse tipo de história vai e volta, pessoal. Não curto mesmo, então claro fiquei meio decepcionada quando vi que o livro ia girar em torno desse mote e por isso não achei o livro no mesmo nível do resto, mesmo porque não foi escrito pela J. K. Rowling, mas teve sim a colaboração dela. Dito isso, Harry Potter tem o meu amor eterno e sempre lerei o bruxinho. Enfim, gostei dos personagens novos, mas como o livro na verdade é o roteiro de uma peça, os personagens não são tão desenvolvidos quanto no resto da saga -nós não vemos tanto o raciocínio e as emoções dos personagens, pois isso ficará para a performance dos atores. Mas o que é uma delícia mesmo é voltar para o universo construído pela autora: o trem mágico, aprender com uma varinha de condão (Levio-sa) e jogar quadribol. Imagina! Até hoje abro a minha caixa de correio na expectativa distante da minha carta de aceitação para Hogwarts chegar (só um pouco) atrasada. rsrs.

Eu me lembro de, séculos atrás, quando li o primeiro “Harry Potter”, pensar que suco de abóbora era uma coisa muito esquisita para  acompanhar a comida, uma opinião que mantenho até hoje. Imagino que a J. K. Rowling tenha criado essa esquisitice por causa do imaginário popular em torno do Halloween, onde as abóboras são grandes participantes. Então queria fazer uma receita de abóbora mas que tivesse um docinho, e me lembrei das deliciosas tortas de abóbora que comi quando estava de intercâmbio e busquei essa receita do Jamie Oliver, que é uma delícia mas confesso que me fez suar a camisa!

Hogwarts Pie (do livro do Jamie Oliver)

Ingredientes:

  • 500 g de massa folhada pronta
  • 1 abóbora grandes (cortada em cubos e com sementes reservadas)
  • 1/4 de colher de chá de noz moscada
  • 1/4 de colher de chá de gengibre
  • 1/4 de colher de chá de canela
  • 4 colheres de sopa de açúcar refinado
  • 6 colheres de sopa de “maple” ou mel
  • 3 ovos grandes
  • 200 ml de chantilly

Modo de preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 200ºC. Espalhe a massa folhada na espessura próxima a de uma moeda. Disponha a massa numa forma de fundo falso com cerca de 20 centímetros de diâmetro e leve-a ao forno por 20 minutos. Retire e reserve.
  2. Coloque a abóbora numa assadeira. Polvilhe a noz moscada, gengibre e canela e regue com o “maple” ou mel. Cubra com uma dupla camada de papel alumínio e leve ao forno por 45 minutos. Retire quando estiver macia. Diminua a temperatura do forno para 180ºC.
  3. Permita que os pedaços de abóbora resfriem, depois retire-os do forno. Rale a abóbora e adicione o “maple”. Leve os pedacinhos ao processador até obter uma consistência homogênea. Transfira para uma vasilha. Adicione o açúcar e os ovos e misture bem.
  4. Coloque a mistura na forma com a massa folhada e leve ao forno por 45 minutos. Enquanto isso, limpe os fiozinhos das sementes da abóbora, seque-os e depois reserve. Salpique o açúcar sobre as sementes e leve-as ao forno por 10 minutos ou até deixá-las crocantes.
  5. Remova a torta do forno. Disponha as sementes sobre ela, depois de resfriá-las. Sirva com sorvete!

 

Harry Potter and the Cursed Child”

Autor: John Tiffany & Jack Thorne

Editora:  LITTLE BROWN-UK

352 páginas

 

Do fundo do baú

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Queridos amigos internéticos, eu andei meio sumida porque estava num momento pessoal complicado (me sentindo dentro de um episódio de Grey’s Anatomy :p) e não estava dando conta de escrever. Para dizer a verdade, inspiração não aparecia nem na cozinha nem no teclado. Mas agora estou, graças a Deus, quase de volta à programação normal e bola para frente! (Rá, quantos clichês eu consegui colocar nessa frase, hein? É que eu tô correndo atrás da inspiração ainda, perdoem!).

Tem uns livros que caem como uma luva em certos momentos, né? Foi assim comigo e “Nu, de Botas” do Antonio Prata. Estava eu lá meio jururu, passando por uma situação familiar dessas que parecem um harumaki de stress enrolado em nervosismo com recheio de peloamordedeus, quando lindo e despretensioso esse livro chegou na minha casa e me ajudou a respirar mais leve.

Crônicas parecem fáceis de escrever, mas são daqueles textos capciosos, onde você tem que ter a mão na medida certa, e, vou te contar, que esse tal de Prata tem, e tem para dar e vender. Não teve um só capítulo desse livro que não fosse cheio de humor e inteligência. Eu, sentada no banco do hospital rindo parecia impossível mas foi exatamente o que aconteceu (inserir aqui a cara incrédula do meu tio), porque quem ler essas páginas e não se lembrar da sua infância é de outro planeta. É sempre bom ser criança de novo um pouquinho, especialmente em alguns momentos.

Cada texto de Prata aborda um episódio de sua infância: como eram as viagens de carro para a casa dos avós, as competições por popularidade de pré-escolar, aquela inabilidade total de lidar com o primeiro “crush” correspondido, a completa falta de tato que só existe quando você ainda não tem nenhuma maldade e muito mais. Dou um prêmio para quem ler “Mau menino” com cara séria até o final (ó, só pra deixar claro, o prêmio é figurativo, tá? E para falar a verdade nem sei seria um prêmio muito positivo…). Enfim, Nu, de Botas é um desses livros que eu vou levar comigo e que vou ser a chata falando: “você já leu esse? Você tem que ler!” para pessoas que não me conhecem na rua. Ou na internet. Rá.

Enfim, acho que já rasguei seda o suficiente. É claro que a receita do Nu, de Botas tinha que ter aquele quê de nostalgia, né? Eu, conversando com meu marido sobre o livro, contei para ele alguns episódios da minha infância, inclusive como quando eu era pequena eu chegava da escola, jogava minha mochila (linda, amarelo e laranja neon com um relógio enorme na frente -o auge da moda!) em cima do banco da cozinha e prontamente me sentava na bancada e tagarelava sem parar enquanto a Cidoca preparava o almoço. Eu AMAVA quando tinha pastel! Primeiro porque pastel é uma delícia, e segundo porque eu adorava que a Cida deixava eu fechar alguns deles com a pontinha do garfo, e eu achava aquilo o máximo dos máximos. Então vocês já sabem, a receita de hoje tem esse gostinho de memória. E quem nunca apertou massa de pastel com a pontinha do garfo vai descobrir os simples prazeres da vida (porque eu, até hoje, acho maravilhoso)! rsrs

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Pastel de Banana da Cidoca (faz de 4 a 5 pastéis)

Ingredientes:

  • 2 bananas nanicas
  • 150g de mussarela
  • 1/2 colher de sopa de açucar mascavo
  • 1/2 colher de chá de canela em pó
  • 8 folhas de massa para pastel (usamos a da Massa Leve)
  • óleo para fritar

Modo de Preparo:

  1. Corte as banana em rodelas e as fatias de queijo na metade e faça rolinhos de queijo com banana que caibam no meio da massa do pastel sem encostar nas bordas.
  2. Em uma tigela, misture o açúcar e a canela. Não precisa ser muito, é só para polvilhar por cima depois e dar aquele gostinho de sobremesa.
  3. Divida os recheio nas massas de pastel e feche com um garfo (é agora! rsrs).
  4. Frite em oleo quente e escorra em papel sobre papel toalha.
  5. Polvilhe com a mistura de açúcar e canela e sirva quentinho.

Nu, de Botas”

Autor: Antonio Prata

Editora: Companhia das Letras

140 páginas

Best-sellers


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Existem alguns livros que são aclamados por público e crítica, mas nem sempre eles merecem, não é? Mas o best-seller “O Rouxinol” da Kristin Hannah tem, de fato, merecimento.

O livro se passa na segunda guerra mundial, bem no momento que a França entra na guerra contra os nazistas, e conta a história de duas irmãs: Vianne, uma dona de casa casada que mora em uma pequena cidade no interior da França com seu marido e filha, e Isabelle, uma jovem impetuosa que foi expulsa de diversos colégios internos. As duas irmãs têm um relacionamento complicado entre si, pois tem personalidades opostas, e ainda pior com o pai, Julien, que não soube lidar com as filhas após a morte da esposa.

No começo da ocupação de Paris pelos alemães, Julien manda Isabelle para morar com a irmã que esta mais “segura”no interior. A moça passa por verdadeira saga até chegar lá, sendo que no meio do caminho, conhece Gaeton, um membro da Resistência Francesa. A presença pulsante de Isabelle na pacata vida de Vianne se torna ainda mais perigosa quando um capitão nazista decide se aquartelar na casa delas. Inesperadamente, o capitão se mostra um homem gentil e ele e Vianne estabelecem uma tênue trégua dentro da casa, especialmente depois que Isabelle parte para se juntar à resistência. O livro é narrado por uma das irmãs, mas até o final do história não se sabe qual das duas.

O que eu gostei no livro foi a tremenda ambientação que Hannah criou: para quem já foi à França, é fácil imaginar o vilarejo de Carriveau, suas ruas pitorescas, a propriedade bucólica de Vianne com sua horta, o que torna tudo terrível quando a cidade sofre com a chegada dos alemães, assim como é triste imaginar Paris destruída, os museus saqueados, as pessoas lutando para sobreviver, mas senti que entendia, pelo menos um pouquinho, das circunstâncias, por causa da vívida descrição da autora. Outra coisa que achei interessante é ver a guerra através da ótica feminina, como cada uma das irmãs usa suas armas e lida com suas deficiências em tempos tão duros, e fiquei admirada das corajosas mulheres que realmente lutaram na resistência contra os alemães. Confesso que no começo, achei o passo da narrativa um pouco lento, mas no final não conseguia mais parar de ler.

Por ser um livro que se passa na França, obviamente se fala bastante em comida. Vianne vive dando um jeito dela e Sophie, sua filha, não passarem fome, mesmo com as diminutas porções de comida que conseguiam arrumar. Mas quando eu pensei em uma receita que combinasse com o livro, queria uma que misturasse o doce e o salgado, as diferenças entre as duas irmãs, e queria que fosse bem francesa, mas que não fosse complicada de executar. Depois de um tempo pensando cheguei na resposta: crepe de brie com mel e amêndoas. Gente, comer crepe na rua em Paris é uma dessas coisas maravilhosas da vida, e é isso que eu gostaria que cada um sentisse quando comesse essa receitinha.

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Crepe a la Roussignol

Para a massa:

Ingredientes:

  • 1 ovo
  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 1 1/2 xícara de leite
  • 2 colheres de sopa de óleo
  • 1/2 colher de chá de sal

Modo de Preparo:

  1. No liquidificador, bata todos os ingredientes. Certifique-se de que não ficou farinha de trigo grudada na parede do copo do liquidificador.
  2. Unte com manteiga uma frigideira antiaderente. Leve ao fogo médio. Quando esquentar, coloque uma concha de massa e faça um movimento circular para que todo o fundo seja coberto.
  3. Com uma espátula, levante a pontinha da crepe para ver se está dourada. Quando estiver, vire de lado e deixe dourar o outro lado. Retire a panqueca da frigideira e coloque-a num prato. Repita esta operação até acabar a massa.

Para o recheio:

Ingredientes:

  • 180g de queijo brie
  • 1/2 xícara de amêndoas torradas e fatiadas rusticamente
  • mel a gosto

Modo de Preparo:

  1. Em um frigideira em fogo baixo, derreta o brie. Quando estiver mole mas não totalmente líquido, corte em três pedaços e coloque cada um no canto da quarta parte de uma massa já pronta.
  2. A seguir, regue com mel o queijo, mas não coloque demais pois você irá dobrar a massa. E por fim jogue um punhado de amêndoas torradas.
  3. Dobre a massa em quatro, formando um pequeno leque. jogue por cima mais algumas amêndoas e está pronto para servir 🙂

 

British o’clock

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“A Torre” é o livro de estréia do Daniel O’Malley, e é tão divertido e cheio de imaginação que é difícil de acreditar que é o primeiro dele. Eu ouso dizer que O’Malley escreveu um Harry Potter para adultos: um mundo sobrenatural secreto na Inglaterra, com foco em Londres, com uma heroína que, apesar de poderosa, começa sem saber nada de nada.

A narrativa acompanha a heroína Myfanwy Thomas, uma Torre do Checquy, alto membro do serviço secreto sobrenatural da Inglaterra. Só tem um detalhe: quando Myfanwy acorda, ela está cercada de corpos e não se lembra de nada, nem do seu próprio nome. Pelo menos seu antigo eu era pra lá de planejado e deixou para ela alguns bilhetes com instruções, porém o lado ruim é que alguém está tentando matá-la. Daí por diante, descobrimos junto com a personagem o assombroso mundo que O’Malley criou para o Checquy: vampiros, personagens que tem uma mente de colmeia, uma que consegue aparecer em sonhos e muito mais. Dá para ver que o autor se divertiu horrores inventando as esquisitices do livro, e mais ainda com sua personagem que tem bastante do senso de humor caustico britânico.

Além do humor delicioso, o livro fala bastante de como formamos nossa identidade. É muito interessante ver que a própria personagem não se considera a mesma pessoa que ela era antes de perder a memória. O tempo todo ela se refere a seu eu anterior na terceira pessoa, pois não se identifica como sendo ela. Já o personagem Gestalt, que aparenta ser quatro irmãos mas na verdade é uma personalidade só em quatro corpos, aborda a questão pelo outro lado: você pode parecer outra pessoa, mas se suas experiências permanecem as mesmas então você mantém o que te identifica como único. O que você faria se soubesse que ia perder a memória? Você mudaria alguma coisa? No caso de Myfanwy, o comportamento dela se altera bastante, pois as experiências da infância dela determinavam muito de sua personalidade anterior.Afinal, eu adorei e já quero o próximo.

Gente, quando decidi fazer o post desse livro eu pensei: e agora, qual receita? Queria que fosse um prato britânico, mas estava querendo uma sobremesa, então fui direto na guru de todas as gordices, a Nigella. E com ela achei o par da Torre: chocolate pudding! Gente não sei como traduz Pudding para português, alguém sabe? Não é pudim igual o Google jura que é, não. Anyway, segue aí!

Gordice delícia de chocolate para Myfanwy

Ingredientes:

  • 250 ml de leite integral
  • 125 ml de creme de leite
  • 60 gramas de açúcar refinado
  • 1 colher de sopa de maizena
  • 35 gramas de cacau em pó
  • 2 colheres de sopa de água recém fervida
  • 2 gemas grandes
  • extrato de baunilha 1 colher de chá
  • 60 gramas de chocolate amargo (finamente picado)

Modo de Preparo:

  1. Coloque a chaleira no fogo e aquecer o leite no microondas.
  2. Coloque o açúcar e a maizena em outra panela e peneira no pó de cacau. Adicione as 2 colheres de sopa de água fervente e bata até obter uma pasta.
  3. Bater as gemas, uma de cada vez, seguido por o leite aquecido e creme, em seguida, o extrato de baunilha.
  4. Raspe as laterais da panela e coloque cozinhando em uma temperatura média para baixa, mexendo por cerca de 3-4 minutos, até que a mistura engrosse e a consistência pareça de maionese.
  5. Tire do fogo e misture o chocolate picado finamente, antes de derramar em 4 pequenas taças ou copos, cada um com uma capacidade de cerca de 150ml.
  6. Cobrir as taças ou copos com filme plástico, deixando o filme encostar na superfície do chocolate para não formar pelinha, e refrigerar uma vez que estiverem mais frias.
  7. Certifique-se de que eles não estão completamente gelados quando for servir, para ficar com a consistência certa.
  8. Fica gostoso servido com morangos cortadinhos em cima 😉

A Torre”

Autor: Daniel O’Malley

Editora: LeYa

Traduzido para o português por: Santiago Nazarian

432 páginas

Opostos

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Resolvi ler “Golem e o gênio”, da Helene Wecker, por causa de uma recomendação no Goodreads (vocês participam? Me procurem por lá ;)) e fui surpreendida por uma história bem diferente do que eu estava esperando, a qual, admito, era bem mais clichê :p

O livro conta a história de Chava, uma golem -figura mítica hebraíca feita de barro para servir proteger um mestre, e Ahmad, um gênio do folclore árabe.Por coincidências do destino, Chava e Ahmad acabam indo parar em Nova York. O legal do livro é que ele contrasta esses dois seres fictícios de maneira esperta: uma é feita de barro, o outro de fogo, um é recém-criado pelo homem, o outro é milenar e um ser natural, a golem tem o instinto de servir, o gênio de usufruir. Esses opostos que, na teoria, os afastaria, são justamente o quê os aproxima. A solidão inevitável de ser diferente, de ser outro, é diminuída com a presença de alguém tão solitário quanto você.

Eu nunca tinha pensado muito em golens (golems?), e o pouco que tinha refletido sobre gênios vinha de “Jeanie, é um gênio”, mas me diverti bastante com o livro. A escrita de Wecker é bem fluída e, apesar de um ou outro momento em que achei o desenvolvimento meio arrastado, o livro prende o leitor. Eu me peguei imaginando como deve ser acordar para o mundo de um dia para o outro, como Chava, e também como o tempo pode parecer irrelevante quando se vive muitos anos, como Ahmad. Esses seres inumanos não compartilham das nossas necessidades de comida e sono, então eles vivem de forma ininterrupta. Imaginei uma vida sem cansaço, mas também sem muitos prazeres, onde tudo parece pequeno. Mas o que nunca muda é a necessidade de produzir algo, de trabalhar e sentir-se produtivo.

Na história, Chava trabalha em uma padaria. Sua energia inabalável a tornam uma máquina na cozinha! Meu sonho mais dourado 🙂 rsrs . Repetidas vezes ouvimos falar dos seus bolinhos de amêndoa, mas gente, procurei horrores uma receita e não achei. Maaas, achei no Moldando Afeto, essa receita aqui de amêndoas que parece MARA, mas ainda não tive tempo de testar. Então lá vai! Se alguém quiser testar antes e me falar, fico agradecida.

Bolo de Amêndoas para Chava (do site Moldando Afeto)

Ingredientes:

  • Para a massa:
  • 3 ovos
  • 150 g de açúcar cristal
  • 150 g de farinha de trigo
  • 125 g de farinha de amêndoas
  • 75 g de manteiga sem sal derretida
  • 1 colher de chá de extrato de baunilha
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 pitada de sal
  • raspas da casca de 1 limão + 2 colheres de sopa do suco
  • amêndoas em palitos

 

  • Para a calda:
  • 2 colheres (sopa) de manteiga
  • 2 colheres (sopa) de mel

Modo de Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180°C.
  2. Unte com manteiga uma forma redonda (uso uma de 20 cm), forre o fundo com um círculo de papel manteiga e unte-o também. Enfarinhe.
  3. Coloque os ovos, o açúcar e o extrato de baunilha na batedeira e bata cerca de 10 minutos ou até que a mistura fique bem volumosa, uma espuma clara e espessa.
  4. Incorpore com cuidado a farinha de trigo, o fermento, o sal, a farinha de amêndoas, a manteiga e as raspas e suco de limão, misturando de baixo para cima com uma espátula de silicone. Despeje a massa na forma preparada e alise a superfície. Espalhe as amêndoas em palitos sobre a massa.
  5. Asse o bolo por cerca de 35 minutos ou até que ele cresça e doure, fazendo o teste do palito.
  6. Faça a calda: Derreta a manteiga com o mel numa panelinha. Assim que estiver tudo misturado e derretido, está pronto. Retire o bolo do forno, deixe amornar uns 15 minutos. Desenforme, e ainda morno, pincele a calda sobre ele.

Hoje tem caramelo? Tem sim, senhor!

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Levei alguns livros comigo para viajar, dentre eles estava “O circo mecânico Tresaulti”, da Genevieve Valentine, pela editora Darkside. Confesso que esse livro eu comprei pela edição primorosa: capa dura linda e ilustrações caprichadas, num design de encher os olhos. Logo, comecei a leitura sem muitas expectativas, o que tornou o livro uma boa surpresa.

A história se passa em um mundo pós-apocalíptico, onde o conhecimento tecnológico foi devastado pela guerra. Nesse cenário desolado, um circo, repleto de pessoas mecânicas, tenta levar esperança para as cidades por onde passam. O circo é comandado por Boss, uma mulher de personalidade forte, e assombrado pelas vidas anteriores dos que viveram e ainda vivem na atração (quando eu digo assombrado, não digo literalmente, mas sim metaforicamente, ok?). O circo e Boss são tanto um trabalho como um refúgio, e as pessoas que ali estão sabem disso sem que nada precise ser dito a respeito. A história é contada de maneira fragmentada, alternando narradores com frequência e sem muita explicação, o quê gera uma certa estranheza no começo. Depois, Little George, o assistente de Boss e um dos poucos que não são mecanicamente alterados, se torna a voz principal, o que facilita o desenrolar da trama.

A autora usa os personagens do livro para questionar em nós justamente aquilo que, teoricamente, falta neles: nossa humanidade. O quê nos torna humanos? Quando abrimos mão da nossa humanidade (por ganância, medo, ambição), no que nos transformamos? Ser humano não é simplesmente possuir um corpo mamífero e polegares opositores, mas sim a habilidade de viver em comunidade, sonhar e compartilhar. Sozinho, o homem não evolui. Sozinhos, sem arte, amor, compaixão, somos infelizes. Enfim, foi nisso que esse livro me fez pensar. Nisso e nas noites que eu ia ao circo quando era criança. Confesso que não gosto muito de palhaços, mas adoro algodão doce, pipoca e maçã do amor. Foi inspirada nessa última nossa receita de hoje: crumble de maçã com calda de caramelo.

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Crumble a la Tresaulti (serve 6 pessoas)

Ingredientes:

Para o crumble:

  • 1 1/2 xícara de aveia em flocos finos
  • 100g de manteiga
  • 1 colher de sopa de farinha de trigo
  • 2 colheres de sopa de açúcar mascavo
  • 1/2 xícara de uvas-passas
  • 2 colheres de sopa de nozes picadas
  • 4 maçãs fuji ou maçãs verdes
  • caldo de 1 limão
  • 1 colher de sopa de manteiga para untar

Para a calda:

  • 1 xícara de chá de açúcar
  • 1/2 xícara de chá de água
  • 200 g de creme de leite

Modo de Preparo:

  1. Preaqueça o forno a 180°C (temperatura média).
  2.  Numa panelinha ou no microondas, derreta a manteiga.
  3. Numa tigela, misture a aveia, a farinha de trigo, o açúcar mascavo, as uvas- passas e as nozes. Junte a manteiga derretida e misture com as mãos até formar uma farofa. Reserve.
  4. Descasque e retire as sementes das maçãs, dividindo em duas metades no sentido do comprimento. Corte as metades em fatias, formando meias-luas. Conforme for cortando as maçãs, transfira para um prato fundo com o caldo do limão e molhe os dois lados de cada fatia(isso evitará que oxidem e escureçam).
  5. Unte uma fôrma refratária com manteiga e vá sobrepondo as fatias, todas no mesmo sentido, de modo a formar uma escama. Espalhe a farofa sobre as maçãs e aperte delicadamente. Cubra com papel-alumínio e leve ao forno por 10 minutos.
  6. Enquanto isso, numa panela, junte o açúcar com a água e misture com o dedo indicador, até dissolver. Cuide para o açúcar não grudar nas laterais da panela.
  7. Leve ao fogo médio e deixe cozinhar, sem mexer, por cerca de 10 minutos, até que fique com uma coloração âmbar.
  8. Desligue o fogo e, com cuidado para não se queimar, junte o creme de leite. Mexa vigorosamente com um batedor de arame.
  9. Retire o papel-alumínio e deixe assar por mais 5 minutos ou até que a crosta de aveia esteja dourada.
  10. Despeje cuidadosamente o caramelo sobre o crumble e sirva em seguida. Fica uma delícia com sorvete de creme 😉