Viagem interna

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No ano passado fiz um curso muito legal, uma Oficina de Contos, n’O Sítio, lá em Floripa, com a querida Milu Leite, e, em uma das aulas falamos sobre o livro desse post “Se um viajante numa noite de inverno” do Ítalo Calvino.

Gente, esse post é um desafio! Não sei como explicar o livro que esse louco italiano escreveu: um labirinto de estórias que desencontra em outro labirinto, levando o leitor por um caminho totalmente surpreendente. Te garanto uma coisa: você nunca leu um livro assim. Logo de cara, Calvino já brinca com o leitor e estabelece um relacionamento diferente entre o livro-objeto e você-leitor. O tom do livro é indulgente, cheio de humor, mas não se engane: esse livro é cheio de críticas e para lá de sagaz.

A história é a seguinte: o Leitor (você!) vai a uma livraria e compra o novo romance de Ítalo Calvino, “Se um viajante numa noite de inverno” (o seu livro!) e vai para casa começar a desfrutar de sua leitura, porém, logo quando você (ele!) está chegando na parte boa, livro é interrompido por… um livro diferente. É isso mesmo, no meio do livro aconteceu algum problema de edição e agora tem outra história ali (vai uma criticazinha mordaz ao mercado editorial aí, alguém?). Confuso, o leitor retorna a livraria e, em sua busca pela história perdida, conhece a Leitora. E a partir daí a narrativa se desenrola cada vez mais complexa e surpreendente, como Alice através da toca do coelho, vamos correndo atrás de histórias perdidas, autores esquecidos e línguas mortas. Calvino usa toda a sua habilidade e humor e o final vai te deixar sorrindo. Não é qualquer autor que conseguiria uma façanha como essa -minhas palmas para esse gênio italiano.

Para esse livro delicioso, queria uma receita italiana como seu autor. Algo me lembrasse a diversão e o afeto do autor pela literatura, paixões que transparecem na sua obra. Me lembrei do primeiro episódio do Chef’s Table com o brilhante chef Mássimo Bottura, onde ele conta como pensou no seu prato de tortellini: é tão lindo, tão cheio de calor humano. Quis pensar em um prato que me trouxesse essa mesma sensação, esse quentinho dentro do peito e o que veio foi: gnocchi. Então segue aí essa receitinha simples de gnocchi de ricota, que é divertida de fazer e melhor ainda de mangiare ❤



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Gnocchi de Ricota para leitores vorazes (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 450g ricota
  • 2 ovos
  • 1/2 xícara de queijo parmesão ralado fino (mais ou menos 50g)
  • 1/2 xícara de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de sal
  • 4 colheres de sopa de manteiga
  • queijo parmesão em lascas
  • folhas de manjericão a gosto para servir

Modo de Preparo:

  1. Coloque a ricota numa tigela grande e, com as mãos, quebre e esfarele em pequenos pedaços. Numa tigelinha separada, quebre os ovos, um de cada vez, e junte à ricota.. Adicione o queijo ralado e o sal e amasse bem com as mãos para misturar. Junte a farinha e amasse novamente, até formar uma massa lisa. Cubra com filme e deixe na geladeira por 15 minutos para firmar.
  2. Modele os gnocchis: com as mãos, separe uma porção da massa, enrole do tamanho de uma bola de gude e achate levemente. Transfira para uma assadeira e repita o mesmo processo com o restante da massa. Se preferir, faça rolinhos e, com uma faca, corte a cada 2 cm para formar os nhoques.
  3. Leve ao fogo alto uma caçarola média com água. Assim que ferver, adicione 1 colher de sopa de sal. Com uma escumadeira, mergulhe cerca de 15 nhoques por vez. Deixe cozinhar por mais 2 minutos depois que subirem à superfície. Pesque os nhoques cozidos com a escumadeira, escorrendo bem a água, e transfira para uma travessa. Cozinhe o restante e reserve 1 xícara da água do cozimento que mais tarde ela será utilizada para fazer o molho.
  4. Leve uma frigideira grande ao fogo médio. Quando aquecer, adicione 1 colher de sopa de manteiga e disponha metade dos nhoques na frigideira. Deixe por cerca de 2 minutos. Vire com uma espátula e deixe por mais 1 minuto para dourar por igual. Transfira para um prato e repita com a outra metade, adicionando 1 colher de sopa de manteiga a cada leva. Deixe eles bem douradinhos para ficarem crocantes!
  5. Mantenha a frigideira em fogo médio e adicione o restante da manteiga. Assim que derreter, regue com ½ xícara (chá) da água do cozimento. Desligue o fogo e mexa a frigideira, delicadamente, fazendo movimentos circulares até formar um molho liso – ao misturar com a espátula a gordura pode se separar do molho. Se desejar um molho mais ralo, adicione, aos poucos, o restante da água do cozimento e ligue o fogo novamente apenas para aquecer. Transfira para uma molheira.
  6. Sirva os gnocchis de ricota com o molho de manteiga, queijo parmesão em lascas e folhas de manjericão fresca a gosto. Se quiser também pode colocar umas lascas de amêndoas torradas que combinam muito bem.

Se um viajante numa noite de inverno”

Autor: Ítalo Calvino

Editora: Companhia das Letras

Traduzido por: Nilson Moulin

280 páginas

À italiana

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A autora misteriosa Elena Ferrante começa a sua saga napolitana com “A amiga genial”, a história das vidas entrelaçadas de duas amigas, Lila Cerullo e Elena Greco. No livro, acompanhamos a infância das duas no pós-guerra italiano, uma situação de pobreza e limitações, aonde a morte é um acontecimento corriqueiro.

As duas amigas são as meninas mais inteligentes da escola: enquanto Elena é esforçada e estudiosa, Lila é brilhante por natureza e sedenta por informações e conhecimento. A história, narrada por Elena, demonstra as complexidades da amizade feminina. Lila exerce sobre Elena (e sobre a maioria dos personagens também) uma atração irresistível, que a motiva mas também a faz competir com a amiga. E o interessante do livro é vermos como o impacto de Lila em Elena transforma a vida dela. Além disso, o livro fala bastante de família, oportunidades e preconceitos. É muito interessante vermos que os caminhos de vida das duas meninas começam a divergir quando a família de Elena decide apoiar seus estudos e a de Lila decide não o fazer. A partir daí, Elena começa a seguir por um caminho de esforço contínuo (incentivada sempre pela amiga e pelo medo de se tornar igual à mãe) para sair do local aonde mora, enquanto Lila se resigna a viver ali a vida que seus familiares traçaram para ela.

O grande trunfo desse livro é a escrita de Ferrante, que é fluída mas ao mesmo tempo feroz. Com isso quero dizer que várias vezes eu senti o impacto das palavras, as descrições muitas vezes me causaram uma reação física. Essa capacidade da autora de evocar sensações é realmente impressionante. Eu, quando li, pude entender muito bem o que dirige os personagens e acredito que isso é um mérito enorme da maestria de Ferrante. É um livro bom mesmo, minha única crítica é que a história termina abruptamente, obrigando você a ler o próximo livro imediatamente. Mas como já existe o outro livro, “História de um novo sobrenome”, isso não é um problema muito grande, não é?

Ao ler “A amiga genial”, você vai ser transportado para a Itália, para a vida do dia a dia de lá, repleto de tomates, azeites e temperos. Mas como na história os personagens vivem uma vida de pouco dinheiro, pensei que o prato tinha que ter algo a ver com isso. E então a resposta veio em seguida: panzanella! Essa salada italiana é deliciosa e ainda reaproveita aquele pão de ontem que você jogaria fora.

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Panzanella Genial (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 2 tomates maduros
  • 6 fatias de pão italiano amanhecido
  • 1 cebola-roxa
  • 1 pepino
  • 20 folhas de manjericão
  • 3 colheres de sopa de vinagre de vinho branco
  • 6 colheres de sopa de azeite
  • lascas de queijo parmesão a gosto
  • sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Modo de Preparo:

  1. Complete uma tigela média com água filtrada e junte 1 colher (sopa) de vinagre de vinho branco. Coloque as fatias de pão e deixe de molho até que amoleçam levemente, coisa rápida, 15 segundos – a não ser que esteja bem velhos! Retire da água e rasgue as fatias em pedaços pequenos, com as mãos. Reserve.
  2. Prepare os demais ingredientes: com um descascador ou faca para legumes, tire a pele e corte os tomates em cubos; descasque e corte a cebola em rodelas bem finas; corte o pepino também em fatias fininhas; e rasgue as folhas de manjericão.
  3. Transfira os ingredientes para uma saladeira e junte os pedaços de pão amolecido e as lascas de queijo parmesão. Regue com o azeite, o vinagre e tempere com sal e pimenta-do-reino – sempre moída na hora. Com duas colheres, os talheres de salada, misture delicadamente todos os ingredientes.
  4. Cubra com filme e leve à geladeira por 1 hora. Antes de servir, deixe em temperatura ambiente por 5 minutos e acrescente mais lascas de queijo parmesão.

A amiga genial”

Autora: Elena Ferrante

Editora: Biblioteca Azul

Traduzido por: Maurício Santana Dias

331 páginas

Do outro lado

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Eu estava super (SUPER) animada para ler “Destinos e Fúrias” da Lauren Groff, para vocês terem uma ideia, o Obama disse que foi o melhor livro que ele leu em 2015. Então assim que vi na livraria, comprei e comecei a ler.

O livro é dividido em duas partes: Destinos, a história do casamento de Lotto e Mathilde pelo ponto de vista de Lotto, e Fúrias, a mesma história mas pelo ponto de vista de Mathilde. Eu adorei essa ideia, afinal, casamento é muitas vezes a mesma história vista de formas completamente diferentes: quantos casais você já viu brigando por um motivo que seu respectivo não entende? Quantas vezes achamos que entendemos o outro, só para sermos surpreendidos depois? Achei que Groff demonstrou bastante habilidade na forma de costurar as duas histórias, quando entramos em “Fúrias” o livro cresce muito. Para ser honesta, eu gostei mesmo foi da segunda parte do livro: mais ágil e surpreendente. Mas acho que essa segunda parte só é possível por causa da primeira -mais lenta e bem mais cansativa de ler. Eu gostei do livro, achei interessante, mas honestamente não é mesmo um dos meus favoritos, nem mesmo dos que li recentemente, o sr. Obama que me perdoe. Mas é um livro interessante, bem escrito, com personagens complexos (mesmo que não muito gostáveis).

Bom, pensei em o que poderia ser um prato que refletisse a dicotomia de “Destinos e fúrias”, quebrei a cabeça mesmo. Até que no final, eu que ando meio obcecada por sopas (tá frio aqui no Rio de Janeiro, gente!), decidi fazer dois tipos diferentes de sopa. As duas são de legumes, quentinhas mas radicalmente diferentes em sabor. Então segue aí, um quentinho para celebrar os últimos dias de friozinho e para lembrar que nem sempre o que nós vemos no espelho é o que os outros vêem ao olharem para nós.

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Sopas para Lotto e Mathilde

Sopa de Cenoura e gengibre do Lotto

Ingredientes:

  • 5 cenouras picadas grosseiramente
  • 2cm de gengibre picado
  • ¼ de cebola picada
  • 1 colher (sopa) de óleo de gergelim cru (ou azeite ou óleo de girassol)
  • ½ colher (chá) de sal marinho
  • 4 xícaras de água

Modo de Preparo:

  1. Refogue a cebola com o óleo de gergelim ou no azeite.
  2. Adicione o gengibre, as cenouras e a água.
  3. Adicione o sal e deixe cozinhar por 20 minutos com a panela tampada.
  4. Bata no liquidificador com a água do cozimento até ficar bem cremosa.

Sopa de Couve-flor cremosa para Mathilde

Ingredientes:

  • 1/2 litro de leite (se o creme ficar muito grosso acrescentar mais 1/2 xícara de leite)
  • 4 colheres de sopa de manteiga ou margarina
  • 4 colheres de sopa rasas de farinha de trigo
  • 1 cebola média bem picada
  • 1 litro de caldo de frango (dissolver 1 tablete em outra panela, ferver e reservar)
  • 1 couve-flor média ou grande
  • 1 caixinha de creme de leite longa vida
  • Sal e pimenta-do-reino

Modo de preparo:

  1. Lave bem a couve-flor e separe as florzinhas dos talos mais duros. Cozinhe as flores em água salgada até que estejam macias e cozidas. Escorra e reserve.
  2. Coloque a manteiga em uma panela e acrescente a cebola picada. Leve ao fogo e refogue para que a cebola fique macia e transparente. Acrescente a farinha de trigo e misture bem. Coloque o leite aos poucos e misture bem para ficar um creme (se der alguma bolota não tem problema porque vai no liquidificador)
  3. Coloque a couve-flor cozida e misture até Ferver em fogo baixo, sempre mexendo. Acrescente o caldo de frango. Ferva novamente e retire do fogo.
  4. Deixe esfriar um pouco e bata no liquidificador para obter uma sopa cremosa. Leve novamente a panela acerte o sal e acrescente pimenta-do-reino, adicione o creme de leite e misture.

OBS: Ambas sopas podem (e devem) vir acompanhadas de um pãozinho quentinho 😉

OBS2: Quem agora tá superanimado com as Olímpiadas? Devo confessar que me contagiei e quero ir em vários eventos! Semana que vem vou tentar um post temático 🙂

Ah, me sugeriram que eu colocasse no final dos posts as informações dos livros, e eu achei uma ótima ideia (eu já devia fazer isso, não :P). Então aí vai!

Destinos e Fúrias”

Autor: Lauren Groff
Editora: Íntrinseca
Traduzido para o português por: Adalgisa Campos da Silva
368 páginas

Malandragem dá um tempo

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“É assim que você a perde” de Junot Diaz é um romance formado por contos. Estranho, não é? Uma estrutura nova que flui naturalmente, aonde os personagens permanecem na história, flutuando em idade, maturidade e compreensão. Acho que essa liberdade de Diaz ao escrever a história de Yunior é minha parte predileta do romance: o autor não se prende a fórmulas, mas vai contando a história de Yunior da maneira que mais faz sentido para o narrador, aonde o próprio personagem identifica o começo e o final de sua história e suas ações. Não entendeu? Lê, depois a gente conversa 🙂

O livro é narrado em primeira pessoa, em um tom de conversa, e por isso possuí muitas gírias e expressões típicas da comunidade latina que muitas vezes não são familiares ao leitor (pelo menos no meu caso), o que pode parecer confuso mas sem dúvida contribui muito para a linguagem do livro e na construção de Yunior como personagem. Os contos são os capítulos da vida amorosa de Yunior, que desde o começo deixa claro que “ele não é não é uma má pessoa (…), só uma pessoa cheia de falhas, mas no final uma boa pessoa.” E mesmo com a multidão de pecados que ele comete durante a narrativa, no final você tende a concordar com ele.

É verdade que as pessoas que nos cercam tendem a ter um poder formativo enorme em nossas vidas, e no livro Diaz traz isso a tona com a frequente menção de Yunior ao irmão, Rafa, mesmo após a morte deste, o irmão caçula tende a se espelhar no mais velho falecido e até justificar suas escolhas através dele. Mesmo quando reconhece os erros do irmão, muitas vezes não deixa de emular seu comportamento, o que várias vezes traz consequências péssimas para sua vida. Em “É assim que você a perde” você acompanha Yunior em uma longa lista de desastres amorosos, mas também percebe o quanto o personagem mulherengo é carente desse amor e atenção. E é por isso que o livro é tão bom.

Enfim, os personagens principais do livro são todos de origem dominicana e eu fiquei curiosa para saber qual é a comida típica de lá, já que ainda não conheço pessoalmente. E o que eu descobri, meu povo? Descobri que o negócio por lá é peixe com banana. E feijão. Mas a lâmpadinha que acendeu na minha cabeça só incluiu os dois primeiros, então aí vai: um atum em crosta de gergelim acompanhado por purê de banana -leve e delícia.

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Atum Malandro à moda Diaz

Para o peixe:

Ingredientes:

  • 600g de filé de atum
  • 2 claras
  • 100g de gergelim branco
  • 100g de gergelim preto
  • 80ml de azeite

Modo de Preparo:

  1. Ponha duas claras de ovos dentro de um recipiente e bata-as.
  2. Tempere as claras com sal e pimenta do reino e bata outra vez.
  3. Acrescente o atum e misture.
  4. Em outra vasilha, ponha um pouco de gergelim e envolva o atum com os grãos.
  5. Enrole o atum em um pedaço de papel filme para prender bem o gergelim.
  6. Enquanto isso, ponha um pouco de azeite na frigideira e deixe esquentar.
  7. Retire o papel e deixe fritar um pouco todos os lados do atum.

Para o purê:

Ingredientes:

  •  03 bananas maduras
  •  1/2 xícara de leite
  •  1/2 caixa de creme de leite
  •  01 colher de sopa de manteiga
  •  01 pitada de sal
  •  01 colher de sopa de queijo ralado

Modo de Preparo:

  1. Cozinhe as bananas com casca até que fiquem macias. Escorra, deixe esfriar e bata no liquidificador com o leite.
  2. Em uma panela, derreta a manteiga, misture o creme de banana e o sal.
  3. Apague o fogo, acrescente o creme de leite e o queijo ralado. Misture ligeiramente.

Opostos

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Resolvi ler “Golem e o gênio”, da Helene Wecker, por causa de uma recomendação no Goodreads (vocês participam? Me procurem por lá ;)) e fui surpreendida por uma história bem diferente do que eu estava esperando, a qual, admito, era bem mais clichê :p

O livro conta a história de Chava, uma golem -figura mítica hebraíca feita de barro para servir proteger um mestre, e Ahmad, um gênio do folclore árabe.Por coincidências do destino, Chava e Ahmad acabam indo parar em Nova York. O legal do livro é que ele contrasta esses dois seres fictícios de maneira esperta: uma é feita de barro, o outro de fogo, um é recém-criado pelo homem, o outro é milenar e um ser natural, a golem tem o instinto de servir, o gênio de usufruir. Esses opostos que, na teoria, os afastaria, são justamente o quê os aproxima. A solidão inevitável de ser diferente, de ser outro, é diminuída com a presença de alguém tão solitário quanto você.

Eu nunca tinha pensado muito em golens (golems?), e o pouco que tinha refletido sobre gênios vinha de “Jeanie, é um gênio”, mas me diverti bastante com o livro. A escrita de Wecker é bem fluída e, apesar de um ou outro momento em que achei o desenvolvimento meio arrastado, o livro prende o leitor. Eu me peguei imaginando como deve ser acordar para o mundo de um dia para o outro, como Chava, e também como o tempo pode parecer irrelevante quando se vive muitos anos, como Ahmad. Esses seres inumanos não compartilham das nossas necessidades de comida e sono, então eles vivem de forma ininterrupta. Imaginei uma vida sem cansaço, mas também sem muitos prazeres, onde tudo parece pequeno. Mas o que nunca muda é a necessidade de produzir algo, de trabalhar e sentir-se produtivo.

Na história, Chava trabalha em uma padaria. Sua energia inabalável a tornam uma máquina na cozinha! Meu sonho mais dourado 🙂 rsrs . Repetidas vezes ouvimos falar dos seus bolinhos de amêndoa, mas gente, procurei horrores uma receita e não achei. Maaas, achei no Moldando Afeto, essa receita aqui de amêndoas que parece MARA, mas ainda não tive tempo de testar. Então lá vai! Se alguém quiser testar antes e me falar, fico agradecida.

Bolo de Amêndoas para Chava (do site Moldando Afeto)

Ingredientes:

  • Para a massa:
  • 3 ovos
  • 150 g de açúcar cristal
  • 150 g de farinha de trigo
  • 125 g de farinha de amêndoas
  • 75 g de manteiga sem sal derretida
  • 1 colher de chá de extrato de baunilha
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 pitada de sal
  • raspas da casca de 1 limão + 2 colheres de sopa do suco
  • amêndoas em palitos

 

  • Para a calda:
  • 2 colheres (sopa) de manteiga
  • 2 colheres (sopa) de mel

Modo de Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180°C.
  2. Unte com manteiga uma forma redonda (uso uma de 20 cm), forre o fundo com um círculo de papel manteiga e unte-o também. Enfarinhe.
  3. Coloque os ovos, o açúcar e o extrato de baunilha na batedeira e bata cerca de 10 minutos ou até que a mistura fique bem volumosa, uma espuma clara e espessa.
  4. Incorpore com cuidado a farinha de trigo, o fermento, o sal, a farinha de amêndoas, a manteiga e as raspas e suco de limão, misturando de baixo para cima com uma espátula de silicone. Despeje a massa na forma preparada e alise a superfície. Espalhe as amêndoas em palitos sobre a massa.
  5. Asse o bolo por cerca de 35 minutos ou até que ele cresça e doure, fazendo o teste do palito.
  6. Faça a calda: Derreta a manteiga com o mel numa panelinha. Assim que estiver tudo misturado e derretido, está pronto. Retire o bolo do forno, deixe amornar uns 15 minutos. Desenforme, e ainda morno, pincele a calda sobre ele.

À primeira vista

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De vez em quando eu quero ler uma coisa fácil, para rir e ficar bem light. Da última vez que isso aconteceu, li “Desde o primeiro instante” da Mhairi MacFarlane. Esse livro, escrito para mulheres, é perfeito para aquele final de semana na praia, onde pensar pouco e rir muito são os objetivos.

O livro conta a história de Rachel, uma mulher na casa dos trinta que está prestes a se casar com o namorado que tem desde os tempos do colégio, mas se dá conta que não está apaixonada pelo noivo e então termina tudo. Em seguida, Rachel reencontra seu melhor amigo da faculdade, Ben, que é lindo, engraçado, legal e… casado. A história alterna entre passado e presente, entre os diferentes momentos do relacionamento dos dois.

O que eu gostei foi do jeito leve da escrita de MacFarlane: as situações, embora as vezes clichê, são engraçadas e o relacionamento de Rachel com os melhores amigos é um ponto alto. O livro me relembrou a época da faculdade, de festas, cervejas e risadas. Ficar acordado até tarde e não ter que trabalhar no dia seguinte, reclamar de provas e encontrar o primeiro amor. Quem não tem saudade desses momentos?

No livro, uma cena importante se passa em um restaurante mexicano e por isso pensei que o par perfeito dessa história teria que ser um delicioso guacamole. Um prato leve, mas cheio de sabor, que lembra noites de primeira rindo com os amigos e cerveja gelada.

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Guacamole Amigo (serve até 6 pessoas)

Ingredientes:

  • 1 abacate
  • 1 tomate picado sem sementes
  • 1/2 pimentão vermelho picado
  • 1 pimenta-dedo-de-moça picada
  • 1/2 xícara de chá de coentro picado
  • 1 cebola pequena
  • 2 a 3 dentes de alho
  • suco de 1 limão
  • sal a gosto

Modo de Preparo:

  1. Amasse os dentes de alho descascados no espremedor de alho, ou corte em cubinhos e depois frite na frigideira até dourar. Reserve.
  2. Pique a cebola em cubinhos pequenos e regue com limão para tirar a acidez.
  3. Com uma faca, corte o abacate ao meio e retire o caroço. Com a ajuda de uma colher, retire a polpa e coloque numa tigela.
  4. Adicione todos os ingredientes picados à tigela com o abacate e misture bem. Tempere com o suco de limão e sal. Sirva com nachos (eu ❤ Garytos).

Hoje tem caramelo? Tem sim, senhor!

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Levei alguns livros comigo para viajar, dentre eles estava “O circo mecânico Tresaulti”, da Genevieve Valentine, pela editora Darkside. Confesso que esse livro eu comprei pela edição primorosa: capa dura linda e ilustrações caprichadas, num design de encher os olhos. Logo, comecei a leitura sem muitas expectativas, o que tornou o livro uma boa surpresa.

A história se passa em um mundo pós-apocalíptico, onde o conhecimento tecnológico foi devastado pela guerra. Nesse cenário desolado, um circo, repleto de pessoas mecânicas, tenta levar esperança para as cidades por onde passam. O circo é comandado por Boss, uma mulher de personalidade forte, e assombrado pelas vidas anteriores dos que viveram e ainda vivem na atração (quando eu digo assombrado, não digo literalmente, mas sim metaforicamente, ok?). O circo e Boss são tanto um trabalho como um refúgio, e as pessoas que ali estão sabem disso sem que nada precise ser dito a respeito. A história é contada de maneira fragmentada, alternando narradores com frequência e sem muita explicação, o quê gera uma certa estranheza no começo. Depois, Little George, o assistente de Boss e um dos poucos que não são mecanicamente alterados, se torna a voz principal, o que facilita o desenrolar da trama.

A autora usa os personagens do livro para questionar em nós justamente aquilo que, teoricamente, falta neles: nossa humanidade. O quê nos torna humanos? Quando abrimos mão da nossa humanidade (por ganância, medo, ambição), no que nos transformamos? Ser humano não é simplesmente possuir um corpo mamífero e polegares opositores, mas sim a habilidade de viver em comunidade, sonhar e compartilhar. Sozinho, o homem não evolui. Sozinhos, sem arte, amor, compaixão, somos infelizes. Enfim, foi nisso que esse livro me fez pensar. Nisso e nas noites que eu ia ao circo quando era criança. Confesso que não gosto muito de palhaços, mas adoro algodão doce, pipoca e maçã do amor. Foi inspirada nessa última nossa receita de hoje: crumble de maçã com calda de caramelo.

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Crumble a la Tresaulti (serve 6 pessoas)

Ingredientes:

Para o crumble:

  • 1 1/2 xícara de aveia em flocos finos
  • 100g de manteiga
  • 1 colher de sopa de farinha de trigo
  • 2 colheres de sopa de açúcar mascavo
  • 1/2 xícara de uvas-passas
  • 2 colheres de sopa de nozes picadas
  • 4 maçãs fuji ou maçãs verdes
  • caldo de 1 limão
  • 1 colher de sopa de manteiga para untar

Para a calda:

  • 1 xícara de chá de açúcar
  • 1/2 xícara de chá de água
  • 200 g de creme de leite

Modo de Preparo:

  1. Preaqueça o forno a 180°C (temperatura média).
  2.  Numa panelinha ou no microondas, derreta a manteiga.
  3. Numa tigela, misture a aveia, a farinha de trigo, o açúcar mascavo, as uvas- passas e as nozes. Junte a manteiga derretida e misture com as mãos até formar uma farofa. Reserve.
  4. Descasque e retire as sementes das maçãs, dividindo em duas metades no sentido do comprimento. Corte as metades em fatias, formando meias-luas. Conforme for cortando as maçãs, transfira para um prato fundo com o caldo do limão e molhe os dois lados de cada fatia(isso evitará que oxidem e escureçam).
  5. Unte uma fôrma refratária com manteiga e vá sobrepondo as fatias, todas no mesmo sentido, de modo a formar uma escama. Espalhe a farofa sobre as maçãs e aperte delicadamente. Cubra com papel-alumínio e leve ao forno por 10 minutos.
  6. Enquanto isso, numa panela, junte o açúcar com a água e misture com o dedo indicador, até dissolver. Cuide para o açúcar não grudar nas laterais da panela.
  7. Leve ao fogo médio e deixe cozinhar, sem mexer, por cerca de 10 minutos, até que fique com uma coloração âmbar.
  8. Desligue o fogo e, com cuidado para não se queimar, junte o creme de leite. Mexa vigorosamente com um batedor de arame.
  9. Retire o papel-alumínio e deixe assar por mais 5 minutos ou até que a crosta de aveia esteja dourada.
  10. Despeje cuidadosamente o caramelo sobre o crumble e sirva em seguida. Fica uma delícia com sorvete de creme 😉

Cheirinho de romance

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Em homenagem ao Dia dos Namorados que acabou de passar, hoje o post é sobre um livro bem romântico, “The little Paris bookshop” da Nina George. Infelizmente, o livro ainda não foi lançado em português, mas o e-book em inglês está aqui na Amazon.

O livro conta a história de Jean Perdu (traduzido literalmente, João Perdido), o que é emblemático do personagem que perdeu a mulher de sua vida, Manon, e desde então se fechou para o mundo. Em contraste com seu fechamento pessoal, Perdu trabalha como um Apotecário Literário em sua livraria flutuante nas margens do rio Sena: ali os leitores recebem indicações dos livros que vão ajudá-los naquele momento, como se fossem remédios (eu ADOREI essa idéia). Jean Perdu é ótimo em ler as necessidades dos outros, mas não consegue fazer o mesmo consigo próprio. Até que o destino o obriga, ao levar para a sua porta Catherine e para sua livraria Max. Não quero falar mais da sinopse para não estragar, tá? Sem spoilers aqui 😉

Esse livro é um livro romântico diferente: primeiro porque os protagonistas não são jovens em busca do amor ideal, mas sim adultos maduros procurando um relacionamento verdadeiro. Segundo porque o livro mostra como o amor pode ter várias formas e como é precioso demais para deixarmos passar sem tentar o máximo fazer dar certo. Além disso, os personagens são interessantes e a escrita é sensível. Um livro bem gostoso para ler e lembrar de aproveitarmos o amor todos os dias (e não só no dia dos Namorados!).

No final do livro tem uma seção com várias receitas que um dos personagens prepara na narrativa e fiquei realmente doida para provar o sorvete de lavanda, mas ainda não pude experimentar. Então, desafio: alguém aí se habilita a fazer e me contar no que dá? Instruções abaixo.

Sorvete de Lavanda (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 1 a 2 colheres de chá de lavanda seca ou 2 a 4 colheres de chá de flores de lavanda, mais algumas flores para decorar
  • 200g de açúcar
  • 120ml de leite fresco
  • 8 gemas
  • 225ml de creme de leite (ou iogurte se você preferir mais light)
  • 1 punhado de blueberries (opcional)

Modo de Preparo:

  1. Em uma recipiente pequeno, misture a lavanda com o açúcar, e passe por uma peneira até você obter um pó fininho. Dissolva o pó de lavanda no leite até que os cristais não sejam aparentes (talvez seja preciso esquentar a mistura um pouco, mas NÃO deixe ferver).
  2. Em uma tigela separada, bata as gemas com o creme de leite (ou iogurte) e misture até homogêneo. Adicione o leite de lavanda à mistura de gemas e misture bem.
  3. Se for usar as blueberries, bata-as até transformá-las em um purê e então adicione à mistura de lavanda.
  4. Se você não tiver uma sorveteira, leve o creme batido ao recipiente da batedeira, bata rapidamente em velocidade baixa e leve ao freezer. Deixe por cerca de uma hora, tire e bata mais um pouco. Repita esse procedimento até que o sorvete fique na consistência desejada.

Tudo junto, misturado

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Alguns livros são mesmo produto do nosso tempo, pegam um pout-pourri de referências atuais: crianças e jovens com poderes fora do normal (Harry Potter), um romance complicado para o protagonista adolescente (Jogos Vorazes), um mundo que corre perigo por causa de personagens malignos/mal-intencionados (Divergente). “O orfanato da Srta Peregrine para Crianças Peculiares”, de Ransom Riggs se encaixa nesses parâmetros com perfeição e, apesar de recorrer a clichês do gênero, é um livro divertido (e vai até ter filme dirigido pelo Tim Burton!).

O que eu achei interessante no livro foi o fato de abordar a loucura: o protagonista sofre ao achar que está enlouquecendo e que sua imaginação está criando coisas horríveis por causa de um trauma. Gostei de o autor trazer essa preocupação para a narrativa: a realidade é diferente para cada um, e algumas coisas podem ser interpretadas de forma completamente díspar entre pessoas próximas ou até da mesma família.

O protagonista, Jacob, é fascinado pelo avô Abraham, conhecido como Abe, que desde pequeno o encanta com suas histórias sobre o orfanato fantástico onde viveu depois da guerra, as quais conta como se tivessem realmente acontecido. Ao ficar mais velho, Jacob não acredita mais nas “fantasias” do avô, mas ainda assim sente com ele uma grande afinidade. Não é então que, de repente, por uma série de circunstâncias, Jacob acaba indo parar justamente no tal orfanato, que não é que existe mesmo?! Lá só habitam pessoas peculiares, a começar pela própria Srta Peregrine, a diretora do lugar. Os personagens que vivem no orfanato são bem loucos (eu não li ainda a série Percy Jackson, mas vi algumas cenas na TV e senti que havia nesses personagens alguma semelhança), um menino invisível, uma menina que domina o fogo, outra que flutua e por aí vai. Não curti muito os vilões do livro; achei meio sem pé nem cabeça o porquê deles perseguirem os peculiares, mas vá lá. Enfim, o livro é divertido e bem rapidinho de ler, bom para se divertir sem compromisso.

Ao pensar em um prato que pudesse acompanhar o livro, lembrei de uma tortinha ratatouille que é uma delícia: combina vários legumes diferentes em um lugar só, igual a Srta Peregrine faz com as crianças em seu orfanato. Aqui é uma festa de sabores em uma tortinha que vai bem como entrada ou acompanhamento para o prato principal.

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Torta Ratatouille para a Srta Peregrine (serve de 4 a 6 pessoas)

Ingredientes:

Para a massa:

  • 100 g de manteiga gelada
  • 1 1/4 de xícara de chá de farinha de trigo
  • 1 ovo
  • 1 colher de chá de sal

Para o recheio:

  • 1 berinjela pequena
  • 1 abobrinha média
  • 3/4 de xícara de chá de tomate cereja
  • 1 talo de alho-poró sem as folhas verdes
  • 1 pimentão amarelo
  • 1 cebola média
  • 4 dentes de alho
  • sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto
  • 8 colheres de sopa de azeite

Modo de preparo:

  1. Numa tigela grande junte a farinha com o sal e misture. Corte a manteiga em cubos e transfira para a tigela. Com a ponta dos dedos, misture até formar uma farofa, sem dissolver completamente a manteiga – isso vai garantir uma massa mais crocante.
  2. Junte o ovo e trabalhe a massa apenas até formar uma bola. Envolva com filme e leve à geladeira por no mínimo 1 hora (se preferir, faça a massa no dia anterior).
  3. Preaqueça o forno a 220 ºC (temperatura alta).
  4. Cerca de 15 minutos antes de terminar o tempo para pré-assar os legumes, retire a massa da geladeira (se você está fazendo a torta em etapas, cada passo num dia, preaqueça o forno a 180 ºC). Separe uma fôrma redonda, de fundo removível, com cerca de 24 cm de diâmetro.
  5. Numa bancada, polvilhe um pouco de farinha e, com um rolo de macarrão, abra a massa num formato arredondado até ficar com cerca de 0,5 cm de espessura.
  6. Separe o fundo da fôrma. Para transferir a massa, enrole no rolo de macarrão e desenrole sobre o fundo, deixando as bordas para fora.
  7. Numa tábua, corte a berinjela em rodelas de cerca de 1 cm e descarte as pontas. Se a berinjela for grande, corte as fatias em meias-luas. Transfira para uma tigela, cubra com água e misture 1 colher (chá) de sal. Reserve.
  8. Prepare os outros legumes: fatie as abobrinhas em rodelas de 1 cm e descarte as pontas; corte os tomatinhos ao meio; fatie fino o alho-poró; corte o pimentão ao meio, descarte as semente e corte as metades em quadrados; descasque a cebola e corte em quartos; descasque os dentes de alho.
  9. Retire a berinjela da água e disponha numa assadeira retangular grande. Regue com 3 colheres (sopa) de azeite e leve ao forno preaquecido por 15 minutos.
  10. Retire a assadeira do forno e junte os outros legumes. Tempere com sal e pimenta-do-reino, regue com o azeite restante e misture delicadamente. Volte a assadeira ao forno por 30 minutos. Retire a assadeira e baixe a temperatura do forno para 180 ºC.
  11. Retire a assadeira do forno. Debulhe os ramos de tomilho e alecrim e junte aos legumes, misturando delicadamente. Coloque os legumes sobre a massa e dobre as bordas sobre os legumes.
  12. Numa tigelinha, misture a gema com a água. Pincele a massa e leve a torta ao forno por 45 minutos ou até dourar. Sirva quente ou em temperatura ambiente.

PS: quem acompanha o Instagram aqui do Cozinha Literária já deve ter percebido, eu estou de férias na zoropa e ficando obcecada com o jamon ibérico espanhol, o queijo de cabra, os ovos moles portugueses, e, claro, os vinhos. Preparem-se para posts turbinados quando eu voltar! 😊

 

Na veia

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Há pouco tempo vi na televisão um pedaço de uma entrevista da Tati Bernardi, roteirista da Globo e colunista da Folha, na qual ela falava sobre o livro que estava lançando “Depois a louca sou eu”. Não consegui, infelizmente, ver a entrevista toda (a gente tem que trabalhar e tal) mas fiquei muito a fim de ler o livro, pois a autora parece ser engraçadíssima. Não deu outra: comprei, li, ri.

O livro é composto de crônicas sobre diversos assuntos: crises de pânico, ansiedade, amor, medicação, meditação, trabalho. Tudo isso recheado de humor. Algumas crônicas são mais redondinhas do que outras, eu gostei particularmente de “Eu não desmaio, Dr Guido”, “Os números da felicidade” e da que empresta nome ao livro “Depois a louca sou eu”. Na segunda, eu ri alto no avião com a frase inicial “A felicidade só existe naquele minuto trinta e sete em que o Dorflex faz efeito e a nuca deixa de ser o pufe para os pés de um demônio gordo.”, o quê fez o passageiro do meu lado achar que a louca, de fato, era eu. Mas tranquilo, valeu a pena. Obrigada, Tati.

Em vários momentos a autora aborda o uso de medicamentos, o mais frequente é o Rivotril. Então, em uma brincadeira, pensei no que seria o equivalente culinário desses remédios tarja preta punk hard core no último e me lembrei desses cookies de brownie que são açúcar na veia. Eu quase não faço, pois são uma gordice ensandecida, mas são uma de-lí-cia. Melhor que Rivotril.

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Rivotril Brownie Cookies

Ingredientes:

  • ½ xícara de manteiga sem sal (115g)
  • 115g de chocolate sem açúcar picado
  • 1 xícara (190g) de açúcar mascavo
  • 2 colheres de sopa (25g) de açúcar cristal
  • 2 ovos grandes
  • 1 colher de chá de extrato de baunilha
  • ½ colher de chá de maizena
  • ½ colher de chá de sal
  • 45g de de chocolate em pó
  • 1 xícara de farinha
  • 2/3 de xícara (115g) de chocolate amargo picado

Modo de Preparo:

  1. Derreta a manteiga e o chocolate juntos, no microondas mesmo, em intervalos de 30 segundos, mexendo a mistura entre cada intervalo até que o chocolate esteja quase todo derretido. Mexa com a colher então fora do fogo até que fique totalmente derretido.
  2. Adicione os açúcares na mistura de chocolate e mexa, então adicione os ovos (um de cada vez) e depois a baunilha. A seguir, misture a maizena, o sal e o chocolate em pó. Por último adicione a farinha e mexa só até estar homogêneo. Adicione os pedaços de chocolate e mexa delicadamente.
  3. Coloque a massa na geladeira por 30 minutos (pode deixar mais se quiser, mas fica mais dificil de distribuir a massa –se quiser esquente rapidamente no microondas 15 segundos para ajudar).
  4. Pré-aqueça o forno a 180 graus.
  5. Com um pegador de sorvete ou duas colheres, distribua em uma assadeira untada (ou coberta com papel próprio para assar) com espaço entre cada um para que eles possam crescer um pouco. Asse entre 10 e 12 minutos (podem parecer crus ainda, mas o objetivo é um centro cremoso como um brownie, então NÃO deixe mais tempo). Deixe esfriar um pouco antes de comer (se você conseguir!).