Tudo junto, misturado

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Alguns livros são mesmo produto do nosso tempo, pegam um pout-pourri de referências atuais: crianças e jovens com poderes fora do normal (Harry Potter), um romance complicado para o protagonista adolescente (Jogos Vorazes), um mundo que corre perigo por causa de personagens malignos/mal-intencionados (Divergente). “O orfanato da Srta Peregrine para Crianças Peculiares”, de Ransom Riggs se encaixa nesses parâmetros com perfeição e, apesar de recorrer a clichês do gênero, é um livro divertido (e vai até ter filme dirigido pelo Tim Burton!).

O que eu achei interessante no livro foi o fato de abordar a loucura: o protagonista sofre ao achar que está enlouquecendo e que sua imaginação está criando coisas horríveis por causa de um trauma. Gostei de o autor trazer essa preocupação para a narrativa: a realidade é diferente para cada um, e algumas coisas podem ser interpretadas de forma completamente díspar entre pessoas próximas ou até da mesma família.

O protagonista, Jacob, é fascinado pelo avô Abraham, conhecido como Abe, que desde pequeno o encanta com suas histórias sobre o orfanato fantástico onde viveu depois da guerra, as quais conta como se tivessem realmente acontecido. Ao ficar mais velho, Jacob não acredita mais nas “fantasias” do avô, mas ainda assim sente com ele uma grande afinidade. Não é então que, de repente, por uma série de circunstâncias, Jacob acaba indo parar justamente no tal orfanato, que não é que existe mesmo?! Lá só habitam pessoas peculiares, a começar pela própria Srta Peregrine, a diretora do lugar. Os personagens que vivem no orfanato são bem loucos (eu não li ainda a série Percy Jackson, mas vi algumas cenas na TV e senti que havia nesses personagens alguma semelhança), um menino invisível, uma menina que domina o fogo, outra que flutua e por aí vai. Não curti muito os vilões do livro; achei meio sem pé nem cabeça o porquê deles perseguirem os peculiares, mas vá lá. Enfim, o livro é divertido e bem rapidinho de ler, bom para se divertir sem compromisso.

Ao pensar em um prato que pudesse acompanhar o livro, lembrei de uma tortinha ratatouille que é uma delícia: combina vários legumes diferentes em um lugar só, igual a Srta Peregrine faz com as crianças em seu orfanato. Aqui é uma festa de sabores em uma tortinha que vai bem como entrada ou acompanhamento para o prato principal.

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Torta Ratatouille para a Srta Peregrine (serve de 4 a 6 pessoas)

Ingredientes:

Para a massa:

  • 100 g de manteiga gelada
  • 1 1/4 de xícara de chá de farinha de trigo
  • 1 ovo
  • 1 colher de chá de sal

Para o recheio:

  • 1 berinjela pequena
  • 1 abobrinha média
  • 3/4 de xícara de chá de tomate cereja
  • 1 talo de alho-poró sem as folhas verdes
  • 1 pimentão amarelo
  • 1 cebola média
  • 4 dentes de alho
  • sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto
  • 8 colheres de sopa de azeite

Modo de preparo:

  1. Numa tigela grande junte a farinha com o sal e misture. Corte a manteiga em cubos e transfira para a tigela. Com a ponta dos dedos, misture até formar uma farofa, sem dissolver completamente a manteiga – isso vai garantir uma massa mais crocante.
  2. Junte o ovo e trabalhe a massa apenas até formar uma bola. Envolva com filme e leve à geladeira por no mínimo 1 hora (se preferir, faça a massa no dia anterior).
  3. Preaqueça o forno a 220 ºC (temperatura alta).
  4. Cerca de 15 minutos antes de terminar o tempo para pré-assar os legumes, retire a massa da geladeira (se você está fazendo a torta em etapas, cada passo num dia, preaqueça o forno a 180 ºC). Separe uma fôrma redonda, de fundo removível, com cerca de 24 cm de diâmetro.
  5. Numa bancada, polvilhe um pouco de farinha e, com um rolo de macarrão, abra a massa num formato arredondado até ficar com cerca de 0,5 cm de espessura.
  6. Separe o fundo da fôrma. Para transferir a massa, enrole no rolo de macarrão e desenrole sobre o fundo, deixando as bordas para fora.
  7. Numa tábua, corte a berinjela em rodelas de cerca de 1 cm e descarte as pontas. Se a berinjela for grande, corte as fatias em meias-luas. Transfira para uma tigela, cubra com água e misture 1 colher (chá) de sal. Reserve.
  8. Prepare os outros legumes: fatie as abobrinhas em rodelas de 1 cm e descarte as pontas; corte os tomatinhos ao meio; fatie fino o alho-poró; corte o pimentão ao meio, descarte as semente e corte as metades em quadrados; descasque a cebola e corte em quartos; descasque os dentes de alho.
  9. Retire a berinjela da água e disponha numa assadeira retangular grande. Regue com 3 colheres (sopa) de azeite e leve ao forno preaquecido por 15 minutos.
  10. Retire a assadeira do forno e junte os outros legumes. Tempere com sal e pimenta-do-reino, regue com o azeite restante e misture delicadamente. Volte a assadeira ao forno por 30 minutos. Retire a assadeira e baixe a temperatura do forno para 180 ºC.
  11. Retire a assadeira do forno. Debulhe os ramos de tomilho e alecrim e junte aos legumes, misturando delicadamente. Coloque os legumes sobre a massa e dobre as bordas sobre os legumes.
  12. Numa tigelinha, misture a gema com a água. Pincele a massa e leve a torta ao forno por 45 minutos ou até dourar. Sirva quente ou em temperatura ambiente.

PS: quem acompanha o Instagram aqui do Cozinha Literária já deve ter percebido, eu estou de férias na zoropa e ficando obcecada com o jamon ibérico espanhol, o queijo de cabra, os ovos moles portugueses, e, claro, os vinhos. Preparem-se para posts turbinados quando eu voltar! 😊

 

Na veia

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Há pouco tempo vi na televisão um pedaço de uma entrevista da Tati Bernardi, roteirista da Globo e colunista da Folha, na qual ela falava sobre o livro que estava lançando “Depois a louca sou eu”. Não consegui, infelizmente, ver a entrevista toda (a gente tem que trabalhar e tal) mas fiquei muito a fim de ler o livro, pois a autora parece ser engraçadíssima. Não deu outra: comprei, li, ri.

O livro é composto de crônicas sobre diversos assuntos: crises de pânico, ansiedade, amor, medicação, meditação, trabalho. Tudo isso recheado de humor. Algumas crônicas são mais redondinhas do que outras, eu gostei particularmente de “Eu não desmaio, Dr Guido”, “Os números da felicidade” e da que empresta nome ao livro “Depois a louca sou eu”. Na segunda, eu ri alto no avião com a frase inicial “A felicidade só existe naquele minuto trinta e sete em que o Dorflex faz efeito e a nuca deixa de ser o pufe para os pés de um demônio gordo.”, o quê fez o passageiro do meu lado achar que a louca, de fato, era eu. Mas tranquilo, valeu a pena. Obrigada, Tati.

Em vários momentos a autora aborda o uso de medicamentos, o mais frequente é o Rivotril. Então, em uma brincadeira, pensei no que seria o equivalente culinário desses remédios tarja preta punk hard core no último e me lembrei desses cookies de brownie que são açúcar na veia. Eu quase não faço, pois são uma gordice ensandecida, mas são uma de-lí-cia. Melhor que Rivotril.

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Rivotril Brownie Cookies

Ingredientes:

  • ½ xícara de manteiga sem sal (115g)
  • 115g de chocolate sem açúcar picado
  • 1 xícara (190g) de açúcar mascavo
  • 2 colheres de sopa (25g) de açúcar cristal
  • 2 ovos grandes
  • 1 colher de chá de extrato de baunilha
  • ½ colher de chá de maizena
  • ½ colher de chá de sal
  • 45g de de chocolate em pó
  • 1 xícara de farinha
  • 2/3 de xícara (115g) de chocolate amargo picado

Modo de Preparo:

  1. Derreta a manteiga e o chocolate juntos, no microondas mesmo, em intervalos de 30 segundos, mexendo a mistura entre cada intervalo até que o chocolate esteja quase todo derretido. Mexa com a colher então fora do fogo até que fique totalmente derretido.
  2. Adicione os açúcares na mistura de chocolate e mexa, então adicione os ovos (um de cada vez) e depois a baunilha. A seguir, misture a maizena, o sal e o chocolate em pó. Por último adicione a farinha e mexa só até estar homogêneo. Adicione os pedaços de chocolate e mexa delicadamente.
  3. Coloque a massa na geladeira por 30 minutos (pode deixar mais se quiser, mas fica mais dificil de distribuir a massa –se quiser esquente rapidamente no microondas 15 segundos para ajudar).
  4. Pré-aqueça o forno a 180 graus.
  5. Com um pegador de sorvete ou duas colheres, distribua em uma assadeira untada (ou coberta com papel próprio para assar) com espaço entre cada um para que eles possam crescer um pouco. Asse entre 10 e 12 minutos (podem parecer crus ainda, mas o objetivo é um centro cremoso como um brownie, então NÃO deixe mais tempo). Deixe esfriar um pouco antes de comer (se você conseguir!).

Um doce de livro

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“Para todos os garotos que já amei”, da Jenny Han, é um doce de livro. É tão romântico, tão cheio daquela ingenuidade adolescente que as vezes dá até uma certa nostalgia (até você lembrar que ser adolescente era um sofrimento só, com provas de física, espinhas gigantes e hormônios que deixavam você meio enlouquecida).

Lara Jean, a protagonista de Han, é uma menina doce e tímida, vive em um mundo insular com suas irmãs, Margot e Kitty, e seu pai; uma vida tranquila, sem grandes surpresas, e repleta de romances de fantasia. Até que um dia ela é forçada para fora de sua bolha segura, quando todos os meninos de quem ela gostara, e um do qual ainda gosta, recebem cartas que declaram seu amor por eles. Cartas secretas que misteriosamente chegam aos destinatários que nunca deveriam vê-las. É uma premissa meio mamão com açúcar, meio sessão da tarde, mas Lara Jean é uma personagem tão fofa, que você vai deixar para lá essas picuinhas e acompanhar enquanto ela saí da sua concha para descobrir (e o amor) o mundo lá fora, com a ajuda de um dos seus amores, o garoto mais popular da escola, Peter Kavinsky.

O que eu adorei nesse livro foi a habilidade de Han em criar um mundo para Lara Jean. Todo tempo que eu estava lendo, imaginava cada pedaço da sua vida, das suas meias aos pijamas, passando pelos cadernos e tranças elaboradas. Lara Jean é um doce, Peter Kavinsky é lindo e Kitty vai fazer você rir. E vai deixar você morrendo de vontade de comer um doce delicioso (ou pelo menos foi o que aconteceu comigo). Por isso pensei em uma receita bem doce, que vai deixar você suspirando, igual o Peter K. faz com as mocinhas. Brownies é claro!

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Brownies para Lara Jean Song

Ingredientes:

  • 340g de açúcar mascavo
  • 3 ovos
  • 300g de chocolate meio amargo picado
  • 1 barra de manteiga sem sal
  • 145g de farinha de trigo
  • 30g de cacau em pó (esse ingrediente é importante para fazer essa casquinha brilhante deliciosa 🙂 )
  • 1/2 xícara de nozes picadas rusticamente
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 1/2 colher de chá de fermento
  • 1 colher de chá de flor de sal ou 1/2 de sal

Modo de Preparo:

  1. Pique o chocolate bem grosseiramente e derreta no microondas com a manteiga por 1 minuto. Depois, mexa até se transformar em um líquido homogêneo e brilhante.
  2. Bata os ovos com o açúcar e adicione à mistura de chocolate.
  3. Acrescente e misture rapidamente a farinha, o cacau e o fermento.
  4. Por último coloque a baunilha e o sal e mexa delicadamente.
  5. Ponha a massa em uma fôrma untada e asse em forno pré-aquecido a 220 graus por 30 a 40 minutos.

Caixinha surpresa

  
Já contei para vocês que esse ano estou participando do desafio literário do site Popsugar? É muito legal, tomara que eu consiga completar até dezembro 🙂 Bom, por causa do desafio eu comprei “Um presente da Tiffany” da Melissa Hill, o primeiro livro que eu vi ao entrar na livraria.

O livro conta as histórias de Ethan e Rachel, dois estranhos que vão passar o período do Natal em Nova York com seus respectivos namorados. O viúvo Ethan pretende pedir sua namorada, Vanessa, em casamento e para isso compra, com a ajuda da filha Daisy, um extravagante anel de noivado da Tiffany. Gary, o namorado de Rachel, na última hora compra para ela uma pulseira lá também, e ao sair da loja é atropelado por um táxi. Ethan e a filha o acodem e, na confusão, as sacolas são trocadas, o que gera uma grande dor de cabeça.

A ex-mulher de Ethan, Jane, vivia dizendo que amava Nova York e que a Tiffany era um lugar mágico, e por isso Daisy começa a achar que a troca das caixas foi o destino intervindo, levando o pai em direção a pessoa certa. Jane também disse ao marido antes de falecer que encontrasse uma mulher que fizesse para ele pão. E, surpresa, surpresa, não é que Rachel e sua sócia Teri tem um restaurante/buffet/padaria?

Eu normalmente não leio esse tipo de livro do estilo ChicLit, mas calhou de ser e achei gostoso de ler, bem fácil, apesar de achar a caracterização dos personagens um pouco superficial demais, especialmente de Gary. Mas curti as reviravoltas do final, achei fofo, bem romântico. Bem comédia romântica da sessão da tarde, no bom sentido.

A receita de hoje não poderia ser outra: pão. Eu já falei aqui no blog há um tempo atrás de uma receita de piadina que é ótima, mas essa aqui é de pão mesmo, daqueles de fatiar pro café da manhã e tudo. E estou querendo há tempos fazer pão em casa, porque esses do supermercado nem se comparam ao que saí quentinho do forno sem conservantes, né? E o cheirinho desse alecrim ainda perfuma a casa toda 🙂

  
Pão de Alecrim da Tiffany (receita adaptada do livro do Panelinha)

Ingredientes:

  • 2 ramos de alecrim
  • 1 xícara de chá de água morna
  • 2 xícaras de chá de farinha de trigo
  • 1 xícara de chá de farinha de trigo integral
  • 10 g de fermento seco para pão
  • 3 colheres sopa de azeite
  • manteiga para untar
  • sal a gosto

Modo de preparo:

  1. Desfolhe um dos ramos de alecrim e reserve.
  2. Numa panelinha, coloque a água e o ramo inteiro de alecrim. Leve ao fogo médio e, quando ferver, desligue. Retire o alecrim.
  3. Numa tigela grande, misture bem as farinhas e o fermento. Faça um buraco no centro, acrescente a água morna, o azeite e o sal. Trabalhe a massa do centro para fora, incorporando os ingredientes até formar uma bola.
  4. Sob uma superfície enfarinhada, sove a massa de pão por 10 minutos até ficar lisa e elástica. Faça uma bola com a massa.
  5. Unte o fundo de uma tigela grande com azeite. Coloque a massa e pincele-a com um pouco de azeite. Cubra com um pano de prato limpo e deixe crescer por 1 hora ou até dobrar de tamanho.
  6. Transfira a massa crescida para uma superfície enfarinhada e aplaine com os dedos. Salpique com as folhas de alecrim. Dobre a massa e sove-a até que as folhas estejam uniformemente distribuídas. Modele o pão em formato ovalado com cerca de 25 x 10 cm.
  7. Unte uma assadeira grande com óleo. Transfira a massa para a assadeira e faça cortes superficiais no sentido da largura do pão. Pincele com o azeite de oliva restante, cubra e deixe crescer por 30 minutos.
  8. Preaqueça o forno a 180°C (temperatura média).
  9. Pincele o pão com mais azeite e leve ao forno para assar por cerca de 35 minutos ou até que esteja dourado. Para verificar se está assado, bata na parte de baixo do pão (como se estivesse batendo numa porta) e observe se produz um som oco. Caso contrário, deixe assar mais um pouquinho. Quando pronto, coloque o pão sobre uma grade e deixe esfriar.

Escondidinho para Lisbeth

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Vocês conhecem a série Millenium, do Stieg Larsson, certo? Os livros fizeram um grande sucesso quando foram lançados em 2004, pouco após a morte do autor sueco. Tanto sucesso que viraram filmes: o primeiro livro teve uma versão sueca e também uma holywoodiana com Daniel Craig e Rooney Mara nos papéis principais. Os outros livros viraram filmes suecos também, mas Holywood ainda não continuou a sequência. Enfim, tudo isso para dizer que a série Millenium que começa com “Os homens que não amavam as mulheres” é totalmente viciante. E agora tem um novo volume, chamado “A garota na teia de aranha” do David Lagercrantz.

O quê faz os livros Millenium serem tão tão bacanas? A resposta é óbvia: Lisbeth Salander. Lisbeth é uma hacker brilhante com dificuldades de relacionamento (na verdade, ela sofre de algum tipo de síndrome), aptidão para a violência e um grande senso de justiça. Ela não é nem um pouco parecida com as heroínas tradicionais, é magra e sem curvas, tem os cabelos pretos cortados curtos, uma grande tatuagem de dragão nas costas, um milhão de piercings e é bissexual. E você vai torcer por ela a cada momento. Claro que uma heroína merece um herói a altura, então temos Mikael Blomkvist, um jornalista que é um dos sócios-fundadores da revista Millenium, conhecido por sua capacidade investigativa.

Não vou falar muito dos três primeiros livros aqui, só vou dizer para vocês: se ainda não leram, leiam. E agora vamos falar do “A garota na teia de aranha”. Para mim foi irresistível a chance de ler mais Lisbeth. E também fiquei curiosa para ver como o novo autor se sairia. Stieg Larsson morreu quando ele estava escrevendo o quarto livro, mas David Lagercrantz não teve acesso ao manuscrito por questões do espólio, então fez tudo sozinho mesmo. E se saiu muito bem, na minha opinião. Eu gostei bem mais dos três primeiros, mas também fiquei lendo loucamente o novo. Lagercrantz manteve as características dos personagens, e utilizou bem todo o pano de fundo construído por Larsson. Também curti bastante os personagens novos que estão envolvidos na trama, como o Dr. Frans Balder e seu filho August, sendo que este último é autista (o que tem grande relevância na história). Enfim, se você gosta de thrillers, esse livro (e a série toda, claro) é um prato cheio!

O que eu acho muito bacana em Millenium é justamente a habilidade dos autores em surpreender, então fiquei pensando que a receita que acompanhasse o livro tinha que ter essa mesma característica. Nesse meio tempo, fui fazer compras e trouxe para casa uma bandeja de shitake e, enquanto pensava em como preparar meus cogumelos, tive um estalo: um escondidinho de shitake! Um prato que ainda não comi em lugar nenhum, será que ia ficar bom? E não é que ficou ótimo! Surpreendeu, a la Lisbeth.

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Escondidinho de Shitake para Lisbeth (serve de 4 a 5 pessoas)

  • 3 mandiocas descascadas
  • 300g de shitake
  • 250g de carne moída (opcional)
  • um punhado de cebolinha fatiada
  • 1/3 de xícara (chá) de queijo parmesão ralado
  • 1/4 de xícara de farinha de rosca
  • 1/2 xícara de leite
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • shoyu
  • azeite para untar
  1. Lave os cogumelos, escorra-os e refogue com um um fio de azeite e bastante cebolinha. Se for fazer com carne, refogue a carne também. Adicione o shoyu e, se quiser, tempere com sal e pimenta do reino.
  2. Acomode a mistura de shitake ainda quente no fundo de uma travessa média.
  3. Cozinhe 250g de mandioca em água até ficar bem macia. Retire do fogo e deixe amornar.
  4. Retire os fiapos e amasse as mandiocas com um garfo. Adicione 1/2 xícara de leite desnatado, 1 colher de sopa de manteiga, noz moscada e sal a gosto.
  5. Despeje o purê sobre a mistura de cogumelos. Alise a superfície com uma espátula.
  6. Salpique a farinha de rosca e o queijo parmesão por cima até ficar uniforme.
  7. Leve ao forno pré-aquecido a 220 graus por aproximadamente 30 minutos. Sirva ainda quente!

Jardim interno

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Esse ano eu fiz uma lista com os livros indispensáveis de 2016, entre eles está “O amante japonês” da Isabel Allende. Isso porque faziam anos que eu não lia nada dela, e fiquei curiosa quando vi que o livro se passava em uma casa de repouso. Quase nenhum livro conta o final da história, o que aconteceu com os heróis depois daquele beijo, ou do casamento, ou depois que nasce o filho. Eu tinha quase certeza que isso não aconteceria nesse livro, e estava (quase completamente) certa!

“O amante japonês” conta a história de Alma e Irina. Alma Belasco é uma idosa ativa que vive na casa de repouso Larkhouse, onde Irina, uma jovem imigrante da Moldávia vai trabalhar após passar por momentos difíceis. Alma se aproxima de Irina e as duas se tornam amigas e confidentes, e é para a jovem e para seu neto Seth (que arrasta a asa para Irina) que Alma conta sua improvável história de amor com um jardineiro japonês, Ichimei Fukuda. O livro toca em vários temas espinhosos: abuso sexual, imigração, preconceito racial, social e etário, o que poderia tornar-lo um livro difícil, mas Allende mantém o foco no romance e consegue navegar esses assuntos de forma habilidosa. A personagem de Alma é cheia de nuances, uma personagem que projeta uma imagem para os outros mas internamente é bem diferente. Por fora, Alma é fria e de poucos amigos, mas por dentro, com a ajuda de Ichimei, florescem jardins.

Essa foi a reflexão que ficou comigo quando terminei o livro, o quanto as vezes somos diferentes do que parecemos para os outros, não melhores ou piores, mas diferentes. Queria uma receita que representasse essa dualidade, então tive a idéia de fazer um folhado diferente, recheado de sabores surpreendentes: figos, presunto de parma, ricota, mel! Aproveitem 🙂

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Folhado a la Belasco (faz quatro folhados)

Ingredientes:

  • Massa Folhada (usei a da Massa Leve)
  • 4 figos
  • ricota fresca (eu adoro a Vitalate!)
  • 30g de presunto de parma
  • sal, azeite e pimenta do reino
  • manteiga
  • mel a gosto
  • Gema de ovo para pincelar

Preparo:

  1. Tire a massa de dentro da embalagem com cuidado, ela é delicada.
  2. Em uma vasilha, tempere a ricota com azeite, sal e pimenta.
  3. Corte os figos ao meio e depois em quatro. Esquente uma frigideira e derreta um pouco de manteiga, em seguida coloque os figos na frigideira e deixe-os amolecer um pouco. Antes de retirar adicione o mel.
  4. Corte o presunto em pedaços menores que caibam no folhado.
  5. Coloque o recheio bem no meio da massa, mas não exagere na quantidade para não transbordar quando assar.  Posicione-o pensando que vai ter que dobrar a massa por cima dele e colar as beiradas.
  6. Dobre o outro lado da massa sobre o lado que você colocou o recheio e ligue as pontas, pressionando com um garfo por toda a extensão da borda para que os dois lados fiquem bem coladinhos.
  7. Abra um ovo e separe a gema. Pincele um pouco da gema por cima de cada folhado, sem exagero.
  8. Coloque já na forma que vai usar para assar e leve para a geladeira por 30 minutos. Na metade desse tempo, acenda o forno para preaquecer a 200°C.
  9. Depois dos 15 minutos, pegue a forma e coloque no forno para assar até dourar, entre 5 e 10 minutos.

 

Delicadeza oriental

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Nesse Natal ganhei de presente “Homens sem mulheres”, um livro de contos de um autor que é um xodó meu, Haruki Murakami  (já falei no blog de outros livros dele, “1Q84” e “O incolor Tsukuru Tazaki”). Todos os contos do livro são estudos de relacionamentos contados do ponto de vista masculino. Murakami é como sempre muito sutil e delicado, ele usa muita simbologia na sua narrativa e acaba criando pequenos mundos fantásticos em cada história. Essa habilidade do autor é sempre minha parte preferida dos seus livros, os personagens dele são quase um portal para um Japão fantástico onde gatos e jazz são parte integrante do dia-a-dia. No caso de “Homens sem mulheres”, eu adorei especialmente dois dos contos, “Habara” e  o que empresta nome ao livro “Homens sem mulheres”. Em “Habara”, a personagem Sherazade é tão interessante que eu fiquei meio triste quando o conto acabou. Em “Homens sem mulheres” me diverti com a honestidade e imagens lúdicas criadas pelo autor: fiquei pensando em unicórnios e marinheiros.

O estilo de Murakami é delicioso e sempre me inspira, por isso os os livros dele sempre acabam por aqui: a forma poética dele escrever sempre me faz pensar em comida! rsrs. Enquanto estava lendo “Homens sem Mulheres” eu pensei que desta vez eu queria um prato sofisticado e suave, mas complexo. Um prato que me desse a mesma sensação de ler Murakami e então me lembrei do risoto de abóbora assada. Não deu outra: casamento perfeito entre literatura e culinária. Para comer saboreando, sem pressa e de preferência com boa música e boa companhia.

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Um risoto delicado (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 2 xícaras de chá de arroz arbóreo
  • 750 g de abóbora japonesa em cubos
  • 15 folhas de sálvia
  • 1,5 l de caldo de legumes (se for usar cubos, dissolva apenas 2)
  • 1 cebola grande picada
  • 2 xícaras de chá de vinho branco seco
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 4 colheres de sopa de queijo parmesão ralado e mais um pouco para servir
  • sal e pimenta-do-reino a gosto

Preparo:

  1. Preaqueça o forno a 180ºC. Unte uma assadeira, de preferência antiaderente, com 1 colher de sopa de azeite.
  2. Lave a abóbora sob água corrente. Sobre uma tábua, descasque-a com cuidado e corte ao meio. Retire as sementes e as fibras e corte-a em cubos de 2,5 cm.
  3. Disponha os cubos de abóbora numa assadeira e regue com um pouco mais de azeite. Tempere com sal e pimenta-do-reino e polvilhe com as folhas de sálvia. Leve ao forno e deixe assar entre 40 e 50 minutos.
  4. Numa panela, coloque o caldo de legumes e leve ao fogo alto. Quando ferver, abaixe o fogo.
  5. Em outra panela, coloque 1 colher (sopa) de azeite e leve ao fogo médio. Quando aquecer, junte a cebola picada e refogue, mexendo bem, até ficar transparente. Acrescente o arroz e refogue por 2 minutos, mexendo sempre. Adicione o vinho e misture até evaporar. Acrescente 1 concha de caldo de legumes e mexa bem.
  6. Quando o caldo secar, adicione mais 1 concha e repita o procedimento até o risoto ficar no ponto ou até acabar o caldo.
  7. Verifique o ponto: o risoto deve ser cremoso, mas os grãos de arroz devem estar al dente, ou seja, um pouco durinhos. Porém, se ainda estiver muito cru, continue cozinhando por mais 1 minuto. Se for necessário, junte um pouco mais de caldo e mexa bem. Na última adição de caldo, não deixe secar completamente ou o resultado será um risoto ressecado.
  8. Junte a abóbora assada e os sucos que ficaram na assadeira e mexa bem. Por último, acrescente o queijo parmesão e misture bem. Sirva a seguir.

PS: Além disso, quando estava lendo me lembrei bastante de um documentário japonês muito interessante, “Jiro dreams of Sushi” que assisti outro dia no Netflix. Fica a dica!

Pão Nosso

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Estação Onze, da Emily St. John Mandel, acabou de entrar para a minha galeria de recomendações, daqueles livros que você quer falar para outros lerem, tanto que você fica até meio chato. É bom mesmo.

No livro, uma pandemia assola a Terra e devasta 99% da população mundial. Poucos são os que escapam com vida, e mesmo os que conseguem, tem que viver uma realidade nova, uma vida mais primitiva, onde reina a lei do mais forte. Mas a narrativa por também volta ao passado, mostrando alguns personagens-chave antes da catástrofe acontecer. Assim acompanhamos a história de vários deles, Jeevan, Arthur, Miranda, Clark e a protagonista Kirsten.

Kirsten, pós-pandemia, é uma atriz na Sinfonia Itinerante, uma trupe de músicos e atores que viaja pelos EUA se apresentando pelas cidades no caminho. Ela é atriz desde criança, desde antes da Gripe da Geórgia, e coleciona recortes sobre um ator que se apresentava com ela em Rei Lear e que morre em cena, Arthur Leander. É Arthur que dá para Kirsten sua posse mais preciosa, as revistas em quadrinhos “Estação Onze”, de autoria da ex-mulher dele Miranda.

Já Clark, antigo amigo de Arthur, fica preso no Aeroporto de Severn City e lá funda o Museu da Civilização, onde deposita objetos que já foram significativos mas agora são só memórias de um tempo passado. Lá estão iPhones, iPads, televisões, revistas, cartões de crédito, passaportes e até uma moto. Eletricidade, combustível e internet são sonhos distantes, com toques de surrealidade para os sobreviventes.

Eu adorei esse livro, me peguei pensando em o quanto das nossas vidas parece automatizado mas na verdade depende de outras pessoas. Televisão, internet, luz, ar-condicionado, banho quente, tudo isso é um tipo de mágica para quem vive isolado no meio do mato. Essas invenções maravilhosas da humanidade dependem de uma cadeia de trabalho incessante. De pessoas trabalhando todo dia. Sem isso a civilização cai como dominós. E a maneira como Mandel escreve é realista, mas também otimista. A própria Sinfonia Itinerante que ela criou é um testemunho de fé: enquanto houver arte, estamos salvos. Enquanto houver arte, somos humanos.

Então é claro que eu fiquei pensando no que eu mais sentiria falta de comer se o mundo como eu conheço acabasse (mentalidade de gordinho, eu sei). E a minha resposta foi um ressoante “PÃO”. Eu adoro todos os tipos de pão. Aqui em casa esse negócio de sem glúten não cola (eu respeito quem topa, só não consigo ir junto). Eu acho que eu ia sonhar com pãezinhos variados, bem quentinhos com uma manteiguinha. Por isso a receita de hoje é um pão fácil e rápido de fazer, o tipo mais provável de se fazer se uma calamidade acontecer, a Piadina. A piadina, eu aprendi no livro do Panelinha, é um cruzamento de massa de pizza com foccacia. É uma delicia quentinha com umas ervas em cima e um azeite do lado.

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Piadina da Estação Onze (faz 6 pães de mais ou menos 15cm de comprimento)

Ingredientes:

  • 1 1/2 xícara de chá de farinha de chia (ou farinha de trigo integral se você não tiver)
  • 1 1/2 xícara de chá de farinha de trigo e mais um pouco para enfarinhar a mesa
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 1/2 colher de chá de sal
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 1 1/4 xícara de chá de leite

Preparo:

  1. Numa tigela grande, junte a farinha, o sal e o fermento. Misture e abra um buraco no centro. Coloque o azeite bem no meio e vá esfregando a farinha com os dedos para misturar.
  2. Junte o leite em duas etapas e, com as mãos, misture bem, até formar uma bola. Transfira a massa para uma superfície de trabalho enfarinhada e sove por 3 minutos. No máximo!
  3. Enrole a massa para formar uma cobra e divida em 6 pedaços iguais. Cubra a massa com um pano de prato úmido (e não molhado, muito menos ensopado!).
  4. Coloque uma frigideira grande, de preferência de ferro, ou uma chapa, para aquecer em fogo alto. Abra um pedaço de massa com rolo de macarrão até ficar com cerca de 15 cm de diâmetro. Ou se quiser fazer ela mais compridinha, com 15cm de comprimento.
  5. Quando a frigideira estiver bem quente, coloque a massa e faça vários furos com um garfo; assim que o fundo começar a ficar com pintinhas escuras, uns 2 minutos, vire e deixe cozinhar por mais 2 minutos. Transfira para um prato e cubra com um pano de prato limpo, apenas para não esfriar, enquanto você faz as outras.

 

À espanhola

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Há tempos que “A sombra do vento”, do Carlos Ruiz Zafón, estava na minha pilha de livros. Mas eu sempre passava outro na frente, por um motivo ou outro. Até que um dia, trocamos olhares e lá fui eu para dentro da toca do coelho.

“A sombra do vento” conta a história de Daniel Sempere, que começa quando ele ainda é menino, e de Julian Carax, dois homens ligados por um livro que se chama também “A sombra do vento”. A narrativa começa quando Daniel tem onze anos. Um dia, ele que perdeu a mãe, acorda de noite sem conseguir lembrar-se do rosto dela. Então, seu pai, um livreiro respeitado de Barcelona, o leva até um local secreto chamado “O Cemitério dos Livros Esquecidos”, um labirinto de livros que esperam o leitor certo. Isaac Monfort, o responsável pelo cemitério, e seu pai dizem para ele escolher um livro e Daniel escolhe justamente “A sombra do vento” de Julian Carax.

O menino devora o livro e fica obcecado com seu autor, quer achar outros livros dele, saber mais sobre a vida de Julian. Porém, os livros de Carax estão desaparecidos e há pouco rastro sobre o mesmo. Mas um dia, um homem estranho e assustador o aborda querendo comprar dele o livro, ele diz se chamar Laín Coubert, o nome do diabo no livro de Carax. Daniel se recusa a vender seu bem mais precioso, mas sente um grande medo do homem.

Passam-se vários anos, Daniel, já com dezoito anos, trabalha na livraria do pai. Um dia ele recruta para ajudar na livraria um mendigo que ele sempre vê nas suas andanças pela vizinhança, Fermín Romero de Torres. Fermín, na minha opinião o melhor personagem do livro, torna-se muito amigo de Daniel e os dois juntos tentam resolver o mistério de Carax. Assim, Daniel segue uma trilha tortuosa até encontrar a história do seu ídolo, Carax. Uma história que acaba repercutindo no presente e inclusive nos amores de Daniel.

O melhor de “A sombra do vento” é a escrita divertida de Záfon, que é especialmente ótima no personagem de Fermín. Sem contar o maravilhoso tour de Barcelona que fazemos ao acompanharmos as andanças de Daniel. Vou confessar que o começo do livro é lento, demora a prender o leitor. Mas a insistência é recompensada depois com sobra. Quando estava lendo, ficava pensando nas tapas espanholas, aqueles milhões de pratinhos deliciosos. Mas depois achei que “A sombra do vento” é muito substancial para somente uma tapa, e pensei em uma paella. Mas isso também não me pareceu acertado, muito cheio de coisas demais. Então me lembrei das fritadas, essa delícia de omelete de batata, que é substancial mas não é pesada. Então, segue aí, uma fritada para o senhor Sempere!

Fritada para Sempere e Carax (serve duas pessoas)

Ingredientes:

  • 4 ovos
  • 1/4 de xícara de leite ou creme de leite
  • 2 a 3 batatas pequenas
  • 2 a 3 cebolas pequenas
  • 2 punhados grandes de tomates cereja cortados ao meio
  • 75g de queijo minas padrão ou queijo de cabra
  • endro ou erva-doce a gosto
  • azeite, sal e pimenta do reino

Preparo:

  1. Descasque e corte as batatas em círculos de mais ou menos 0,5cm de espessura, de preferência um pouco menos.
  2. Descasque e corte as cebolas em rodelas finas.
  3. Coloque no fogo uma frigideira de fundo grosso, e espere esquentar um pouco. Regue o fundo generosamente com azeite e então disponha as batatas pelo fundo, uma ao lado da outra, até cobrirem o fundo da frigideira inteiro. Deixe o fogo aceso em temperatura média.
  4. Bata os ovos com o leite e tempere com sal e pimenta até a mistura ficar homogênea.
  5. Despeje a mistura de ovos sobre as batatas. Espere um minuto e então adicione as cebolas e os tomates. Por último adicione o endro.
  6. Deixe cozinhar meio tampada em fogo baixo por quinze minutos.
  7. Agora é só servir!

Que venha o sol

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Em “Eu te darei o sol” Jandy Nelson conta a história de um casal de irmãos gêmeos, Noah e Jude. Os irmãos são próximos mas pessoas muito diferentes: Noah é artistíco e tímido, além de ser homossexual. Jude é esportiva, falante e tem cabelos lindos.

Noah e Jude brincam entre si de dividir o universo, em troca de tal coisa, você me dá as flores, ou em troca daquilo outro, você me dá os peixes. Uma espécie de jogo infinito entre os dois, de onde vem o nome do livro. O livro alterna a narrativa entre os irmãos, um capítulo é Noah e o próximo de Jude, sendo que os capítulos de Noah narram acontecimentos de quando os gêmeos tinham treze anos e os de Jude acontecem quando eles têm dezesseis. Logo fica claro que algo aconteceu nesse espaço de três anos que afastou e transformou completamente os dois, e que somente reparando o relacionamento eles vão saber a história completa deles mesmos.

Esse livro é voltado para um público mais jovem, e a linguagem dele deixa isso claro. Mas eu recomendo mesmo para quem não é jovem, pois é fala de auto-conhecimento e de nos aceitarmos como somos (mesmo que quem somos seja um pouco esquisito).

No livro, Jude tem uma espécie de Bíblia feita pela sua avó com toda espécie de conselhos e simpatias: “para evitar doenças, ande com uma cebola no bolso” ou “para afastar atenção de um homem, chupe vários limões”. Inspirada nessas pérolas divertidas, resolvi que a receita perfeita para o “Eu te darei o sol” são deliciosos bolinhos de limão, uma delícia para comer no verão, misturando o sabor do limão com o doce do açúcar.

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Muffins de Limão para quem quer sol (rende 12 unidades)

Ingredientes:

  • 2 1/2 xícaras de farinha
  • 1 3/4 colheres de chá de fermento
  • 1/2 colher de chá de farinha de chia
  • 1 colher de chá de sal
  • 1 xícara de açúcar
  • 2 ovos grandes
  • Raspas de um limão
  • Suco de um limão
  • 1/4 de xícara de leite
  • 100g de manteiga derretida e resfriada
  • 1/4 de colher de chá de extrato de baunilha

Preparo: 

  1. Pré-aqueça o forno a 300º graus.
  2. Unte forminhas para 12 muffins com manteiga ou spray.
  3. Em uma tigela média, misture a farinha, o fermento, a farinha de chia e o sal.
  4. Em outra tigela, misture o açúcar, os ovos, as raspas e o suco de limão e o leite. Por último, adicione a manteiga e misture.
  5. Junte a mistura molhada com a seca e mexa até a massa ficar homogênea.
  6. Divida a massa igualmente entre as forminhas.
  7. Asse por 20 minutos ou até os muffins ficarem douradinhos em cima.
  8. Deixe esfriar durante 5 minutos antes de desenformar.
  9. Se quiser, polvilhe com açúcar na hora de servir, que fica bonito! 😉