Mulher maravilha

“Hibisco Roxo” da Chimamanda Ngozi Adichie é um desses livros que são difíceis de ler, mas não porque não é bom, mas porque a temática é tão densa que você fica carregando o livro com você o tempo todo. Eu demorei quase o dobro do tempo normal para ler porque parava as vezes (e falava sozinha!) e ficava pensando nessa outra realidade que existe -tão distante ali do lado, na Nigéria. Quantas vezes a gente lê um livro que nos faz encarar o quanto somos privilegiados, e também o quanto outras culturas podem nos oferecer que nós nunca sonhamos? Foi assim ler esse livro.

“Hibisco Roxo” é a história de Kambili, uma menina nigeriana que é rica, estuda em uma escola particular e de família fervorosamente católica. Do lado de fora, todos a vêem como uma menina privilegiada,  mas a realidade dentro de sua mansão é bem diferente: o pai é um fanático religioso abusivo, que pela menor transgressão, real ou imaginária, agride a mulher e os filhos. É impactante ler as monstruosidades que esse pai comete, e ao mesmo tempo Adichie consegue criar um personagem complexo, que tem virtudes também. No começo da narrativa, Kambili é tímida, e dado o cenário de terror que vive e que não deve ser descoberto por ninguém fora de sua família imediata, e solitária, só contando com a companhia do irmão, Jaja, e da mãe. A menina tem medo até dos próprios pensamentos. Mas a entrada de sua tia, Ifeoma, e seus primos, Amaka e Ibiora, de forma mais abrangente nas vidas dela e do irmão, traz grandes mudanças -ajuda os irmãos a verem novas possibilidades, e a começarem a se formar como pessoas independentes. A autora não coloca panos quentes em nada: a situação política e educacional da Nigéria também estão presentes na história e são tratadas com tanta clareza quanto o abuso sofrido pela família de Kambili.

Apesar de ainda ser cedo para dizer, acho que esse é um dos livros mais importantes que li em 2017, por várias razões, mas principalmente porque me deixou com vontade, aquele foguinho que nasce dentro do peito, de fazer alguma coisa de verdade para ajudar a mudar o mundo: o quê ainda não sei, mas sei que vai ficar comigo isso e que não vou deixar ir embora e vou procurar onde posso contribuir, por menor que seja esse papel. Depois de ler “Hibisco Roxo“, assisti a palestra que Chimamanda Ngozi Adichie deu no TED sobre feminismo, um assunto no qual é ativista, essa sua palestra foi transformada em um manifesto –“Sejamos todos feministas”, que se tornou amplamente divulgado e conhecido (ainda não li, mas pretendo. Vamos?). Esse foi um dos motivos pelo qual quis falar desse livro esse mês, no qual celebramos o Dia Internacional da Mulher, porque nós como mulheres muitas vezes aceitamos as normas sociais vigentes como algo imutável, nós as vezes nos oprimimos umas às outras sem saber o que há por trás de nossas fachadas brilhantes do Instagram e das nossos reluzentes posts no Facebook. E quanto mais privilegiadas, mais longínqua a necessidade de questionar, de trazer para perto essas coisas incômodas como preconceitos e olhar de frente para elas. Vamos parar com isso, sejamos feministas, e mais, sejamos humanos!

Aqui no blog, todo livro tem uma receita e confesso que sofri um pouco ao pensar em comer as receitas que aparecem no livro -realmente não é o tipo de comida que eu curto, então segue aqui uma adaptação do fufu africano: bolinhos de batata doce. Façam junto com seus filhos e maridos, comam conversando e, sugestão controversa, dessa vez, deixe a louça para os meninos.

Bolinhos de Batata Doce para Kambili (serve até 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 300g de batata doce cozida e amassada
  • 100 g de farinha de trigo com fermento
  • 1 pitada de sal
  • Salsa, cebolinha e cebola
  • 1 ovo
  • Óleo para fritar

Modo de Preparo:

  1. Misture os ingredientes em uma tigela, por último a farinha de trigo.
  2. Faça bolinhos com esta massa modelando com 2 colheres.
  3. Aqueça o óleo em fogo médio, quando estiver quente, jogue os bolinhos e frite até que fiquem dourados por fora.
  4. Coloque em uma travessa forrada com papel toalha para drenar a gordura excedente.
  5. Sirva quentinho!

OBS: Deve ficar gostoso misturar na massa um queijo ou uma calabresa picadinha! Da próxima vez, vou experimentar.

Com a galera

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Nem todo livro a gente começa adorando, e comigo e “Fim”, da Fernanda Torres, foi assim, um começo ressabiado, mas ao longo da história fui me convencendo, até que, ironicamente, o fim foi que fez curtir o livro.

O livro conta a história de cinco amigos cariocas da gema, Álvaro, Silvio, Ribeiro, Neto e Ciro, mas não se mantém a só eles, pois toca também a vida das mulheres que fizeram parte da vida dele -suas mulheres, namoradas, amantes. Cada capítulo é narrado por um personagem (com ocasionais inserções do narrador em terceira pessoa), e as vozes de cada um é muito bem desenvolvida pela autora, tanto que o primeiro capítulo narrado pelo ranzinza Álvaro foi justamente o começo meio árido para mim.

As histórias dos amigos se entrelaçam ao longo do livro e vão construindo um caleidoscópio interessante da vida dos cinco, e o bacana do livro é justamente essa variação esperta da autora na perspectiva que cada personagem tem dos acontecimentos. O que, para mim, é a riqueza do livro é capacidade de Torres de tornar os eventos corriqueiros complexos, nos dando cinco versões daquele mesmo evento; assim uma festa com os amigos é onde um encontra o amor, o outro perde a chance com a mulher dos seus sonhos e outro deixa de lado as inibições. Os personagens são bem construídos e verídicos, fogem bem do clichê do malandro carioca, e trazem insights do ego masculino surpreendentes para uma mulher (eu nunca teria sido capaz!).

Ao ler “Fim” pensei que o seu par ideal seria um tradicional pacote de biscoito “Globo”, já que a praia tem destaque na narrativa. Mas como não faço ideia de como fazer um biscoito desse (gente, alguém sabe?!) então quis fazer um biscoitinho salgado (igual a água do mar) e rapidinho, ideal para servir quando os amigos vierem visitar. Então, voilá, Grissinis de Parmesão.

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Grissini para os amigos 

Ingredientes:

  • um pacote de massa folhada
  • 50g de queijo parmesão ralado fino
  • 1 gema
  • ervas finas
  • sal e pimenta a gosto

Modo de Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 200 graus.
  2. Abra a massa folhada com o rolo, até que a massa fique da metade da espessura inicial.
  3. Corte a massa em tiras finas de mais ou menos 1,5cm.
  4. Pincele a massa por inteiro com a gema.
  5. Jogue por cima da massa as ervas finas, o sal e a pimenta, e parte do parmesão ralado.
  6. Torça a massa com cuidado para deixar o lado pincelado de gema para fora.
  7. Coloque os grissinis em uma assadeira forrada com papel para cozinhar e asse durante 15 minutos ou até dourar (é importante ficar de olho para não queimar!).

 

Na hora H

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Daniel Silva, apesar do nome, é um autor americano que escreve deliciosos livros de espionagem e sua série tem como herói Gabriel Allon, um relutante espião do serviço secreto israelense. “O caso Rembrandt” não é o seu título mais recente, mas dentro da série acho que é dos poucos que você pode ler sem conhecer o histórico da saga, pois tem uma história bem fechada que não deixa nada a resolver.

Allon é um personagem complexo: foi recrutado ainda jovem pelo cabeça do serviço secreto israelense, Ari Shamron, quando estava na faculdade de artes para participar da missão que vingaria o massacre ocorrido durante as Olimpíadas de Munique, onde onze membros da delegação de Israel foram mortos pelo grupo palestino Setembro Negro, e, a partir de então, se torna um dos principais agentes de Sharon. Porém no início de “O caso Rembrandt, Allon, depois de pesadas perdas pessoais, está querendo deixar a vida de espionagem e trabalhar como restaurador na Cornualha, junto com sua mulher, Chiara. Mas é claro que o destino (e Shamron) tem outros planos e quando um restaurador é morto e o famoso quadro Rembrandt no qual a vítima trabalhava desaparece, Allon é convencido a entrar em cena. A investigação leva Allon e seu time em uma travessia por várias cidades européias, e Silva sabe exatamente como utilizar seus personagens para construir uma narrativa complexa, que tem base em fatos históricos e que por isso, em certos momentos, é assustadoramente realista.

O que me atrai nos livros de Silva é justamente essa capacidade do autor de trazer a realidade para tão perto da ficção. Eu acho tão difícil entender os conflitos existentes no Oriente Médio, todas as motivações são tão distantes da nossa realidade brasileira, que mesmo acompanhando as notícias acho complicado entender porque não é possível encontrar uma solução para algo que já é tão grave e mortal a tanto tempo. E os livros de Silva me ajudaram a ter uma nova perspectiva disso. Pode parecer pouca coisa, mas a verdade é que no final do ano, que é quando colocamos nossas vidas na balança para analisar, que buscamos entender onde estamos, primeiro como pessoa e depois como ser humano, entender o outro é de suma importância (só não mais do que entender a si mesmo, mas esse movimento só pode ser feito internamente, não é?). Adoro Gabriel Allon e sua equipe de agentes focados em construir uma nova realidade, adoro que Silva não faz seu herói perfeito e que várias vezes tudo dá errado para os mocinhos. Mas que mesmo assim eles não desistem. Não é assim que tem que ser? A gente planeja mas nem sempre (na verdade quase nunca) as coisas saem como esperado e a gente tem que fazer o que dá, e olha que as vezes o resultado é melhor assim do que o que tínhamos planejado.

Enfim, depois de encher vocês com as minhas filosofadas, vou dizer que a receita de hoje nasceu exatamente assim: de um plano que deu errado. Meu marido tinha comprado um pote de funghi secchi na intenção de fazer um risoto, mas cadê o arroz arbóreo? A gente achou que tinha, mas na hora H não tinha e aí, faz o quê? Improvisa meu bem, tirei da despensa uma massa que tava lá para emergências, saí correndo até o mercadinho para arrumar um creme de leite e de quebra arrumei uma salsinha. E assim nasceu nossa receita sucesso de massa ao funghi: desde então já fiz com penne, com fusilli, com spaguetti e essa da foto é com rigatone. Fica sempre uma delícia.

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Massa a la Allon (serve de 2 a 3 pessoas)

Ingredientes:

  • 350g de massa
  • 200g de creme de leite
  • 150g de funghi secchi
  • 1 cebola roxa média
  • um punhado de salsinha
  • azeite, sal e pimenta do reino a gosto

Modo de preparo:

  1. Hidrate o funghi: lave os cogumelos, escorra e cubra com água fervente. Deixe descansar por 30 minutos.
  2. Coe e reserve a água. Depois utilize a mesma água do funghi para cozinhar a massa, sem esquecer de colocar um fio de azeite para a massa não grudar. Dado o tempo indicado, escorra bem e salgue. Coloque no recipiente que for servir.
  3. Enquanto a massa cozinha, esprema os cogumelos apertando com as mãos para secarem bem e então pique em pedaços pequenos. Pique a salsinha.
  4. Em outra panela, refogue a cebola  roxa picada em cubinhos no azeite, sal e pimenta. Junte o funghi e refogue bem. Adicione o creme de leite e deixe reduzir por alguns minutos. Tempere bem com sal e pimenta e então despeje sobre a massa.
  5. Decore com a salsinha picada e sirva imediatamente.

O caso Rembrandt”

Autor: Daniel Silva
Editora: Arqueiro
Páginas: 304

All the crazy ladies

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“Alucinadamente feliz” da Jenny Lawson é um livro díficil de classificar: não é exatamente uma autobiografia, definitivamente não é um romance e também não é auto-ajuda. Então será que é comédia? Talvez. Jenny Lawson é uma blogueira americana (“The Bloggess”) e esse é seu segundo livro, no qual ela trata principalmente de temas como depressão e como criar os filhos com muito humor.

O nome do livro é uma hashtag que ficou muito famosa depois que Lawson a lançou. Ela conta logo no comecinho do livro (não é spoiler! Tá talvez seja um pouquinho spoiler) que criou essa expressão após a morte de um amigo, quando decidiu que mesmo com todos os problemas que existem ela escolheria ser “alucinamente feliz” (na expressão em inglês, furiously happy o quê traduz precisamente para furiosamente feliz) mesmo assim, ou como ela diz, só para contrariar. E o livro como todo então fala desses temas do jeito desbocado e irreverente da autora, que é assumidamente doida varrida.

As minhas duas coisas preferidas do livro foram a capa (tá, eu comprei o livro pela capa, mas gente, é um guaxinim empalhado!) e o fato de me fazer ver que quaisquer que sejam os meus problemas sempre vai ter alguém nesse mundão que tem os mesmos que eu, que eles (eu) não são tão especiais assim. Afinal de contas, se existem pessoas por aí que combatem as mesmas questões da Jenny, que são bem mais complicadas do que as minhas, então deve ter pessoas por aí que lidam com as mesmas questões que eu (bem mais elementares e todo dia). Então o livro tem esse mérito, de fazer o leitor ver a vida com uma perspectiva mais abrangente e que todo mundo tem problemas e defeitos, mas que tudo bem. Vocês já ouviram a máxima “de perto ninguém é normal”? Acho que se encaixa como uma luva aqui, mas no caso de Lawson deve dar para perceber a distância que ela não é exatamente “normal”, afinal, quantas pessoas que você conhece iriam passear na Austrália vestidos de canguru?

Talvez não seja uma associação muito bacana, mas quando estava lendo um dos capítulos do livro em que o marido de Jenny a entrevista, me lembrei muito da Sharon Stone em “Instinto Selvagem”. Fiquei pensando no pobre Victor (marido de Lawson) que as vezes acorda de madrugada e encontra a mulher tentando fazer seu gato montar um guaxinim empalhado ou algo do gênero, e por algum motivo veio na minha cabeça a imagem de Stone sentada na cadeira e pensei que a receita que tem a ver com essas mulheres meio doidas, mas fascinantes é uma que eu não fazia há anos: blondies. Blondies são primos dos brownies, tem as mesmas características mas ao invés do chocolate, os blondies ficam com um gosto mais caramelado, já que não levam cacau na massa. Ficam uma delícia com sorvete e são tão deliciosos que é impossível comer só um.

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Crazy Blondies (adaptado do blog Smitten Kitchen)

Ingredientes:

  • 115g de manteiga
  • 240g ou 1 xícara de açúcar mascavo
  • 1 ovo grande ou dois ovos pequenos
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 1 pitada de sal
  • 125g ou 1/2 xícara de farinha de trigo
  • opcional: nozes e/ou chocolate picado

Modo de Preparo:

  1. Unte uma assadeira de 20 x 20cm e pré-aqueça o forno a 180 graus.
  2. Derreta a manteiga e então misture com o açúcar. Tem que ser açúcar mascavo, senão o sabor não fica com o toque caramelado que caracteriza os blondies. Misture até ficar homogêneo.
  3. Adicione o ovo e a baunilha e misture até integra-los à massa.
  4. Por último adicione o sal e a farinha e, se for colocar, as nozes ou chocolate. Misture até que homogêneo.
  5. Despeje na assadeira e asse de 20 à 25 minutos, dependendo da potência do forno. Sirva ainda quentinho!

 

 

 

 

Do fundo do baú

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Queridos amigos internéticos, eu andei meio sumida porque estava num momento pessoal complicado (me sentindo dentro de um episódio de Grey’s Anatomy :p) e não estava dando conta de escrever. Para dizer a verdade, inspiração não aparecia nem na cozinha nem no teclado. Mas agora estou, graças a Deus, quase de volta à programação normal e bola para frente! (Rá, quantos clichês eu consegui colocar nessa frase, hein? É que eu tô correndo atrás da inspiração ainda, perdoem!).

Tem uns livros que caem como uma luva em certos momentos, né? Foi assim comigo e “Nu, de Botas” do Antonio Prata. Estava eu lá meio jururu, passando por uma situação familiar dessas que parecem um harumaki de stress enrolado em nervosismo com recheio de peloamordedeus, quando lindo e despretensioso esse livro chegou na minha casa e me ajudou a respirar mais leve.

Crônicas parecem fáceis de escrever, mas são daqueles textos capciosos, onde você tem que ter a mão na medida certa, e, vou te contar, que esse tal de Prata tem, e tem para dar e vender. Não teve um só capítulo desse livro que não fosse cheio de humor e inteligência. Eu, sentada no banco do hospital rindo parecia impossível mas foi exatamente o que aconteceu (inserir aqui a cara incrédula do meu tio), porque quem ler essas páginas e não se lembrar da sua infância é de outro planeta. É sempre bom ser criança de novo um pouquinho, especialmente em alguns momentos.

Cada texto de Prata aborda um episódio de sua infância: como eram as viagens de carro para a casa dos avós, as competições por popularidade de pré-escolar, aquela inabilidade total de lidar com o primeiro “crush” correspondido, a completa falta de tato que só existe quando você ainda não tem nenhuma maldade e muito mais. Dou um prêmio para quem ler “Mau menino” com cara séria até o final (ó, só pra deixar claro, o prêmio é figurativo, tá? E para falar a verdade nem sei seria um prêmio muito positivo…). Enfim, Nu, de Botas é um desses livros que eu vou levar comigo e que vou ser a chata falando: “você já leu esse? Você tem que ler!” para pessoas que não me conhecem na rua. Ou na internet. Rá.

Enfim, acho que já rasguei seda o suficiente. É claro que a receita do Nu, de Botas tinha que ter aquele quê de nostalgia, né? Eu, conversando com meu marido sobre o livro, contei para ele alguns episódios da minha infância, inclusive como quando eu era pequena eu chegava da escola, jogava minha mochila (linda, amarelo e laranja neon com um relógio enorme na frente -o auge da moda!) em cima do banco da cozinha e prontamente me sentava na bancada e tagarelava sem parar enquanto a Cidoca preparava o almoço. Eu AMAVA quando tinha pastel! Primeiro porque pastel é uma delícia, e segundo porque eu adorava que a Cida deixava eu fechar alguns deles com a pontinha do garfo, e eu achava aquilo o máximo dos máximos. Então vocês já sabem, a receita de hoje tem esse gostinho de memória. E quem nunca apertou massa de pastel com a pontinha do garfo vai descobrir os simples prazeres da vida (porque eu, até hoje, acho maravilhoso)! rsrs

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Pastel de Banana da Cidoca (faz de 4 a 5 pastéis)

Ingredientes:

  • 2 bananas nanicas
  • 150g de mussarela
  • 1/2 colher de sopa de açucar mascavo
  • 1/2 colher de chá de canela em pó
  • 8 folhas de massa para pastel (usamos a da Massa Leve)
  • óleo para fritar

Modo de Preparo:

  1. Corte as banana em rodelas e as fatias de queijo na metade e faça rolinhos de queijo com banana que caibam no meio da massa do pastel sem encostar nas bordas.
  2. Em uma tigela, misture o açúcar e a canela. Não precisa ser muito, é só para polvilhar por cima depois e dar aquele gostinho de sobremesa.
  3. Divida os recheio nas massas de pastel e feche com um garfo (é agora! rsrs).
  4. Frite em oleo quente e escorra em papel sobre papel toalha.
  5. Polvilhe com a mistura de açúcar e canela e sirva quentinho.

Nu, de Botas”

Autor: Antonio Prata

Editora: Companhia das Letras

140 páginas

Best-sellers


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Existem alguns livros que são aclamados por público e crítica, mas nem sempre eles merecem, não é? Mas o best-seller “O Rouxinol” da Kristin Hannah tem, de fato, merecimento.

O livro se passa na segunda guerra mundial, bem no momento que a França entra na guerra contra os nazistas, e conta a história de duas irmãs: Vianne, uma dona de casa casada que mora em uma pequena cidade no interior da França com seu marido e filha, e Isabelle, uma jovem impetuosa que foi expulsa de diversos colégios internos. As duas irmãs têm um relacionamento complicado entre si, pois tem personalidades opostas, e ainda pior com o pai, Julien, que não soube lidar com as filhas após a morte da esposa.

No começo da ocupação de Paris pelos alemães, Julien manda Isabelle para morar com a irmã que esta mais “segura”no interior. A moça passa por verdadeira saga até chegar lá, sendo que no meio do caminho, conhece Gaeton, um membro da Resistência Francesa. A presença pulsante de Isabelle na pacata vida de Vianne se torna ainda mais perigosa quando um capitão nazista decide se aquartelar na casa delas. Inesperadamente, o capitão se mostra um homem gentil e ele e Vianne estabelecem uma tênue trégua dentro da casa, especialmente depois que Isabelle parte para se juntar à resistência. O livro é narrado por uma das irmãs, mas até o final do história não se sabe qual das duas.

O que eu gostei no livro foi a tremenda ambientação que Hannah criou: para quem já foi à França, é fácil imaginar o vilarejo de Carriveau, suas ruas pitorescas, a propriedade bucólica de Vianne com sua horta, o que torna tudo terrível quando a cidade sofre com a chegada dos alemães, assim como é triste imaginar Paris destruída, os museus saqueados, as pessoas lutando para sobreviver, mas senti que entendia, pelo menos um pouquinho, das circunstâncias, por causa da vívida descrição da autora. Outra coisa que achei interessante é ver a guerra através da ótica feminina, como cada uma das irmãs usa suas armas e lida com suas deficiências em tempos tão duros, e fiquei admirada das corajosas mulheres que realmente lutaram na resistência contra os alemães. Confesso que no começo, achei o passo da narrativa um pouco lento, mas no final não conseguia mais parar de ler.

Por ser um livro que se passa na França, obviamente se fala bastante em comida. Vianne vive dando um jeito dela e Sophie, sua filha, não passarem fome, mesmo com as diminutas porções de comida que conseguiam arrumar. Mas quando eu pensei em uma receita que combinasse com o livro, queria uma que misturasse o doce e o salgado, as diferenças entre as duas irmãs, e queria que fosse bem francesa, mas que não fosse complicada de executar. Depois de um tempo pensando cheguei na resposta: crepe de brie com mel e amêndoas. Gente, comer crepe na rua em Paris é uma dessas coisas maravilhosas da vida, e é isso que eu gostaria que cada um sentisse quando comesse essa receitinha.

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Crepe a la Roussignol

Para a massa:

Ingredientes:

  • 1 ovo
  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 1 1/2 xícara de leite
  • 2 colheres de sopa de óleo
  • 1/2 colher de chá de sal

Modo de Preparo:

  1. No liquidificador, bata todos os ingredientes. Certifique-se de que não ficou farinha de trigo grudada na parede do copo do liquidificador.
  2. Unte com manteiga uma frigideira antiaderente. Leve ao fogo médio. Quando esquentar, coloque uma concha de massa e faça um movimento circular para que todo o fundo seja coberto.
  3. Com uma espátula, levante a pontinha da crepe para ver se está dourada. Quando estiver, vire de lado e deixe dourar o outro lado. Retire a panqueca da frigideira e coloque-a num prato. Repita esta operação até acabar a massa.

Para o recheio:

Ingredientes:

  • 180g de queijo brie
  • 1/2 xícara de amêndoas torradas e fatiadas rusticamente
  • mel a gosto

Modo de Preparo:

  1. Em um frigideira em fogo baixo, derreta o brie. Quando estiver mole mas não totalmente líquido, corte em três pedaços e coloque cada um no canto da quarta parte de uma massa já pronta.
  2. A seguir, regue com mel o queijo, mas não coloque demais pois você irá dobrar a massa. E por fim jogue um punhado de amêndoas torradas.
  3. Dobre a massa em quatro, formando um pequeno leque. jogue por cima mais algumas amêndoas e está pronto para servir 🙂

 

Viagem interna

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No ano passado fiz um curso muito legal, uma Oficina de Contos, n’O Sítio, lá em Floripa, com a querida Milu Leite, e, em uma das aulas falamos sobre o livro desse post “Se um viajante numa noite de inverno” do Ítalo Calvino.

Gente, esse post é um desafio! Não sei como explicar o livro que esse louco italiano escreveu: um labirinto de estórias que desencontra em outro labirinto, levando o leitor por um caminho totalmente surpreendente. Te garanto uma coisa: você nunca leu um livro assim. Logo de cara, Calvino já brinca com o leitor e estabelece um relacionamento diferente entre o livro-objeto e você-leitor. O tom do livro é indulgente, cheio de humor, mas não se engane: esse livro é cheio de críticas e para lá de sagaz.

A história é a seguinte: o Leitor (você!) vai a uma livraria e compra o novo romance de Ítalo Calvino, “Se um viajante numa noite de inverno” (o seu livro!) e vai para casa começar a desfrutar de sua leitura, porém, logo quando você (ele!) está chegando na parte boa, livro é interrompido por… um livro diferente. É isso mesmo, no meio do livro aconteceu algum problema de edição e agora tem outra história ali (vai uma criticazinha mordaz ao mercado editorial aí, alguém?). Confuso, o leitor retorna a livraria e, em sua busca pela história perdida, conhece a Leitora. E a partir daí a narrativa se desenrola cada vez mais complexa e surpreendente, como Alice através da toca do coelho, vamos correndo atrás de histórias perdidas, autores esquecidos e línguas mortas. Calvino usa toda a sua habilidade e humor e o final vai te deixar sorrindo. Não é qualquer autor que conseguiria uma façanha como essa -minhas palmas para esse gênio italiano.

Para esse livro delicioso, queria uma receita italiana como seu autor. Algo me lembrasse a diversão e o afeto do autor pela literatura, paixões que transparecem na sua obra. Me lembrei do primeiro episódio do Chef’s Table com o brilhante chef Mássimo Bottura, onde ele conta como pensou no seu prato de tortellini: é tão lindo, tão cheio de calor humano. Quis pensar em um prato que me trouxesse essa mesma sensação, esse quentinho dentro do peito e o que veio foi: gnocchi. Então segue aí essa receitinha simples de gnocchi de ricota, que é divertida de fazer e melhor ainda de mangiare ❤



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Gnocchi de Ricota para leitores vorazes (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 450g ricota
  • 2 ovos
  • 1/2 xícara de queijo parmesão ralado fino (mais ou menos 50g)
  • 1/2 xícara de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de sal
  • 4 colheres de sopa de manteiga
  • queijo parmesão em lascas
  • folhas de manjericão a gosto para servir

Modo de Preparo:

  1. Coloque a ricota numa tigela grande e, com as mãos, quebre e esfarele em pequenos pedaços. Numa tigelinha separada, quebre os ovos, um de cada vez, e junte à ricota.. Adicione o queijo ralado e o sal e amasse bem com as mãos para misturar. Junte a farinha e amasse novamente, até formar uma massa lisa. Cubra com filme e deixe na geladeira por 15 minutos para firmar.
  2. Modele os gnocchis: com as mãos, separe uma porção da massa, enrole do tamanho de uma bola de gude e achate levemente. Transfira para uma assadeira e repita o mesmo processo com o restante da massa. Se preferir, faça rolinhos e, com uma faca, corte a cada 2 cm para formar os nhoques.
  3. Leve ao fogo alto uma caçarola média com água. Assim que ferver, adicione 1 colher de sopa de sal. Com uma escumadeira, mergulhe cerca de 15 nhoques por vez. Deixe cozinhar por mais 2 minutos depois que subirem à superfície. Pesque os nhoques cozidos com a escumadeira, escorrendo bem a água, e transfira para uma travessa. Cozinhe o restante e reserve 1 xícara da água do cozimento que mais tarde ela será utilizada para fazer o molho.
  4. Leve uma frigideira grande ao fogo médio. Quando aquecer, adicione 1 colher de sopa de manteiga e disponha metade dos nhoques na frigideira. Deixe por cerca de 2 minutos. Vire com uma espátula e deixe por mais 1 minuto para dourar por igual. Transfira para um prato e repita com a outra metade, adicionando 1 colher de sopa de manteiga a cada leva. Deixe eles bem douradinhos para ficarem crocantes!
  5. Mantenha a frigideira em fogo médio e adicione o restante da manteiga. Assim que derreter, regue com ½ xícara (chá) da água do cozimento. Desligue o fogo e mexa a frigideira, delicadamente, fazendo movimentos circulares até formar um molho liso – ao misturar com a espátula a gordura pode se separar do molho. Se desejar um molho mais ralo, adicione, aos poucos, o restante da água do cozimento e ligue o fogo novamente apenas para aquecer. Transfira para uma molheira.
  6. Sirva os gnocchis de ricota com o molho de manteiga, queijo parmesão em lascas e folhas de manjericão fresca a gosto. Se quiser também pode colocar umas lascas de amêndoas torradas que combinam muito bem.

Se um viajante numa noite de inverno”

Autor: Ítalo Calvino

Editora: Companhia das Letras

Traduzido por: Nilson Moulin

280 páginas