Um doce de livro

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“Para todos os garotos que já amei”, da Jenny Han, é um doce de livro. É tão romântico, tão cheio daquela ingenuidade adolescente que as vezes dá até uma certa nostalgia (até você lembrar que ser adolescente era um sofrimento só, com provas de física, espinhas gigantes e hormônios que deixavam você meio enlouquecida).

Lara Jean, a protagonista de Han, é uma menina doce e tímida, vive em um mundo insular com suas irmãs, Margot e Kitty, e seu pai; uma vida tranquila, sem grandes surpresas, e repleta de romances de fantasia. Até que um dia ela é forçada para fora de sua bolha segura, quando todos os meninos de quem ela gostara, e um do qual ainda gosta, recebem cartas que declaram seu amor por eles. Cartas secretas que misteriosamente chegam aos destinatários que nunca deveriam vê-las. É uma premissa meio mamão com açúcar, meio sessão da tarde, mas Lara Jean é uma personagem tão fofa, que você vai deixar para lá essas picuinhas e acompanhar enquanto ela saí da sua concha para descobrir (e o amor) o mundo lá fora, com a ajuda de um dos seus amores, o garoto mais popular da escola, Peter Kavinsky.

O que eu adorei nesse livro foi a habilidade de Han em criar um mundo para Lara Jean. Todo tempo que eu estava lendo, imaginava cada pedaço da sua vida, das suas meias aos pijamas, passando pelos cadernos e tranças elaboradas. Lara Jean é um doce, Peter Kavinsky é lindo e Kitty vai fazer você rir. E vai deixar você morrendo de vontade de comer um doce delicioso (ou pelo menos foi o que aconteceu comigo). Por isso pensei em uma receita bem doce, que vai deixar você suspirando, igual o Peter K. faz com as mocinhas. Brownies é claro!

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Brownies para Lara Jean Song

Ingredientes:

  • 340g de açúcar mascavo
  • 3 ovos
  • 300g de chocolate meio amargo picado
  • 1 barra de manteiga sem sal
  • 145g de farinha de trigo
  • 30g de cacau em pó (esse ingrediente é importante para fazer essa casquinha brilhante deliciosa 🙂 )
  • 1/2 xícara de nozes picadas rusticamente
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 1/2 colher de chá de fermento
  • 1 colher de chá de flor de sal ou 1/2 de sal

Modo de Preparo:

  1. Pique o chocolate bem grosseiramente e derreta no microondas com a manteiga por 1 minuto. Depois, mexa até se transformar em um líquido homogêneo e brilhante.
  2. Bata os ovos com o açúcar e adicione à mistura de chocolate.
  3. Acrescente e misture rapidamente a farinha, o cacau e o fermento.
  4. Por último coloque a baunilha e o sal e mexa delicadamente.
  5. Ponha a massa em uma fôrma untada e asse em forno pré-aquecido a 220 graus por 30 a 40 minutos.

Caixinha surpresa

  
Já contei para vocês que esse ano estou participando do desafio literário do site Popsugar? É muito legal, tomara que eu consiga completar até dezembro 🙂 Bom, por causa do desafio eu comprei “Um presente da Tiffany” da Melissa Hill, o primeiro livro que eu vi ao entrar na livraria.

O livro conta as histórias de Ethan e Rachel, dois estranhos que vão passar o período do Natal em Nova York com seus respectivos namorados. O viúvo Ethan pretende pedir sua namorada, Vanessa, em casamento e para isso compra, com a ajuda da filha Daisy, um extravagante anel de noivado da Tiffany. Gary, o namorado de Rachel, na última hora compra para ela uma pulseira lá também, e ao sair da loja é atropelado por um táxi. Ethan e a filha o acodem e, na confusão, as sacolas são trocadas, o que gera uma grande dor de cabeça.

A ex-mulher de Ethan, Jane, vivia dizendo que amava Nova York e que a Tiffany era um lugar mágico, e por isso Daisy começa a achar que a troca das caixas foi o destino intervindo, levando o pai em direção a pessoa certa. Jane também disse ao marido antes de falecer que encontrasse uma mulher que fizesse para ele pão. E, surpresa, surpresa, não é que Rachel e sua sócia Teri tem um restaurante/buffet/padaria?

Eu normalmente não leio esse tipo de livro do estilo ChicLit, mas calhou de ser e achei gostoso de ler, bem fácil, apesar de achar a caracterização dos personagens um pouco superficial demais, especialmente de Gary. Mas curti as reviravoltas do final, achei fofo, bem romântico. Bem comédia romântica da sessão da tarde, no bom sentido.

A receita de hoje não poderia ser outra: pão. Eu já falei aqui no blog há um tempo atrás de uma receita de piadina que é ótima, mas essa aqui é de pão mesmo, daqueles de fatiar pro café da manhã e tudo. E estou querendo há tempos fazer pão em casa, porque esses do supermercado nem se comparam ao que saí quentinho do forno sem conservantes, né? E o cheirinho desse alecrim ainda perfuma a casa toda 🙂

  
Pão de Alecrim da Tiffany (receita adaptada do livro do Panelinha)

Ingredientes:

  • 2 ramos de alecrim
  • 1 xícara de chá de água morna
  • 2 xícaras de chá de farinha de trigo
  • 1 xícara de chá de farinha de trigo integral
  • 10 g de fermento seco para pão
  • 3 colheres sopa de azeite
  • manteiga para untar
  • sal a gosto

Modo de preparo:

  1. Desfolhe um dos ramos de alecrim e reserve.
  2. Numa panelinha, coloque a água e o ramo inteiro de alecrim. Leve ao fogo médio e, quando ferver, desligue. Retire o alecrim.
  3. Numa tigela grande, misture bem as farinhas e o fermento. Faça um buraco no centro, acrescente a água morna, o azeite e o sal. Trabalhe a massa do centro para fora, incorporando os ingredientes até formar uma bola.
  4. Sob uma superfície enfarinhada, sove a massa de pão por 10 minutos até ficar lisa e elástica. Faça uma bola com a massa.
  5. Unte o fundo de uma tigela grande com azeite. Coloque a massa e pincele-a com um pouco de azeite. Cubra com um pano de prato limpo e deixe crescer por 1 hora ou até dobrar de tamanho.
  6. Transfira a massa crescida para uma superfície enfarinhada e aplaine com os dedos. Salpique com as folhas de alecrim. Dobre a massa e sove-a até que as folhas estejam uniformemente distribuídas. Modele o pão em formato ovalado com cerca de 25 x 10 cm.
  7. Unte uma assadeira grande com óleo. Transfira a massa para a assadeira e faça cortes superficiais no sentido da largura do pão. Pincele com o azeite de oliva restante, cubra e deixe crescer por 30 minutos.
  8. Preaqueça o forno a 180°C (temperatura média).
  9. Pincele o pão com mais azeite e leve ao forno para assar por cerca de 35 minutos ou até que esteja dourado. Para verificar se está assado, bata na parte de baixo do pão (como se estivesse batendo numa porta) e observe se produz um som oco. Caso contrário, deixe assar mais um pouquinho. Quando pronto, coloque o pão sobre uma grade e deixe esfriar.

Entre quatro paredes

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Nessa temporada do Oscar, eu vi vários dos filmes concorrentes ao Melhor Filme, mas não vi “O Quarto de Jack” pois estava lendo “Quarto” da Emma Donoghue e não queria que um estragasse o outro.
Em “Quarto”, Donoghue traz a história de Ma e Jack, mãe e filho que vivem confinados em um quarto, vítimas de um homem a quem chamam de “Velho Nick”. No começo do livro, Jack está completando cinco anos e pensa que o mundo todo se limita ao quarto em que vive com Ma. No quarto, os objetos são amigos, os únicos que ele tem, e o Lá Fora é um local tão fictício quanto o desenho da Dora Exploradora. Jack ainda mantém a ingenuidade total das crianças: ele é doce e esperto, apesar de todas as limitações impostas pelas suas condições. As escolhas que Ma faz ao cria-lo são difíceis, mas compreensíveis dentro do contexto, apesar de várias vezes causarem no leitor uma estranheza.
O maior trunfo do livro é mesmo a habilidade de Donoghue ao construir a voz de Jack. É fácil se afeiçoar ao menino cheio de energia que não sabe o quanto o mundo é grande, e as lacunas no entendimento de Jack, que nós preenchemos facilmente, tornam o livro emocionante. Através de Jack, a autora apresenta uma forma nova de falar sobre amor, sobre o que nos conecta uns aos outros e também dos que nos torna únicos. Não vou dizer que é uma leitura fácil ou leve, mas vale a pena.
Na história, Jack, como toda criança, ama alimentos cheios de açúcar e detesta verduras. Tenta sempre despachar os verdinhos para longe, apesar dos esforços de Ma. Então quis pensar em uma receita que mudasse essa atitude, que deixasse o Jack aficcionado por tudo que é verdinho! Aqui em casa essa da Rita Lobo é sucesso: creme de espinafre.
Creme Verde para o Jack  (serve 2 pessoas)
Ingredientes:
  • 300g de espinafre fatiado congelado
  • 3 xícaras de chá de leite
  • 4 colheres de sopa de manteiga
  • 4 colheres  de sopa de farinha de trigo
  • Noz-moscada ralada na hora
  • Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Modo de Preparo:

  1. Leve uma panela média com a manteiga ao fogo baixo. Quando derreter, junte a farinha e mexa bem por 2 minutos, até ficar levemente dourada.
  2. Adicione o leite gelado de uma só vez e mexa vigorosamente com um batedor de arame para não empelotar. Quando a mistura de farinha dissolver, aumente o fogo para médio. Tempere com noz-moscada e cozinhe, sem parar de mexer, até engrossar, cerca de 10 minutos.
  3. Acrescente o espinafre congelado e mexa para que os cubos derretam e o creme fique uniforme. Tempere com sale pimenta.
  4. Cozinhe em fogo médio, sem parar de mexer, por mais ou menos 10 minutos.

PS: Vocês já viram o filme? Devo assistir?

Salada Encantada

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Quem não cresceu ouvindo contos de fada? Cinderella, Chapéuzinho Vermelho, Branca de Neve, Rapunzel, toda menina já fingiu ser uma delas (ou todas) na infância e é por isso que eu fiquei empolgada para ler “Bitter Greens” da Kate Forsyth, que entrelaça a história verídica de Charlotte-Rose de la Force, uma aristocrata francesa, com a fábula de Rapunzel, no livro chamada de Marguerita, e da fictícia bruxa Selena.

No livro, as três narradoras se revezam: Charlotte-Rose é banida por Luís XIV para um convento e dentro de seu período lá, faz amizade com uma das freiras, Irmã Serafina. Charlotte-Rose é aspirante a escritora e desde pequena é considerada uma independente e selvagem demais para os padrões da época. Ao chegar no convento ela está inconsolável por causa de um amor perdido, mas com o passar do tempo e com a assistência de Irmã Serafina, sente-se melhor. Marguerita, no seu aniversário de sete anos, é arrancada de seu lar pela bruxa Selena,  chamada de La Bella Strega, em troca de um punhado de hortaliças, e levada para uma vida de isolamento em uma torre. Em seguida, voltamos no tempo para acompanhar a vida de Selena, como esta se tornou bruxa e as motivações das suas ações.

O que eu adorei nesse livro foi a mistura de ficção com realidade: personagens reais como Charlotte-Rose (tão interessante que quero ler mais sobre ela), Luís XIV e o pintor Tiziano, entre outros, trazem para a narrativa uma riqueza enorme, o que deve ser o resultado de uma pesquisa histórica bem extensa. Além disso, Forsyth consegue nos fazer empatizar com suas personagens, mesmo quando elas são vilãs e agem de maneira cruel ou egoísta. O livro é uma delícia de ler, passa rápido e tem cenas ótimas (especialmente no final, uma cena de Charlotte-Rose me fez gargalhar).

Como não poderia deixar de ser com um livro com esse nome, a receita de hoje é uma salada! Mas não é qualquer salada, não, é uma salada delícia especial que vai bem em qualquer dieta e ainda deixa você feliz: salada morna de rúcula, abobrinha e amêndoas. Uns verdinhos amargos de vez em quando caem bem 🙂

Salada de Abobrinha Encantada (serve 2 pessoas)

Ingredientes:

  • 3-4 abobrinhas médias ou grandes
  • 1/2 xícara de amêndoas torradas
  • 1 limão
  • um punhado generoso de rúcula lavada
  • sal, azeite e pimenta do reino

para o molho:

  • 1 pote de iogurte natural (eu uso o semi0desnatado)
  • 2 colheres de sopa mostarda dijon
  • mel a gosto

Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180 graus.
  2. Lave bem a abobrinha e então seque. Em seguida, em uma travessa antiaderente, corte as três abobrinhas, com casca mesmo, em tiras verticais com um mandolim. Pare de cortar quando chegar nas sementes. Arrume as tiras na assadeira e então regue com azeite e o suco de limão, tempere com sal e pimenta e coloque para assar entre 15 e 20 minutos.
  3. Em um pote, despeje o iogurte, a mostarda e o mel. Misture bem até fica homogêneo. Reserve na geladeira até a hora de servir.
  4. Corte as amêndoas rusticamente.
  5. Coloque a rúcula lavada e seca na saladeira. Retire do forno a abobrinha e jogue sobre o leito de rúcula, por cima jogue as amêndoas cortadas. Sirva com o molho.

 

Escondidinho para Lisbeth

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Vocês conhecem a série Millenium, do Stieg Larsson, certo? Os livros fizeram um grande sucesso quando foram lançados em 2004, pouco após a morte do autor sueco. Tanto sucesso que viraram filmes: o primeiro livro teve uma versão sueca e também uma holywoodiana com Daniel Craig e Rooney Mara nos papéis principais. Os outros livros viraram filmes suecos também, mas Holywood ainda não continuou a sequência. Enfim, tudo isso para dizer que a série Millenium que começa com “Os homens que não amavam as mulheres” é totalmente viciante. E agora tem um novo volume, chamado “A garota na teia de aranha” do David Lagercrantz.

O quê faz os livros Millenium serem tão tão bacanas? A resposta é óbvia: Lisbeth Salander. Lisbeth é uma hacker brilhante com dificuldades de relacionamento (na verdade, ela sofre de algum tipo de síndrome), aptidão para a violência e um grande senso de justiça. Ela não é nem um pouco parecida com as heroínas tradicionais, é magra e sem curvas, tem os cabelos pretos cortados curtos, uma grande tatuagem de dragão nas costas, um milhão de piercings e é bissexual. E você vai torcer por ela a cada momento. Claro que uma heroína merece um herói a altura, então temos Mikael Blomkvist, um jornalista que é um dos sócios-fundadores da revista Millenium, conhecido por sua capacidade investigativa.

Não vou falar muito dos três primeiros livros aqui, só vou dizer para vocês: se ainda não leram, leiam. E agora vamos falar do “A garota na teia de aranha”. Para mim foi irresistível a chance de ler mais Lisbeth. E também fiquei curiosa para ver como o novo autor se sairia. Stieg Larsson morreu quando ele estava escrevendo o quarto livro, mas David Lagercrantz não teve acesso ao manuscrito por questões do espólio, então fez tudo sozinho mesmo. E se saiu muito bem, na minha opinião. Eu gostei bem mais dos três primeiros, mas também fiquei lendo loucamente o novo. Lagercrantz manteve as características dos personagens, e utilizou bem todo o pano de fundo construído por Larsson. Também curti bastante os personagens novos que estão envolvidos na trama, como o Dr. Frans Balder e seu filho August, sendo que este último é autista (o que tem grande relevância na história). Enfim, se você gosta de thrillers, esse livro (e a série toda, claro) é um prato cheio!

O que eu acho muito bacana em Millenium é justamente a habilidade dos autores em surpreender, então fiquei pensando que a receita que acompanhasse o livro tinha que ter essa mesma característica. Nesse meio tempo, fui fazer compras e trouxe para casa uma bandeja de shitake e, enquanto pensava em como preparar meus cogumelos, tive um estalo: um escondidinho de shitake! Um prato que ainda não comi em lugar nenhum, será que ia ficar bom? E não é que ficou ótimo! Surpreendeu, a la Lisbeth.

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Escondidinho de Shitake para Lisbeth (serve de 4 a 5 pessoas)

  • 3 mandiocas descascadas
  • 300g de shitake
  • 250g de carne moída (opcional)
  • um punhado de cebolinha fatiada
  • 1/3 de xícara (chá) de queijo parmesão ralado
  • 1/4 de xícara de farinha de rosca
  • 1/2 xícara de leite
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • shoyu
  • azeite para untar
  1. Lave os cogumelos, escorra-os e refogue com um um fio de azeite e bastante cebolinha. Se for fazer com carne, refogue a carne também. Adicione o shoyu e, se quiser, tempere com sal e pimenta do reino.
  2. Acomode a mistura de shitake ainda quente no fundo de uma travessa média.
  3. Cozinhe 250g de mandioca em água até ficar bem macia. Retire do fogo e deixe amornar.
  4. Retire os fiapos e amasse as mandiocas com um garfo. Adicione 1/2 xícara de leite desnatado, 1 colher de sopa de manteiga, noz moscada e sal a gosto.
  5. Despeje o purê sobre a mistura de cogumelos. Alise a superfície com uma espátula.
  6. Salpique a farinha de rosca e o queijo parmesão por cima até ficar uniforme.
  7. Leve ao forno pré-aquecido a 220 graus por aproximadamente 30 minutos. Sirva ainda quente!

Segredos, confissões e panquecas

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Vou confessar uma coisa: eu não adorei Mentirosos, da E. Lockhart. De vez em quando eu gosto de ler um livro YA, eles são rápidos e divertidos no geral, leituras fáceis de digerir. E Mentirosos parecia interessante, mas logo no começo eu achei adivinhei o grande twist do final e aí pronto, o livro perdeu um pouco da graça. Enfim, não é o meu livro predileto mas tem algumas coisas legais: a autora consegue criar muito bem o retrato do lugar e da família de Cady, a personagem principal.

Logo de cara, Cadence Sinclair ou Cady, a narradora nos conta que ela teve um acidente que a deixou com terríveis dores de cabeça. Ela explica também que nenhum Sinclair é fraco, ou sofre de vícios ou fracassa. Em seguida, ela e a mãe vão para a ilha particular da família, onde seus avós e cada uma das suas tias, e também sua mãe, tem uma casa. É nessa ilha teoricamente paradisíaca que Cady encontra seus primos, e  se apaixona pela primeira vez. O grupo dos primos mais Gat (o filho do namorado da tia) eram chamado de “Mentirosos” pela família.  É também na ilha que ela sofre o acidente que a deixou doente.

No livro, existem várias descrições de refeições luxuosas a beira-mar, e essa parte sim me deixou com água na boca. Uma parte fala de café da manhã e isso me deixou sonhando com panquecas fofinhas cobertas de mel. E aposto que você vai acabar mentindo para você mesmo um pouquinho para poder comer essas panquecas deliciosas sem culpa de vez quando… Então segue aí.

Panquecas para Cady Sinclair (faz de 4  panquecas médias)

Ingredientes:

  • 125 g de farinha de trigo
  • 5g de fermento químico
  • 1 pitada de sal
  • 30g de açúcar mascavo
  • 1 ovo
  • 150ml de leite
  • manteiga para derreter
  • uma pitada de canela (opcional)

Preparo:

  1. Misture a farinha com o fermento, o sal, o açúcar e a canela numa tigela funda.
  2. Em outro recipiente, bata o ovo e misturar com o leite.
  3. Misture os ingredientes secos com os líquidos, batendo até que a massa fique homogénea.
  4. Aqueça uma frigideira anti-aderente em fogo médio. Coloque um pouco de manteiga e deixe derreter completamente.
  5. Com uma concha, derrame uniformemente a maça de modo a cobrir o fundo da frigideira.
  6. Deixar cozinhar até que a massa comece a borbulhar, então vire a panqueca do outro lado e deixe dourar durante cerca de 30 segundos.
  7. Sirva quentinhas polvilhadas com açúcar em pó e regadas mel e rodelas de banana ou morangos, e para finalizar umas nozes.

 

 

 

 

Jardim interno

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Esse ano eu fiz uma lista com os livros indispensáveis de 2016, entre eles está “O amante japonês” da Isabel Allende. Isso porque faziam anos que eu não lia nada dela, e fiquei curiosa quando vi que o livro se passava em uma casa de repouso. Quase nenhum livro conta o final da história, o que aconteceu com os heróis depois daquele beijo, ou do casamento, ou depois que nasce o filho. Eu tinha quase certeza que isso não aconteceria nesse livro, e estava (quase completamente) certa!

“O amante japonês” conta a história de Alma e Irina. Alma Belasco é uma idosa ativa que vive na casa de repouso Larkhouse, onde Irina, uma jovem imigrante da Moldávia vai trabalhar após passar por momentos difíceis. Alma se aproxima de Irina e as duas se tornam amigas e confidentes, e é para a jovem e para seu neto Seth (que arrasta a asa para Irina) que Alma conta sua improvável história de amor com um jardineiro japonês, Ichimei Fukuda. O livro toca em vários temas espinhosos: abuso sexual, imigração, preconceito racial, social e etário, o que poderia tornar-lo um livro difícil, mas Allende mantém o foco no romance e consegue navegar esses assuntos de forma habilidosa. A personagem de Alma é cheia de nuances, uma personagem que projeta uma imagem para os outros mas internamente é bem diferente. Por fora, Alma é fria e de poucos amigos, mas por dentro, com a ajuda de Ichimei, florescem jardins.

Essa foi a reflexão que ficou comigo quando terminei o livro, o quanto as vezes somos diferentes do que parecemos para os outros, não melhores ou piores, mas diferentes. Queria uma receita que representasse essa dualidade, então tive a idéia de fazer um folhado diferente, recheado de sabores surpreendentes: figos, presunto de parma, ricota, mel! Aproveitem 🙂

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Folhado a la Belasco (faz quatro folhados)

Ingredientes:

  • Massa Folhada (usei a da Massa Leve)
  • 4 figos
  • ricota fresca (eu adoro a Vitalate!)
  • 30g de presunto de parma
  • sal, azeite e pimenta do reino
  • manteiga
  • mel a gosto
  • Gema de ovo para pincelar

Preparo:

  1. Tire a massa de dentro da embalagem com cuidado, ela é delicada.
  2. Em uma vasilha, tempere a ricota com azeite, sal e pimenta.
  3. Corte os figos ao meio e depois em quatro. Esquente uma frigideira e derreta um pouco de manteiga, em seguida coloque os figos na frigideira e deixe-os amolecer um pouco. Antes de retirar adicione o mel.
  4. Corte o presunto em pedaços menores que caibam no folhado.
  5. Coloque o recheio bem no meio da massa, mas não exagere na quantidade para não transbordar quando assar.  Posicione-o pensando que vai ter que dobrar a massa por cima dele e colar as beiradas.
  6. Dobre o outro lado da massa sobre o lado que você colocou o recheio e ligue as pontas, pressionando com um garfo por toda a extensão da borda para que os dois lados fiquem bem coladinhos.
  7. Abra um ovo e separe a gema. Pincele um pouco da gema por cima de cada folhado, sem exagero.
  8. Coloque já na forma que vai usar para assar e leve para a geladeira por 30 minutos. Na metade desse tempo, acenda o forno para preaquecer a 200°C.
  9. Depois dos 15 minutos, pegue a forma e coloque no forno para assar até dourar, entre 5 e 10 minutos.

 

Amor é chocolate, cafuné e Carpinejar

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Sabe aqueles dias que você está precisando de um presente? Você acordou mais para lá do que para cá e quer um carinho? Faz um cházinho ou descola um cafuné ou arruma um chocolate e abre em qualquer página “Para onde vai o amor?” do Fabrício Carpinejar (ou tudo isso junto!) que eu te garanto que você vai se sentir melhor.

Esse livro de crônicas do Carpinejar é uma delícia, um livro sensível, daqueles que deixam um calorzinho no peito e um sorriso no rosto. O livro esmiúça o ato de amar, suas rotinas e peculiaridades. Todo mundo sabe o quê é o amor (menos o Voldemort) mas poucas pessoas conseguem colocar no papel a sensação de estar amando. E Carpinejar é fera nisso.

Logo, na hora de pensar no que combina com todo o romantismo do livro, a resposta já veio rápida: chocolate! Mas o quê de chocolate? Eu queria que fosse rápido e deixasse essa mesma sensação de calorzinho interno, de carinho, então me lembrei dessa receitinha que além de tudo isso ainda é a jato. Sempre sirvo em uma xícara ou uma canequinha que é para dar um charme e faz o maior sucesso.

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Bolo Carinhoso a jato (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 1 ovo
  • 3 colheres de sopa de manteiga
  • 4 colheres de sopa de açúcar
  • 4 colheres de sopa de leite
  • 3 colheres de sopa de cacau em pó
  • 3 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 1/2 colher de chá de fermento em pó

Modo de Preparo:

  1. Em uma tigela média, que vá ao micro-ondas, coloque a manteiga. Leve para derreter por 30 segundos, até que a manteiga fique líquida. Meça novamente as 3 colheres (com a manteiga já derretida).
  2. Volte a manteiga à tigela e junte o leite e o ovo. Misture bem, com um batedor de arame ou com um garfo.
  3. Junte o açúcar, o cacau, a farinha e o fermento. Misture vigorosamente, até que a massa fique homogênea.
  4. Divida a massa entre os 4 recipientes que for usar, com cuidado para não ultrapassar 2/3 da capacidade do recipiente. Leve todas ao micro-ondas, na potência máxima, por 3 minutos. Para facilitar na hora de tirar, coloque sobre um prato.
  5. Tome cuidado na hora de tirar os copinhos, eles ficam bem quentes. Espere esfriar um pouco 😉

OBS: Observe bem a potência do seu microondas e ajuste o tempo de acordo!

1 ano de Cozinha Literária!

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Hoje o Cozinha Literária faz um ano! Gente, eu estou superfeliz com todo o retorno que o blog vem tendo; é muito bacana ver que as pessoas lêem e ficam animadas com os livros e as receitas 🙂 Como blogueira iniciante eu não tenho muita prática nas coisas internetsistícas, então para mim é tudo novo (as vezes um pouco difícil, as vezes divertido) e tenho aprendido muito com o blog e com as pessoas que ele trouxe. Então fica aqui o meu muito muito obrigada para cada um de vocês que lê, que comenta e experimenta, enfim para quem faz parte dessa pequena história que comecei por aqui.

Como não podia deixar de ser, eu vou postar aqui uma receita e um livro, mas dessa vez o quê conecta eles sou eu! (ô humildade! rsrs) Quero postar hoje um dos meus livros preferidos e também meu bolo de aniversário favorito. Hoje pode, né?

O livro de hoje é nada menos do que um clássico brasileiro, Capitães da Areia do Jorge Amado. Esse livro, gente, esse livro é tão emocionante, é uma pedrada no coração. Quem conseguir ler e dizer que não ficou com o coração apertado ganha um doce (mas é impossível a não ser que você seja um robô). A história de Pedro Bala, Dora e o Professor é um clássico por um motivo simples: foi escrito em 1937 mas continua sendo atual até hoje.

Nesse livro, Jorge Amado faz um milagre: ele começa o livro com o protagonista cometendo um ato horrível, que normalmente o leitor não perdoaria de jeito nenhum. Mas conforme a narrativa vai evoluindo, você entende melhor quem são esses personagens e o que faz com que cada um deles lute pelo dia seguinte. Eu me apaixonei pelos meninos perdidos que se chamam de Capitães da Areia, e até hoje, muitos anos depois, ainda penso nesse livro como um marco, pois me fez questionar muita coisa que antes eu não havia parado para pensar.

Eeee, a receita de hoje é o bolo delícia de cenoura com calda de chocolate! Eu amo, amo, amo essa combinação. Então segue aí!

Bolo de cenoura com calda de chocolate

Ingredientes:

Para o bolo:

  • 3 cenouras
  • 4 ovos
  • 1 xícara de óleo de canola, milho ou girassol
  • 1 1/2 xícara de açúcar
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 pitada de sal
  • manteiga e farinha de trigo para untar e polvilhar

Preparo:

  1. Preaqueça o forno a 180ºC. Unte uma fôrma redonda de 23 cm de diâmetro com manteiga. Polvilhe com farinha de trigo.
  2. Coloque a farinha, o sal e o fermento em uma tigela, passando pela peneira. Misture delicadamente e reserve.
  3. Lave e descasque as cenouras. Descarte a extremidade superior e corte as cenouras em rodelas.
  4. Quebre os ovos um a um, em uma tigela e coloque no copo do liquidificador. Junte as cenouras, o óleo e o açúcar e bata até formar uma mistura homogênea.
  5. Junte a mistura do liquidificador à tigela com a farinha, o fermento e o sal. Com um batedor de arame, misture delicadamente até ficar liso e homogêneo.
  6. Transfira a massa para a assadeira e leve ao forno preaquecido por cerca de 50 minutos. Para saber se o bolo está bom, espete um palito na massa: se sair limpo é sinal de que o bolo está assado e pode ser retirado do forno. Caso contrário, deixe por mais alguns minutos até que asse completamente. Deixe esfriar por 15 minutos antes de desenformar.

Para a calda:

Ingredientes:

  • 1/2 xícara de chocolate em pó
  • 1/3 de xícara de açúcar
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1/3 de xícara de água

Preparo:

  1. Numa panela pequena junte o chocolate, o açúcar, a manteiga e a água. Leve ao fogo médio mexendo sempre com um batedor de arame.
  2. Quando começar a ferver, cozinhe por cerca de 4 minutos, sem parar de mexer. Assim que a calda começar a desgrudar do fundo da panela é sinal de que está pronta.
  3. Regue a calda quente sobre o bolo já frio e desenformado e deixe esfriar. Sirva a seguir.

Chá inglês

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No ano passado eu li “The Royal We” da Heather Cocks junto com a Jessica Morgan. A razão de eu ter escolhido ler esse livro é que eu acompanho o hilário blog de moda das duas, o “Gofugyourself” (o nome é esse mesmo) e fiquei curiosa para ler um romance escrito pela dupla.

O livro conta a história de uma menina americana, Bex, que se apaixona por um príncipe inglês, Nick. As autoras, que adoram a monarquia inglesa e vivem falando da família real no blog, basearam a história, é claro, no romance entre o príncipe William com Kate Middleton. O livro é muito engraçado, cheio de referências pop e uma leitura fácil e rápida. Um livro para cinderelas modernas, que querem sonhar com o príncipe encantado (que as vezes nem é tão encantador assim, e por isso mesmo mais interessante) e que querem se divertir com uma leitura light e fofa.

Eu, quando era criança, adorava a princesa Diana e, óbvio, seus filhos príncipes! Logo, para mim também dá uma certa nostalgia lembrar dessa época. Enfim, vale a pena ler para vocês rirem, é um livro ótimo para carnaval porque não é um thriller daqueles que você não consegue parar nem um minuto então dá para você ler e cair na folia! E quando estiver descansando, aproveitar o romance.

É claro que a receita perfeita para esse livro é aquele bolinho fofinho mas consistente que acompanha chás com elegância britânica, a madeleine! Porque quando eu penso em príncipes ingleses, chá é a primeira coisa que aparece (fora o cavalo branco, claro), não é? Essa receita é lá do Moldando Afeto 😉

Madeleine Real (faz 20 bolinhos)

Ingredientes:

  • 1 colher de chá de fermento
  • raspas de 2 limões
  • 2 ovos
  • 125g de farinha de trigo
  • 125g de açúcar
  • 125g de manteiga derretida

Preparo:

  1. Bata os ovos e açúcar até obter uma mistura clara e fofa. Incorpore a farinha e o fermento, mexendo devagar. Adicione a manteiga derretida e por último as raspas de limão.
  2. Descanse em geladeira por 1 hora.
  3. Pré-aqueça o forno a 220 graus.
  4. Preencha 2/3 das forminhas e asse por 15 minutos.
  5. Desenforme enquanto ainda estiverem mornas.