Reféns

O Theo completou sete meses e finalmente acho que não sou mais refém do neném. Ninguém te avisa que o neném vai sequestrar você. Todo mundo fala que você nunca mais vai dormir como antes (verdade), que você vai ter uma vida completamente diferente (também verdade) e que todo mundo vai te dar mil conselhos (com a gente foi bem tranquilo isso), mas ninguém avisou: olha, você vai ser refém do neném. Ele vai sequestrar vocês e vocês vão ficar meses em clausura, aonde uma visita até a pediatra é o auge da liberdade. E vai rolar uma síndrome de Estocolmo sinistra porque você só vai pensar em fralda, leite e cocô. Talvez, inclusive, você comemore cocô. É isso mesmo, queridona, você que antes era fresca agora aguarda ansiosa o momento do cocozão: você torce por ele e quando ele não vem, fica angustiada. Quem te viu, quem te vê.

E estou falando isso porque eu tenho uma situação maravilhosa, hein? Marido que é parceirão, família pertinho que tá sempre querendo ajudar, assistência de alto nível com o pessoal que trabalha aqui em casa e amigos que, quando podem, comparecem. Imagino quem não tem nada disso, ou mesmo quem só tem uma parte: como vocês fazem? Vocês são meus heróis e heroínas. Que mágica vocês possuem? Para você que fica todo o dia, o dia inteiro, sozinha com seu filho, meus parabéns. Para você que está um pouco atrás de mim, naquele comecinho em que dias e noites se embolam em uma coisa só, engrosso o coro do mantra “tudo passa”. Inclusive os momentos mais legais, então aproveita. E tira fotos, porque passa rápido.

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