a vida invisível de Eurídice Gusmão

Existem pessoas geniais por aí, sabe aqueles seres alienígenas que entendem cálculo de primeira, aprendem qualquer lingua como se tivessem engolido um dicionário e que ao se aplicarem em qualquer coisa são imediatamente brilhantes nela. A personagem principal de “A vida invisível de Eurídice Gusmão”, da Martha Batalha, é uma dessas pessoas míticas -ela é um gênio, mas ninguém sabe. Agora você quer ler, não é?

A história de Eurídice começa com seu casamento nos anos 30. Ela, uma moça quieta que vive mais dentro de si mesma do que fora, é escolhida por Antenor por ser um exemplo de boa moça e aceita porque não, não é mesmo? Mas Eurídice não é só uma boa moça, Eurídice poderia resolver a crise do Oriente Médio se lhe dessem ouvidos e colocar nos conformes a economia brasileira, se por acaso não tivesse nascido mulher no Brasil do começo do século XX. Nessa trama interessante, Batalha trata seus personagens com carinho: cada um deles, de sua heroína à empregada da mesma que só aparece raramente, salta da página para cumprimentar o leitor. Como é fácil imaginar Guida, Antenor, Marcos e todos os outros! Esse é o talento da autora e o grande trunfo do livro, na minha opinião.

Eurídice é uma personagem que está vivendo na época errada. Para todos a sua volta, lugar de mulher é em casa, barriga no fogão, um olho nos filhos e outro na novela. E ela, tão cheia de potencial e ideias, aceita esse lugar hierarquico e abre mão do que a sua vida poderia ter sido. Quantos mulheres não devem ter passado, e ainda passam, por isso? É incrível pensar o quanto a história do mundo poderia ser diferente se o movimento feminista tivesse ocorrido antes, ou ainda melhor, se nós, como sociedade não precisássemos de um movimento em prol da igualdade pois ela seria “par for the course”. Mas o mundo que temos é esse mesmo, então, vamos lá meninas e mulheres: GIRL POWER! Vamos em frente suando a camisa para alcançar nossos sonhos, uma apoiando a outra, sempre 🙂

Em certa parte do livro, Eurídice se dedica à culinária e, como em tudo, se sai de forma excelente. Porém seus verdadeiros banquetes passam em branco no seu pequeno reino doméstico e, sem apreciação ou incentivo, logo ela se dedica a novos interesses. Eu me identifiquei com ela nesse momento: também foi logo depois de casar que eu quis aprender a cozinhar de verdade (algo além de miojos, ovos fritos e panelas de brigadeiro) e também para mim senti um mundo novo e fascinante se abrir. Confesso que nunca cheguei ao nível de proficiência da Sra Gusmão, mas de fome a gente não morre mais! Lembrei aqui, óbvio, de um dos primeiros pratos que eu aprendi a fazer: uma receita de linguado no forno do Jamie Oliver que, apesar de super simples, é lindo e faz a maior vista à mesa. Meu marido na época me achou Masterchef! rsrs

Aqui também vai mais uma confissão: esse post está escondido há meses, esperando uma oportunidade de ver a luz do dia. Acho que eu comecei a escrevê-lo em Fevereiro porque queria postar em Março e desde então me enrolei e neca de postar coisa por aqui! (alooou pra vc que também tem filho pequeno e entende a enrolação da pessoa aqui ;p )

Linguado para pagar de Eurídice (serve até 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 4 filés de linguado já limpos
  • 2 a 3 limões sicilianos
  • um punhado de endro
  • Um pote de iogurte natural
  • azeite, sal e pimenta do reino a gosto

Modo de Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180 graus e escolha uma travessa que acomode bem os filés de linguado.
  2. Tempere os filés de peixe com sal, azeite e pimenta e disponha na travessa. Coloque um pouco de endro por cima do peixe (não exagere que o gosto é marcante).
  3. Corte dois dos limões em rodelas de 0,5 centímetro e arrume as rodelas por cima dos filés uniformemente. Coloque para assar no forno por 22 minutos.
  4. Enquanto o peixe assa, coloque o iogurte natural no pote em que for servir o molho, então tempere com o endro, sal, azeite e pimenta. Adicione um pouco de suco de limão na hora de servir.

 

A vida invisível de Eurídice Gusmão
Capa comum: 176 páginas
Autor: Martha Batalha
Editora: Companhia das Letras; Edição: 1 (20 de abril de 2016)

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