Quase lá

cisneros

Pessoal,

esse ano de 2016 não foi moleza, não é mesmo? Foi um ano pesado para todo mundo (e nesse caso eu quero realmente dizer todo mundo), mas sempre vem a esperança de que o próximo vai ser melhor. Nessa nota, tá naquele momento de recapitular e planejar, gente!

RECAPITULANDO:

  1.  “O amante japonês” da Isabel Allende LIDO!
  2. “Desaparecidas” da Lauren Oliver LIDO!
  3. “O rouxinol” da Hannah Kristin LIDO!
  4. “Glass Sword” da Victoria Aveyard LIDO!
  5. “Toda luz que não podemos ver” do Anthony Doerr NOT!
  6. “O assassino cego” da Margaret Atwood NOT!
  7. “Para onde vai o amor?” do Fabrício Carpinejar LIDO!
  8. Histórias de cronópios e de famas” do Julio Cortázar LIDO!
  9. “A garota na teia de aranha” do David Lagencrantz LIDO!
  10. “Fates and furies” da Lauren Groff LIDO!
  11. “A brief history of seven killings” do Marlon James NOT!
  12. “You’re never weird on the internet (almost)” da Felicia Day LIDO!

Bom, de acordo com as minhas estimativas (que envolvem cálculos complexos, não peçam para explicar), esse ano eu li 68 livros, mas esses 3 por algum motivo não entraram na lista 😮 “O assassino cego” da Margaret Atwood comecei a ler a milênios atrás e desanimei na metade, porque apesar de bem escrito não prendeu minha atenção. “Toda luz que não podemos ver” parece ótimo mas por algum motivo eu sempre deixava ele pro final da fila e  “A brief history of seven killings” eu baixei no final de semana passado no Kindle e li as primeiras 4 páginas -quem sabe ainda dá tempo, 2016?

Dessa lista, o meu predileto foi com certeza “O rouxinol”, da Hannah Kristin que teve resenha aqui no blog e tudo! Outro livro que eu adorei e que, por coincidência, tem uma temática bem similar, foi “Secrets of a Charmed Life” da Susan Meissner. Ah, e me diverti muito com “A Torre” do Daniel O’Malley, que é uma loucurinha muito bacana.

Então agora vem a minha listinha para o ano que vem (um para cada mês):

  1. “Toda luz que não podemos ver” do Anthony Doerr (esse ano vai!)
  2. “Hibisco Roxo” da Chimamanda Ngozi Adichie
  3. “The house on Mango Street” da Sandra Cisneros
  4. “A vida invisível de Eurídice Gusmão” da Martha Batalha
  5. “Swing Time” da Zadie Smith
  6. “Wicked” do Gregory Maguire
  7. “Todos os contos” da Clarice Lispector
  8. “S.” do J. J. Abrams
  9. “O miniaturista” do Jesse Burton
  10. “Trinta e poucos” do Antônio Prata
  11. “Grande Sertão Veredas” do Guimarães Rosa (não me julguem! Eu disse que vou ler)
  12. “Spare and Found Parts” da Sarah Maria Griffin

E gente, a listinha de receitas fica para o próximo post 😉 Feliz Natal e um 2017 cheio de coisa boa para todos 🙂

Na hora H

allon_ilust-web

Daniel Silva, apesar do nome, é um autor americano que escreve deliciosos livros de espionagem e sua série tem como herói Gabriel Allon, um relutante espião do serviço secreto israelense. “O caso Rembrandt” não é o seu título mais recente, mas dentro da série acho que é dos poucos que você pode ler sem conhecer o histórico da saga, pois tem uma história bem fechada que não deixa nada a resolver.

Allon é um personagem complexo: foi recrutado ainda jovem pelo cabeça do serviço secreto israelense, Ari Shamron, quando estava na faculdade de artes para participar da missão que vingaria o massacre ocorrido durante as Olimpíadas de Munique, onde onze membros da delegação de Israel foram mortos pelo grupo palestino Setembro Negro, e, a partir de então, se torna um dos principais agentes de Sharon. Porém no início de “O caso Rembrandt, Allon, depois de pesadas perdas pessoais, está querendo deixar a vida de espionagem e trabalhar como restaurador na Cornualha, junto com sua mulher, Chiara. Mas é claro que o destino (e Shamron) tem outros planos e quando um restaurador é morto e o famoso quadro Rembrandt no qual a vítima trabalhava desaparece, Allon é convencido a entrar em cena. A investigação leva Allon e seu time em uma travessia por várias cidades européias, e Silva sabe exatamente como utilizar seus personagens para construir uma narrativa complexa, que tem base em fatos históricos e que por isso, em certos momentos, é assustadoramente realista.

O que me atrai nos livros de Silva é justamente essa capacidade do autor de trazer a realidade para tão perto da ficção. Eu acho tão difícil entender os conflitos existentes no Oriente Médio, todas as motivações são tão distantes da nossa realidade brasileira, que mesmo acompanhando as notícias acho complicado entender porque não é possível encontrar uma solução para algo que já é tão grave e mortal a tanto tempo. E os livros de Silva me ajudaram a ter uma nova perspectiva disso. Pode parecer pouca coisa, mas a verdade é que no final do ano, que é quando colocamos nossas vidas na balança para analisar, que buscamos entender onde estamos, primeiro como pessoa e depois como ser humano, entender o outro é de suma importância (só não mais do que entender a si mesmo, mas esse movimento só pode ser feito internamente, não é?). Adoro Gabriel Allon e sua equipe de agentes focados em construir uma nova realidade, adoro que Silva não faz seu herói perfeito e que várias vezes tudo dá errado para os mocinhos. Mas que mesmo assim eles não desistem. Não é assim que tem que ser? A gente planeja mas nem sempre (na verdade quase nunca) as coisas saem como esperado e a gente tem que fazer o que dá, e olha que as vezes o resultado é melhor assim do que o que tínhamos planejado.

Enfim, depois de encher vocês com as minhas filosofadas, vou dizer que a receita de hoje nasceu exatamente assim: de um plano que deu errado. Meu marido tinha comprado um pote de funghi secchi na intenção de fazer um risoto, mas cadê o arroz arbóreo? A gente achou que tinha, mas na hora H não tinha e aí, faz o quê? Improvisa meu bem, tirei da despensa uma massa que tava lá para emergências, saí correndo até o mercadinho para arrumar um creme de leite e de quebra arrumei uma salsinha. E assim nasceu nossa receita sucesso de massa ao funghi: desde então já fiz com penne, com fusilli, com spaguetti e essa da foto é com rigatone. Fica sempre uma delícia.

allon_edit3-web

Massa a la Allon (serve de 2 a 3 pessoas)

Ingredientes:

  • 350g de massa
  • 200g de creme de leite
  • 150g de funghi secchi
  • 1 cebola roxa média
  • um punhado de salsinha
  • azeite, sal e pimenta do reino a gosto

Modo de preparo:

  1. Hidrate o funghi: lave os cogumelos, escorra e cubra com água fervente. Deixe descansar por 30 minutos.
  2. Coe e reserve a água. Depois utilize a mesma água do funghi para cozinhar a massa, sem esquecer de colocar um fio de azeite para a massa não grudar. Dado o tempo indicado, escorra bem e salgue. Coloque no recipiente que for servir.
  3. Enquanto a massa cozinha, esprema os cogumelos apertando com as mãos para secarem bem e então pique em pedaços pequenos. Pique a salsinha.
  4. Em outra panela, refogue a cebola  roxa picada em cubinhos no azeite, sal e pimenta. Junte o funghi e refogue bem. Adicione o creme de leite e deixe reduzir por alguns minutos. Tempere bem com sal e pimenta e então despeje sobre a massa.
  5. Decore com a salsinha picada e sirva imediatamente.

O caso Rembrandt”

Autor: Daniel Silva
Editora: Arqueiro
Páginas: 304

All the crazy ladies

blondies-web

“Alucinadamente feliz” da Jenny Lawson é um livro díficil de classificar: não é exatamente uma autobiografia, definitivamente não é um romance e também não é auto-ajuda. Então será que é comédia? Talvez. Jenny Lawson é uma blogueira americana (“The Bloggess”) e esse é seu segundo livro, no qual ela trata principalmente de temas como depressão e como criar os filhos com muito humor.

O nome do livro é uma hashtag que ficou muito famosa depois que Lawson a lançou. Ela conta logo no comecinho do livro (não é spoiler! Tá talvez seja um pouquinho spoiler) que criou essa expressão após a morte de um amigo, quando decidiu que mesmo com todos os problemas que existem ela escolheria ser “alucinamente feliz” (na expressão em inglês, furiously happy o quê traduz precisamente para furiosamente feliz) mesmo assim, ou como ela diz, só para contrariar. E o livro como todo então fala desses temas do jeito desbocado e irreverente da autora, que é assumidamente doida varrida.

As minhas duas coisas preferidas do livro foram a capa (tá, eu comprei o livro pela capa, mas gente, é um guaxinim empalhado!) e o fato de me fazer ver que quaisquer que sejam os meus problemas sempre vai ter alguém nesse mundão que tem os mesmos que eu, que eles (eu) não são tão especiais assim. Afinal de contas, se existem pessoas por aí que combatem as mesmas questões da Jenny, que são bem mais complicadas do que as minhas, então deve ter pessoas por aí que lidam com as mesmas questões que eu (bem mais elementares e todo dia). Então o livro tem esse mérito, de fazer o leitor ver a vida com uma perspectiva mais abrangente e que todo mundo tem problemas e defeitos, mas que tudo bem. Vocês já ouviram a máxima “de perto ninguém é normal”? Acho que se encaixa como uma luva aqui, mas no caso de Lawson deve dar para perceber a distância que ela não é exatamente “normal”, afinal, quantas pessoas que você conhece iriam passear na Austrália vestidos de canguru?

Talvez não seja uma associação muito bacana, mas quando estava lendo um dos capítulos do livro em que o marido de Jenny a entrevista, me lembrei muito da Sharon Stone em “Instinto Selvagem”. Fiquei pensando no pobre Victor (marido de Lawson) que as vezes acorda de madrugada e encontra a mulher tentando fazer seu gato montar um guaxinim empalhado ou algo do gênero, e por algum motivo veio na minha cabeça a imagem de Stone sentada na cadeira e pensei que a receita que tem a ver com essas mulheres meio doidas, mas fascinantes é uma que eu não fazia há anos: blondies. Blondies são primos dos brownies, tem as mesmas características mas ao invés do chocolate, os blondies ficam com um gosto mais caramelado, já que não levam cacau na massa. Ficam uma delícia com sorvete e são tão deliciosos que é impossível comer só um.

p1070770edit

Crazy Blondies (adaptado do blog Smitten Kitchen)

Ingredientes:

  • 115g de manteiga
  • 240g ou 1 xícara de açúcar mascavo
  • 1 ovo grande ou dois ovos pequenos
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 1 pitada de sal
  • 125g ou 1/2 xícara de farinha de trigo
  • opcional: nozes e/ou chocolate picado

Modo de Preparo:

  1. Unte uma assadeira de 20 x 20cm e pré-aqueça o forno a 180 graus.
  2. Derreta a manteiga e então misture com o açúcar. Tem que ser açúcar mascavo, senão o sabor não fica com o toque caramelado que caracteriza os blondies. Misture até ficar homogêneo.
  3. Adicione o ovo e a baunilha e misture até integra-los à massa.
  4. Por último adicione o sal e a farinha e, se for colocar, as nozes ou chocolate. Misture até que homogêneo.
  5. Despeje na assadeira e asse de 20 à 25 minutos, dependendo da potência do forno. Sirva ainda quentinho!