Heranças

conchas-web

Semana passada foi aniversário da minha mãe (parabéns! clap, clap, clap <3) e também da minha avó. Por causa disso eu estou num clima meio nostálgico e vou falar hoje aqui de um livro sobre família: “Os catadores de conchas” da Rosamunde Pilcher. Quem me deu esse livro há séculos atrás foi a minha mãe (na verdade ela não me deu, emprestou… Mas depois acabou me dando mesmo. Mãe é mãe), e ela disse que aquele tijolão enorme era emocionante. Eu adoro tijolões, especialmente os do tipo emocionante.

Em “Os catadores de conchas”, Pilcher conta a história da família Keeling, especialmente a de Penélope Keeling, de quem acompanhamos a vida em dois momentos diferentes; quando ela era ainda jovem, durante a Segunda Guerra Mundial e depois como uma senhora, matriarca da família. Eu adorei a Penélope, e (acho que não por coincidência) ela me lembrou muito a minha mãe e também a minha avó: uma mulher forte e determinada, que nunca se deixa abater pela vida. Penélope tem três filhos, Nancy, Olivia e Noel, e vemos logo que os três são muito diferentes entre si. Penélope também é a filha de um pintor que teve seu trabalho postumamente reconhecido e herdeira de um lindo quadro dele, “Os catadores de conchas”, que para ela tem valor sentimental.

No começo do livro, Penélope está hospitalizada por causa de problemas saúde. Ela logo decide que não vai ficar desperdiçando tempo no hospital, e se dá alta. A experiência de encarar a própria mortalidade porém, faz com que ela queira retornar à Cornualha, onde viveu momentos importantes. Ela pede aos filhos, um de cada vez que viajem com ela. Um a um, os três negam acompanha-la, mesmo a sua filha favorita, Olivia. Mas, de repente eis que surgem candidatos para servirem de Sancho Panza, Antonia, uma moça ligada a Olivia, e Danus, um jovem jardineiro. Esse trio improvável segue rumo a Cornualha e às lembranças de outros tempos.

O livro é mesmo emocionante como disse a minha mãe. Eu me peguei desejando conhecer Penélope pessoalmente, querendo sentar com ela num jantar improvisado maravilhoso (a especialidade dela), olhando a paisagem, aprendendo com quem tem muita história para contar. Por isso, a receita de hoje tem esse mesmo clima improvisado, descomplicado: picadinho. Picadinho é fácil de fazer e você meio que pode inventar o seu com o que estiver na geladeira, que não dá muito errado. Esse aí debaixo é o que eu faço aqui em casa: coisa de família.

Picadinho a la Penélope (serve até 5 pessoas)

Ingredientes:

  • 500 g de contra-filé em bifes
  • 1 abobrinha
  • 1 pimentão amarelo
  • 200 g de champignon
  • 1 cebola roxa
  • 3 dentes de alho
  • 1 pedaço de gengibre (cerca de 2 cm)
  • 2 punhados de cebolinha picada
  • 1/2 xícara de amendoim torrado, sem pele
  • 1/2 xícara de molho shoyu
  • 2 colheres de sopa de maizena
  • 1/2 xícara de água
  • Azeite, sal e pimenta do reino

Preparo:

1. Corte a carne em tiras finas e transfira para uma tigela. Não volte para a geladeira: ela precisa estar em temperatura ambiente para não esfriar o fundo da panela na hora de cozinhar.

2. Lave e seque a abobrinha, o pimentão, e a cebolinha. Corte a abobrinha ao meio, no sentido do comprimento, retire as pontas e fatie em meias-luas (não muito finas). Descarte as sementes e corte o pimentão em quadrados médios. Fatie fininho os talos de cebolinha.

3. Num pilão, soque o amendoim até formar uma farofa grossa. Reserve.

4. Descasque a cebola, o dente de alho e o gengibre. Corte a cebola em cubos médios e o alho, em tiras finas. Se não tiver um ralador para gengibre, pique bem fininho.

5. Leve ao fogo médio uma panela wok (ou uma frigideira grande). Enquanto isso, numa tigelinha, coloque a água e misture o amido de milho até dissolver.

6. Quando a frigideira estiver quente, regue com 1 colher sopa de azeite, junte as tirinhas de carne e deixe dourar por 2 minutos. Só mexa quando descolar da panela. Tempere a carne com sal e pimenta (mas não muito, porque depois colocamos o shoyu e ele já bastante salgado).

7. Afaste as tiras de carne para as laterais da panela e regue o centro com o azeite restante. Refogue os cubos de cebola e pimentão por mais 2 minutos, sem misturar a carne.

8. Junte o alho e o gengibre, e misture, inclusive com a carne. Refogue por mais 1 minuto.

9. Agora é a vez da abobrinha e do champignon: junte, misture bem e deixe cozinhar
por 2 minutos, até dar uma leve bronzeada – a ideia é que fiquem bem douradinhos.

10. Regue com o shoyu e misture bem. Em seguida, junte o vinagre e o amido dissolvido em água. Mexa bem até formar um molho grosso, por 2 minutos. Salpique o picadinho com o amendoim e as fatias de cebolinha. Eu gosto de servir com arroz cateto 😉

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s