Escolhas

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O livro de hoje é um livro diferente dos que eu normalmente falo aqui, “O mundo pós-aniversário” de Lionel Shriver. Vou ser bem honesta, eu não amei esse livro. Peguei ele para ler e parei logo no começo. Só voltei a ler depois de uma amiga recomendar muito. Enfim, devo dizer que esse livro não é um livro apaixonante, pelo menos não na minha opinião. Mas é um livro interessante e com uma premissa excelente, só que para mim demorou um pouco para engrenar.

No livro, Irina é uma ilustradora de livros infantis em uma relação estável com Lawrence, um cientista político e os dois são americanos radicados em Londres. Ela trabalha em parceria com uma autora britânica, Jude, que é casada com um famoso jogador de sinuca, Ramsay. Logo os dois casais estabelecem uma rotina de jantarem juntos no aniversário de Ramsay. Tradição que eles mantém com Ramsay, mesmo após ele e Jude se divorciarem. Em um ano, Ramsay e Irina acabam celebrando sozinhos e, neste evento, Irina se vê com uma escolha para fazer: se manter fiel em um relacionamento que já não a satisfaz ou rolar os dados e buscar uma vida diferente com um homem que é o oposto do seu namorado.

E a partir desse ponto, o livro se divide em dois. Passamos a acompanhar a vida de Irina nas duas situações: se ela tivesse escolhido Ramsay ou Lawrence. O legal do livro é que fica claro que não existe uma escolha certa (inclusive a autora é até bem didática com relação a isso) mas sim escolhas diversas. Lionel Shriver conta através de Irina uma história cheia de nuances, que fala bastante de como nossos relacionamentos podem afetar nossa visão de quem nós somos. A autora, de forma inteligente, não fala de escolhas a la “O Efeito Borboleta”, mas mostrando as pequenas diferenças também, e, principalmente, analisando como Irina mesmo muda internamente em função da escolha de parceiro. Eu, que tive dificuldade de me fixar nesse livro no começo, fiquei grudada nele no final.

No livro, Irina adora cozinhar e é ligeiramente obcecada por temperos e pipoca. Por isso resolvi compartilhar aqui duas receitas de pipoca lá do Panelinha, que simbolizam as duas escolhas que Irina poderia fazer. E você, qual você escolhe?

Pipoca Lawrence (com curry e parmesão)

Ingredientes

  • 1/2 xícara de chá de milho para pipoca
  • 2 colheres de sopa de óleo de canola
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1 colher de chá de curry
  • 1 colher de chá de coentro em pó
  • 1 colher de chá de pimenta do reino moída na hora
  • 1 pitada de sal
  • 1/2 xícara de queijo parmesão ralado fino

Preparo:

  1. Numa panela funda coloque o milho de pipoca e o óleo, mexa e tampe. Leve ao fogo médio e deixe estourar, mexendo a panela de vez em quando, segurando no cabo e na tampa fechada, para que o milho não queime.
  2. Quando o intervalo entre um estouro e outro for maior do que 2 segundos, desligue o fogo e transfira a pipoca para uma vasilha.
  3. Numa tigela de vidro, coloque a manteiga e leve ao micro-ondas apenas para derreter. Retire do aparelho e junte o curry, o coentro, o sal e a pimenta e misture.
  4. Despeje a manteiga temperada sobre a pipoca estourada, junte o queijo parmesão ralado e mexa bem para misturar tudo uniformemente. Ajuste o sal se necessário. Sirva imediatamente.

Pipoca Ramsay (com açúcar mascavo e cardamomo)

Ingredientes

  • 1/2 xícara (chá) de milho para pipoca
  • 2 colheres (sopa) de óleo de canola
  • 2 colheres (sopa) de manteiga
  • 2 colheres (sopa) de açúcar mascavo
  • 2 bagas de cardamomo
  • 1 colher (chá) de canela em pó
  • 1 pitada de sal

Preparo:

  1. Numa panela funda coloque o milho de pipoca e o óleo, mexa e tampe. Leve ao fogo médio e deixe estourar, mexendo a panela de vez em quando, segurando no cabo e na tampa fechada, para que o milho não queime.
  2. Quando o intervalo entre um estouro e outro for maior do que 2 segundos, desligue o fogo e transfira a pipoca para uma vasilha.
  3. Numa tábua, use uma faca de legumes para cortar, com cuidado, as pontas da baga de cardamomo, em seguida abra ao meio e raspe as sementes. Transfira as sementes para um pilão e macere; se preferir, pique fino com a faca.
  4. Numa panela pequena, junte a manteiga, o açúcar mascavo, a canela e as sementes de cardamomo. Leve ao fogo baixo, mexendo sempre, até todo o açúcar e a manteiga derreterem, formando uma calda.
  5. Despeje a calda sobre a pipoca estourada e mexa bem para misturar tudo uniformemente. Tempere com sal e sirva imediatamente.

 

Amor em capa dura

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Meu amor não é leve

É rígido, espesso

Suas páginas de pólen

São firmes, têm alta gramatura

Cada letra tem relevo

 

Meu amor não transborda

É organizado em parágrafos perfeitos

Epígrafes elegantes em

Times New Roman

Cheias de cultura

 

Meu amor tem pausas de suspense

Delírios descritivos em rima

Sentenças adversativas

Reviravoltas e

Pontos de clímax

 

Meu amor é confesso

Tem métrica, contexto

Não se espalha em haicais perdidos

Tem orgulho

Da assinatura

 

Meu amor é constante

Espera em Proust

E Graciliano Ramos

Conhece todos os círculos de Dante

 

Ah, meu amor é por extenso

Mesmo na fúria homicida

Se derrama em quixótica poesia

Volumes em sequência

Empoeirando na estante

O cheesecake da Srta Elliot

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Hoje eu quero de falar um clássico feminino, Persuasão da Jane Austen. Eu, e quase todo o restante da população feminina mundial, adoro a Jane Austen. Sempre que passa Orgulho e Preconceito na TV eu sou obrigada a assistir, mesmo que o cabelo do Mr Darcy me dê um pouco de nervoso e que a cena deles se encontrando de madrugada de pijama seja pra lá de piegas. Enfim, Jane Austen é a parada em romance feminino e eu adoro todos os livros dela, uns mais do que outros. Persuasão, claro, se encaixa na categoria dos mais.

Em Persuasão, Anne Elliot deixou escapar o amor da sua vida, o Capitão Frederick Wentworth, porque ouviu os conselhos de sua melhor amiga.. Anne é a filha de um barão viúvo que gastou mais do que devia e agora está na pior (na pior mesmo, não igual a Marilene). Sua irmã mais velha é considerada uma beleza local mas é chata de doer. E Lady Russell é a sua melhor amiga, que serve para ela de mãe substituta, e a quem ela considera extremamente inteligente e tem como modelo de comportamento. Seguindo os conselhos de Lady Russell, Anne resolve romper o seu noivado com Frederick apesar de estar apaixonada por ele. Ele, fica ressentido de ela abrir mão do amor dos dois e vai embora seguindo uma carreira de grande sucesso na marinha. O começo do livro se passa nove anos depois desses acontecimentos, quando os dois se encontram por circunstâncias do destino, coisa e tal. É claro que quando eles se reencontram Anne fica abalada, e Frederick não resiste se vingar dela um pouquinho (tipo mulher rejeitada que malha horrores e depois passa na frente do ex de vestido colado). Mas é claro que nenhum dos dois superou o passado.

Persuasão é o meu Austen predileto porque eu adoro a Anne. Obviamente, como uma nerd de carteirinha, eu me identifico com sua tendência introspectiva de ficar em casa lendo livros (e se tivesse Netflix, aposto que a Anne tava dentro!), mas o que eu adoro na personagem é que ela é boa mas não infalível. Anne consegue analisar as pessoas e coisas ao redor com ternura, mesmo quando a situação é dolorosa para ela. E o Capitão Wentworth também é um herói digno porém falho; se deixa levar orgulho ferido, antes de reconhecer seus erros. É um romance interessante e cheio de nuances, nada a ver com o furacão de hormônios dos livros de hoje em dia, em que o par romântico se conhece e se apaixona perdidamente em cinco minutos.

Para ser bem honesta, eu não sabia qual receita combinava com esse livro. Estava quebrando a cabeça, quando de repente me veio um estalo. Persuasão é sobre um romance lento, que demora para chegar no ponto, que tem etapas diferentes. Igual ao cheesecake que o meu marido vive pedindo para eu fazer e eu nunca faço (porque fico com preguiça de todas as etapas! rsrs) mas então lá vai: cheesecake com calda de morango.

O cheesecake da Srta Elliot (serve de 8 a 10 fatias)

Ingredientes:

Massa:

  • 160g de biscoito maisena
  • 80g (7 colheres de sopa) de manteiga sem sal em temperatura ambiente
  • 1/2 colher de chá de canela

Recheio:

  • 450g de cream cheese
  • 150g de creme de leite fresco
  • 150g (1 xícara) de açúcar
  • 1 colher (sopa) de extrato de baunilha
  • 1 colher (sopa) suco de limão
  • 3 ovos

Calda:

  • 300g de morango
  • 100g (3/4 xícara) de açúcar
  • Suco de um limão

Preparo:

  1. Triture o biscoito no liquidificador ou processador.
  2. Misture ele com a manteiga e a canela, usando as mãos.
  3. Espalhe sobre uma forma de fundo falso, cobrindo todo o fundo dela, a que eu tenho é de 25 cm.
  4. Reserve. Preaqueça o forno a 160ºC.
  5. Bata o cream cheese e o creme de leite na batedeira até amaciar bem, e adicione aos poucos o açúcar em velocidade baixa. Acrescente a baunilha, o suco de limão e os ovos. Bate até que a mistura esteja homogênea.
  6. Coloque sobre a massa na forma e leve para assar por 30 a 40 minutos.
  7. O segredo é quando você olha por cima e está fosco, não brilhante, talvez com algumas rachaduras por cima.
  8. Deixe esfriar e leve à geladeira por pelo menos 4 horas. Tem que rolar uma paciência a la Anne Elliot aqui, porque esse tempo na geladeira é o que faz o cheesecake ficar na consistência certa. Desenforme.
  9. Agora faça a calda:  lave e retire os cabinhos do morango e pique grosseiramente. Coloque numa panela com o açúcar e o suco de limão. Aqueça em fogo baixo, mexendo de vez em quando até que tome consistência de calda. Se quiser uma calda mais lisinha, bata no liquidificador, ou pode servir mais rústica mesmo, com os pedaços de morango.

 

Batman

Hoje eu começo a colocar um conteúdo diferente aqui no blog: pânico, terror e aflição! Essa semana é um texto que eu fiz enquanto estava participando de uma Oficina de Contos aqui em Floripa. Espero que vocês gostem (e me dêem um feedback, please! Para um designer postar um texto é um momento de medinho intenso…)

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Quando cê faz uma aposta, cê não sabe mas está mudando o rumo de sua vida. É complicado de entender, mas deve de ser verdade. Quando cumquem te desafia pra uma aposta, só isso já é um ato definidor de quem você é, vai ser. Se cê aceita, cê já é voraz definidor, destemido desbravador das ocultesas incertas. Se não aceita é covarde, amedrontado, duvidoso. Não é digno de confiança quem não confia em sua própria pessoa o tanto pra se fazer uma aposta.

Por isso, tal e coisa, cá estou eu. Fantasia de Homem-Morcego em plena luz do dia, pois que, como homem desbravador destemido não há outra maneira de exercer. De certo com o que foi combinado entre nós, apostadores, tenho que permanecer ficando aqui, em plena calçada da fama das estrelas americanas. A combinação foi clara, e logo então ficarei aqui por uma hora, ajudando os pobres e indefesos, tal qual como Batman mesmo faria. As velhinhas não se alentaram quando ofereci assistência para atravessar a rua, que era de apropriado para um super herói como eu. Me olharam de esguelha, e empunharam os guarda-chuvas em riste maior.

De verdade essa chuva é um presente, como que tu sabe. Essa roupa de morcegada deve de dá até assadura quando tá uma temperatura mais pegada. Pois então, alento de chuva boa. Ensaiei até uma dançatura aqui quando começou a gotejar. Umas pessoas pararam até pra olhar, mas não me fiz de rogado. Arrê, todo mundo passeja, até mesmo os super-heróis, certeza.

Enquanto passo meus minutos em paciência, já me pego com a cabeça em Lucinha, como que hora e hora de novo. Amanhã vou me com ela pro calçadão que é dia de feira e ela gosta de pegar as verduras cada uma, sentir a madureza de cada uma, com dedo e olho. Melhor ainda, amanhã vai de ser uma festança, pois que Batman, em toda sua justiça, vai me dar toda a gorjeta de Zé Pedro de hoje e, logo então, Lucinha e Eu teremos feira pra semana e meia.

Mas posto então que aceitei essa aposta de Zé Pedro sem nem pestanejar e agora já tenho suma confiança inteira que mudei o destino que eu ia ter se não tivesse aceitado. Cê sabe que se um dia faz uma coisa que nunca tinha nem atinado de fazer, tá claro que cê não é mais a pessoa que era de anteriormente. Se agora homem-morcego porquê daqui há uns quindins não transfiguro em gerente ao invés de atendente? Pode de ser, não é? Lucinha ia ficar de olho cheio, até.

Ô chuva boa, que caí do céu! Falta de um pouco para eu pegar no serviço, mas me confesso que até que tomei gosto de ser Batman de um tempinho. É verdade que te olham disfarçado, mas também um olhar de alegria e bem humorança que faz o coração leve. Deve de ser por isso que tem super herói de um tanto nos filmes e nas revistas. Deve de ser, não é?

Igual mágica

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Pessoal, estou de volta! Juntei umas mini-férias com um período pré-mudança e pronto, não consegui postar nada :0 Mas para compensar, durante o meu pequeno recesso resolvi dar uma mudada e colocar umas novidades no blog, então aguardem (suspense…). Tomara que vocês gostem!

Durante minhas férias no lugarzinho chaaaaato que é Porto de Galinhas, terminei de ler “A darker shade of magic” da V. E. Schawb. Esse livro ainda não foi traduzido para o português, infelizmente, mas está disponível em e-book em inglês (bom para treinar, gente!). “A darker shade of magic” é quase um Harry Potter para jovens: existe um mundo mágico escondido, o mocinho é um mago (no livro, a autora usa o termo Antari) e os vilões tem uma sede de poder tão grande que pode destruir tudo no caminho deles. Mas apesar dessas semelhanças, a trama é mais violenta e a mocinha, em uma inversão inteligente de papéis, também é uma anti-heroína.

No livro, existem quatro Londres distintas, cada uma em um plano de existência, como folhas, uma em cima da outra. Kell e Holland são os únicosAntari após um período turbulento em que a Mágica consumiu uma das realidades londrinas, a qual ele se refere como Londres Negra -as outras Londres são: Londres Cinza, Londres Vermelha e Londres Branca. Os Antari são capazes de fazer mágica, de controlar os elementos e de viajar entre os planos existentes, indo de uma Londres a outra, e por isso funcionam como mensageiros para que os monarcas de cada Londres possam se comunicar. Parece supercomplicado, mas a autora explica tudo de um jeito eficiente. Kell, o Antari mais jovem vive na Londres Vermelha, um lugar vibrante onde a mágica floresce mas não consome, com a família real e o herói da história. Holland, o Antari mais experiente vive na Londres Branca, onde a mágica é brutal e perigosa, como seus governantes. E, na Londrez Cinza, que é a mais próxima da realidade, vive Lila, uma ladra dura na queda que tem sede de aventura.

O maior mérito do livro é sem dúvida a habilidade da autora em construir os diferentes mundos que compõem a história. Cada vez que Kell colocava o pé na Londres Branca por exemplo, eu tinha um calafrio. Os personagens são ótimos também, especialmente Lila que é divertida e foge dos tradicionais clichês de mocinha. Eu, como fã saudosa do Harry Potter, adorei descobrir uma nova série de fantasia tão bacana.Vale a pena, e eu já estou esperando o próximo livro da série.

A receita de hoje é, claro, mágica! É a receita salvadora dos fins de noite de quando eu não estou no clima de cozinhar de verdade mas ainda quero comer uma coisa gostosa e quentinha, que fica pronta sem stress e sem trabalho -é ou não é mágica? Abracadabra, creme de abóbora.

Creme Mágico de Abóbora com Gengibre (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 600g de abóbora japonesa
  • 1 pedaço pequeno (mesmo!) de gengibre
  • 2 a 3 batatas baroas pequenas (depende do tamanho)
  • 1 cebola pérola
  • 4 dentes de alho
  • 1 pitada de noz moscada
  • 1 colher de sopa de mel
  • sal, azeite e pimenta do reino a gosto

Preparo:

  1. Descasque e corte a abóbora, as batatas, o gengibre, a cebola e o alho.
  2. Coloque os legumes cortados em uma panela grande, e encha com água filtrada em temperatura ambiente até cobrir os ingredientes.
  3. Coloque para ferver durante 20 minutos em fogo médio. No término dos vinte minutos veja se a abóbora está macia, se não estiver, deixe ferver mais uns cinco minutos.
  4. Desligue o fogo e deixe esfriar um pouco, então coloque todos os ingredientes no liquidificador, inclusive a água (o quanto de água você vai colocar pode variar de acordo com a textura que você quer na sua sopa -se quer mais líquida ou mais cremosa. Em geral eu coloco 3/4 da água).
  5. Bata tudo no liquidificador durante 2 minutos. Então adicione a noz moscada e o mel e bata mais um pouco.
  6. Tempere com sal, azeite e pimenta e bata mais um minuto. Tá pronto!