A visita cruel do tempo

egan-webDe vez em quando a gente lê um livro diferente de todos os outros, daqueles que deixa uma sensação meio estranha de fazer alguma coisa pela primeira vez apesar de você já ter lido centenas de outros livros antes. O livro de hoje é um desses. A Visita Cruel do Tempo da Jennifer Egan é um livro peculiar; tudo nele é meio diferente, da estrutura narrativa à passagem do tempo, esse livro surpreende. Tem por exemplo um personagem que conta a sua estória através de slides do Powerpoint. Muito doido!

O livro começa com Sasha, assistente do poderoso produtor musical Benny Salazar com um pequeno problema de cleptomania. A partir daí a história se desenrola pulando de um personagem para o outro, passando por anos e lugares diferentes e variando narradores. Pode ser um pouco difícil de acompanhar, mas o livro é envolvente e vale o esforço (Egan ganhou o Pulitzer com esse livro, logo não é só a minha opinião). A Visita Cruel do Tempo não é fácil, metafórica ou literalmente, e fala de uma emoção humana presente em todos nós: envelhecer e perdermos contato com as nossas ambições da juventude. Quem não sonhava em ser bailarina, cantora, astronauta ou bombeiro? Quais foram os caminhos que nos levaram aonde estamos? Valeu a pena?

Enfim, leiam. É no mínimo uma experiência nova que você pode conversar com os seus amigos sobre e reclamar aqui para mim se não gostar. Mas se você gostar, vai me agradecer. Eu acho que esse livro parece um pouco com os filmes do Tarantino. Não sei porque mas me lembra Kill Bill! rsrs

Bom, como esse livro fala da passagem do tempo, a receita de hoje tem um quê nostálgico. Fiquei pensando em como muitas vezes nós sabemos pouco da história de quem faz parte da nossa história: nossos pais, avós, primos. Minha família vive falando em tentar descobrir mais sobre meus bisavôs mas até hoje ainda não sabemos muita coisa. E essas reminiscências me deixaram pensando na minha avó, mãe da minha mãe, e de como era quando ela ainda era viva e a gente ia para a casa dela quase todo domingo para comer pizza, que ela que fazia a massa e o molho. E eu ficava sentada no banquinho da cozinha espalhando aquele líquido vermelho na massa fresquinha com a maior concentração. Logo a receita de hoje é essa mesmo: pizza! Não é a da minha avó, pois infelizmente ela não deixou escrito, mas pizza sempre bom, né? Especialmente quando tem sabor de nostalgia.

Pizza Delícia para Visitas Cruéis (ou não) (faz 4 pizzas)

Ingredientes:

  • 400 g (3 xícaras + ¼ de xícara) de farinha de trigo
  • 100 g (3/4 de xícara) de semolina (se não encontrar semolina use 100 g de farinha de trigo mesmo)
  • ½ colher (sopa) de sal
  • 1 sachê de 10 g de fermento biológico seco
  • ½ colher (sopa) de açúcar cristal
  • 320 ml (1 xícara + ¼ de xícara) de água morna

Preparo:

  1. Numa vasilha misture a água morna com o fermento e o açúcar. Dissolva bem e deixe descansar por uns 5 minutos.
  2. Enquanto isso, faça um monte com a farinha sobre uma bancada, colocando o sal ao redor. Abra uma cavidade no meio. Coloque a água com fermento e açúcar ali no meio e com as mãos comece a formar uma massa, puxando pouco a pouco a farinha em volta para o meio.
  3.  Quando estiver tudo unido, faça uma bola e comece a sovar. Sove por cerca de 15 minutos até obter uma massa bem lisa e elástica. Cubra com um pano e deixe crescer por pelo menos 30 minutos em temperatura ambiente.
  4.  Enquanto a massa cresce você pode ir preparando o recheio à sua escolha para depois só montar as pizzas antes de ir ao forno.
  5. Pré-aqueça o forno a 240ºC.
  6. Divida a massa em 3 ou 4 bolas (a receita dá umas 4 pizzas médias). Abra numa superfície enfarinhada para ficar com cerca de 0,5 cm de espessura, com a ajuda de um rolo.
  7. Coloque o molho de tomate e se divirta com os toppings: vale abobrinha, shitake, pepperoni, tomate seco, burrata! (Go crazy! rsrs)
  8. Coloque sobre uma assadeira para ir ao forno. O ideal é se você puder assar sobre uma pedra de granito (se fizer isso, pré-aqueça também a pedra de granito junto ao forno). Cubra com o recheio e leve ao forno por cerca de 10 minutos ou até que esteja pronta!

Essa receita é desse blog muito legal: Moldando Afeto. O site é uma graça e lá tem cada receita…

Em cores

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Há um tempo atrás eu postei aqui sobre 1Q84, o primeiro livro que li do Haruki Murakami. Eu adorei o 1Q84 e então, quando em uma das minhas últimas incursões no paraíso nerd (Saraiva Mega Store), dei de cara com uma edição linda de “O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação” não resisti e comprei logo.

Spoiler Alert: Tsukuru NÃO fica anos peregrinando. Pelo menos não no sentido literal, o que foi, devo confessar uma surpresa para mim. Normalmente eu leio a sinopse do livro antes de comprar, mas esse eu comprei pelo autor e pela belezura do design, confesso.

No livro, Tsukuru Tazaki é um homem de meia idade que ao tentar um relacionamento sério com uma mulher, percebe (depois da companheira falar com todas as letras, claro! rsrs) que ele tem problemas em formar relacionamentos por causa de um evento que aconteceu na sua juventude, e que, para ele poder estar com a namorada de forma completa, precisa resolver essa pendenga. O que aconteceu com ele foi triste mesmo: um dia, seu grupo próximo de amigos corta relações com ele. Assim, sem mais nem menos, beijo, tchau, não me liga. Ele não sabe a razão e como qualquer pessoa, fica pra lá de deprimido durante um bom tempo, e mais importante, passa a ser uma pessoa que tem dificuldade em criar vínculos afetivos. O livro trata então da jornada interna (e externa também) de Tsukuru para tentar resolver suas questões e, porque Murakami é o autor, o faz de forma poética mas com uma mão as vezes carregada demais no contexto sexual.

O grupo de amigos que Tsukuru participava era formado por cinco pessoas: Ao, Aka, Shiro, Kuro e Tsukuru. Todos os participantes tinham cores nos seus nomes, respectivamente Azul, Vermelho, Branco e Preto, menos Tsukuru, que por isso se considerava incolor e desinteressante. O livro de certa maneira conta a busca eterna que nós fazemos em busca do auto-conhecimento, de uma identidade pessoal. Eu acho que vale a pena ler só por causa disso, porque todo mundo as vezes se acha chato ou sem graça, mas é bacana ver que os outros não enxergam você dessa maneira. Esse livro é um livro delicado, leia com cuidado para não perder os detalhes.

Em homenagem a Tsukuru e seus amigos, vou compartilhar com vocês hoje uma receita da senhora minha mãe que é um hit da família, porque ela é gostosa, leve e colorida: Salada Tropical. Essa salada minha mãe inventou quando eu era criança e desde então virou item obrigatório no menu lá de casa, especialmente em dias de festa, porque ela é linda para colocar na mesa e todo mundo pode comer sem sentir culpado. Ela é o que faltava na vida do Tsukuru! rsrs

Salada Tropical Colorida da Sra Minha Mãe

Ingredientes

  • 2 maçãs verdes
  • 2 maçãs vermelhas
  • 1 manga
  • 1/2 melão
  • 1 cacho grande de uva sem semente
  • 1 abacate
  • 1 pé de alface americana lavada

Molho:

  • 1 colher de sopa de mostarda
  • 1 colher de sobremesa de mel
  • 1 xícara de maionese (PS: até eu que não gosto de maionese adoro essa salada! É um milagre!)

Preparo:

  1. Misture a mostarde, o mel e por último a maionese em uma tigela.
  2. Corte as frutas em bolinhas com um boleador pequeno, menos a manda que você corta em quadradinhos de um tamanho similar às bolinhas. Importante seguir a ordem: maçãs, manga, melão, uva e porr último o abacate.
  3. Corte a alface em pedaços pequenos ou médios.
  4. Vá colocando cada fruta na tigela na ordem acima e a cada uma coloque uma porção de molho e misture. No final coloque a alface e o restante do molho e misture uma última vez. Pronto!

Para levar

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De vez em quando eu quero ler um livro fácil. Um desses que você não precisa pensar muito, mas que são ótimos para passar o tempo, especialmente nesse friozinho do inverno. Logo, nessa vibe mais relax, o livro de hoje é Anexos, da Rainbow Rowell. Esse livro é light e divertido, perfeito para ler com uma cobertinha e um cházinho (que é exatamente o meu mood atual -é frrrrrio aqui no Sul, gente!).

Em Anexos, Rowell conta a história de Lincoln e Beth, que não se conhecem pessoalmente. Os dois trabalham no mesmo jornal em uma cidadezinha do Nebraska, EUA em 1999. Ela faz crítica de filmes para o jornal, ele faz segurança de sistemas e monitora o uso de e-mails com conteúdo inapropriado dentro da empresa. Os e-mails engraçados de Beth e sua amiga Jennifer vivem caindo no filtro que Lincoln monitora, e ao ler as conversas divertidas das duas, ele acaba se interessando por Beth. Mas Beth tem um namorado (um namorado meio estranho, mas gato) e não sabe que tem alguém lendo os e-mails dela. Além de tudo isso, Lincoln ainda tem uns assuntos mal resolvidos com a sua ex, Sam, que quebrou totalmente o coraçãozinho dele uns anos antes (tadinho!).

No livro conhecemos também a mãe de Lincoln, pra lá de superprotetora e uma cozinheira de mão cheia, ela capricha nas marmitas que faz para o filho levar para o trabalho. E é através dessas marmitas que Lincoln fica amigo de Dóris, uma senhora que trabalha no jornal e que, mais pra frente, tem um papel importante no livro.

Logo, a receita de hoje não podia deixar de ser… marmita! A receita abaixo é uma das minhas preferidas para levar pro trabalho, porque ela é boa de fazer pro dia seguinte e ainda é cheia de energia e vitaminas para a gente aturar o resto da jornada: tabule de quinoa. Fica uma delícia acompanhada de um quibe assado. Qual é a sua marmita preferida?

 Tabule de Quinoa para levar (serve até 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 1 xícara (chá) de quinoa vermelha
  • 1 xícara (chá) de salsinha picada
  • 1 ramo de hortelã
  • tomate cereja (entre 1/2 e 1 caixa, depende do gosto)
  • 1 cebola média
  • Suco de 2 limões
  • 1/3 xícara (chá) de azeite
  • Sal marinho à gosto
  • Pimenta do reino à gosto

Preparo:

  1. Cozinhe a quinoa na água e sal por 18 minutos em fogo baixo.
  2. Corte a hortelã e a cebola em pequenos pedaços.
  3. Refogue a cebola no azeite e sal rapidamente.
  4. Lave e corte os tomatinhos cereja em dois.
  5. Numa tigela misturar o restante dos ingredientes.
  6. Adicione a quinoa. Misture bem e sirva.

 

Impossível comer um só

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Esse ano estou lendo mais contos. Normalmente, eu sou uma garota de romances longos, quanto mais volumes melhor, mas nos últimos tempos me rendi ao charme dessas histórias mais breves, porém ainda cheias de insight. E o livro de hoje é um desses, “Um tal Lucas” de Júlio Cortázar é simplesmente uma delícia atrás da outra. É impossível ler só um, depois que você começa. Igual comer os cookies de chocolate que são a receita dessa semana. Os dois são absolutamente irresistíveis e você é obrigado a devorá-los, um atrás do outro.

Eu admito que, blasfêmia das blasfêmias, eu nunca tinha lido Cortázar (não me matem, como eu disse, estou lendo!). E no curso que estou fazendo, minha professora leu um trecho dele e me apaixonei pelo texto dele: divertido, charmoso e peculiar, mas profundo apesar de falar de assuntos ordinários. As vezes as idéias são tão originais que eu me pego rindo (como no primeiro conto do livro, Lucas e a Hidra), as vezes a simplicidade do texto é o que faz a história. A linguagem pode confundir em alguns momentos, então leia saboreando, para pegar todas as nuances. Tem cada conto tão bom, mas tão bom, que eu fiquei até meio em choque (hahahaha)! Enfim, leiam.

E como eu já disse, os cookies de chocolate que são a receita de hoje são os irmãos siameses dos contos do Cortázar. Essa receita é antiga (da minha adolescência, peguei com a irmã de uma amiga) e moleza de fazer. Felicidade instantânea! Só tem um problema sério: você vai MESMO comer um atrás do outro e não é, digamos assim, light. Então, antes de começar a comer, separe os que você vai comer mesmo e guarde o resto. Senão já era. Estão todos avisados.

Cookies de chocolate para o Sr. Cortázar

Ingredientes:

  • 2 xícaras e meia de farinha de trigo
  • 1 xícara de açúcar mascavo
  • Meia xícara de açúcar branco
  • 1 xícara de manteiga (equivale a uma barra) com sal derretida (pode ser no microondas mesmo)
  • 2 ovos inteiros
  • 400g de chocolate (ao leite ou amargo, o que você preferir) em barra cortado grosseiramente
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 1 pitada de sal

Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180 graus.
  2. Despeje a farinha e os açúcares na tigela da batedeira. Adicione a manteiga derretida e bata um pouco até misturar.
  3. Adicione um ovo de cada vez, batendo a massa até cada um se incorporar. Adicione o sal, a essência de baunilha e o fermento em pó e bata até homogêneo.
  4. Coloque o chocolate e bata um pouco para que ele se espalhe por todas a massa.
  5. Unte duas assadeiras grandes e, com uma colher de sobremesa, faça bolinhas e distribua deixando um espaço generoso entre as bolinhas.
  6. Coloque para assar no forno pré-aquecido por 15 minutos, ou até os cookies ficarem com a bordinha dourada. Truque: se uma assadeira for ficar em cima da outra dentro do forno, na metade do tempo troque as duas de lugar para assarem por igual.
  7. Tenta não comer tudo de uma vez!