Os cogumelos do Dr. Oliver Sacks

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Quando eu estava na faculdade, uma professora deu para a turma ler um capítulo de um livro do Oliver Sacks, que se chamava “O caso do pintor daltônico”. Eu me lembro que aquilo teve um impacto enorme sobre mim, sobre a minha maneira de pensar sobre visão de mundo e como em geral nós achamos que todos estamos vendo a mesma coisa, quando na verdade ninguém nunca está vendo exatamente a mesma coisa (mind blown!). Na época tentei comprar o livro dele, mas não achei. Fiquei #chateada, como vocês podem imaginar, mas depois de algumas semanas (tá, dias, primeiro período da faculdade e tal. Não julguem.) acabei esquecendo do incrível Dr. Sacks.

Então, em uma viagem pela Califórnia, dei de cara com um livro dele, o “Hallucinations” (tradução dificílima by me: “Alucinações”) e comprei na mesma hora. Era pra ser e essas coisas. Mas antes de falar do livro, deixa eu falar do autor primeiro. O Dr. Oliver Sacks é médico e um estudioso do cerébro humano. Ele já escreveu vários livros e até participou do TED talks. Enfim, ele é um senhor pra lá de inteligente e eu estou no processo de adquirir mais livros da sua autoria.

Voltando ao livro da vez, em “Alucinações“, o Dr. Sacks escreve sobre pessoas que tem alucinações de diferentes tipos, auditórias, visuais, as duas ao mesmo tempo. Algumas pessoas vêem filmes mudos inteiros cheios de detalhes, outras simplemesmente ouvem um zumbido constante. Uma das minhas favoritas era a velhinha que via um baile vitoriano todo dia no final da tarde -pelo menos o dia-a-dia dela passou a ter uma festa por dia. O livro fala sobre como nosso cérebro é imprevisível, como nós ainda entendemos pouco nós mesmos. Eu fiquei fascinada por todas as possibilidades que existem dentro de nós mesmos, e que ás vezes podem aflorar sem nosso desejo ou permissão. Se por um lado isso é assustador, também é um pouco libertador.

E, já que o tema é alucinações, o prato de hoje não podia deixar de ser assim… alucinógeno: cogumelos! Aqui em casa a gente adora um cogumelo, é delicioso e pode até dar onda! Quem sabe dia desses eu vejo um bailinho igual a senhorinha do livro? rsrs

Sanduíche para o Sr. Dr. Oliver Sacks (serve de 2 a 4 pessoas) -adaptado do livro Jamie Viaja… do Jamie Oliver

Ingredientes:

  • 4 ciabatas pequenas ou 2 bisnagas de pão italiano (é importante ser um pão com uma casca grossinha, senão ele vai ficar molengo e vazar todo o recheio)
  • 350g de cogumelo paris ou chanterelle
  • 1 maço de salsinha picada
  • 30g de manteiga
  • 1 cebola roxa pequena cortada em rodelas finas
  • 150ml de creme de leite fresco
  • 1 limão siciliano
  • azeite, sal e pimenta do reino a gosto

Preparo:

  1. Esquente o pão no forno e mantenha morno até a hora de servir.
  2. Lave bem os cogumelos, eles em geral tem umas sujeiras que grudam neles e é bom lavar com cuidado, um por um. Depois fatie os cogumelos em fatias grossinhas.
  3. Ponha a manteiga em uma frigideira grande, já quente, e quando esta estiver derretendo adicione o azeite, e em seguida a cebola. Coloque então os cogumelos e tempere com sal e pimenta. Mexa bem. Deixe no fogo por 8 minutos ou até a cebola ficar macia e os cogumelos começarem a caramelizar.
  4. Junte a salsinha e o creme de leite. Mexa por mais um minuto, até o creme começar a ferver.
  5. Baixe o fogo e deixe mais um minuto, então tire a panela do fogão. Acrescente o suco do limão siciliano, prove e, se necessário, ajuste o tempero de sal e pimenta.
  6. Sirva dentro do pão quentinho que fica maravilhoso!

PS: Vocês assistem TED? Eu ando meio viciada agora que tem no Netflix. Tem uma palestra melhor que a outra! Essa aqui que a minha irmã me mandou é maravilhosa. Vale a pena 😉

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Plugged or unplugged?

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Faz um bom tempo eu comprei Juliet, Nua e Crua. Na época eu estava com uma queda literária pelo Nick Hornby ( “Alta fidelidade“, “Um grande garoto” e “Febre de bola“) e fiquei toda empolgada com meu livro novo. Eu tinha acabado de ler “Uma longa queda” e tinha amado, apesar de até hoje não saber exatamente explicar porque. Provavelmente é porque Hornby é sarcástisco, e não se leva muito a sério, mas mesmo assim aborda temas difíceis com uma certa elegância. Eu comprei, levei pra casa e de repente comecei a ler “A song of Ice and Fire” (Game of Thrones) e Juliet ficou esquecido. Até mês passado, quando eu o tirei da prateleira com um retumbante “Putz!’.

Em Juliet, Hornby conta a história de Annie, que mora em uma pequena cidade litorânea da Inglaterra próxima à Londres e é “juntada” com Duncan, um professor com uma obssessão zero saudável por Tucker Crowe, um cantor dos anos 80 que gravou um álbum visto como um marco musical chamado “Juliet”, e que em seguida desapareceu do mapa, ninguém sabe pra onde e muito menos por quê. A partir de uma série de eventos estranha, Annie e Tucker Crowe começam uma troca de emails e iniciam uma amizade inesperada.

Vou ser honesta, Juliet não é o meu livro preferido do Hornby (“Alta fidelidade” e “Uma longa queda“), mas é um livro inspirador porque nos leva (ou pelo menos me levou) a pensar sobre expressão artística de uma maneira diferente. O ponto de “Juliet” é justamente essa discussão (por definição, infinita). Outro ponto importante do livro é também o valor que damos a mídia e as ditas “celebridades”. Enfim, Juliet para mim foi um pouco menos entretenimento, e um pouco mais reflexão, o que eu não estava esperando. Me pegou de surpresa, e eu acho que isso é sempre positivo.

No livro, os personagens comparam duas versões do álbum Juliet. A original, completa com arranjos musicais complexos, e a versão Nua e Crua, que eu imaginei como um unplugged -estilo só voz e violão. Inspirada nessa dualidade do livro, eu resolvi fazer o mesmo: uma receita em que o ingrediente está nú (ui!) e outra em que ele está em um ambiente mais complexo. Me contem qual versão vocês preferem!

Salada de pepino Unplugged (serve 2 pessoas)

Ingredientes:

  • 2 pepinos japoneses
  • 1 copo de iogurte natural (eu sempre uso o light)
  • um punhado generoso de hortelã picada
  • 50g de uva verde sem caroço
  • 1 colher de sopa de azeite
  • sal e pimenta do reino a gosto

Preparo:

  1. Lave e seque os pepinos, as folhas de hortelã e as uvas.
  2. Corte os pepinos em cubinhos de mais ou menos 0,5 centímetro.
  3. Corte as uvas no meio.
  4. Coloque o pepino, as uvas e a hortelã no potinho onde for servir, adicione o iogurte e misture bem.
  5. Tempere com o azeite, sal e pimenta.

Tá pronto! Rapidinho e super refrescante.

Sopa de pepino com melão Superstar -do livro La Tartine Gourmande (serve 6)

Ingredientes:

  •  300g de pepino, descascado, cortado e sem sementes!
  • 600g de melão, descascado e cortado também
  • 1 cebola pequena, cortada bem fininho
  • suco de 1 laranja
  • suco de 1 lima
  • 15 a 20 folhas de manjericão
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • sal e pimenta do reino a gosto

Preparo:

  1. Coloque o pepino, o melão, a cebola, os sucos e o manjericão no liquidificador ou no processador de alimentos.
  2. Bata bem até que fique um purê fininho.
  3. Adicione o azeite. Tempere com sal e pimenta.
  4. Coloque no recipiente em que for servir, cubra e deixe na geladeira por pelo menos uma hora antes de servir.
  5. Sirva com espetinhos de mozzarela de búfala, presunto de parma e melancia. Fica chique!

Cozinha Literária no blog da Cantão

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Hoje o Cozinha Literária saiu no blog da Cantão! Viu só que chique?

Como quem leu a página de Sobre mim sabe, eu até outro dia mesmo fazia parte do time de designers da Cantão (com muito amor e muito orgulho). E, quando eu contei para as minhas amigas de lá há algum tempo atrás a idéia do blog, elas me deram o maior apoio para colocar em prática. Logo, um pouquinho desse blog também é Cantão na alma. rsrs

Obrigada, meninas! Fazer a entrevista foi díficil (tanta pergunta que eu tinha que ficar matutando a resposta!), mas divertido e eu AMEI o post. Espero que vocês também curtam. Tá aí de novo o link!

Além disso, vou aproveitar para contar que agora o Cozinha Literária também tem Instagram! Quem quiser acompanhar, vai ver as ilustrações que eu faço aqui para o blog e mais umas outras coisinhas também. É o @cozinhaliteraria .

Um beijão,

Carol

Vilões (quase) reformados

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Você já viu um filme em que você torceu descaradamente para o vilão? Já leu um livro em que seu herói era exatamente o anti-herói? Se pegou torcendo para que  o vilão tivesse um final feliz? Então você vai se divertir com “I wear the black hat” de Chuck Klosterman.

Em “I wear the black hat”, Klosterman examina o papel do vilão na nossa sociedade. O autor usa humor para analisar os estereótipos (reais ou fictícios) que constroem a imagem controversa do vilão. Ele fala sobre bandas, comediantes, quadrinhos, filmes e casos reais, colocando-os sobre óticas inesperadas (e pra lá de divertidas). Além disso, o livro levanta questões interessantes: por quê algumas coisas são aceitáveis na ficção e não na vida real? Por quê algumas das qualidades que valorizamos no nosso imaginário são terríveis quando transportadas para a realidade? As respostas de Klosterman são cheias de insight – “As vezes, exorcizamos nossas vontades obscuras através da ficção, pois na vida real sabemos que essas vontades seriam um comportamento distorcido. E quando alguém, de fato, realiza essas vontades então os vilificamos.”

A receita dessa semana é um grande vilão das dietas no mundo todo: hambúrguer com batata e refrigerante! O famoso trio já acabou com a resistência de muita gente. Por isso decidi fazer uma receitinha vilanesca, mas com características redentoras! Os ingredientes são os mesmos, mas tudo um pouco menos junk, porque assim dá para matar a vontade e não se sentir tão culpado depois. rsrs

Hambúrguer com batata doce e refrigerante de mentirinha (serve 2 pessoas)

Ingredientes:

Para o hamburguer e as batatas:

  • 400 gramas de carne moída (fraldinha ou patinho)
  • 1 cebola pequena (pérola ou roxa)
  • 2 dentes de alho
  • 4 ramos de salsinha
  • 2 batatas doces grandes
  • sal e pimenta do reino
  • mostarda dijon

Para o refrigerante de mentirinha:

  • 1 limão
  • Água com gás
  • Adoçante
  • Gelo

Preparo:

  1. Coloque as batatas doces para ferver em uma panela com água por vinte minutos.
  2. Pré-aqueça o forno a 180 graus.
  3. Divida a carne em quatro e faça bolinhas com as mãos. Tempere cada bolinha com sal e pimenta do reino.
  4. Corte a cebola, o alho e a salsinha bem fininho. Misture tudo e coloque em um prato raso
  5. Role cada bolinha sobre a mistura de cebola e ervas, amasse bem e depois role novamente.
  6. Refaça as bolinhas e reserve.
  7. Retire as batatas da água e deixe esfriar um pouco (se quiser pode jogar água fria nelas). Corte-as em fatias redondas finas. Coloque em uma travessa refratária, uma sobrepodondo-se um pouco a anterior, fazendo um círculo. Faça um círculo menor dentro do outro (fica parecendo uma flor). Faça uma flor de batata por pessoa. Tempere com azeite, sal e pimenta do reino e coloque no forno para assar durante 1 hora.
  8. Quando faltarem dez minutos para as batatas ficarem prontas, amasse as bolinhas com a palma da mão até virarem discos e então coloque os hambúrgueres para fritar em uma frigideira com azeite.
  9. Aperte cada um contra o fundo da frigideira com uma espátula. Devem ficar de 2 a 3 minutos de cada lado.
  10. Tire do forno e sirva com as batatas quentinhas.

Preparo do refrigerante de mentirinha:

  1. Lave bem o limão. Corte-o em dois.
  2. Corte em quatro meias luas uma metade do limão e coloque no copo.
  3. Esprema a outra metade de limão no mesmo copo.
  4. Coloque algumas pedras de gelo e adicione a água com gás.
  5. Coloque adoçante a gosto.

Parece H2OH! Ou pelo menos mata bem a vontade 😉 Um vilão reformado!

Ah, acho legal servir com uma salada (pode ser bem básica: alface, tomate e pepino) e uma mostarda dijon para completar.