Killer Brownies

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Você gosta de thrillers policiais? Eu adoro. A-DO-RO. Tem coisa melhor pra uma tarde de chuva que uma pancadaria e um suspense eletrizante? Eu acho que não (culpa de todos os filmes do Van Damme que eu vi com meu pai quando era criança, tenho certeza). Se você também joga nesse time, vou te dar uma dica: Jack Reacher.

Jack Reacher é o herói de um dos papas dos thrillers de ação, Lee Child. Ele é um ex-policial militar (a polícia do exército) que virou um andarilho, sem lenço nem documento. Ele é louro, gigante, forte, inteligente e pegador farpado (o oposto do Tom Cruise, que interpretou o personagem no cinema). É o que as mulheres sonham, e os homens sonham ser. Só um pouquinho inapto socialmente, mas passa, vai. E a alimentação dele consiste basicamente de… café.

Café é a única constante na vida de Reacher. O nosso eficiente matador não liga pra muita coisa: quarto, roupa, carro, tudo é indiferente se tiver uma escova de dente e um café responsa. Em cada livro, ele toma litros e mais litros de café. Se você quiser começar por algum lugar, pode começar por “O último tiro”, que virou filme ou ir na ordem e ler primeiro “Killing Floor”. Eu, particularmente, tô lendo na ordem.

Inspirada por Reacher, pensei logo em unir seu vício com uma sobremesa que é de cair matando (com trocadilho, por favor): brownies. Uma combinação letal. Rsrs

 

Killer Brownies  (serve de 6 a 8 pessoas, mas se deixar aqui em casa eu como tudo sozinha)

Ingredientes:

  • 200g de manteiga
  • 300g de chocolate meio amargo (duas barras)
  • 1 xícara de açúcar (pode ser cristal ou mascavo)
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 3 ovos
  • 2 colheres de chá fermento
  • 3 colheres de chá de café (se você gostar de um gosto mais intenso de café pode aumentar essa quantidade um pouco)
  • 1 colher de chá de essência de baunilha

Como fazer:

– Pré-aqueça o forno à 210 graus.

– Em um assadeira refratária, coloque metade do chocolate picado mais ou menos (não precisa se esforçar muito, não) e coloque para derreter no microondas por um minuto. Adicione a manteiga ao chocolate e coloque de volta no microondas para derreter mais um minuto. Misture bem, até ficar uniforme.

– Adicione agora metade da farinha e misture até ficar uniforme. Coloque o resto da farinha e repita. Faz a mesma coisa com o açúcar, o fermento, a baunilha e o café.

– Adicione os ovos. Um de cada vez e misture bem para a massa ficar com aquela cara brilhante.

– Por último, pique o resto do chocolate até ficar com uns pedaços de 1 x 1cm e adicione à massa. (É essa metade que faz com que ele fique cremoso dentro 😉 )

– Asse durante 30 minutos.

Agora é só servir. Sugestão: servir com sorvete de Praliné da Häagen-Dazs. Hummmm, killer!

As berinjelas da Dona Fermina Daza

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Se você vai ler esse blog, eu tenho uma pergunta essencial para você: você já leu Gabriel García Márquez?

Essa pergunta é importante para mim porque os livros do García Márquez são simplesmente absurdos de tão lindos. As histórias são épicas, os personagens cheios de particularidades e vira e mexe tem umas frases tão perfeitas que dá vontade de chorar. Se você ainda não leu, vai correndo agora providenciar, tá? Eu juro que você vai me agradecer.

Mas se você já leu, você já conhece a Dona Fermina Daza e o seu relacionamento complicado com as berinjelas. Em “O amor nos tempos do cólera”, uma das obras mais conhecidas de Márquez (teve até filme com o Javier Bardem, ulalá), nós acompanhamos a história de amor de Fermina Daza e Florentino Ariza, que espera pela amada durante meio século (!), até mesmo depois de ela se casar com o charmoso Dr. Juvenal Urbino.

No começo do livro, Fermina diz a Florentino que  “Está bem, caso-me consigo se me prometer que não me obrigará a comer berinjelas”. Mas o Dr Juvenal Urbino adorava berinjelas, que eram um prato diário na casa da sua mãe. Tradição que manteve em sua casa depois de casar e Fermina teve que se adaptar. Afinal casamento é assim.

Não quero estragar o final, mas te digo que as berinjelas voltam depois para Florentino e Fermina. Um tipo de bandeira branca. Esse livro é daquele tipo que te faz rir e chorar. Faz bem para o coração, assim como as berinjelas.

Então, inspirada pelo amor púrpuro das berinjelas (viu como eu tô poética? É o que o Gabriel faz com a gente) eu decidi fazer uma versão que não aparece no livro, que seria uma inovação para o Dr. Urbino. Uma lasanha. Tem coisa mais cheia de amor do que lasanha? Eu acho que não. Então vamos às nossas berinjelas: viva!

Lasanha de berinjela da D. Fermina (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 2 berinjelas grandes ou 3 pequenas
  • 1 cebola
  • 4 dentes de alho
  • 350ml de molho de tomate
  • 300g de carne moída (patinho é a boa)
  • 75g de queijo mussarela
  • Um punhado de manjericão
  • Azeite, sal e pimenta do reino à gosto

Como fazer: (pode até parecer complicado, mas não é, porque se fosse eu não faria)

– Pré-aqueça o forno à 220 graus.

– Lave as berinjelas bem e retire a ponta de cima. Depois fatie as berinjelas de cima para baixo, fazendo fatias longas e mais para finas sem ser carpaccio. Se você tem um descascador de legumes pode fazer com ele, mas eu não tinha e fiz na mão mesmo. Despreze a primeira e a última fatia, pois tem muita casca e ficam duras no meio da beringela.

– Pique a cebola e o alho. Coloque em uma panela com duas colheres de sopa de azeite para refogar. Depois de um minuto, adicione a carne moída e misture bem. Depois de mais um minuto misture, adicione o 3/4 do molho de tomate. Misture tudo bem. Desligue o fogo e acrescente o manjericão. Misture novamente.

– Essa etapa aqui é opcional, mas eu acho que vale a pena. Em uma frigideira anti-aderente, passe as fatias de berinjela rapidamente no azeite e salpique com sal. Pode fazer várias de uma vez. Quantas depende do tamanho da sua frigideira. Coloque as fatias em um prato.

– Em uma tigela refratária, coloque uma camada da berinjelas. Bota uma do ladinho da outra com amor. Coloque a primeira camada em um sentido, depois a segunda camada no sentido inverso (se a primeira for na vertical, a segunda é na horizontal).

– Então coloque metade do recheio de carne. Agora coloque mais uma camada de berinjelas.

– Coloque uma camada de queijo, uma fatia do lado da outra até cobrir as berinjelas, no meu caso duas fatias. Coloque mais uma camada de berinjelas e, sobre esta, o resto do recheio.

– Adicione então a  última camada de berinjelas e por cima uma última camada de queijo.

– Baixe a temperatura do forno para 180 graus e coloque para assar por 35 minutos.

Pronto! Foi sucesso aqui em casa.

Um livro na mão, um pé na cozinha

Desde pequena o mundo dos livros me encanta. Acho incrível a possibilidade de ir para qualquer lugar, ser outra pessoa e conhecer novas coisas, simplesmente virando páginas. A literatura para mim sempre foi um refúgio, aquele lugar quentinho que você vai quando precisa pensar e recarregar as energias.

Já a culinária é um amor relativamente recente para mim. Desde que eu casei e saí da casa da mamãe, ficou na cara que, bem, que eu ia ter que aprender a me virar. Porque antes eu só sabia fazer três coisas: ovo, brigadeiro e cookies de chocolate. Ótimo para um cardápio balanceado, não? Mas eu não estava sozinha. A Cidoca, minha salvadora, ia lá em casa uma vez na semana e deixava sua comida maravilhosa na geladeira -aí eu só precisava tapar os buracos que sobravam.

Então nesses últimos anos venho aprendendo, devagar e sempre, mas aprendendo. E, surpreendentemente, gostando! Mas não pensem que isso quer dizer que eu virei o Jamie Oliver. Nananina-não. Infelizmente, não é muito pá-pum esse negócio de aprender a cozinhar.

E, aí minha vida mudou de novo, e a casa da mamãe e a Cidoca ficaram no Rio e eu vim morar em Floripa. A cozinha agora é só minha, e o nosso relacionamento vai ter que ser bem mais, vamos dizer, intenso.

Foi assim que um dia eu decidi que queria fazer alguma coisa coisa que juntasse meus dois amores: o novo e o antigo. Aliás, junta três, porque o marido é meu porquinho da índia e come tudo que saí do forno. Assim surgiu esse blog, onde eu vou falar um pouco de cada coisa. Contar um pouquinho das minhas explorações literárias e culinárias, e dos momentos que elas se cruzam. Será que dá um caldo?

Depois vocês me dizem o que acham.

Inté,

Carol