Viagem interna

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No ano passado fiz um curso muito legal, uma Oficina de Contos, n’O Sítio, lá em Floripa, com a querida Milu Leite, e, em uma das aulas falamos sobre o livro desse post “Se um viajante numa noite de inverno” do Ítalo Calvino.

Gente, esse post é um desafio! Não sei como explicar o livro que esse louco italiano escreveu: um labirinto de estórias que desencontra em outro labirinto, levando o leitor por um caminho totalmente surpreendente. Te garanto uma coisa: você nunca leu um livro assim. Logo de cara, Calvino já brinca com o leitor e estabelece um relacionamento diferente entre o livro-objeto e você-leitor. O tom do livro é indulgente, cheio de humor, mas não se engane: esse livro é cheio de críticas e para lá de sagaz.

A história é a seguinte: o Leitor (você!) vai a uma livraria e compra o novo romance de Ítalo Calvino, “Se um viajante numa noite de inverno” (o seu livro!) e vai para casa começar a desfrutar de sua leitura, porém, logo quando você (ele!) está chegando na parte boa, livro é interrompido por… um livro diferente. É isso mesmo, no meio do livro aconteceu algum problema de edição e agora tem outra história ali (vai uma criticazinha mordaz ao mercado editorial aí, alguém?). Confuso, o leitor retorna a livraria e, em sua busca pela história perdida, conhece a Leitora. E a partir daí a narrativa se desenrola cada vez mais complexa e surpreendente, como Alice através da toca do coelho, vamos correndo atrás de histórias perdidas, autores esquecidos e línguas mortas. Calvino usa toda a sua habilidade e humor e o final vai te deixar sorrindo. Não é qualquer autor que conseguiria uma façanha como essa -minhas palmas para esse gênio italiano.

Para esse livro delicioso, queria uma receita italiana como seu autor. Algo me lembrasse a diversão e o afeto do autor pela literatura, paixões que transparecem na sua obra. Me lembrei do primeiro episódio do Chef’s Table com o brilhante chef Mássimo Bottura, onde ele conta como pensou no seu prato de tortellini: é tão lindo, tão cheio de calor humano. Quis pensar em um prato que me trouxesse essa mesma sensação, esse quentinho dentro do peito e o que veio foi: gnocchi. Então segue aí essa receitinha simples de gnocchi de ricota, que é divertida de fazer e melhor ainda de mangiare❤



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Gnocchi de Ricota para leitores vorazes (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 450g ricota
  • 2 ovos
  • 1/2 xícara de queijo parmesão ralado fino (mais ou menos 50g)
  • 1/2 xícara de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de sal
  • 4 colheres de sopa de manteiga
  • queijo parmesão em lascas
  • folhas de manjericão a gosto para servir

Modo de Preparo:

  1. Coloque a ricota numa tigela grande e, com as mãos, quebre e esfarele em pequenos pedaços. Numa tigelinha separada, quebre os ovos, um de cada vez, e junte à ricota.. Adicione o queijo ralado e o sal e amasse bem com as mãos para misturar. Junte a farinha e amasse novamente, até formar uma massa lisa. Cubra com filme e deixe na geladeira por 15 minutos para firmar.
  2. Modele os gnocchis: com as mãos, separe uma porção da massa, enrole do tamanho de uma bola de gude e achate levemente. Transfira para uma assadeira e repita o mesmo processo com o restante da massa. Se preferir, faça rolinhos e, com uma faca, corte a cada 2 cm para formar os nhoques.
  3. Leve ao fogo alto uma caçarola média com água. Assim que ferver, adicione 1 colher de sopa de sal. Com uma escumadeira, mergulhe cerca de 15 nhoques por vez. Deixe cozinhar por mais 2 minutos depois que subirem à superfície. Pesque os nhoques cozidos com a escumadeira, escorrendo bem a água, e transfira para uma travessa. Cozinhe o restante e reserve 1 xícara da água do cozimento que mais tarde ela será utilizada para fazer o molho.
  4. Leve uma frigideira grande ao fogo médio. Quando aquecer, adicione 1 colher de sopa de manteiga e disponha metade dos nhoques na frigideira. Deixe por cerca de 2 minutos. Vire com uma espátula e deixe por mais 1 minuto para dourar por igual. Transfira para um prato e repita com a outra metade, adicionando 1 colher de sopa de manteiga a cada leva. Deixe eles bem douradinhos para ficarem crocantes!
  5. Mantenha a frigideira em fogo médio e adicione o restante da manteiga. Assim que derreter, regue com ½ xícara (chá) da água do cozimento. Desligue o fogo e mexa a frigideira, delicadamente, fazendo movimentos circulares até formar um molho liso – ao misturar com a espátula a gordura pode se separar do molho. Se desejar um molho mais ralo, adicione, aos poucos, o restante da água do cozimento e ligue o fogo novamente apenas para aquecer. Transfira para uma molheira.
  6. Sirva os gnocchis de ricota com o molho de manteiga, queijo parmesão em lascas e folhas de manjericão fresca a gosto. Se quiser também pode colocar umas lascas de amêndoas torradas que combinam muito bem.

Se um viajante numa noite de inverno”

Autor: Ítalo Calvino

Editora: Companhia das Letras

Traduzido por: Nilson Moulin

280 páginas

Pódio

Horas e horas na academia

Pra se livrar dos pneus, das calorias, das angústias

da terapia

Mulher

Dolorida

 

Décadas e décadas no escritório

Pra esquecer dos preconceitos, das contas, da babá, do preço

da gasolina

Profissional

Endurecida

 

Séculos milenares na cozinha,

Na cama, na casa, no jardim, muda

esquecida

Metade

Mal resolvida

 

Minutos e então segundos

Até o fim do mundo

Estrada, mar, pista,

rodovia

Para ser o que, quando, onde, com quem,

achada, perdida,

Louca

Varrida

 

Em homenagem a todas as mulheres fortes e maravilhosas que estão nesse mundo fazendo TODA a diferença. Vocês são OURO e quem estabelece nossos papéis (e limites) nesse mundão somos nós mesmas. Esse post foi inspirado em todas essas mulheres que cheias de vontade e determinação estão detonando essa Olimpíada: meus assombrados parabéns para cada uma que consegue fazer o impossível, possível (e belo).

À italiana

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A autora misteriosa Elena Ferrante começa a sua saga napolitana com “A amiga genial”, a história das vidas entrelaçadas de duas amigas, Lila Cerullo e Elena Greco. No livro, acompanhamos a infância das duas no pós-guerra italiano, uma situação de pobreza e limitações, aonde a morte é um acontecimento corriqueiro.

As duas amigas são as meninas mais inteligentes da escola: enquanto Elena é esforçada e estudiosa, Lila é brilhante por natureza e sedenta por informações e conhecimento. A história, narrada por Elena, demonstra as complexidades da amizade feminina. Lila exerce sobre Elena (e sobre a maioria dos personagens também) uma atração irresistível, que a motiva mas também a faz competir com a amiga. E o interessante do livro é vermos como o impacto de Lila em Elena transforma a vida dela. Além disso, o livro fala bastante de família, oportunidades e preconceitos. É muito interessante vermos que os caminhos de vida das duas meninas começam a divergir quando a família de Elena decide apoiar seus estudos e a de Lila decide não o fazer. A partir daí, Elena começa a seguir por um caminho de esforço contínuo (incentivada sempre pela amiga e pelo medo de se tornar igual à mãe) para sair do local aonde mora, enquanto Lila se resigna a viver ali a vida que seus familiares traçaram para ela.

O grande trunfo desse livro é a escrita de Ferrante, que é fluída mas ao mesmo tempo feroz. Com isso quero dizer que várias vezes eu senti o impacto das palavras, as descrições muitas vezes me causaram uma reação física. Essa capacidade da autora de evocar sensações é realmente impressionante. Eu, quando li, pude entender muito bem o que dirige os personagens e acredito que isso é um mérito enorme da maestria de Ferrante. É um livro bom mesmo, minha única crítica é que a história termina abruptamente, obrigando você a ler o próximo livro imediatamente. Mas como já existe o outro livro, “História de um novo sobrenome”, isso não é um problema muito grande, não é?

Ao ler “A amiga genial”, você vai ser transportado para a Itália, para a vida do dia a dia de lá, repleto de tomates, azeites e temperos. Mas como na história os personagens vivem uma vida de pouco dinheiro, pensei que o prato tinha que ter algo a ver com isso. E então a resposta veio em seguida: panzanella! Essa salada italiana é deliciosa e ainda reaproveita aquele pão de ontem que você jogaria fora.

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Panzanella Genial (serve 4 pessoas)

Ingredientes:

  • 2 tomates maduros
  • 6 fatias de pão italiano amanhecido
  • 1 cebola-roxa
  • 1 pepino
  • 20 folhas de manjericão
  • 3 colheres de sopa de vinagre de vinho branco
  • 6 colheres de sopa de azeite
  • lascas de queijo parmesão a gosto
  • sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Modo de Preparo:

  1. Complete uma tigela média com água filtrada e junte 1 colher (sopa) de vinagre de vinho branco. Coloque as fatias de pão e deixe de molho até que amoleçam levemente, coisa rápida, 15 segundos – a não ser que esteja bem velhos! Retire da água e rasgue as fatias em pedaços pequenos, com as mãos. Reserve.
  2. Prepare os demais ingredientes: com um descascador ou faca para legumes, tire a pele e corte os tomates em cubos; descasque e corte a cebola em rodelas bem finas; corte o pepino também em fatias fininhas; e rasgue as folhas de manjericão.
  3. Transfira os ingredientes para uma saladeira e junte os pedaços de pão amolecido e as lascas de queijo parmesão. Regue com o azeite, o vinagre e tempere com sal e pimenta-do-reino – sempre moída na hora. Com duas colheres, os talheres de salada, misture delicadamente todos os ingredientes.
  4. Cubra com filme e leve à geladeira por 1 hora. Antes de servir, deixe em temperatura ambiente por 5 minutos e acrescente mais lascas de queijo parmesão.

A amiga genial”

Autora: Elena Ferrante

Editora: Biblioteca Azul

Traduzido por: Maurício Santana Dias

331 páginas

Do outro lado

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Eu estava super (SUPER) animada para ler “Destinos e Fúrias” da Lauren Groff, para vocês terem uma ideia, o Obama disse que foi o melhor livro que ele leu em 2015. Então assim que vi na livraria, comprei e comecei a ler.

O livro é dividido em duas partes: Destinos, a história do casamento de Lotto e Mathilde pelo ponto de vista de Lotto, e Fúrias, a mesma história mas pelo ponto de vista de Mathilde. Eu adorei essa ideia, afinal, casamento é muitas vezes a mesma história vista de formas completamente diferentes: quantos casais você já viu brigando por um motivo que seu respectivo não entende? Quantas vezes achamos que entendemos o outro, só para sermos surpreendidos depois? Achei que Groff demonstrou bastante habilidade na forma de costurar as duas histórias, quando entramos em “Fúrias” o livro cresce muito. Para ser honesta, eu gostei mesmo foi da segunda parte do livro: mais ágil e surpreendente. Mas acho que essa segunda parte só é possível por causa da primeira -mais lenta e bem mais cansativa de ler. Eu gostei do livro, achei interessante, mas honestamente não é mesmo um dos meus favoritos, nem mesmo dos que li recentemente, o sr. Obama que me perdoe. Mas é um livro interessante, bem escrito, com personagens complexos (mesmo que não muito gostáveis).

Bom, pensei em o que poderia ser um prato que refletisse a dicotomia de “Destinos e fúrias”, quebrei a cabeça mesmo. Até que no final, eu que ando meio obcecada por sopas (tá frio aqui no Rio de Janeiro, gente!), decidi fazer dois tipos diferentes de sopa. As duas são de legumes, quentinhas mas radicalmente diferentes em sabor. Então segue aí, um quentinho para celebrar os últimos dias de friozinho e para lembrar que nem sempre o que nós vemos no espelho é o que os outros vêem ao olharem para nós.

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Sopas para Lotto e Mathilde

Sopa de Cenoura e gengibre do Lotto

Ingredientes:

  • 5 cenouras picadas grosseiramente
  • 2cm de gengibre picado
  • ¼ de cebola picada
  • 1 colher (sopa) de óleo de gergelim cru (ou azeite ou óleo de girassol)
  • ½ colher (chá) de sal marinho
  • 4 xícaras de água

Modo de Preparo:

  1. Refogue a cebola com o óleo de gergelim ou no azeite.
  2. Adicione o gengibre, as cenouras e a água.
  3. Adicione o sal e deixe cozinhar por 20 minutos com a panela tampada.
  4. Bata no liquidificador com a água do cozimento até ficar bem cremosa.

Sopa de Couve-flor cremosa para Mathilde

Ingredientes:

  • 1/2 litro de leite (se o creme ficar muito grosso acrescentar mais 1/2 xícara de leite)
  • 4 colheres de sopa de manteiga ou margarina
  • 4 colheres de sopa rasas de farinha de trigo
  • 1 cebola média bem picada
  • 1 litro de caldo de frango (dissolver 1 tablete em outra panela, ferver e reservar)
  • 1 couve-flor média ou grande
  • 1 caixinha de creme de leite longa vida
  • Sal e pimenta-do-reino

Modo de preparo:

  1. Lave bem a couve-flor e separe as florzinhas dos talos mais duros. Cozinhe as flores em água salgada até que estejam macias e cozidas. Escorra e reserve.
  2. Coloque a manteiga em uma panela e acrescente a cebola picada. Leve ao fogo e refogue para que a cebola fique macia e transparente. Acrescente a farinha de trigo e misture bem. Coloque o leite aos poucos e misture bem para ficar um creme (se der alguma bolota não tem problema porque vai no liquidificador)
  3. Coloque a couve-flor cozida e misture até Ferver em fogo baixo, sempre mexendo. Acrescente o caldo de frango. Ferva novamente e retire do fogo.
  4. Deixe esfriar um pouco e bata no liquidificador para obter uma sopa cremosa. Leve novamente a panela acerte o sal e acrescente pimenta-do-reino, adicione o creme de leite e misture.

OBS: Ambas sopas podem (e devem) vir acompanhadas de um pãozinho quentinho😉

OBS2: Quem agora tá superanimado com as Olímpiadas? Devo confessar que me contagiei e quero ir em vários eventos! Semana que vem vou tentar um post temático🙂

Ah, me sugeriram que eu colocasse no final dos posts as informações dos livros, e eu achei uma ótima ideia (eu já devia fazer isso, não :P). Então aí vai!

Destinos e Fúrias”

Autor: Lauren Groff
Editora: Íntrinseca
Traduzido para o português por: Adalgisa Campos da Silva
368 páginas

Malandragem dá um tempo

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“É assim que você a perde” de Junot Diaz é um romance formado por contos. Estranho, não é? Uma estrutura nova que flui naturalmente, aonde os personagens permanecem na história, flutuando em idade, maturidade e compreensão. Acho que essa liberdade de Diaz ao escrever a história de Yunior é minha parte predileta do romance: o autor não se prende a fórmulas, mas vai contando a história de Yunior da maneira que mais faz sentido para o narrador, aonde o próprio personagem identifica o começo e o final de sua história e suas ações. Não entendeu? Lê, depois a gente conversa🙂

O livro é narrado em primeira pessoa, em um tom de conversa, e por isso possuí muitas gírias e expressões típicas da comunidade latina que muitas vezes não são familiares ao leitor (pelo menos no meu caso), o que pode parecer confuso mas sem dúvida contribui muito para a linguagem do livro e na construção de Yunior como personagem. Os contos são os capítulos da vida amorosa de Yunior, que desde o começo deixa claro que “ele não é não é uma má pessoa (…), só uma pessoa cheia de falhas, mas no final uma boa pessoa.” E mesmo com a multidão de pecados que ele comete durante a narrativa, no final você tende a concordar com ele.

É verdade que as pessoas que nos cercam tendem a ter um poder formativo enorme em nossas vidas, e no livro Diaz traz isso a tona com a frequente menção de Yunior ao irmão, Rafa, mesmo após a morte deste, o irmão caçula tende a se espelhar no mais velho falecido e até justificar suas escolhas através dele. Mesmo quando reconhece os erros do irmão, muitas vezes não deixa de emular seu comportamento, o que várias vezes traz consequências péssimas para sua vida. Em “É assim que você a perde” você acompanha Yunior em uma longa lista de desastres amorosos, mas também percebe o quanto o personagem mulherengo é carente desse amor e atenção. E é por isso que o livro é tão bom.

Enfim, os personagens principais do livro são todos de origem dominicana e eu fiquei curiosa para saber qual é a comida típica de lá, já que ainda não conheço pessoalmente. E o que eu descobri, meu povo? Descobri que o negócio por lá é peixe com banana. E feijão. Mas a lâmpadinha que acendeu na minha cabeça só incluiu os dois primeiros, então aí vai: um atum em crosta de gergelim acompanhado por purê de banana -leve e delícia.

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Atum Malandro à moda Diaz

Para o peixe:

Ingredientes:

  • 600g de filé de atum
  • 2 claras
  • 100g de gergelim branco
  • 100g de gergelim preto
  • 80ml de azeite

Modo de Preparo:

  1. Ponha duas claras de ovos dentro de um recipiente e bata-as.
  2. Tempere as claras com sal e pimenta do reino e bata outra vez.
  3. Acrescente o atum e misture.
  4. Em outra vasilha, ponha um pouco de gergelim e envolva o atum com os grãos.
  5. Enrole o atum em um pedaço de papel filme para prender bem o gergelim.
  6. Enquanto isso, ponha um pouco de azeite na frigideira e deixe esquentar.
  7. Retire o papel e deixe fritar um pouco todos os lados do atum.

Para o purê:

Ingredientes:

  •  03 bananas maduras
  •  1/2 xícara de leite
  •  1/2 caixa de creme de leite
  •  01 colher de sopa de manteiga
  •  01 pitada de sal
  •  01 colher de sopa de queijo ralado

Modo de Preparo:

  1. Cozinhe as bananas com casca até que fiquem macias. Escorra, deixe esfriar e bata no liquidificador com o leite.
  2. Em uma panela, derreta a manteiga, misture o creme de banana e o sal.
  3. Apague o fogo, acrescente o creme de leite e o queijo ralado. Misture ligeiramente.

Opostos

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Resolvi ler “Golem e o gênio”, da Helene Wecker, por causa de uma recomendação no Goodreads (vocês participam? Me procurem por lá ;)) e fui surpreendida por uma história bem diferente do que eu estava esperando, a qual, admito, era bem mais clichê :p

O livro conta a história de Chava, uma golem -figura mítica hebraíca feita de barro para servir proteger um mestre, e Ahmad, um gênio do folclore árabe.Por coincidências do destino, Chava e Ahmad acabam indo parar em Nova York. O legal do livro é que ele contrasta esses dois seres fictícios de maneira esperta: uma é feita de barro, o outro de fogo, um é recém-criado pelo homem, o outro é milenar e um ser natural, a golem tem o instinto de servir, o gênio de usufruir. Esses opostos que, na teoria, os afastaria, são justamente o quê os aproxima. A solidão inevitável de ser diferente, de ser outro, é diminuída com a presença de alguém tão solitário quanto você.

Eu nunca tinha pensado muito em golens (golems?), e o pouco que tinha refletido sobre gênios vinha de “Jeanie, é um gênio”, mas me diverti bastante com o livro. A escrita de Wecker é bem fluída e, apesar de um ou outro momento em que achei o desenvolvimento meio arrastado, o livro prende o leitor. Eu me peguei imaginando como deve ser acordar para o mundo de um dia para o outro, como Chava, e também como o tempo pode parecer irrelevante quando se vive muitos anos, como Ahmad. Esses seres inumanos não compartilham das nossas necessidades de comida e sono, então eles vivem de forma ininterrupta. Imaginei uma vida sem cansaço, mas também sem muitos prazeres, onde tudo parece pequeno. Mas o que nunca muda é a necessidade de produzir algo, de trabalhar e sentir-se produtivo.

Na história, Chava trabalha em uma padaria. Sua energia inabalável a tornam uma máquina na cozinha! Meu sonho mais dourado🙂 rsrs . Repetidas vezes ouvimos falar dos seus bolinhos de amêndoa, mas gente, procurei horrores uma receita e não achei. Maaas, achei no Moldando Afeto, essa receita aqui de amêndoas que parece MARA, mas ainda não tive tempo de testar. Então lá vai! Se alguém quiser testar antes e me falar, fico agradecida.

Bolo de Amêndoas para Chava (do site Moldando Afeto)

Ingredientes:

  • Para a massa:
  • 3 ovos
  • 150 g de açúcar cristal
  • 150 g de farinha de trigo
  • 125 g de farinha de amêndoas
  • 75 g de manteiga sem sal derretida
  • 1 colher de chá de extrato de baunilha
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 pitada de sal
  • raspas da casca de 1 limão + 2 colheres de sopa do suco
  • amêndoas em palitos

 

  • Para a calda:
  • 2 colheres (sopa) de manteiga
  • 2 colheres (sopa) de mel

Modo de Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180°C.
  2. Unte com manteiga uma forma redonda (uso uma de 20 cm), forre o fundo com um círculo de papel manteiga e unte-o também. Enfarinhe.
  3. Coloque os ovos, o açúcar e o extrato de baunilha na batedeira e bata cerca de 10 minutos ou até que a mistura fique bem volumosa, uma espuma clara e espessa.
  4. Incorpore com cuidado a farinha de trigo, o fermento, o sal, a farinha de amêndoas, a manteiga e as raspas e suco de limão, misturando de baixo para cima com uma espátula de silicone. Despeje a massa na forma preparada e alise a superfície. Espalhe as amêndoas em palitos sobre a massa.
  5. Asse o bolo por cerca de 35 minutos ou até que ele cresça e doure, fazendo o teste do palito.
  6. Faça a calda: Derreta a manteiga com o mel numa panelinha. Assim que estiver tudo misturado e derretido, está pronto. Retire o bolo do forno, deixe amornar uns 15 minutos. Desenforme, e ainda morno, pincele a calda sobre ele.

À primeira vista

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De vez em quando eu quero ler uma coisa fácil, para rir e ficar bem light. Da última vez que isso aconteceu, li “Desde o primeiro instante” da Mhairi MacFarlane. Esse livro, escrito para mulheres, é perfeito para aquele final de semana na praia, onde pensar pouco e rir muito são os objetivos.

O livro conta a história de Rachel, uma mulher na casa dos trinta que está prestes a se casar com o namorado que tem desde os tempos do colégio, mas se dá conta que não está apaixonada pelo noivo e então termina tudo. Em seguida, Rachel reencontra seu melhor amigo da faculdade, Ben, que é lindo, engraçado, legal e… casado. A história alterna entre passado e presente, entre os diferentes momentos do relacionamento dos dois.

O que eu gostei foi do jeito leve da escrita de MacFarlane: as situações, embora as vezes clichê, são engraçadas e o relacionamento de Rachel com os melhores amigos é um ponto alto. O livro me relembrou a época da faculdade, de festas, cervejas e risadas. Ficar acordado até tarde e não ter que trabalhar no dia seguinte, reclamar de provas e encontrar o primeiro amor. Quem não tem saudade desses momentos?

No livro, uma cena importante se passa em um restaurante mexicano e por isso pensei que o par perfeito dessa história teria que ser um delicioso guacamole. Um prato leve, mas cheio de sabor, que lembra noites de primeira rindo com os amigos e cerveja gelada.

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Guacamole Amigo (serve até 6 pessoas)

Ingredientes:

  • 1 abacate
  • 1 tomate picado sem sementes
  • 1/2 pimentão vermelho picado
  • 1 pimenta-dedo-de-moça picada
  • 1/2 xícara de chá de coentro picado
  • 1 cebola pequena
  • 2 a 3 dentes de alho
  • suco de 1 limão
  • sal a gosto

Modo de Preparo:

  1. Amasse os dentes de alho descascados no espremedor de alho, ou corte em cubinhos e depois frite na frigideira até dourar. Reserve.
  2. Pique a cebola em cubinhos pequenos e regue com limão para tirar a acidez.
  3. Com uma faca, corte o abacate ao meio e retire o caroço. Com a ajuda de uma colher, retire a polpa e coloque numa tigela.
  4. Adicione todos os ingredientes picados à tigela com o abacate e misture bem. Tempere com o suco de limão e sal. Sirva com nachos (eu❤ Garytos).